Levanta a mão quem acha que isso vai dar em algum lugar…
Evidente que a Meta faz uso das conversas, seja na íntegra ou através dos chamados metadados. A empresa nunca foi de caridade, pelo contrário, é conhecida através de incontáveis processos por fazer coisas podres pra maximizar lucro.
Mas como tudo é uma grande caixa preta e os governos abrem as pernas, no máximo a Meta ganha uma multinha fajuta que causará estouro de champagne em iates de iates dos figurões.
9 comentários
Eu sempre parti do pressuposto que a Meta tem acesso profundo e total as nossas conversas, não só metadados…
Só pra não me desapontar no futuro.
Não só a Meta, mas pra boa porcentagem dos usuarios, o Google tambem teria acesso, quando o usuário ativa a opção de backup no Google Drive, que, da ultima vez que chequei, eram armazenados no drive sem criptografia…
Pense nisso…
O Google de fato tem acesso aos arquivos. Eles nem dizem o contrário.
Se tem uma coisa que essas big techs já deixaram claro é que se elas podem usar nossos dados, elas vão usar. A única diferença é o quão abertos vão ser quanto a isso.
Imagina a preciosidade que são as conversas de WhatsApp pra Meta, uma empresa de propaganda. Acreditar que eles, tendo a faca e o queijo na mão, simplesmente vão deixar a oportunidade pra lá (ainda mais considerando o histórico podre da empresa) me parece um ato profundo de fé.
Aliás, no Wikipedia tem um trecho do verbete sobre metadata que diz o seguinte:
> Slate reported in 2013 that the United States government’s interpretation of “metadata” could be broad, and might include message content such as the subject lines of emails.
É algo preocupante. A parte dos metadados é conhecida há tempos, mas a alegação de que a Meta tem acesso às conversas (se é que estão alegando isso) seria um escândalo. (E um escândalo também ao Signal, que fornece a criptografia de ponta a ponta à Meta.)
Pena que essa matéria da Bloomberg, a única que li a respeito, seja tão vaga.
Já que há zero transparência, eu me pergunto se há mesmo uma diferença assim tão grande entre extrair trocentos metadados ou ter as conversas na íntegra.
No final das contas usam o conteúdo das nossas conversas pra nos manipular, o que é basicamente o que todas as demais big techs fazem hoje em dia, quer aleguem usar criptografia ponta a ponta ou não.
Imagine o seguinte exemplo de mensagem: ‘oi, querido! tudo bem por aqui. hoje eu fui ao mercado e comprei feijão e arroz, depois cheguei em casa e assisti ao filme X no serviço Y de streaming’.
E aí os metadados extraídos poderiam ser no estilo resumo do GPT: ‘usuário A (telefone B) comprou C e D e assistiu a X no streaming y no dia Z’. Repare que tecnicamente a empresa não obteve a mensagem em si, somente os dados que interessam. Mas convenhamos que dá no mesmo, né?
O exemplo que você descreve não são metadados. Metadados não dizem respeito ao conteúdo das mensagens, mas àquilo que está “fora” da mensagem (exemplo de metadados: de qual aparelho a mensagem foi enviada, em que dia e horário, versão do sistema operacional do aparelho, etc.).
Talvez eu não tenha sido claro.
Como não há transparência, o que a Meta extrai das nossas mensagens pode ser qualquer coisa.
E isso se é que realmente é criptografado ponto a ponto, dado que não temos como verificar).
Se é criptografado tem como verificar sim. Inclusive, se não fosse, profissionais de cibersegurança já teriam percebido e denunciado. A questão é que a criação das chaves criptográficas não é transparente e não está no controle do usuário, o que dá toda a possibilidade à Meta para contornar essa criptografia de várias maneiras. Não dá pra garantir que eles não têm uma cópia das nossas chaves, ou que eles não fazem uma criptografia com uma chave mestra, em que eles sempre poderiam ler todas as mensagens.
PH Fonseca, verificar se há criptografia é possível, sim. Mas verificar se há criptografia a ponta a ponta é simplesmente impossível.