O que muda (e para quem) com a novela da OpenAI?

Eu poderia apostar que, até o fim do ano, a Netflix ou algum outro streaming comprará os direitos da novela da demissão de Sam Altman da OpenAI (partes 1 e 2).

Nesta segunda (21), Ilya Sutskever, membro do conselho apontado como principal articulador do complô para derrubar Altman, disse estar arrependido e assinou uma carta aberta, junto a +90% dos ~700 funcionários da OpenAI, chamando o conselho de incompetente e dando um ultimato: ou restabelecem Altman e pulam fora, ou vão todos trabalhar na Microsoft.

Todo mundo erra, mas é raro ver alguém classificar o seu eu de três dias atrás de um completo idiota.

De seu lado, a situação de Altman e Greg Brockman, que parecia resolvida, ainda não está. A dupla não descarta voltar à OpenAI, ou seja, ainda não fecharam com a Microsoft.

Em meio a tudo isso, tentei mudar o foco e pensar nas consequências em vez de seguir mergulhado no drama. O que muda? E para quem?

  • Os maiores perdedores são a própria OpenAI (em especial se a demissão não for revertida) e toda empresa/startup (com exceção da Microsoft) que criou produtos ou novos recursos em cima da API da OpenAI. É uma velha máxima do mundo da tecnologia: não deixe seu negócio depender de um terceiro, em especial se esse terceiro é uma startup badalada;
  • A Microsoft está com a faca e o queijo na mão, e apontando a faca para a OpenAI. Difícil imaginar um cenário em que Satya Nadella, o habilidoso CEO da Microsoft, saia perdendo.
  • A facção de proponentes apocalípticos da inteligência artificial, que acha que a IA vai acabar com a humanidade, sofreu um duro golpe. O conselho da OpenAI é formado por essa galera esquisita, do altruísmo eficaz e outras ideias erradas de como consertar o mundo (que eles mesmos ajudaram a quebrar).
  • A outra ala, a dos que querem resolver o problema que criaram com mais do que desencadeou o problema (tecnologia resolvendo problemas de tecnologia), se livra das amarras ~éticas da OpenAI, da baboseira de usar a IA para o benefício da humanidade e limites no retorno aos investimentos. As coisas voltam a ser “business as usual”, termo em inglês para “dane-se todo o resto, passe o dinheiro pra cá”.
  • Por fim, nós. Se você usa alguma coisa relacionada à OpenAI, seja o ChatGPT, seja algum app feito em cima das APIs da startups, talvez algo mude a médio prazo. Por ora, dada a vantagem que a OpenAI tem frente aos concorrentes, tudo bem.
  • Para quem não usa IAs gerativas… bom, acho que não muda muita coisa, ao menos por agora.

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3 comentários

  1. O que o ChatGPT diria?

    Já eu não duvido se a Microsoft comprar de vez e aproveitar o caso no novo departamento de (open)AI

    1. “Até a minha última atualização de conhecimento em janeiro de 2022, não tenho informações sobre a demissão de Sam Altman da OpenAI ou sobre qualquer ameaça dos funcionários de ir para a Microsoft. Além disso, como modelo de linguagem, não tenho a capacidade de fornecer informações em tempo real ou prever eventos futuros, especialmente eventos específicos em organizações.
      Se houver desenvolvimentos recentes após a minha última atualização, recomendo verificar fontes de notícias confiáveis e as declarações oficiais das partes envolvidas para obter informações atualizadas sobre a situação. As informações sobre eventos corporativos e mudanças de pessoal são geralmente divulgadas por meio de comunicados à imprensa e declarações oficiais das organizações envolvidas.”