Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

A resposta russa para o Whatsapp: criar seu próprio app de mensagens que entrega todos os seus dados ao governo politico.eu

No texto fica claro que a Rússia está cada vez mais seguindo o modelo chinês de controle da internet:
* App russo de mensagens, sem encriptação e previamente instalado em todo celular vendido no país.
* Construção de um firewall russo para filtrar a internet deles com o resto do mundo
* Bloqueio parcial (por enquanto) de apps de outras nações

8 comentários

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  1. Tendemos a olhar com desconfiança para o controle explícito, como o da China ou o que a Rússia busca implementar, mas raramente aplicamos o mesmo rigor para analisar o controle implícito que já vivenciamos. Implícito, pois, enquanto adversários dos EUA são vistos como autoritários, o controle que atua nas Big Techs está nas mãos de aliados do DHS e, portanto, não são alvos de chamadas como essa

    Todo mundo entendeu que as plataformas de tecnologia não são neutras. Elas respondem a interesses comerciais e geopolíticos de seus países de origem. Empresas como Google e Meta usam sua plataforma não só para extrair valor, mas para moldar o debate público, interferindo diretamente na ideologia dominante, influenciando eleições, cultura e o comportamento social. Soma-se a isso a extração massiva de dados de populações inteiras, criando um cenário de ataque à segurança e soberania nacional

    Enquanto a China optou por criar um ecossistema digital próprio para se proteger dessa influência, o Brasil se encontra numa posição de grande dependência. Nossos dados são processados no exterior e as narrativas que consumimos são filtradas por algoritmos sobre os quais não temos controle

    O texto original também representa a armadilha narrativa: se o Brasil tentasse, por exemplo, fortalecer empresas locais e garantir maior controle sobre seus dados, a reação imediata na mídia internacional provavelmente seria de ‘censura’ e ‘ataque à liberdade’, uma mímica do que está sendo feito com a Rússia. Isso nos impede de ter uma conversa honesta sobre qual modelo de internet realmente serve aos nossos interesses, deixando-nos presos a uma dependência que é normalizada, enquanto outras formas de controle são vistas como inaceitáveis. Esse tipo de discurso pode parecer neutro ou favorável às liberdades do cidadão brasileiro, mas, em seu contexto, é utilizado como parte de um ataque à soberania brasileira

    1. você entendeu que no modelo chinês ou nesse russo não há opção né? eu quero optar em usar uma empresa privada ou uma empresa governamental. qualquer coisa que me impeça disso é censura pura e simples.

      1. E qual opção existe quando 90% do mercado é controlado por uma ou duas plataformas? Esse comentário individualiza a questão, sem tocar no cerne do argumento, do controle sobre populações inteiras, que está nas mãos de assets do DHS. E minimiza a questão sobre controle soberano como “censura pura e simples”

        1. o governo é livre pra lançar seu comunicador. só não me obrigue a usá-lo. assim como a Meta não me obriga a usar o Whatsapp. É uma opção minha. Meus dados minha escolha.

          Tenho contato com muita gente de fora. Pra falar com fornecedor da China tenho que usar o WeChat porque é a única opção que o cara tem (em termos pq dá pra burlar com VPN (foi o que fiz quando fui lá) mas os nativos são meio cagões pra isso – o iron fist não é brincadeira).

          Na boa, não quero isso pro Brasil. Quero que cada um use o que lhe convém.

          1. O seu ponto sobre a liberdade de escolha individual é válido, mas ele não aborda a questão central da minha análise, que é de natureza coletiva e estrutural

            Um motorista pode dirigir sem cinto de segurança? Não. O Estado, representando o interesse coletivo, estabelece limites à liberdade individual para garantir um bem maior, neste caso, a segurança física. Entendemos que é uma regulação necessária para proteger a vida

            O mesmo princípio se aplica à soberania e segurança nacional no ambiente digital. A questão não é sobre qual aplicativo um indivíduo prefere usar, mas sobre o controle do debate público por empresas estrangeiras. É um risco inaceitável para a segurança nacional que corporações aliadas ao DHS tenham o poder de decidir, através de algoritmos, quais ideias são amplificadas e quais são suprimidas para todo a população brasileira

            Imagine um cenário, hipotético (wink, wink), no qual uma dessas plataformas comece a promover ativamente um movimento golpista, levando à radicalização de parte da sociedade e a uma tentativa de derrubar a ordem democrática. Nesse caso, seria uma prerrogativa da sociedade, através do Estado, intervir para proteger nossa soberania e democracia

            A discussão real não é entre a liberdade de escolher um aplicativo e ser obrigado a usar outro. É entre ter soberania sobre nosso debate público ou nos sujeitarmos a uma nova forma de colonialismo digital que pode, no limite, nos levar a uma nova ditadura. Entre essas duas opções, eu prefiro ter que usar um aplicativo diferente

        2. O meu temor é pelo método. O estado que substitui a escolha pela imposição, que trata o cidadão como súdito e não como parte de um contrato social. É a lógica do “nós sabemos o que é melhor para você, então você não pode escolher outra coisa”. Este, para mim, é o cerne da censura.

          A sua preocupação, igualmente válida e demonstrada pela história recente, é com o resultado. O poder desmensurado de oligopólios privados estrangeiros pode levar, na prática, ao mesmo lugar: o controle anti-democrático do debate e a ameaça à soberania nacional. É a lógica do “eles decidem o que é melhor para seus interesses, e você acha que está escolhendo”.

          Concordo plenamente que um estado soberano tem não apenas o direito, mas o dever de regular espaços de poder que afetam a segurança nacional e a democracia. O seu exemplo do cinto de segurança é perfeito: a regra clara, transparente e aplicada a todos para um bem comum.

          Onde talvez haja uma nuance é na solução. Você defende a regulação do espaço digital para protegê-lo. Eu defendo, com igual convicção, a proteção do direito de escolha dentro desse espaço regulado. Não é uma dicotomia. O ideal, e creio ser este nosso ponto de convergência, é um caminho do meio: um estado forte o suficiente para regular e quebrar oligopólios que ameacem a soberania, mas sábio o suficiente para fazê-lo sem confiscar a liberdade individual de escolha do cidadão.

          1. Acho que o cer da divergência está explicitado na sua frase: “O poder desmensurado de oligopólios privados estrangeiros pode levar, na prática, ao mesmo lugar: o controle anti-democrático do debate e a ameaça à soberania nacional”
            Eu trocaria, e pelo dito acima, acredito que o Vanderlei concorda o “pode levar” por “leva”.

            Tenho a impressão de que uma ideia não fica clara nesses debates: todas essas empresas em questão disponibilizam seus dados para os governos de suas sedes. Todo o discurso que circula nessas redes é, além de monitorado, controlado pelos estados a quais estão submetidas. Da mesma forma que o wechat “trabalha para o governo da China”, a meta “trabalha para o governo dos Estados Unidos”. Da mesma forma, não de forma análoga.

            Muito se fala sobre o direito de escolha do indivíduo, que estaria sendo cerceado ao se proibir alguma dessas empresas de operar no país. De forma alguma! Quem está sendo proibido de algo é a tal empresa. Fora que, como observou, tirando o acesso monopolista da meta aos nossos dados, abre-se caminho pra surgir concorrentes nacionais.

    2. Exato. O governo americano já mostrou que vai nos chantagear comercialmente por causa do pix, por exemplo. Não é difícil imaginar que, se a gente tivesse um BrasilZap da vida, iriam alegar concorrência desleal com o whatsapp ou algo assim para inventar alguma nova punição