No momento faço doutorado, e trabalho lendo muito, principalmente porque uso fontes documentais. E constantemente sou abatido por essa dúvida: compro o próximo livro físico ou digital?
Várias vezes as cópias para eReader são coisa de 15, 20 reais mais baratas, o que torna elas muito caras por um arquivo digital e não tão mais baratas que o livro físico, e tem toda a problemática da Amazon um dia querer roubar ela de você algum dia. Enquanto isso o livro físico é um fardo, difícil de carregar para congressos, estágios sanduíche, e as vezes até no dia a dia. Minha estante em casa mesmo está para lotar.
Acontece que: quando leio digitalmente, ficho mais rápido, e intercalo melhor a leitura e escrita. Porém quando leio um livro físico, me parece que consigo refletir mais sobre o que li, e até mesmo leio mais rápido por não ter tanta fadiga ou distrações.
Venho intercalando os dois jeitos, e em dois anos não notei qual é melhor de fato, ou decisivamente, o fator que tem me feito decidir por mais livros digitais até aqui é o financeiro, pirateio o que preciso rapidamente, e as opções, é muito difícil achar livros internacionais no Brasil num bom preço, ou em bibliotecas.
Não consigo decidir, por isso queria ouvir de vocês!
10 comentários
Faça o seguinte:
Compre a versão física, afinal será pra sempre seu. E pirateie a digital do mesmo livro. Você já comprou a obra física, qual diferença fará pro autor se você tiver ele em pdf ou epub?
Assim, você lê melhor a versão física e absorve melhor o conteúdo como já disse, e em caso de precisar procurar algum tópico específico, faça na digital.
assim funciona pra mim:
– se é conteúdo técnico, consumo digital pois já é no meu dia-a-dia de trampo comum.
– se é por hobby, sempre físico, pq desvinculo da ideia de ‘ler algo pro trampo’.
uso mais ou menos a mesma estratégia para jogar, como uso 8h ou mais por dia o pc, prefiro o console, pq desvinculo da ideia de trampar, mas isso é outro papo…
Jeferson, não há resposta A ou B. As duas opções são válidas e você deve usá-las o tempo todo, a depender do seu objetivo de leitura em um determinado momento da tese.
Também faço doutorado e entendo suas angústias. Normalmente, eu leio digitalmente, no computador ou no tablet, e se noto que o texto é muito interessante, imprimo no papel, para poder ler com calma e com mais reflexão. Sinto igualmente que ler em papel me dá mais ideias para o meu próprio texto. Leio, sublinho, escrevo no lado, penso, volto ao papel, quando vejo se passou uma hora ou mais de foco pleno.
Quando leio no digital, sinto essa perda de foco que outros relataram (olha eu aqui no site ao invés de ler um paper sobre os conceitos de Stimmung, Aura e Atmosfera)! Mas o digital é rápido para encontrar palavras-chaves, organizar referências (Zotero meu melhor amigo dos últimos tempos), checar conceitos.
Por último, no momento estou fazendo meu doutorado-sanduíche em Lisboa, e tento ser o máximo seletivo possível para adquirir livros (pesa bastante na mala). Pra ser sincero, as bibliotecas aqui são tão boas, que eu empresto bastante, leio, tiro cópias, diferentemente do Brasil, onde eu comprava mais livros. Gostaria que houvesse mais bibliotecas na minha cidade com a boa seleção de livros que eles têm aqui.
Abraços e força na tese (!)
Faço doutorado também. Eu separo os livros da pesquisa dos livros de lazer. Em relação à pesquisa eu sempre procuro livros em formato PDF e leio eles no Zotero, em um iPad, e apenas compro quando não consigo baixar de graça no caminhão tombado, e mesmo assim prefiro comprar o livro usado na Estante Virtual, por questões ambientais. Com relação aos livros do lazer, eu baixo no caminhão pirata também, sincronizo no Calibre/Kindle, e quando não acho de graça por aí, eu compro o físico, também usado. Eu não tenho preferência pelo físico ou virtual, livro é livro, só evito livros digitais na pesquisa acadêmica por conta do problema de indicar a paginação nas referências, mas se for um livro que eu só encontrar única exclusivamente em versão digital, vou nela mesmo, paciência.
Olá jeff3rsn,
A melhor solução que já achei até hoje foi um tablet offline:
Comprei um tablet Android propositalmente lento e só uso ele pra duas coisas: ler PDFs e visualizar imagens. Passo os arquivos pra ele via bluetooth ou cabo, jamais conecto ele na Internet. A ideia é ter um dispositivo onde eu sei que “não há Internet” e portanto, posso focar nos livros sem distrações. A experiência de imersão é bem próxima de um livro físico ou eReader.
Já tive um eReader no passado… embora a tela e-ink é maravilhosa, não consegui lidar com a lentidão. Leio livros técnicos e tenho que pular rapidamente de uma página para outra dentro do livro e também alternar entre um livro e outro com agilidade. Para esse caso de uso, a lentidão dos eReaders é simplesmente fatal. Por isso tive a ideia do tablet lento offline. Instalei uma versão antiga do Xodo (com menos firulas), e pronto.
Pra ler PDFs, esses dispositivos são perfeitos.
Espero ter ajudado.
No meu trabalho preciso ler muitos comunicados internos, ofícios, resoluções, portarias, leis etc. Esse conteúdo vem sempre em meio digital. Poderia imprimir alguns materiais específicos para ler em papel, mas ainda assim a maioria seria na tela. Pode até ser que a leitura em papel gere maior retenção do conteúdo na mente, mas na hora de recuperar informações perdidas em uma imensidão de documentos, o formato digital é imbatível.
Somente livro físico, sempre.
Minhas filhas foram educadas via livro físico, e nenhuma das duas é fã de livro digital. Têm kindle e usam pouquíssimo. Minha caçula vai fazer o ENEM de novo, e ela tentou usar apenas material digital. O fichamento dela é uma obra de arte – mas quando ela me mostrou o que já havia feito, me disse que “ficou lindo, mas não guardei quase nada”.
Assim: é o que melhor serve a você.
Minha resposta para a pergunta é: sim. :-)
Varia de caso para caso. Sobre a experiência de leitura em si, o grande diferencial dos e-books para mim é a função de pesquisar por palavra-chave, assim como a possibilidade de fazer anotações e grifos digitais sem dó. Sem contar a sincronização e exportação de notas, como aquela do plugin do Obsidian.
Por outro lado, o livro físico é muito melhor de compulsar rapidamente e de visualizar várias páginas ao mesmo tempo ou de forma alternada. A diagramação também conta muito para a memória visual (pois o e-book é como um “pergaminho” enquanto o livro impresso tem páginas estáticas). Os e-books também deixam a desejar em algumas tabelas e esquemas gráficos.
Sobre ABNT e e-books: Inicialmente, o Kindle trazia apenas Posições ao invés de Páginas, como lida com essa questão?
Legal suas observações. Tem isso, a formatação do livro físico é melhor para memorizar etc.
Abnt, Sinceramente não li a norma nova inteira, mas tem algumas regras novas. Eu vou formatar tudo após a escrita, por hora sigo o que cada revista recomenda com o que sei da norma.
A nova regra tem a possibilidade de usar em vez de página, a “localização”, o que é bem confuso porque varia das suas configurações do leitor. O fato é que você consegue encontrar o que a outra pessoa citou buscando as palavras, então a página em si, importa pouco. Acho que quando o livro é pdf, seja xerox ou não, eu uso o número da página, e quando não é, uso “local”. Nas referências você cita que é um ebook.
Agora, se vc precisa de alguma configuração especial para dar a local. – como zoom 100% e fonte tamanho 12 – eu não li nem sei.
Obrigado pelas informações! Acho que já vi o “localização” em notas que citam fontes de alguns sites. Sobre a precisão dessa referência, acho que ela fica um pouco melhor quando é criado um grifo ou nota em cima da palavra.
Em 2016, fiquei intrigado e entrei em contato com a ABNT. À época, estavam para incluir normas a respeito disso e me chamaram para participar das reuniões… Mas como só tinha essa dúvida / sugestão pontual, tive receio de ficar “boiando” e não participei, hehehe.
E, voltando à sua postagem inicial, essa questão da estante lotada é bem complicada. Tenho duas pequenas aqui e não tem mais nichos disponíveis. Isso pesa na hora em que cogito comprar um livro impresso. Por outro lado, é muito prático bater o olho nas lombadas dos livros (visão ampla, do todo) para encontrar algo que não tenha uma relação direta com o tema que estou tratando.
Boa sorte na empreitada!