Estou refletindo sobre um ponto trazido pela jornalista Monica Bergamo em relação à estratégia do Sidônio para o governo Lula, e queria compartilhar uma reflexão sem a intenção de entrar em polarizações políticas.
Acham que um presidente de um país deve virar um “tiktoker” para manter a sua popularidade?
Eu fico pensativo. Se entendo a estratégia do Sidônio, entendo mais ainda a resistência do Lula.
Gostando ou não do Lula, acho que a popularidade dele é consistente, ainda mais para uma pessoa exposta, em grande parte, de forma negativa pela mídia tradicional a pelo menos 3 décadas.
Isso me fez lembrar também o ator Vagner Moura que não tem rede social nenhuma.
“No começo, achava tudo falso, parecia uma Revista Caras autoeditada. Achava aquilo feio. Até senti falta de ter um espaço para dizer o que penso, mas não tenho vocação para isso. Tenho preguiça, acho chato.” Vagner Moura
Sei que são pessoas públicas, que querendo ou não estão circulando nas redes.
Mas digo mais do ponto de vista pessoal mesmo. Da pessoa escolher em operar e funcionar no dia dia por aquele canal específico. Não tenho acompanhado muito o Trump atual, mas no primeiro mandato o cara praticamente governava pelo Twitter, uma opção institucional mesmo. Hoje parece que tem uma rede própria, a qual jamais irei entrar.
Mas aquilo gerava engajamento na mesma proporção que gerava milhares de problemas.
Enfim, apenas fico pensando, tanto do ponto de vista nosso, pessoas desconhecidas, quanto de pessoas públicas, se não estamos perdendo qualquer capacidade de pensar ao alimentar a premissa de que ou você está se comunicando por essas plataformas (sempre com essa justificativa de que todos estão lá), ou seu sucesso e objetivos não serão alcançados.
O que acham?
9 comentários
Comentário não exatamente relacionado ao artigo do link: Dá agonia de ler esse formato adotado pelos meios digitais de comunicações fragmentando o texto em tópicos individuais extremamente curtos. Alguns são quase que apenas uma frase.
Só que para leigos é uma forma mais simples de entender. É o que acho. Espero que tenham estudos falando sobre como está a reação da população sobre formas de texto e seus entendimentos.
(Escrevendo o comentário me lembrei que é um texto da Mônica Bergamo, e ela (E alguns colunistas de opinião da Folha) sempre fez o texto nesta forma. Para mim, acho interessante pois com isso sei que é um texto dela e ao menos sei onde termina o setor que ela tá falando de algo de política, e o setor que ela começa a puxar saco ou criticar alguém da high society).
Gosto das análises do Orlando “Anarcofino” pois ele fala (ao que entendo) que o ponto não é exatamente “descer ao nível” da direita, como alguns estão dizendo. Mas sim estar nos mesmos canais e procurar colocar a informação de forma coloquial, simples, direta e que o cidadão entenda sem duvidar. Não precisa rebuscar, ou como dizem no meme, “ser o cara da esquerda que faz um textão ou TCC” (tal como este comentário). Se o popular entender, é o que vale.
Ou seja, pode viralizar, não tem problema. Isso não é descer ao nível, mas sim divulgar e divulgar (me devo ler Gramsci, sempre digo que vou ler e não leio – mas dizem que ele é um dos que ajudaram a definir os conceitos de comunicação popular).
Outro ponto também é que quem é de esquerda e age de forma intelectual não pode ignorar que o conceito de luta de classes foi feito justamente angariando pessoas de todas as formas. Conquistando com identificação – antes de tudo somos humanos não importa o trabalho ou o tipo de conhecimento que possuímos.
Isso faz lembrar porque o protestanismo dominou no lugar do catolicismo: a linguagem popular, o pastor “ser parte” da população ao invés de ser oriundo de uma “classe diferente” (da liturgia).
As mídias como televisão e rádio tiveram seus métodos de conquista de audiência, e na verdade muitos de nós fomos influenciados por tais mídias. Midias estas feitas por pessoas que estudaram, planejaram, roterizaram e divulgaram nestas mídias. Redes sociais e mídias de internet permite tanto uma divulgação “pura” (sem filtros ou pré-planejamento) quanto planejada.
O ponto é que também não precisa superproduzir um anúncio de um presidente. O que precisa é simplesmente falar “olha pessoal, o governo mandou para o congresso o projeto de lei para mudar a carga horária sem diminuir o salário. COBRE DE SEU CONGRESSISTA – DEPUTADO E SENADOR – para que vote a favor também.” Isso como exemplo e olha que nem sei se ficou bom, acho que dá para ficar mais sintetizado e direto.
E em um ou outro momento a equipe manda algum vídeo curto do trabalho do dia.
Acho que talvez até vale testar por exemplo o Lula fazendo um “react” de alguma negativa de lei, mas creio que isso não é lá tão democrático… (bolsonaro é um react ambulante, diga-se).
No caso do Lula, de qualquer pessoa do nível dele (famosa e poderosa), esse dilema tem a terceira opção que é deixar o operacional para uma equipe. Ele só teria que gravar uns vídeos, roteirizados por terceiros, e vida que segue nos debates mais de alto nível que ele prefere (e que eu, no lugar dele, também iria preferir).
“esse dilema tem a terceira opção que é deixar o operacional para uma equipe.”
Eu sou muito dividida nesse assunto porque ao mesmo tempo que acho que se deve ir onde as pessoas estão, também acho que não devíamos nos dobrar às big techs.
Durante as eleições, por exemplo, acho muito válido o TSE fazer campanhas para regularizar título de eleitor e postar isso no TikTok, que é onde os jovens estão (infelizmente). Do mesmo jeito, talvez fosse interessante um político mostrar o que está sendo feito pelo seu governo, mas aí eu lembro do Zema e volto a acreditar que era melhor eles nem estarem nas redes sociais, kkkkk.
A direita/extrema-direita domina com muuuuita folga as redes socias.
Porque justamente sabem se comunicar através delas.
Esse protecionismo da esquerda, essa mania de “jamais devemos descer ao nível deles” é o que vai fazer a direita voltar em 2026 (não que tivesse ido à algum lugar, né).
A galera é tão intelectualizada (não como se fosse algo ruim, obviamente) e tão presa a formatos hoje, sinceramente, considerados arcaios que o fascismo nada de braçada.
A esquerda tem que ir pra lama, pedir truco, dobrar a aposta.
Quem sabe assim consiga ganhar relevância novamente. Porque sinceramente…
Ainda não dá pra mudar o mundo de show do Sesc e excluindo conta de rede social, infelizmente.
(Sou de esquerda e essa atitude deles me deixa muito puto. Peço desculpas pelo tom da resposta).
Não domina, está é uma percepção que acredito ser falsa. Eles fazem mais barulho sim, mas veja os números, um vídeo do Nikolas Ferreira teve 100 milhões de visualizações. Cara, é metade da população e não conheço ninguém que viu.
Esses caras estão usando fazenda de click a rodo e ninguém questiona os números irreais.
Quanto a esquerda não descer o nível, é simplesmente não mentir.
Os métodos da direita são os piores possíveis. Quando me refiro a “descer no nível”, estou de falando de adequar o discurso. A classe trabalhadora raramente se identifica com o discurso de esquerda, por mais paradoxal que isso seja. Afinal, o discurso foi produzido pela própria classe. Esse é o tamanho da desconexão da esquerda com o povo. No momento em que houver uma adequação completa da comunicação, acredito que a relevância do movimento volte a ascender.