Vou mexer num vespeiro: Gruber argumenta que deixar de usar/acompanhar newsletters do Substack pela postura frouxa contra nazistas/racistas é um erro:
Acho que a Substack se vê como uma ferramenta e plataforma de publicação. Eles não estão aqui para promover nenhum lado em particular. Não faz mais sentido para eles se recusarem a publicar alguém por ser muito de direita do que faria para WordPress ou Medium ou, digamos, GitHub ou YouTube.
O que você acha?
23 comentários
Eu tenho pra mim que boicotes raramente dão certo justamente por não ter um quórum de pessoas suficientemente grande que vai mudar a situação de forma significativa. Alguns são maiores que outros – e alguns causam danos só pela possibilidade de um boicote, nem se houve um ou não.
Pessoalmente falando, não dou plataforma, visualização, engajamento e muito menos dinheiro para empresas e pessoas que vão contra o que eu julgo moral. Nunca me esqueço da entrevista do Nilay Patel do The Verge no podcast dele Decoder ano passado com o CEO do Substack em que ele não deu uma resposta concreta e definitiva sobre uma questão de moderação de conteúdo (transcrição aqui – https://arc.net/l/quote/ihymeuew) que, para mim, é um alerta vermelho que a empresa vai permitir coisas que eu não considero morais dentro da plataforma. Portanto, deixo de usar. É uma escolha própria e é a forma que tenho de “votar com a carteira” como dizem. Pode não ser efetivo, pode não mudar nada para eles, mas no mínimo eu não vejo coisas que acho moralmente repugnantes e o meu dia fica melhor, então é positivo.
Coloquei o link errado pra parte de transcrição que começa a discussão, é essa aqui: https://arc.net/l/quote/mlxhhiyd
Infelizmente, boicote de poucos não funciona. :( Mas bato palmas pro Casey Newton que se incomodou e levou uma das maiores newsletters na época pra outro lugar. E parece que se deu bem.
Da minha parte, eu prefiro não ter conta lá. Eu tive até o lançamento dos Notes e pensei: não preciso de um novo twitter! E caí fora. Com a qualidade dos textos decaindo e cada vez mais paywalls, prefiro “monetizar” os autores que eu gosto comprando e recomendando seus livros, quando possível.
Acho que acaba entrando na mesma linha de boicotes já tratados em relação a outras empresas: seria ótimo se todo mundo pudesse boicotar, mas pelo poder que elas têm fica difícil. Quando estourou esse caso da Substack a Gaía Passarelli escreveu a respeito (aqui: https://www.gaiapassarelli.com/p/dinheiro e aqui: https://substack.com/profile/2865561-gaia-passarelli/note/c-46533061), bem incomodada, mas ainda em dúvida se mudaria ou não. No final das contas, continuou por lá.
Como leitor também me senti incomodado, mas não cancelei as news que recebo (todas assinaturas gratuitas). Também não interajo no notes, então entendo que minha contribuição para o negócio do Substack não seja tão grande, somente nos dados de público total. Cancelar o recebimento das minhas news não faria nem cócegas neles, já eu perderia grande parte do conteúdo que acompanho hoje em dia (na tentativa de diminuir o consumo de redes sociais, passei a assinar mais newsletters, com conteúdo mais consistente e focado).
O dono da Amazon proibiu o Washington Post de declarar voto na Kamala, fez um post ultra puxa-saco parabenizando o Trump pela vitória (isso só para citar algo recente, todo mundo conhece os BOs da empresa) e ninguém passou a boicotar, o que mais vejo é gente progressista/de esquerda linkando pra lá na hora de citar um livro ou dando dica de promoção (nem tô falando de link de afiliado, que entendo a necessidade, tô falando de promoção gratuita, mesmo).
O Neil Young boicotou o Spotfy e a empresa preferiu manter um negacionista como podcaster. No final das contas, tempos depois o Neil Young resolveu voltar pra lá.
Se for partir pro boicote solitário, não adianta nada largar a Substack e ir ler um livro, porque a maioria é feita com papel da Suzano, que tem como um dos sócios/herdeiros um doador da extrema-direita brasileira: https://apublica.org/2022/12/doadores-bancaram-r-8-milhoes-para-eleicao-de-politicos-da-tropa-de-choque-bolsonarista/
Em suma, se nem figuras públicas dão conta de boicotar, quem sou eu na fila do pão? Como já dito em outro post sobre esse tipo de discussão, o que precisa é de regulamentação, regra, fiscalização etc., movimentos consistentes da sociedade civil e governos pra botar ordem nessa bagunça.
Resumiu bem
Resumiu bem 2
É a máxima de sempre: se considera e tem opção, boicote. Isso é de sua própria moral, diga-se. Como já dito, boicotes muitas vezes acabam sendo inúteis e gera um movimento de atenção a algo.
Se não tem como boicotar, tente ao menos valorizar diretamente o autor do texto se ele permitir ao invés de permitir o substack ganhar dinheiro. Ou achar outros canais onde o autor está.
A propósito, taí uma curiosidade que tenho: como newsletter ganha dinheiro?
Boicote. É bom ter o debate, mas eu não tenho mais nenhum interesse.
Gosto de partir do príncipio de que qualquer ferramenta pode ser abusada. E ainda acredito que existe mais valor em pensar no que me tange pessoalmente do que importar muito com o que os outros fazem.
Eu, por exemplo, não vou assinar nada que me ofenda gratuitamente para chegar no meu inbox pessoal. Penso que moderar conteúdo, no geral, é problemático ao ponto que é melhor nós meros mortais confiarmos na razão de quem é encarregado de pensar nisso. Quase na certa pensaram o suficiente nisso caso não sejam parte da minoria da população que faz parte da tríade obscura.
Boicote vai de cada um. Agora se isentar da é responsabilidade (o que parece que o autor tá promovendo) não dá. O substack tá lucrando e hospedando conteúdo supremacista e os outros exemplos que ele dá (github, YouTube) deveriam ser penalizados também.
Inclusive façamos um exercício mental aqui: quando é denúncia de violação de copyright, como esses serviços se comportam?
Sabe porque esses serviços não banem/cortam esses conteúdos? Porque dá dinheiro. Simples.
Fica bem claro que o Gruber é um “centrista iluminado”, como a maioria dos cronistas de TI do mundo, que acha que a informação, seja qual fora, deve fluir livremente e cabe a nós, usuários/leitores, filtrarmos essa informação.
Como diria Bertoldt Brecht, A cadela do fascismo está sempre no cio e ao que parece o cachorro do liberalismo está sempre ávido …
Acho que é importante traçar uma linha em relação a isso.
Assim como o Bluesky faz em relação ao Twitter.
Se isentar nesses casos, como empresa, é ser conivente. Infelizmente.
Qual linha o Bluesky traçou em relação ao Twitter, Caio?
E a do Substack, está onde?
Justamente.
A do Substack não existe, ou seja, eles são coniventes com esse tipo de conteúdo ofensivo e criminoso.
Por parte do Bluesky, existem uma série de recursos disponibilizados para que contas sejam bloqueadas/silenciadas/banidas, com uma eficácia muito superior a qualquer coisa que o Twitter tenha tentado algum dia (se é que tentou, né?).
O Substack tem termos de uso, não é (tão) terra de ninguém.
Eu gosto da proposta do Bluesky, do que eles chamam de “composable moderation”, mas convenhamos que, nos princípios, há similaridades com a postura do Substack — nenhuma das duas empresas quer ter que lidar com moderação. O diferencial do Bluesky é dar ferramentas a quem se incomoda com certos discursos para se blindar dele, mas o conteúdo continua na rede, no ar.
Nenhum boicote funciona (não me lembro de nenhum boicote ter dado o resultado esperado).
Você pode deixar de usar/assinar alguma coisa por questões pessoais, claro. Mas tenha em mente que não vai funcionar (no sentido de mudar alguma coisa).
O da Uber nos EUA em 2017, naquela debacle das deportações de imigrantes do Trump, chegou a ser mencionado na papelada do IPO como um fator de risco. Machucou um pouco. Concordo que nenhum boicote será efeito na medida em que se espera, e acho também que até um boicote de parte dos consumidores (ou mesmo só o barulho causado) pode fazer a empresa ficar esperta e mudar postura. (Aconteceu com o Zuck em 2018 quando ele defendeu a manutenção de discurso antissemita no Facebook.)
Dito isso, a minha dúvida é mais no âmbito pessoal, de sentir-se bem ou haver mal-estar em, por exemplo, acompanhar newsletters hospedadas no Substack.
No âmbito pessoal eu acho que vale muito. Pelo menos serve pra se sentir melhor sabendo que não compactua com esse tipo de ação.
Se não impacta no seu ganha-pão, não tem porque não boicotar. Não tem nada de urgente ou essencial nessas listas do Substack (ou qualquer outra) que mereça tanta atenção assim.
Também acho que não vale a pena boicotar. Honestamente, o que não está corrompido mais hoje em dia? Pergunta honesta. As pessoas poderiam voltar às publicações próprias em sites próprios e falar para às paredes (se já não tiver uma audiência fiel).
Obviamente, acho que o Substack vai ter que traçar uma linha limite uma hora dessas, porque a galera fascista costumar escalar as coisas rapidamente..
Não tem como boicotar quem produz lá. Eu participo do grupo de uma escritora onde tem diversos outros produtores de newsletter e essa foi uma conversa, ninguém aguenta mais mudar pra descobrir que o novo lugar também apoia ou tá falindo ou… e o trabalho da migração, isso tudo com gente que não tem arrecadação suficiente.
Todo mundo gosta da estrutura do Substack e não achou um lugar onde teria os mesmos serviços, seria sempre um downgrade.
Da minha parte, audiência, eu não assino nada por lá, esse é o boicote que eu faço.
O “não assino” se refere às inscrições gratuitas em newsletters, ou a não pagar a assinatura que algumas têm?
Pagamentos, meu “boicote” fica nesse sentido de não financiar a plataforma.
Concordo que desta forma você não financia a plataforma diretamente. Mas ainda está financiando indiretamente, pois startups como Substack recebem investimento de VC que por sua vez não olham apenas o número de assinantes pagos mas também os não pagos para decidir se irão investir ou não.