Esses tempo em um post sobre opiniões polêmicas aqui no Órbita eu falei que na minha opinião de que, quem fica dando desculpas esfarrapadas para não ter filho, na verdade não está querendo assumir que não quer ter filho por puro egoísmo.
Semana passada me deparei no Instagram com um corte de um papo do Gregório Duvivier com o João Vicente, onde o João questiona ao Gregório como pode, apesar de todos os perrengues que a paternidade inevitavelmente traz para a vida de um pai e mãe, ainda assim há quem diga que ter filho é a melhor coisa do mundo.
Gregório obviamente conseguiu expressar na resposta como eu gostaria de ter respondido na época do post polêmico, por isso compartilho com vocês a resposta no vídeo acima (começa no minuto 26:41 para quem quiser ir direto quando falam sobre paternidade).
42 comentários
Acho que passamos um ponto do ponto neste debate. Fechando aqui, ok?
Que engraçado ler toda essa discussão e tantos argumentos.
Eu costumava pensar que quem tem filhos é que são os egoístas, afinal a maioria das pessoas fazem isso por si próprias, porque elas querem. não tem nada de altruísta em QUERER ser pai.
Inclusive, ninguém pediu pra tá aqui e ainda assim estamos, por culpa de nossos pais, quer queira a gente ou não. (a não ser que você acredite em reencarnação e se lembra de antes de nascer falar pra deus ô me bota lá na terra de novoo! mas eu nunca conheci alguém assim e acho improvável um dia conhecer)
além de que ser pai/mãe é literalmente passar seus genes pra frente, então tem um componente MEGA egoísta mesmo kkk tipo, é literalmente seu DNA querendo se perpetuar
fora os exemplos fáceis de encontrar, pai/mãe que só teve filho pra: satisfazer expectativa social, ter alguém pra cuidar na velhice, “deixar um legado” (pretensiosoo), ter mini-eu pra realizar sonhos frustrados…
e parece que todos que estão aceitando o título de egoísta aqui nessa discussão não o estão fazendo porque são egoístas de fato e sim porque não querem se aprofundar numa discussão descabida como essa
é, acho que eu continuo achando que quem quer ter filhos é que são os egoístas mesmo haha
Isto de definir quem é ou não egoísta estragou a discussão. Você pode ser egoísta tendo ou não filhos. Por isto que tentei deslocar a discussão para algo mais pragmático, que deveria ser premissa básica para tudo: a continuidade da vida humana. Me soa estranho demaois que não se enxergue este fato. Mas, no fim, não é dificil entender: quem não tem filhos por opção, conta que os outros tenham filhos. Quem vai produzir os bens e serviços no futuro, quando formos todos velhos? os filhos de alguém. Gosto muito de uma frase que li recentemente: “pais e mães movem o mundo”.
Nunca tive vontade de ter filhos, acabei de fazer 31 anos e continuo sem a mínima vontade. Pode ser egoísmo, ou o que mais quiserem chamar, mas se eu posso escolher, prefiro manter essa decisão.
aí que está: não é egoísmo. Não podemos cair nessa falácia. Quem diz que é egoísmo quer disciplinar os corpos e as vidas alheias.
Exatamente
Não tenho filhos, não vou ter e podem tatuar “egoísta” na minha testa que vou andar por aí felizão.
Hoje em dia está mais fácil adotar este ‘lifestyle’. Os vazios e a falta de perspectiva de futuro podem ser preenchidos com scrolladas infinitas e por alguma série ruim da Netflix.
Está postagem tem cara de provocação barata.
As respostas do autor são todas passivo-agressivas, não tem contra argumentos, só condescendência.
Por que postar se não quer debater, só quer validação?
Tem toda cara de sinalização de virtude.
Vou debater o que se eu falo uma coisa e dizem que estou falando outra?
Se não querem ter filhos, não tenham, nunca falei que todo mundo tem que ter filho, só falei que, na minha opinião, quem diz que está pensando no planeta, na vida do filho que vai ser difícil, blá-blá-blá, na minha opinião está é apenas pensando em si próprio e não quer admitir.
Não falo isso de ninguém específico aqui do Orbita, mas aí sempre aparece alguém e fica falando que essa minha opinião é fascista, é não sei o que, uns termos que nem sei o que são.
Se não tenho condições de debater e vou apenas ficar me repetindo, ja dei minha opinião, quem quiser pode dar a sua, não tenho vontade nenhuma de fazer quem não quer ter filho em ter, se duvidar é melhor que nao tenha mesmo.
Até nisso estou errado agora?
Aliás, antes de ter filho cogite adotar.
Um vegano, um ateu, um usuário de linux, um crossfiteiro e um desses que quer que todo mundo tenha filhos entram num bar…
E defender a continuidade da espécie humana? Concordo, motivo nobre. Poderíamos começar resolvendo as mudanças climáticas então, uma ameaça muito mais imediata aos 8 bilhões de humanos que já existem
Faz ainda mais sentido se lutarmos não apenas por nós mesmos, mas TB pelas gerações futuras.
Engraçado pois comunidades mais simples (como as dos povos originários) já tem parte da solução para resolver o problema da mudança climática: basta não transformar o planeta em um produto econômico e preservar os recursos naturais que nem deveriam ter sido transformados em outras coisas que só geraram inutilidades e guerras por aí, isso para começar…
Quanto aos filhos, isso acho que falei da outra vez mas creio que é responsabilidade antes de tudo. Até porque a gente tem que pensar na pessoa que vai gerar a criança, a mãe. Ela que tem que dar a palavra final sempre. Aparentemente a galera tá esquecendo disso aqui.
existe algum motivo altruísta para ter filhos?
Continuidade da humanidade?
A continuidade da humanidade não é uma vantagem para o planeta.
Acho estranho que defender o extermínio de uma determinada categoria de ser humano seja crime, mas defender o fim da humanidade, não. O niilismo venceu.
É ótimo quo o niilismo vença
Esse problema não existe porque pessoas estão se reproduzindo. Não somos pandas que tão sumindo porque não trepam.
A população de humanos só aumenta, desde sempre. E num rítmo cada vez mais rápido.
Esse discurso é baseado no absurdo de uma extrapolação irreal: Alguém disse que não quer ter filhos > imagine se todo mundo não quiser ter filho > vamos sumir. Não faz sentido porque desconsidera a realidade. Num mundo só de ideias, tem lógica, mas não existe um mundo só de ideias.
O processo de queda de natalidade é crescente no Ocidente. Então, há sim, motivos para se preocupar. Etnias e culturas inteiras podem desaparecer em algumas décadas.
Já tive esta opinião de “não ter filhos é egoísmo”. E tinha um certo preconceito com quem escolhia não ter. Até com quem tinha só um filho.
Hoje penso bastante diferente.
Primeiro, entendo que as escolhas das pessoas merece ser respeitada, egoísmo ou não. Também egoísmo impor seu modo de vida no outro.
Segundo, nem sempre é egoísmo. Costumo dizer que quem pensa não tem filhos, pois quando você põe no papel tudo que terá que abrir mão, o sofrimento pelo futuro (cada vez mais incerto) da criança.
Terceiro, nem todo mundo está talhado, ou preparado (psicologicamente, emocionalmente) pra isso. Cada vez menos temos rede de apoio, famílias menores que não moram perto, todo cuidado custa, e o custo é cada vez maior.
Tem um ditado indígena de que é preciso uma aldeia pra criar uma criança. Não temos mais esta aldeia. Gosto do Gregório, mas ele está em posição de parar de trabalhar para ser pai (ou trabalhar menos).
Não é minha realidade. Nem a da maioria das pessoas.
Enfim, conheço pessoas que optaram por não ter filhos e que se dedicam imensamente à sua comunidade. Não é algo binário.
Obrigado pelo comentário Rafael, muito coerente tudo que você pontuou.
Também conheço pessoas que possuem muitos perrengues na vida, pais com doenças para cuidar, ou que elas mesmo possuem dificuldades próprias, e que elas tem que considerar muitas coisas antes de decidirem ter ou não filhos, e acho extremamente saudável esse planejamento familiar.
a questão é: por que isto sequer é uma questão? fica sempre parecendo que ter filhos é imperativo — as pessoas têm que se livrar desse fardo!
Eu recomendaria um livro do Dawkins: O Gene Egoísta, para aprofundar essas questões além das ciências humanas. Talvez seja um fardo, mas eu penso que é muito interessante a maneira como ele está colocado. Vale a leitura.
putz, você está sugerindo justamente alguém que faz de tudo pra biologizar a vida social, amparando-se em argumentos de determinismo biológico profundamente problemáticos pra dizer o mínimo
Eu estou apenas tentando ampliar a discussão. Se não for de seu interesse ler o livro, passe adiante e não precisa me acusar de nada.
a fala de Duvivier é bastante bonita, mas do jeito que você a apresenta só reitera um certo moralismo problemático e essencialista — como se ter filhos fosse uma obrigação e o desejo de não tê-los fosse inerentemente egoísta (quando, ao contrário, pode ser justamente esse desejo de autocompletamento ante uma suposta obrigação essencial que pode ser profundamente egoísta).
não existem desculpas “esfarrapadas”: a obrigação social de ter filhos — sobretudo da forma como ela é imposta às mulheres — é profundamente fascistoide. Por que desperdiçar os melhores anos da vida trabalhando para viabilizar a vida de outra pessoa se não temos sequer o apoio mínimo que se espera do estado de bem-estar social (inexistente no Brasil)?
“ah, mas você tem que se doar”
se você se sente pleno se doando, ótimo pra você, mas não queira estender isso aos outros.
no fundo, no fundo, opiniões como a sua, denunciando uma vida sem filhos, são a pura expressão do fascismo: o desejo de controlar o corpo alheio, o desejo de controlar a vida alheia, o desejo de controlar o próprio desejo alheio.
Também achei muito bonita a resposta dele e obrigado pelo contra-argumento.
Calma, ninguem tá falando em obrigar, por lei, que as pessoas tenham filhos. Apenas tentamos seguir a lógica da permanência humana na Terra e a tentativa de combater a crise demográfica que se aproxima (no Japão já é uma realidade). Pirâmides etárias prestes a ruir pela falta de reposição. Mas, quem sabe, os robôs serão nossa reposição. Entreguemos nosso futuro às máquinas.
Programas de imigração podem ser uma boa saída para suprir essa demanda por mão de obra. Além do mais isso aí é só um ciclo de uma pirâmide maior chamada capitalismo.
você está sugerindo uma espécie de malthusianismo reverso, como se fosse um imperativo de segurança ter filhos, mas no fundo isto é uma falácia
como já disseram, esse problema em locais como o japão, o canadá ou a europa ocidental se resolve com imigração, mas a xenofobia atua no sentido contrário
aliás, fronteiras por si só são aberrações e deveriam acabar pelo bem da humanidade antes mesmo de começarmos a querer obrigar as pessoas a terem filhos
Então vc está contando que os “outros”, basicamente os africanos e parte dos asiáticos, continuem tendo filhos, para trabalharem e produzirem para os que não tem filhos. Como se eles TB, ao imigrarem, pelo processo de ocidentalização, TB não começassem a deixar esta “bobagem” de procriar, de lado.
não, não estou dizendo isso de forma nenhuma
estou dizendo que HOJE o problema demográfico nos países do norte global NÃO É um problema de fertilidade, mas de xenofobia
não confunda as coisas
“Fica dando desculpas esfarrapadas para não ter filho, na verdade não está querendo assumir que não quer ter filho por puro egoísmo.”
Concordo plenamente. Mas há quem nem esconda mais. Simplesmente assumem seu egoísmo, que nada mais é que uma descrença no valor da humanidade e na nossa luta milenar para dar continuidade à nossa espécie. Acho que nenhuma luta por direitos humanos faz sentido, quando não se coloca a continuidade da raça humana como uma premissa básica.
você sabe que esse discurso é profundamente eugenista, né? pra chegar no fascismo é só um pulo
Ah, claro. Chame de fascista e ganhe a discussão. Eu falei em raça HUMANA. Que eugenia há nisso?
releia a bobagem que você escreveu:
Faz sentido defender minorias se estas minorias não existirem num futuro próximo? Faz sentido falar em crises ambientais, se não houver para quem deixar um mundo sustentável? A nossa continuidade é premissa básica. Ou deveria ser. Senão, morramos todos em uns 100 anos e deixemos o mundo para os ácaros. Ou para as máquinas.
Sem ofensas, ok? Quanta lorota. Somos egoistas sim, pois queremos dedicar nosso tempo e dinheiro a nós mesmos. Cada um faz o que quiser da propria vida, não precisamos ficar validando nossas escolhas de não ser pai para os outros.
Mano, se você é pai e é feliz então que sua vida seja prospera e que seus filhos sejam pessoas incriveis.
Mas EU? Não obrigado. Eu já considero a minha vida muito boa.
Não me senti ofendido, e concordo com você, cada pessoa tem o direito de fazer escolhas que estejam alinhadas com seus próprios desejos e objetivos, pois a felicidade é algo pessoal e único para cada um.
Que sua vida seja próspera também.