tempos atrás ghedin publicou uma matéria muito bem apurada sobre o fenômeno dos portais (e blogs*) voltados ao mundo da tecnologia digital de consumo que diversificam suas pautas para áreas afins e não tão afins (bem como se apropriando de outros artifícios para atrair cliques, como tutoriais, etc). São pautas ligadas ao mundo da chamada cultura “pop” (e da indústria da cultura de massas de modo geral), sobretudo, mas eventualmente também matérias relacionadas ao dia-a-dia dos visitantes — acabo de ver, por exemplo, uma matéria sobre pagamento de IPVA, algo que estávamos acostumados a ver nos cadernos de cotidiano dos velhos jornalões).
não querendo retomar o assunto como um todo, só queria trazer uma dimensão desse fenômeno: em meio a uma web que lentamente desaparece frente à dominância de mais de uma década já das redes sociais e da plataformização das redes, curiosamente aqueles velhos blogs de “tecnologia”** mantêm minimamente uma base de leitores. Sendo os únicos a “restarem” no cenário da web aberta, acaba sendo oportuno que eles atraiam pautas que em outros tempos leríamos em jornalões ou em outras revistas (e hoje dominam as redes sociais). Não diria nem que é só uma questão de SEO, mas de capturar um público cativo que já existe mesmo e que perdeu outras fontes de informação. Não por acaso essa ênfase no mundo da cultura pop — para onde foram os velhos “cadernos 2” dos jornalões, com sua cobertura da cultura e das artes ditas “elevadas” para o grande público?
blogs de moda foram todos para as redes sociais, aqueles terríveis blogs de comédia e humor ruim também. O mesmo com os jornalões. Da velha web parecem ter restado alguns blogs de viagem (mesmo que poucos) e sobretudo os de tecnologia de consumo.
ou será que uma hipótese que não faz sentido nenhum?
*faz sentida continuar chamando esses sites de “blogs”?
**outra coisa que sempre me pegou muito foi essa captura da ideia de tecnologia pela tecnologia digital de consumo — com ênfase no consumo
A partir de 2013 para cá eu notei uma crescente adição de pautas aleatórias veiculadas em sites techs já bem clichês daqui do Brasil. Hoje não acompanho mais nenhum website nacional regido por este nicho; há muita publicação “nada a ver” nesses espaços online que me dão até canseira de continuar lendo cada parágrafo. O consumismo é um assunto inevitável dentro dessas comunidades.
Audiência = dinheiro
Não culpe as ferramentas, culpe o sistema. Se as pautas mudaram ou qualidade caiu é por que precisam gerar audiência e lucro para os donos das mídias.
Mas interessante a discussão mesmo. O MdU é um dos poucos sites que acesso com frequência justamente pela boa qualidade tanto das matérias quanto das discussões como essa que estamos agora.
Na condição de alguém que pelo menos passa os olhos por 3~4 jornais todo dia, diria que essas áreas de cobertura não sumiram deles: ainda se encontra serviço e cultura, talvez em menores proporções/menos espaço, mas com um texto melhor do que qualquer coisa que se encontra no resto da web.
Os blogs de tecnologia avançam para essas áreas porque são “filés” de atenção: muita gente precisa saber disso e procura no Google. Estamos em um momento em que *todas* (ou quase) as decisões editoriais de sites (todos, não so blogs de tecnologia) que dependem de publicidade programática são pautadas por potencial de alcance.
sim, sem dúvidas, mas uma coisa que me pega é justamente a persistência desses blogs/portais (e justamente porque persistiram avançaram para essas outras pautas)
ou será que é uma amostra enviesada? (zilhões de outros blogs de tecnologia podem também ter perecido junto com os de outras temáticas)
Me de links Rodrigo, quero links rsrs.
Recomendação de links seria uma boa.
Acho que esta matéria do início do ano faz um bom panorama da situação.