Apesar do título um pouco clickbait (algo infelizmente comum na internet), o cara conseguiu realizar uma reflexão bem interessante. Recomendo o vídeo! E estou aberto a uma discussão saudável e respeitosa nos comentários. :)
24 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
O título clickbait já exprime bem a divergência que tenho com o autor. “A morte da crítica” supõe que um dia houve crítica na CCXP. Não tem como morrer algo que nunca nasceu.
Ele não defende que houve crítica na CCXP. O ponto que ele defende é justamente esse: não há crítica nesse evento.
E por que deveria ter? É essa a proposta? Nunca fui, mas conheço gente que já foi. Me parece uma espécie de parque da Disney ou a cerimonia do Oscar. Uma celebração, não um evento de debates sobre indústria cultural.
Acho que ele só ficou chateado por não pagarem cache para ele ir lá falar mal da próprio evento.
Ele também não defende que deveria haver crítica na CCXP, pelo contrário, ele afirma que num evento desses é óbvio que não haveria crítica. Inclusive, uma das coisas que ele aponta no vídeo é justamente que se o evento chamasse os críticos de verdade, as críticas deles seriam esvaziadas.
Sobre ele ficar chateado por não pagarem cache, bom, não acho que ele sequer tenha sido chamado, mas não tiraria a razão dele. Trabalhar de graça pra um evento que lucra cobrando centenas de reais em um ingresso de um dia, é sacanagem.
Pra variar, as análises dele são certeiras. A aclamada cultura geek, nerd, etc, não é nada além de consumismo, uma enorme bolha onde tudo mundo vive neste lógica de comprar e vender conteúdos e produtos (nem que o produto seja um Funko Pop do Karl Marx, camarada).
Será que não é ingenuidade esperar uma crítica aprofundada em um evento voltado ao mercado, ainda mais em um setor tão “vendido” quanto o da ~cultura pop~?
mas aí também se a gente nem idealizar que uma crítica aprofundada precisa existir mesmo em um “setor tão vendido quanto o da cultura pop” (isso dá uma outra conversa longa) pelo fato de isso ser ingenuidade, podemos simplesmente desistir de qualquer coisa, não?
Acho que não é o caso. Só não é o lugar ideal para tratar do assunto por esse ângulo.
Seria o mesmo que a gente tentar debater sustentabilidade (de verdade, não greenwashing) no setor de tecnologia pessoal numa CES da vida. Essa conversa pode até existir lá, mas os interesses de quem organiza e dos participantes são diametralmente opostos ao dos que defendem mudanças reais no consumo desses produtos.
(Talvez “vendido” tenha sido uma expressão infeliz. “Comercial” exprime melhor o que eu queria dizer.)
eu concordo 100% que os interesses dos organizadores da CCXP são opostos a uma crítica aprofundada, mas eles se utilizam de comunicadores que se posicionam como críticos ou que produzem “crítica” (review) para cobrir o evento e engajar com ele, então acho que é natural que se espere que essas pessoas ou de fato exerçam o pensamento crítico ou façam como os influenciadores no geral e marquem o conteúdo da CCXP como “ad”.
mas assim, também to falando mais da parte da CCXP relacionada aos quadrinhos, que é a única coisa que me interessa da feira e também é o foco principal do QNS.
Acho que você está esperando muito dessa galera supostamente crítica, rs.
eu acho que a gente faria muito bem se desistisse da cultura pop
ghedin, vale a pena ver o vídeo, o argumento é justamente este e ele se contrapõe justamente a quem diz que é necessário supostamente ocupar espaços do mercado como a ccxp (sem, no entanto, cair na armadilha da autenticidade e do virtuosismo)
O cara quer uma discussão acadêmica num lugar que é literalmente voltado pra diversão. Se fizerem um painel similar sobre livros na Bienal vai ter 4 pessoas prestando atenção na plateia e as três restantes dormindo nas poltronas (eu sei porque participei da montagem de vários quando estava na Rocco). Debate acadêmico crítico é na academia, pelamor. Dizer que a Dandara e o Samir (os que eu conheço do painel) só sabem fazer “resenha” é de um despeito atroz.
Desrespeito é a norma do Alexandre para garantir engajamento. Ele afunda boas críticas no meio de uma plantação de picuinha e mania de perseguição.
desrespeito onde?
quando ele denunciou práticas problemáticas do mercado editorial brasileiro ele foi massacrado por uma legião de fãs de editoras
mas é justamente o que se argumenta no vídeo: não há lugar para crítica num parque de diversões pago como é a ccxp
assista ao vídeo, os argumentos são bastante coerentes
(e não há desrespeito nenhum em dizer que alguém que faz review não faz crítica)
Você pode fazer review E crítica ao mesmo tempo. Uma coisa não anula a outra nem são atos excludentes. E concordo com o Rodrigo: a criatura acusa a CCXP de não chamar críticos (no sentido acadêmico da coisa) quando o objetivo dela (e o público que frequenta) não é nem de longe esse.
Sem querer me meter, mas já me metendo (rsrs) eu acho complicado essa visão de que crítica e academia são a mesma coisa. O debate acadêmico sobre obras é bem diferente do trabalho da crítica, embora ambos possam andar juntos, não é porque o local não é uma universidade que não se pode debater uma obra (seja HQ, filme, livro etc.). Crítica consiste em entender os objetivos de um trabalho, como ele se desenvolve, se atinge o que ele se propõe a fazer, pontos fortes e fracos. Você não precisa invocar o Adorno e Didi-Huberman pra fazer isso. Eu acho que não só a CCXP, mas a cultura popular como um todo simplesmente abandonou qualquer possibilidade de crítica e tudo que não é elogio, vira cancelamento, o público não aceita ouvir que o seu item favorito tem um problema que seja, as empresas obviamente não querem que falem mal do seu produto, e os críticos vão na onda para não perder publicidade e assim a gente chega nessa situação na qual tudo é definido como épico, incrível e maravilhoso, mas você vai ver e é tudo um grande pastiche e nada de realmente interessante acontece.
Será que tem versão em podcast? Um vídeo de 40 minutos de um assunto que não me interessa muito é puxado.
Pior que eu assisti, e também nem me interesso nesse assunto. Os argumentos do Alexandre me parecem fazer sentido, mas acho tão bobo um debate aprofundado assim por conta de um evento de revistinha de desenho animado.
Costumo pensar que qualquer vídeo (principalmente um de opinião ou conversa) é um podcast em potencial, só minimizar a janela ou deixar o celular de lado, sem precisar assistir.
O vídeo é longo assim porque ele passa a primeira metade apenas fazendo uma revisão histórica/de conceitos, pra embasar a opinião dele. O que ele fala a respeito da CCXP mesmo é só a partir do minuto 20:53. Inclusive essa questão de “não haver crítica” num evento como esse ele mesmo trata como algo óbvio, mas ele levanta alguns pontos interessantes lá, como o papel da crítica e se há alguma utilidade em influenciadores (ou “críticos”) de esquerda participarem desse evento.
Com certeza é uma ingenuidade, Ghedin. Mas acredito que tenha sido uma ingenuidade proposital. Acho que ele aproveitou uma ótima oportunidade para expor um problema, tendo em vista que as pessoas hoje em dia só clicam em vídeos sobre “polêmica”. Partir de uma “polêmica” e discutir o que é crítica me parece ser uma ótima maneira de aproveitar um assunto do momento. Acho que esse vídeo não teria tanto alcance se não abordasse a CCXP. A questão que fica é: essa “estratégia” é válida ou não para discutir um problema de maneira séria? No meu ponto de vista, creio que seja válida.
É que (sem ver mais que dois minutos do vídeo) me parece que não há um problema aí, ou seja, a premissa do argumento é falha. CCXP é um negócio comercial, para hypar lixo de estúdio e vender bugiganga para fã. Se cabe uma crítica aí, é à própria CCXP — e nesse caso, definitivamente a CCXP não seria o melhor lugar para fazê-la.
Compreendi o seu ponto.