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aportuguesando palavras estrangeiras

sempre gostei muito de aportuguesar palavras estrangeiras que se tornaram comuns no dia-a-dia (especialmente aquelas ligadas à tecnologia digital)

sempre gostei de escrever “linque”, “saite”, “feicebuque”, etc

mas queria discutir como aportuguesar algumas outras:

1. “streaming”: que tal “estrimin”? (com “n” mesmo no final)
2. “power bank”: assim como aportuguesamos o copidesque lá no passado, por que não criar o “pauerbenque”?
3. “tablet”: se “layout” vira leiaute, por que não “táblete” mesmo?
4. “smartwatch”: embora exista a expressão “relógio inteligente”, por que não “esmartuote”? Ou até mesmo um “esmartuoche”?

que mais?

27 comentários

27 comentários

  1. O que é legal é quando as palavras são ressignificadas, por exemplo, gameficação. Juntaram uma palavra em inglês com o sufixo em português e criou-se algo novo.
    Outro que gosto é test-drive, tudo bem que só teste tem o mesmo significado, mas test-drive é um teste diferente, é um teste aprofundado.

  2. que bom começarem essa discussão ! adoro a ideia de aportuguesar termos estrangeiros. isso implica em maior enriquecimento de nossa língua

    minha contribuição:

    roommate (“colega de quarto/apartamento”) = rumeite — também assumo derivações: rumeitar, rumeitante, rumeitador

    backup = becape (já está dicionarizada, mas pouca gente usa) — derivações: becapar, becapado

    smartphone = esmarte-fone (guimarães rosa já escrevia sobre os “olhos esmartes” de diadorim em “grande sertão: veredas”)

    1. inclusive porque se diz “QR code” num mix de português e inglês, quando se poderia dizer simplesmente “código QR” ?

    2. ah, tinha esquecido do guimarães e de um dos aportuguesamentos mais lindos que existem: “estória”

  3. Não gosto desse aportuguesamento, principalmente quando existem palavras em português que são mais fácil e mais imediatas, imprimir é melhor que “printar”, recurso é melhor que “feature”, orçamento é melhor que “budget” e o pior de todos: briefing 🤦🏾‍♂️, em que universo essa palavra é melhor que resumo!
    Tem um exemplo absurdo, mas que não vou lembrar agora. Já lembro e conto.

    1. Concordo.

      Chega a soar ridículo ver alguém falando “feature”, “budget” e “briefing”.

    2. voto com o relator

      com exceção de que eu acho que termos técnicos em “informática” (eu adoro essa palavra 😀) de maneira geral não devem ser traduzidos ou aportuguesados

    3. Eu durante os meses criei um mini dicionário de palavras que o pessoal usava nas reuniões. Lembro da galera ficar usando “timebox”, “meeting”, “call”, “kickoff”… Sério, ficava na raiva. Fala tempo, reunião, chamada, ponta pé!! Fora que ainda usavam “grooming” pra se referirem a um tipo de reunião específica. Dai fui procurar no Google o que era… o pessoal não tem noção.

  4. Mas tem uma coisa, né. O povo do digital acha que seu mundo = Brasil. O melhor exemplo foi uma criatura que disse que usava “quotar” porque era “mais fácil” – quando existe tanto “citar” como “quotar” (nesse caso, relativo a fazer a cotação de algo). No caso citado aqui, “deploy” é “implantação”. Não é ação, equipamento ou tecnologia que não tem correlato no país ou no idioma. Tem – mas parece que é mais descolado (cool) aportuguesar um termo que já existe em português. Por outro lado, “correio eletrônico” existe, assim como “e-mail” é dicionarizado, mas não vai demorar muito a palavra perder o hífen (que está, pouco a pouco, deixando de ser usado porque o Trends aponta para maior uso de “email” – e SEO etc).

  5. Manda um zap mostra o quão legal é um idioma, e o que eu mais admiro em comunicação: deixa a sociedade se controlar, nunca force. No final o que importa é a comunicação entre nós, e se ofendemos patriotas ou grammar nazies no processo… win win!

  6. Posso ser um ponto fora da curva (ou então estou levando essa discussão muito a sério), mas não gosto de forçar um aportuguesamento assim, quando a palavra original já está disseminada e já passa o sentido pretendido. Fora o fato de colocar mais um obstáculo na comunicação escrita, que já carece de alguns sinais que só a comunicação verbal tem.

    Meio que soa pretensioso e até meio condescendente, sabe? Do tipo, passa uma mensagem dizendo: “olha, o jeito correto de falar de acordo com a norma culta da língua portuguesa é ‘esmarteuótche‘ e ‘pouerbanque‘, e não ‘smartwatch‘ e ‘power bank‘, como se fala no português vulgar e errado”.

    Novamente, sei que provavelmente não é esse o objetivo da discussão, mas não posso deixar de apontar esse meu sentimento.

    Mas como já foi apontado, algumas palavras aportuguesadas e/ou apontadas tem seu charme que nenhuma outra estrangeira tem. “Leiaute” é um exemplo. E pra quê dizer “fazer download” ou “upload”, se temos as belíssimas “baixar” e “upar”?

    Por outro lado, vejo que “linque” e “saite” de certa forma são entendíveis, pela antiguidade dos termos, mas nunca vi ninguém escrevendo “vou mandar um imeio” ou “preciso comprar um mause novo”.

    1. pra mim é o contrário: a adoção indiscriminada de palavras em inglês me parece exageradamente cafona, patética e pretensiosa

      fica parecendo aquele povo da faria lima que troca orçamento por budget, prazo por deadline, etc

      isso não quer dizer que eu seja um purista da língua: ao contrário, acho que aportuguesando estamos justamente tratando com o devido deboche o uso de palavras estrangeiras, sem soar patético

    2. Eu uso “enviar” como tradução de “to upload”.

      Do outro lado do Atlântico, o pessoal foi mais esperto: chamam “mouse” de “rato” e “site” de “sítio” (embora esse eu já tenha lido/ouvido no Brasil também).

      1. Puxa, “sítio” seria uma boa. Dá a ideia de que a internet é uma grande fazenda :D

        Pelo que ouvi, em italiano e em castelhano usam-se os análogos a “site”: respectivamente “sito” (ou “sito web”) e “sitio” (sem acento). No Brasil, não sei porque, é que só falamos “site”.

        Nem se falem de palavras anglófonas que não são faladas em países anglófonos e que só os brasileiros falam: “notebook” (“laptop” nos EUA), “pendrive” (“USB stick” nos EUA), “shopping” (“mall” nos EUA) etc.

  7. Sou da área de TI e adoro a palavra deploy (disponibilizar um site ou sistema para o público). E quando vi o verbo deploiar achei fantástico! 🤩

  8. Meu TCC foi nesse tema.
    PS.: tem milênios que não atuo mais na área, então posso escorregar e. Alguns conceitos aqui.

    Acontece que quando a palavra vem para o português ela ganha as características fonológicas da língua de destino. Em linhas gerais, a palavra se molda ao acento do português brasileiro (acento fonológico, é não gráfico), passando à regra geral da nossa língua que é ser paroxitona. Outra coisa que acontece é a palavra receber uma vogal de apoio, já que o português não aceita sílabas terminadas em consoante. Exemplo: self service > sel-fi-ser-vi-ci.
    Também pode ocorrer
    mudança no ponto de articulação.
    E por aí vai

  9. uma que acho particularmente interessante é “e-sport”

    para falantes nativos de inglês é muito explícita a diferença para “sport”, mas pra gente essa diferença se perde se a gente não destacar bastante o “i” do início

    como abrasileirar pra não ficar igual a “esporte”? será que devíamos criar o… “isporte”?

    1. Eletronic sports -> e-sports
      Esporte eletrônico -> esportee
      ?