68 comentários

  1. Falando de Brasil, a polarização é tão grande, que sim, eu deixo de consumir. Defendeu a extrume direita, é pró agro, é militarista, é anti-democrático, eu deixo de consumir.
    Falando de fora: to nem ai. Já não tenho gringos em boa conta mesmo. Adoro The Smiths, e o Morrissey é um lixo. Amo Ramones, mas reconheço que Johnny era um imbecil.

  2. Tenho quase certeza de que não houve um cancelamento, mas o único artista/banda que eu curtia quando era mais novo e parei de escutar totalmente foi o Ultrage a Rigor. Principalmente na figura do vocalista Roger. Li e escutei muitas coisas vindo dele que não compactuo e algumas abomino. Nasci em 1980 (sim, estou velho rs) e prefiro escutar outras bandas de rock nacional dessa época que curto muito mais. Ultrage a Rigor não me faz a menor falta. Aliás, quem gosta que seja feliz :)

    1. Não consigo mais escutar o ultraje… A gente não sabemos escolher presidente… e apoia quem apoiou…

  3. Depende do crime e do cancelamento. Homofobia, racismo e pedofilia para mim é tolerância zero. Apago da minha memoria e vida, quem passa pano para isso é conivente e certamente é uma péssima pessoa.

    Quando é alto totalmente interpretativo ou uma opinião “polêmica” eu analiso e decido.

  4. “Ou separa o artista da obra e jogo que segue, afinal não existe ser humano imaculado?”
    Essa opção.

  5. Eis a questão.
    Particularmente, eu tento ver alguma notícia de algum site de confiança, e depois, ver a atitude do artista. Eu gosto de ver principalmente isso. Alguns artistas que eu acompanhava antes, mandou muito mal em aparição pública, tentando justificar o que eu achava não justificável e poderia ter sido mais aceitável pedir desculpas e admitir que errou.
    Mas se for crime, aí fica mais complicado.Uma

    Uma vez fui em um evento. O artista não apareceu. Deixou todo mundo esperando. A noite toda. Não deu explicação, não falou nada nas redes sociais. Ficou difícil seguir o artista depois disso.

    É ainda difícil citar exemplos porque pode gerar estresse na discussão.

  6. Cheguei tarde na conversa, mas queria deixar meus 2 centavos. Eu acho que tem dois tipos muito diferentes de cancelamento.

    1) A pessoa que foi cancelada por ser escrota, ou ter feito algo errado. Aí nesse caso eu fico no mesmo bonde de outros que comentaram falando de gostar da obra, desprezar o artista. Nesse caso, já tendo revelado que a pessoa é escrota, cada um que escolha se ainda apoia ou não, e quem tem proximidade com o artista pode escolher se ainda tem contato com ele ou não.

    2) A pessoa que foi cancelada porque usa o dinheiro da arte pra coisas horríveis. Tipo o P-Diddy com tráfico humano e exploração sexual de menores, ou a J.K. Rowling usando o dinheiro pra financiar grupos políticos que tiram direitos de pessoas LGBT+. E aí nesse caso, todo mundo deveria parar de apoiar o artista de qualquer forma que leve a ganhos financeiros, independente da qualidade da obra.

    Porque no caso 1, se a pessoa é só escrota, dar mais ou menos dinheiro pra ela não faz ela ser mais ou menos escrota. Mas no caso 2, dar mais dinheiro pra ela resulta em mais coisas horríveis sendo feitas. Cada pessoa ainda dando qualquer dinheiro pra criadora de Harry Potter está diretamente financiando e fortalecendo grupos de ódio. E nesse caso, não dá pra relevar a consequência do que vai ser feito com o dinheiro.

  7. A frase “pode-se apreciar a arte e desprezar o artista”, que costuma ser atribuída ao dramaturgo e poeta russo Vladimir Maiakóvski, reflete bem o que penso e não tenho problemas com isso. Minha lista de desprezados (que não inclui apenas artistas) é bem maior do que a dos apreciados e, mesmo esta, é bem precária.

  8. Quem lê ou consome obras de qualquer pessoa do século 19 para trás provavelmente já vai saber que o artista em questão tinha algum atributo que seria considerado hediondo ou insano hoje em dia. Possuir escravos, racismo, cometer assassinato ou genocídio, ter intolerância religiosa, nem preciso falar de feminismo. Então, eu não separo autor da obra (intelectualmente) porque isso não existe: o autor mostra o contexto social da origem da obra, e também parte de sua vida e interesses pessoais está refletida nela, eu só emocionalmente me distancio do afeto com o autor se existia, e trato como informação histórica. E, como estamos num mundo capitalista, se eu quero apreciar a obra, eu só arranjo ela de uma maneira que não renda dinheiro ao artista, e não divulgo este consumo para ninguém (nem conversa nem rede social), e se for divulgar de tão excepcional que achei, incentivo outros a fazer o mesmo (o que é mais fácil de fazer com livros, música, filmes, etc).

  9. Do artista eu gosto da obra, evito sempre construir uma visão idealista da pessoa, todos temos nossos demônios mas pra mim a obra sobrepõe o artista, a não ser qdo a obra é contaminada pelo viés do próprio. Vou dar um exemplo, eu comecei a me interessar por animes assistindo Samurai X (Rurouni Kenshin) que é uma obra magnífica, porém Nobuhiro Watsuki, o criador do mangá, foi acusado de pedofilia, acusação pesada, mas não dá para destruir a obra que ele produziu e que não foi contaminada por esse ato escabroso que merece a mais rigorosa punição possível. Continuo um grande admirador da obra sem deixar de ser um crítico ferrenho ao autor.

  10. Dos artistas que eu gosto, eu não tenho notícias de nenhum deles. Só fico sabendo quando é algo grave ao ponto de passar no Fantástico.

  11. Bom mesmo este tópico, por isso quero fazer algumas perguntas, que vão todas no mesmo sentido: até onde vai a leniência?
    O que alguém precisa fazer para ser cancelado? Por exemplo, se algo foi feito com mão de obra escrava, esse algo merece existir?
    Exagerando um pouco mais: experimentos médicos não autorizados mas bem sucedidos, com pessoas, devem ser tolerados? Os resultados devem ser descartados?

    1. Daqui a pouco vamos chegar no nilismo com este debate.

      Creio que a lógica é assim: Algo que é corrigivel, perdoavel, uma ou duas vezes é ok e a gente só fica mais esperto no segundo erro. Errar demais, bem, aí o problema é que por mais que tenha pessoas que vão ignorar esta pessoa, há pessoas também que vão tolerar ou considerar que o que ela fez não foi errado. Só observar a política brasileira nos últimos 8 anos…

      Quanto as situações postas por ti, tem uma complexidade pois infelizmente hoje se oculta situações que justamente possam cair no que você cita – e não a toa existe a justiça para buscar formas de corrigir isso. Só lembrar que no Rio Grande do Sul descobriram uma rede de tráfico de pessoas para trabalhar em parrerais das empresas vinícolas. Puniram “os tercerizadores”, mas não as empresas vinícolas. Isso falando por exemplo de mão de obra escrava. Lembremos também que no passado fabricantes trabalhavam com mão de obra escrava ou próxima a tal nível. São anos de correções legais para chegar onde estamos. E pior que ainda tem muito o que mudar.

      No caso de experimentos médicos, sei que existe toda uma ética sobre. E experimentos moralmente dúbios ou já próximos a algo abjeto para muitos, não duvido que tais acabam em grupos ocultos de estudo relativos. Não viriam a público exceto se investigado ou revelado por alguém.

      Pega o caso recente que virou viralizado da pessoa que divulgou que tem cursos com exercícios em cadáveres (o caso do “fresh frosen”). Me pego pensando se isso foi caso pensado ou a pessoa realmente “foi inocente” em divulgar um trabalho deste tipo.

      A questão da clonagem de seres vivos mesmo – hoje tem até mercado mas não é tão midiático quanto foi no começo. De alguma forma, a divulgação midiática acabou tolerando este tipo de conceito, e hoje ao menos para cães, gatos e outros sei que as pessoas buscam clonar.

  12. O pior dessa postagem e descobrir um monte de gente que fez merda e eu não sabia :D
    rindo pra não chorar!

  13. eu acho engraçado gente que se acha superior porque parou de ver harry potter, deixou de ouvir caetano veloso ou ler borges, porque os criadores tem opiniões diferentes…
    não existe ser humano perfeito, e se vc não conseguir separar a obra do artista, vc vai acabar não consumindo arte alguma, porque se pesquisar bem vai ver que o humano que a criou é, veja só, um ser humano, e vai ter alguma opinião que vc não compactua.

    1. Poxa, vida. Eu acho que as coisas não são tão preto no branco como você pôs não. Não são só opiniões nos exemplos que você citou, alguns são de fato crimes ou extrema falta de bom senso, seja por não respeitar minorias sociais ou então namorar meninas de 13 anos, tendo 40.
      Quando você consome obras feita por pessoas acreditando que tem como separar obra de artista, sem realizar uma crítica, aí cê tá lelé ou no século passado.

      1. Defina bom senso. É algo universal, que abrange todas as culturas e credos?

        Acho, por exemplo, extrema falta de bom senso chamar alguém de “lelé” por expressar sua opinião num espaço online, mas alguns já acham normal.

        1. Nos 3 três exemplos que você dei temos transfobia, um homem de 40 anos ganhando como presente de aniversário a virgindade de uma menina de 13 e racismo. Eu não deixei de ouvir Caetano ou ler Borges (harry potter só soube da existência quando já era adulto, nunca me interessei) porque sou da opinião que se a gente for excluir artistas escrotos do nosso rol não vai sobrar ninguém, mas nenhum dos três casos é de mera “diferença de opinião”

      2. Você defende que as pessoas tem que fazer uma avaliação pessoal e moral do artista pra poder consumir a obra, e eu que to no século passado?

        O Steve Jobs não era a melhor das pessooas, abandonou a filha, usava drogas, etc. Mas você usa o iPhone, né?

        O ponto é que, se vc for analisar a moral de todo mundo que criou algo pra poder validar seu uso, você vai viver no mato. E olhe lá.

    2. Quanto a Harry Potter, acho superior parar de consumir mesmo pois a picareta mofada lá reverte seus ganhos ativamente na luta contra os direitos LGBTQIPN+.

  14. excelente tópico!

    eu como apreciador de metal extremo, principalmente black metal, estou sempre em conflito quanto a limites e até que ponto consigo tranquilamente separar a pessoa de sua obra.

    tinha escrito um texto da porra aqui, mas tudo ia girar nisso: se o cancelamento veio porque o artista se posicionou como um racista/nazista escroto isso me impede de separar a obra do artista, não consigo nem ouvir ‘na surdina’, eu simplesmente veto e sigo a vida, de resto, vou analisando cada caso em particular…

  15. Nada a ver… se eu gosto do trabalho da pessoa, é que algo bom ela passa. Não estou nem aí o que a pessoa faz da vida pessoal dela.

    Ainda me dei ao trabalho de entrar no link e ler alguns comentários, povo falando do Dave Grohl. Eu curto o cara, Foo Fighters foi a banda da minha juventude, continuo gostando. Ele que se resolva com a esposa e a amante, to nem aí.

    Cada vez mais as pessoas julgam as outras, acham que tem que tomar partido de tudo, tudo tem que ter uma opinião, ou crucificar ou endeusar. Ah, para, encheção de saco isso. Só vive e tua vida e seja feliz.

    E outra, ninguém é 100% perfeito ou 100% um monstro.

  16. Eu costumo cancelar os canceladores.

    Se alguém vomita virtude e aponta dedos, já julgo que não presta e com certeza faz pior.

    1. Eu acho que isso depende muito do caso.

      Tem gente que fica mandando “fulano falou um palavrão, vamos cancelar ele”. E aí bate um ranso mesmo, dessa pessoa com excedente de virtude e pureza.

      Mas e um artista como o P-Diddy que foi revelado que passou anos e anos usando o poder e dinheiro que vem da fama dele pra praticar tráfico humano e drogar meninas menores de idade pra abusar sexualmente delas? Ainda criticaria quem reclama dele?

  17. O Alexandre Linck, do Quadrinhos na Sarjeta, faz um corte: se o artista for vivo, cancela, se estiver morto, tudo bem. É um critério interessante, mas não cobre tudo.
    Não consigo mais ver os filmes do Mel Gibson sem lembrar que ele é levemente nazista. Nem consigo mais escutar Ultraje a Rigor. O Lobão só me parece meio tonto, acho que ele é medicamente maluco mesmo, então passo um pano para ele. Na real, nem faz falta. Nenhum dos dois.
    Mesmo tendo fissura pelos filmes do Hitchcock, eles tem o gosto amargo do assédio sexual/moral. O mesmo vale para o Kubrick. E mesmo ambos estando mortos, as obras ficam marcadas.
    A pergunta que faço é: precisa ser cretino para ser bom? A gente sabe que a resposta é não, tem muito artista excelente que nunca deu motivo para cancelamento.
    Todo mundo erra, mas erros não são binários, existe gradação. Eu, por exemplo, quase sempre excedo o limite de velocidade, já o Silvio Almeida …

    1. O Alexandre Linck a propósito foi meio que cancelado no meio dos estudiosos da arte (e parte da bolha progressista) pois foi revelado que ele tem um jeito muito próximo a de abusador / assediador; desincentivando ou provocando as pessoas como se ele fosse o único dono da moral perfeita. A lógica dele em partes é válida, mas ele deveria se perguntar se vale a ele também.

      “Eu, por exemplo, quase sempre excedo o limite de velocidade”: bem, quem vai te cancelar ou são as leis de Newton ou as leis de trânsito. Exceto se você atropelar alguém e seu nome for parar nos jornais, tipo os caras dos Porsches.

      Quanto ao Silvio Almeida, sempre notei que ele tinha uma personalidade meio “esnobe” de alguma forma com o público leigo, ainda mais para uma pessoa em busca de correções culturais na qual leigos deveriam ser atingidos e aprenderem. Se uma pessoa me soa esnobe em público, me diz muito sobre como ela age fora de olhares alheios.

  18. É triste… não tem como relevar. Depois que sabemos de podres, ainda podemos consumir a obra da pessoa, mas fica uma mancha, não é a mesma coisa e boa parte da fruição se perde. É o que sinto no caso do Neil Gaiman agora.
    É muito melhor quando consumimos uma boa obra de uma pessoa que consideramos gente boa.
    Eu até gosto de me desafiar e consumir obras de autores com opiniões políticas e convicções contrárias às minhas, desde que bem embasadas, para tentar entender o “outro lado”. Agora denúncias de assédio, racismo ou misoginia não tem como aceitar.

    1. Essa do Gaiman me doeu mesmo, ainda mais levando em conta aquela história que ele escreveu sobre Caliope.

  19. borges era um escroto: racista, machista, conservador. Reunia todas as características presentes nas piores pessoas do mundo. Mas ainda assim está entre os melhores escritores do século 20.

    não vou deixar de ler seus contos por conta disso, mas isso não significa que a gente passe pano pra escrotidão dele

    a beleza é violenta e perigosa

  20. Aprecio a obra, o que o autor faz ou não além da obra, não é algo que me importe ou me interesse de alguma forma. E não ter redes sociais ajuda, raramente alguma coisa chega até mim.

  21. Soube que o Anthony Kieds do RHCP se envolveu com uma menor ou abusou e tudo está na biografia ou algo assim, me deu ojeriza ao ler sobre…ando ouvindo cada vez menos, seria um fator a ser estudado rsrs.
    Não é um cancelamento público mas talvez pessoal.

    Sobre cancelamentos e afins, estamos vivendo uma especie de Adapte Or Die.(em referencia ao album da banda Everything but the Girl de remixes em 2005)

    1. O pior é que se e a gente for filtrar esses rockeiros por isso, vai deixar de ouvir qqr banda de rock dos anos 60~90. As groupies eram todas (ou quase todas) menores, no limite.

      1. É foda porque parece que a pessoa está passando pano, mas dependendo do ano em que aconteceu, e claro, se foi alto com consentimento, era bem normal de relacionar com menores de idade, ainda mais se tratando de rockstars. Sem querer comparar, mas minha irmã nasceu nos anos 80 quando minha mãe tinha 14 anos, o pai dela, já falecido, é lembrado por minha mãe como um grande homem e com muita saudade. Por isso penso que cada caso tem que ser analisado com bastante contexto e não com a régua dos dias atuais.

  22. no geral eu mesmo cancelo … com raríssimas exceções não consigo separar a obra e a pessoa

    tem muitos, mas Fagner e Djavan são os que me lembro no momento … e Caetano Veloso também 😁, um cara super oportunista

    mas confesso: não cancelei foi o autor de Dilbert, que nem sei se ainda é publicado

  23. Na medida do possível, eu tento separar as duas coisas.

    Stanley Kubrick era a pior pessoa possível, mas tem filmes geniais.
    Caetano Veloso se relacionou com uma criança de 13 anos (que ele segue casado), mas é um dos grandes gênios da música brasileira.

    Dois exemplos que eu escolho não cancelar e seguir apreciando a obra sem apreciar a pessoa.

  24. Não ligo. Até pq o cancelamento mais famoso da história, a Escola Base, no final provou-se que não foi nada do que a imprensa divulgou. Vindo pros dias de hoje, a internet apenas criou um megafone para as acusações que no final se provam falsas.

      1. Na época havia consenso que os donos da escola estavam errados. Não me lembro de um cancelamento que tenha acontecido após todas as chances do cancelado se defender terem se esgotado. Pelo contrário, depois da tormenta invariavelmente vem um “veja bem”, “não era bem assim, talvez a internet tenha se precipitado”… Fora que todo cancelamento hoje é politico. Ao primeiro sinal de coisa errada as pessoas vão “cavar” em quem a pessoa votou. Não tenho tempo pra isso.

  25. Tem algumas músicas do Marilyn Manson que marcaram minha adolescência, e depois das acusações de abuso físico e psicológico eu parei de me declarar fã dele, de acompanhar e ouvir. Porém essas músicas eu não parei, porque elas estão associadas com momentos e memórias minhas, pra mim são muito menos obras e mensagens DELE, então ouço eventualmente.
    Mas da carreira atual, não faço ideia se lançou algo, se tá na ativa, o que falou ou que anda comendo kkkkkk

    1. Eu era muito fã dele, gostava de muitas coisas, me identificava com as músicas e com o que ele dizia. Depois de saber dos escândalos não consigo nem ouvir a voz dele, simplesmente não consigo separar a obra do artista.

      O que eu tenho refletido é sobre como serão as coisas com o Silvio Almeida, que apesar de não ser artista é uma pessoa com uma criação acadêmica importante, e que acabou fazendo o que fez (e repetidas vezes, supostamente), não sei se nesse caso a gente deve descartar tudo o que ele produziu de tão importante. De cara, penso que não. Que a obra dele ainda deve ser considerada, com a ressalva da vida pessoal negativa.

      1. Caramba, ótimo ponto que você trouxe. No caso de uma produção acadêmica e científica eu penso que se existe a discussão que outras pessoas que pesquisam esse assunto trazem e como agregam a teoria que o Silvio (ou outro) produziram nas suas pesquisas, pode ser que soe um pouco mais tranquilo. Imagino que possa ter um acordo geral aí de que é um campo teórico de construção coletiva e por isso bem maior que filósofo tal ou doutora tal, então segue o jogo.
        Mas nossa, complicado justamente por ser uma produção científica da área de humanidades, que acaba envolvendo ideologias e vivências pessoais demais.

  26. Attack on Titan cancelei bastante. Terminei de ler mas o anime eu caguei no final.

  27. Depende de alguns fatores (o motivo do cancelamento, a proximidade do artista com a obra, etc). Pode até não existir ser humano imaculado, mas existe uma diferença enorme entre ser um chato/c*zão e ser um assediador. Se eu gostar da obra, se a situação não for grave e se for possível estabelecer um distanciamento entre o sujeito e a obra, eu não tenho problemas em continuar consumindo aquela obra. Agora, se não for possível estabelecer esse distanciamento, paro de consumir. Pra mim, não é possível assistir a um filme cujo ator principal tenha cometido algum crime grave, pq simplesmente não vou conseguir me concentrar no filme ou acreditar naquele universo sem me lembrar do ocorrido. Então a obra acaba ficando manchada, de certa forma.

    1. Concordo. Em alguns casos, o artista teve um posicionamento ruim que dá para ignorar, não afeta a obra. O problema é quando você percebe que a opinião/crime do artista está introjetada na obra de certa forma. Um exemplo pode ser o caso do Dan Schneider, criador de várias séries infantis do Nickelodeon e que tem denúncias de assédio sexual e pedofilia na ficha. Depois que você fica sabendo disso, passa a perceber claramente um subtexto sexual em algumas piadas, o que pode tornar (re)assistir as séries desconfortável.

  28. e quando você apenas escuta/assiste e não sabe nem sequer que foi “cancelado”?! =)
    viva um mundo com, pelo menos, um pouco menos de redes sociais…

  29. Depende do motivo do cancelamento. Se for algo muito grave fica difícil não pensar no caso ao tentar apreciar o filme/música/livro/etc

  30. Depende do tamanho da cagada que o cara faz…. Clapton é um arrogante e xenófobo, mas ainda é toleravel por outros sentidos… Já Roger Moreira e Digão eu não suporto nem ouvir mais.

    1. No caso do Clapton eu nunca mais tive aquela vontade de ouvir, até porque vendo o contexto todo da carreira dele basicamente ele se apropriou do Blues, um gênero de música de raiz do povo negro estadunidense, pra ganhar dinheiro e fama sendo um britânico branco. Mas a maior parte dos músicos de blues negros não ganharam nem um quinto da fama ou fortuna dele. Prefiro ouvir artistas como Muddy Waters, Buddy Guy e John Lee Hooker, porque eles sim deviam ter ganho o reconhecimento e fama que o Clapton recebeu.

      1. Já leu a biografia do Clapton? Ele até admite que foi uma péssima pessoa. Ao menos ele tentou melhorar em muitos aspectos.

        E sobre a música, relaxa. Ao menos ele, assim como Elvis, ajudou a dar muita visibilidade ao estilo.

        1. Não dá para relaxar, não existe essa de “dar visibilidade”. Existe apropriação cultural, na cara dura, sem disfarce!!!
          A pessoa negra não serve para entrar pela porta da frente, mas a música dela pode ser cantado por um branco?

          1. Uma dúvida sincera: onde é o limite da apropriação cultural? Ainda mais música que compartilha muitas raízes, acho complicado delimitar. O Clapton é criticável em várias coisas citadas (xenófobo, racista, abuso de drogas, ser simplesmente escroto, etc..), não vou passar meio pano, mas acho que ele trabalha bem com suas influências.

            Diferente dos problemas que o Led Zeppelin teve com Willie Dixon por exemplo, ele sempre deu crédito. Colabora com vários artistas blues: seja de consolidados como Buddy Guy e B.B. King, novos músicos tipo Gary Clark Jr e menos famosos como Johnny Winter e Sonny Landreth. Acho bem legal aquele festival Crossroads que ele organiza, conheci muita gente por lá.

            Não consigo ver como um problema – artistas que chegaram ao estrelato como Eric Clapton e John Mayer – dando espaço para as influências para um público muito maior de rock e pop, que provavelmente nunca teria esse contato.

          2. Bastar vc ver as expressões utilizadas: “dar visibilidade” ou “dar espaço”.
            Ninguém deu nada, pelo contrário, tomaram.
            No caso do Clapton (nome bem apropriado) ele era racista até a hora de se apropriar do estilo de música dos negros. Nada contra um cara branco usar referência da cultura negra, é normal. Mas pelo menos dê os créditos e não seja racista. Apoie aqueles que são o combustível da sua arte.

          3. Posso continuar a ouvir tanto artistas negros, brancos ou amarelos sem problema?

        2. Talarico sacana esse aí, além de todos os outros defeitos.

          1. sim. um bebado desgraçado, isso quando não tava drogado com heroina. conta que tocou no concert for bangladesh e não lembra de nada… inclusive conta no livro que se arrepende muito do que fez aos outros, que não entende por que algumas pessoas continuavam tentando ajudar ele.
            as ultimas décadas tão cheias de pessoas que idolatramos, mas cometiam coisas terriveis.

            e essa ultima do Dave Grohl? Ele traiu, fez merda, mas o pessoal tá pegando muito pesado. Pessoas legais cometem erros e pessoas ruins tambem fazem coisas boas. Não dá pra levar tudo no radicalismo.

        3. A visibilidade que ele deu ao estilo infelizmente foi muito pouca quando se compara com a fama e reconhecimento que ele ainda possui. Putz, mesmo vomitando preconceitos e sendo negacionista na pandemia o cara ainda é chamado pra fazer shows no Brasil, e os jornalões adoram fazer review e falar dele. Vai ver se algum bluesman negro é divulgado em portais nacionais quando vem ao Brasil… rarissimamente. Mas eu sei que o problema não é o Clapton em si, mas o sistema que o lançou, e ele apenas surfa na onda da indústria musical, que sempre teve esses métodos extrativistas de catapultar artistas brancos com estilos musicais de culturas minoritárias. A indústria lucra e continua fazendo bilhões, mas a maioria dos artistas que ajudou a criar os estilos que eles roubaram morreu pobre.
          Enfim meu ponto é: prestigie artistas negros, ou artistas que realmente representam a cultura que estão cantando/tocando.

  31. Obvio que tem que se separar a arte da pessoa. Até porque é coisa de gente dodói ou adolescente ou emocionada virar fã da pessoa.
    Juntar as duas coisas é meio facistóide.
    E realmente, não existe ninguém imaculado. Se você cavucar acha podre de todo mundo, inclusive meu e seu…kkk

  32. Tem muito artista dando a volta no cancelamento e (re)encontrando seu público. Veja os casos de Louis CK e Mel Gibson.

    Particularmente, nenhum dos artistas que acompanho foram cancelados (ainda).