Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

A apresentação da Apple filmada com o iPhone apple.com

O mais impressionante da apresentação dos chips M3 da Apple, na segunda (30/10), foi o fato dela ter sido filmada inteiramente com o iPhone 15 Pro Max. Ninguém percebeu até o aviso ao final do vídeo.

Esse é o melhor tipo de comercial, né?

12 comentários

12 comentários

  1. O Arun.is fez um post sobre isso. Recomendo.

    O grande ponto dele é esse aqui:

    Apple has continued to update and evolve the Shot on iPhone campaign as the iPhone has itself evolved. Apple held competitions to highlight new features like night mode and macro. As the iPhone has gained professional features, Apple has been showing how people are using iPhones in professional shoots. The film introducing the iPhone 15 Pro was full of professional video shoots.

    By now, the question of whether a smartphone can be a good everyday camera has been laid to rest. Therefore, Shot on iPhone no longer needs to be about telling consumers that the iPhone is a great pocket camera.

    The new message is for professionals: iPhone can take the place of a professional camera that costs as much as a luxury car. It’s not the only equipment you’ll need, but you already knew that.

    Eu vejo isso como o eterno retorno da Apple. A Apple é uma empresa que quer ser de luxo, exclusiva, entrar nos lares dos ricaços como umm objeto que é mostrado (como um Patek Philip, um Bola Valpolicelli ou um Solid Gold OVO. Mas a Apple não é isso. Não sei se vai se tornar. Ela é uma empresa de computadores, telefones, tablets e relógios que são inacessíveis à classe baixa (e às classes médias dos países periféricos); ao mesmo tempo, ela não é uma marca de luxo capaz de ser entendida como algo exclusivo por aqueles super-ricos. Não entenda errado, eles tem Macbook, Studios etc. Mas não são os objetos que eles acham que são exlusivos deles, são as ferramentas (pra ver vídeos, pra mandar email, pra tirar fotos no passeio). E a Apple quer ser exclusiva, quer ser uma marca de luxo, profissional.

    É um reposicionamento em relação ao ressurgimento da Apple (com os Macs G3) e até mesmo em relação ao lançamento do primeiro iPhone.

    Vai dar certo? Não sei. Acho que não, pelo menos não em menos de uma década. Mas a verdade é que a Apple tem uma mensagem clara: você que parcela o computador em 12x, que manda um amigo comprar em Miami, que compra um usado de 4/5 anos atrás; você não é o publico-alvo da empresa e nem a empresa faz questão de que você apareça usando a marca da empresa.

    Tirando isso da frente, o evento filmado com iPhone, mesmo com a quantidade grande de equipamentos profissionais, é um recado pro mercado profissional e de alto-padrão: usem iPhone no lugar de alugar câmeras intermediárias.

    1. “Tirando isso da frente, o evento filmado com iPhone, mesmo com a quantidade grande de equipamentos profissionais, é um recado pro mercado profissional e de alto-padrão: usem iPhone no lugar de alugar câmeras intermediárias.”

      Pode ser que a Apple pense realmente assim e queira isso. Mas o mercado de producao de foto e vídeo não é formado, nao em sua maioria, por gente leiga ne? qualquer camera de 10 anos atras, 20 anos atrás até muitas cameras de filme tem imagens melhores que um iPhone moderno. Não é porque a Apple melhora seu produto todos os anos que a industria de câmeras fica estagnada, eles também melhoram.

    2. Acho que a Apple desistiu de ter um segmento de luxo de verdade – não “medíocre premium” – a tentativa foi o famigerado Apple Watch de ouro. A ideia da câmera “profissional” retoma a proposta aspiracional dela, que existe desde a a volta do Steve Jobs e a campanha Think Different, mas estava meio de lado pelo fenômeno iPod e iPhone.

      O Tim Cook conseguiu esticar a corda dos dois lados: é uma marca bem mais popular, com produtos mais acessíveis que há 10 anos atrás. Por outro lado, a parte profissional/entusiastas que estava em cheque nos últimos anos, voltou a ser um foco (Macs, iPads Pro, iPhone Pro, etc…) até pelas margens envolvidas.

      Eles querem que o cientistas, atletas, jornalistas, artistas, programadores, etc…usem Apple. Isso eles estão conseguindo reforçar com os produtos, mas isso é muito diferente ao meu ver, de um produto como Patek Philipe: é claro que a Apple gostaria de vender um iPhone de ouro feito na Califórnia por 50K, mas eles (ainda) não conseguiram engrenar nada assim.

      Curiosamente, esse público já consome os produtos da Apple, não existem marcas como Patek Philipe ou Ferrari em tecnologia. Ela parece mais uma Nike, que uma empresa do grupo LVMH.

  2. O iPhone nesse caso é o menos relevante devido à produção envolvida. Poderia ser qualquer câmera/celular. A direção fotográfica é muito mais importante.

    1. Acho eu que “se qualquer câmera/celular” funcionasse nessas circunstâncias, estúdios e agências não optariam por pagar algumas dezenas de milhares de dólares em câmeras da RED, não? É uma diferença de custo dramática. (Não que custo seja um problema para a Apple; estou pensando nos estúdios e agências menores, mas que investem em equipamento especializado caro.)

      Ainda mais nas circunstâncias da produção, com tomadas noturnas, que são sempre desafiadoras para celulares, é algo notável.

      Se fosse algo trivial, outras empresas do setor já teriam feito. É algo que chama a atenção e que impressiona tanto leigos quanto profissionais.

      1. Imagino que o custo da câmera/lente não seja muito relevante nesse nível de produção, assumindo que os equipamentos são alugados e precisa de uma equipe enorme e qualificada para trabalhar.

        Talvez, até aumente os custos, porque em teoria tem menos margem para trabalhar com um sensor menor….menos flexibilidade para arrumar na pós-produção. Igual filmes em película, que imagino ser usado somente em grandes produções hoje em dia.

        Os vídeos do Marques sobre carros, em que ele usa smartphones para gravar, não tem o mesmo nível de qualidade. Provavelmente, demanda uma produção muito mais complexa gravar, que mesmo ele não tem condições.

        Mas de qualquer, achei bem impressionante, duvido que seja possível fazer isso mesmo com outros iPhones sem formatos LOG e afins.

        1. Log é uma curva logaritima referente ao gamma daquela captação. Filmar em log te faz ter margem de recuperação de sombras e de altas luzes na pós produção. Mas analise comigo, se você faz uma produção com uma puta de uma iluminação bem pensada, bem direcionada, cada coisa em seu lugar, pra que vc vai recuperar sombras e altas luzes? nao é necessário. Log nao faz a imagem ter mais qualidade visível, mas sim mais informações em baixas e altas luzes pensando em recuperação.

          1. Imagino que o mais importante seja o trabalho do colorista, não necessariamente arrumar iluminação na pós-produção. Porém, suponho que se arrume cenas mais complexas em que não se pode usar a iluminação ideal também, como as de drone por exemplo.

            Fora que tem a questão de deixar mais natural, para gravar Barry Lyndon o Kubrick usou uma lente f/0.7 e luz de velas. Um filme escuro tipo The Batman, imagino ser impossível sem arrumar iluminação na pós-produção.

        2. Margem para colorgrading é dada através de profundidade de bits, 10, 12, 14 , 16bits, isso que determina a quantidade de cores em um arquivo para ser manipulado. Curva Log é referente ao Gamma, contraste, baixas e altas luzes.

          1. Sim, mas o produto final é um conjunto disso, imagino que se tiver só o arquivo final em 10-bit não tem a mesma flexibilidade para chegar a um estilo de vídeo.

            Fora que nem todo celular grava com alto bitrate também – a opção de gravar direto em um SSD externo, acho que só no iPhone novo também – então acho que ainda segue como diferencial relevante.

      2. “Acho eu que “se qualquer câmera/celular” funcionasse nessas circunstâncias, estúdios e agências não optariam por pagar algumas dezenas de milhares de dólares em câmeras da RED, não?”

        Funcionar é uma coisa, ter a estetica desejada é outra. É meio óbvio que a industria cinematográfica não irá adotar celular para produzir um filme, a nao ser que seja camera para ser destruida em cenas perigosas. Ainda assim, bem pouco provável. RED é uma das diversas marcas usadas no cinema. Canons 5D Mark III foram MUITO usadas como cameras B e C no cinema também. Até hoje diretores escolhem lentes da decada de 50, gravam em pelicula por decisões estéticas, e não exclusivamente pela melhor qualidade.

        “É uma diferença de custo dramática. (Não que custo seja um problema para a Apple; estou pensando nos estúdios e agências menores, mas que investem em equipamento especializado caro.)”

        Você talvez nao tenha reparado o que eu falei, mas o mais importante aí é a direção de fotografia. Direção de fotografia é iluminação. Uma vez que você tem uma boa iluminação a camera é o menos importante. Uma produção que tem iluminação do nível que a Apple usou, nao esta preocupada com preço de câmera. Produções que usam iluminações mais simples, ja utilizam câmeras dedicadas que são mesmo preço ou mais baratas que um iPhone, como Sony A7 III, Canon EOS R, etc…

        “Ainda mais nas circunstâncias da produção, com tomadas noturnas, que são sempre desafiadoras para celulares, é algo notável.”

        Repito, é a iluminação que fez a diferença, poderia ser o iPhone SE que vc e eu usamos.

        “Se fosse algo trivial, outras empresas do setor já teriam feito. É algo que chama a atenção e que impressiona tanto leigos quanto profissionais.”

        Ter um aparato de iluminação de milhares de dolares nao é trivial. Se outras empresas não fizeram não é porque não é possível, é uma decisao de marketing. Nao sei se você sabe, mas a Apple tem acordos e parcerias com a industria do cinema devido ao seu codec amplamente utilizado nessas produções, o Apple ProRes, que desde o iphone 13 está disponível nas versões Pro.

        Eu sei que tudo que a Apple faz parece ser mágico. Mas um pouco de conhecimento tecnico na area faz entender como as coisas funcionam. Eu trabalho na área e uma camera de 20 anos atrás e uma camera ou celular moderno com uma boa Iluminação fazem ótimos resultados. Por isso que eu disse, que o celular é o menos relevante. Iluminação é e sempre será o “segredo”.

        1. Achei excelente o seu comentário, Alberth. Fui fotógrafo, há anos atrás, concordo com tudo o que falou. E imagina você extrair esse vídeo do iPhone para editar? Sem contar que no trabalho não é só um né, então também é preciso pensar na capacidade de armazenamento do aparelho. Enfim… Achei interessante seu ponto sobre o iPhone ser mais caro do que algumas câmeras, como a A7 III. Ainda não havia pensado nisso…

          Esse evento foi uma boa jogada de marketing da Apple, mais uma dela, mas foi isso né.