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Alguém pratica meditação?

Meu primeiro post, sejam gentis rs.
Eu comecei a praticar meditação em 2017/2018 depois de ter contato com alguns livros sobre, e inevitavelmente entrar em assuntos sobre budismo.
Me ajuda muito a controlar a ansiedade, não sou tão disciplinado e assíduo, as vezes faço 15 minutos mas geralmente 30 e saio sempre mais tranquilo e em paz. A parte budista é interessante e me inspira mas sou muito cético nas partes mais etéreas como reencarnação e deidades. Encaro a prática como uma ferramenta, e tento dissociar de religião.
Dito isto o que pensam sobre o assunto? Já tiveram contato com isso?
Eu pessoalmente nunca visitei um centro budista, mas já pensei em ir num desses retiros de silêncio, inclusive to de férias em setembro se alguém tiver indicação agradeço. Namaste 🙏🏼

18 comentários

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  1. Corri aqui quando vi esse assunto na newsletter!

    Comecei a meditar tem quase um mês. Consigo fazer quase todos os dias, mas acabo pulando um ou outro (sem querer real).

    Estou fazendo meditação com base na respiração com todo o conceito mindfulness que já comentaram aqui. O que me levou a praticar foi um relato de um YouTuber que recomendou o app Headspace depois de usar por uns 3 anos. O app é muito legal pois tem meditações para diversos momentos, sentimentos e tempo. Tem os chamados cursos, de básico a avançado, que é onde apresentam o conceito mindfulness e explicam, um pouquinho a cada dia, como trabalhar sua mente, seu corpo e sua respiração. Tem podcasts, músicas pra relaxar, muita coisa.

    Tô amando, me sinto bem após as sessões. Faço cerca de uns 10-15 minutos pela manhã e uns 5 antes de dormir.

    1. Que relato maravilhoso. Siga firme, vai ter dias que dá vontade de pular, mas a consistência traz benefícios muito bons.

  2. Fiz meditação um tempo e me ajudou horrores com a ansiedade. Tem vários tipos né, e cada pessoa vai ter mais facilidade com um. O que funcionou melhor pra mim foi meditação com base na respiração.
    Acredito que nem todas linhas de meditação tenham essa pegada budista, o centro que eu frequentava me parece que tinha uma linha mais hinduísta (?), era um centro de yoga e Ayurveda. Aliás, yoga é algo que pra mim funciona tão bem quanto, com a vantagem de alongar o corpo e ajeitar a postura.

    Sobre centros budistas, tem um templo bem famoso em Três Coroas (RS), ainda não visitei, mas tenho bastante vontade. Fica a indicação :)
    O site deles: https://www.templobudista.org/

    Ah! E sobre aplicativos que alguém comentou aqui embaixo, usei um pouco o Medito, mas mais o uso de sons naturais pra dormir mesmo. Mas ele tem meditação guiada também

    1. Acho que comecei com o “porque o budismo funciona – Robert wright”, se me lembro é de um jornalista americano que relata sua jornada ao investigar e entrevistar alguns gurus e sua experiência própria.
      Depois fui de “a ciência da meditação – Daniel Goleman & Richard davidson”, esse achei bem interessante porque os autores são acadêmicos e tratam da meditação pelo viés da neurociência psicologia e psiquiatria.
      Comecei a ler “budismo moderno – geshe gyatso” acho que são 3 volumes mas esse eu larguei, puxa mais pro lado do zen, achei a leitura meio lenta, esse tem uma pegada mais “religiosa” me pareceu, mas pretendo voltar.
      “Reflexos de um lago na montanha – jetsunma tenzin palmo” esse é um dos que mais gostei, é uma monja budista nascida na Inglaterra que se mudou para o Tibete e morou 12 anos em uma caverna em retiro. Jetsunma é um título de monja altamente graduada, a única ocidental a conseguir isso, ela tem uma sensibilidade incrível no trato do budismo e como nasceu “do lado de cá do planeta” digamos assim, seus pensamentos conseguem traduzir bem o modo de vida oriental e a visão budista para o ocidente. Também tem uma espécie de biografia sobre ela “a caverna na neve – Vicki Mackenzie”, acabei de ler ontem.
      Esses são alguns que lembrei. Talvez tenha lido outros.
      Por favor compartilhem suas sugestões.

  3. Oi Fábio! Muito legal seu relato. Eu sou psicólogo, e vejo muitas (quase todas, na verdade) das abordagens mais recentes adotando o mindfulness como um pilar importante do tratamento. Aí vale lembrar que “meditação” e “mindfulness” são termos guarda-chuva com muita coisa (contraditória, às vezes) embaixo. Tem meditações mais espirituais, meditações menos espirituais… e tem o engano comum de que meditar é “esvaziar a mente”. No mindfulness, pelo menos, é exatamente o contrário: estar atento (mindful) ao conteúdo dos pensamentos, sem engajar com eles, apenas observar enquanto eles vêm e vão.

    1. Eu uso como uma ferramenta pra controlar minha ansiedade, tento ler à respeito, enveredo por diversos caminhos, mas como leigo as vezes é difícil filtrar material de qualidade. Me guio pela experiência e autodidática, mas fico pensando se devo procurar algo presencial uma abordagem profissional, não senti necessidade ainda. É um passatempo.

  4. Eu pratiquei bastante uma época e era muito bom, ajudava a me acalmar. Acabei parando, não lembro o motivo, e nunca mais consegui criar o hábito. Faço por um tempo e sempre paro.

    Sobre o Budismo, existem várias “versões” dele. Algumas mais religiosas, outras menos, algumas mais místicas, outras menos. Não conheço tanto, mas talvez seja questão de dar uma pesquisada e seguir algo, caso te interesse. Mas a meditação é uma prática independente do Budismo, inclusive também existem várias técnicas e versões diferentes.

    1. A questão do budismo pra mim é interessante, vejo mais como filosofia do que como religião. Nasci num berço católico e respeito até hoje os familiares que mantém a identificação, mas não me sinto muito representado. Acho que nesse sentido me aproximo mais do agnosticismo. Sinto que é mais sincero admitir isso que aceitar os ritos e convenções sociais do cristianismo. Os conceitos do budismo me são mais atraentes, mas tem muito desse lado “ritualístico” que me incomoda um pouco e me faz questionar a necessidade disso. Como mantras repetidos à exaustão mas sem entender seu significado. Realmente os tipos são vários, e no geral isso me sempre deixa confuso, do tipo será que existe um certo? Então os outros estão errados? Isso me leva também a pensar no preconceito que existe de uma religião em relação a outras, como alguém que está inserido em uma religião as vezes nega a validade de outras como se a sua fosse a “correta”.

      1. Essa questão do ritual vai do contexto das praticas e culturas diferentes, que são milenares, até porque a gente pode ter um visão que tudo é um ritual, todos temos os nossos inseridos de tal forma que nem vemos como um, como o de ir trabalhar todo dia, ai quando nosso ritual não bate com outro estranhamos mesmo. Essa sua questão sobre o certo e o errado é ótima, já é sua própria sabedoria te cutucando sobre a realidade das coisas, que pode confundir mesmo e também abrir para novas visões, nisso que surge varias escolas no budismo ou outras religiões, cada uma com uma visão diferente haha, por exemplo.

  5. Pra quem tem TDAH é complicado mas justamente pelo mesmo motivo que é considerado como ideal. Nunca consegui.

    1. Apesar do tempo de prática que mencionei ainda sou muito leigo no assunto. Existem diversos apps e alguns até famosos como o headspace. Eu usava o insight timer só por conta do relógio mesmo que me avisava quando concluía o tempo previsto com um sinal sonoro, e também mantinha um histórico da prática, tipo uma “sequência” dos dias. Nunca me interessei muito pela meditação guiada mas sei que funciona para algumas pessoas. Existem diversos tipos de foco em que se concentrar, não sei nem quantos são ao certo, mas lendo relatos de budistas tem meditações intricadas com mandalas ou o destrinchar do próprio corpo (músculos ossos vísceras) pela imaginação, foco na respiração e etc.
      Eu pessoalmente pratico atenção plena (mindfulness) e o amor-bondade (loving-kindness), e pra isso não preciso ser guiado.
      Cheguei a fazer uma sequência de 180 dias todos os dias meditando, mas as vezes é muito difícil principalmente quando se está muito cansado ou com sono. Aí percebi que estava correndo atrás do app pra não perder a sequência em vez de trabalhando a meditação de fato, percebi que era um tipo de apego e abandonei. Não ligo mais pra isso, se não der pra meditar por qualquer motivo tudo bem, não é uma obrigação. Mas a disciplina é fundamental pra ter ganhos perceptíveis. No início é muito fácil e empolgante, com o tempo fica mais complexo e temos a sensação de que não progride. Hoje só uso meu smartwatch pra me avisar que deu o tempo de parar, e uma almofada de meditação (ajuda muito!) que estabiliza melhor a coluna.

  6. Bem vindo.

    Nunca pratiquei — sobretudo porque me falta disciplina — mas me agrada muito a ideia de autoconsciência corporal associada a um trabalho ativo da mente em se livrar de quaisquer outros pensamentos. Não sei se a meditação é exatamente isto, mas é algo que gostaria de explorar mais no futuro.

    De qualquer forma, me agrada muito a ideia de desafiar a noção de que cada minuto de nosso dia deve ser “produtivo” e que necessariamente precisamos fazer alguma coisa — um ethos neoliberal que transforma até o sono num momento de produção, pois ele é reduzido simplesmente a um “recarregamento de bateria” e não a um momento destinado a sonhar.

    1. A meditação (até onde sei rs) é algo muito próximo do que você descreve. Autoconsciência corporal e também não-identificação. É analítico, no sentido de que você se distancia dos pensamentos, não se identifica com eles e desenvolve um tipo de meta-consciência: primeiro vem o pensamento, depois a consciência do pensamento, a consciência de que se está consciente e por aí vai até o esvaziamento do ego.
      Uma coisa que gosto muito é que o processo de meditação cria uma distância entre pensar e agir, eu tenho muito mais consciência das minhas ações, e fico muito observador, presto mais atenção em mim e nas necessidades de outras pessoas. Eu “reajo” menos, saio do automático, ganho uma certa resiliência, não é qualquer coisa que me abala quando estou nesse estado. Quando fico um tempo sem praticar me sinto alienado como se estivesse desalinhado, até o humor muda. Por isso que acho que não tem muito a ver com religião e sim uma ferramenta que pode auxiliar muitas pessoas.
      A questão do sono eu não sei dizer bem, existe o sonho lúcido mas é outra coisa, eu pessoalmente achei muito cansativo quando tentei isso e larguei.