A face do risco: o rosto como senha

Por falar em reconhecimento facial, ouvi com grande interesse o podcast O Assunto desta segunda (19), que trata do… assunto, e terminei a audição um pouco decepcionado.

Gostei da crítica que o Ronaldo Lemos, um dos entrevistados, fez à banalização do uso do rosto como senha. Quando a Natuza pediu dicas de prevenção contra golpes que exploram brechas do reconhecimento facial, a primeira que Ronaldo deu foi evitar expor seu rosto a esse sistema, o que é meio óbvio e, ao mesmo tempo, muito difícil em vários casos — um deles comentado pelo próprio Ronaldo minutos antes, que admitiu que quando precisa entrar em um prédio que exige reconhecimento facial, acaba cedendo.

As dicas de segurança do outro convidado, Álvaro Massad Martins, me pareceram meio anacrônicas, como “criar senhas com pelo menos dez caracteres” (que tal indicar gerenciadores de senhas e não se preocupar com isso?) e VPN para “navegar com segurança em redes públicas”, o que é dispensável com HTTPS onipresente e, de qualquer modo, está longe de ser uma panaceia.

Ao fim do podcast, continuei incomodado com a banalização e sem saber muito bem o que fazer. Dicas?

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

8 comentários

  1. No podcast UOL prime da semana passada foi tratado o mesmo assunto, com bem mais profundidade.

  2. Num condomínio que frequento, foi implantado um sistema de reconhecimento facial. O que mais me chamou a atenção foi o processo de cadastro: enviei uma cópia da minha CNH por e-mail e, na primeira vez que precisei entrar, bastou baixar o vidro do carro e o acesso foi liberado. Ou o sensor tem baixa exigência, ou a tecnologia é realmente boa em identificar a biometria apenas a partir do documento, sem o escaneamento facial direto.

    Sobre evitar esse tipo de tecnologia, penso que é perda de tempo. Com o nível de monitoramento nas ruas, os nossos rostos já estão amplamente expostos e qualquer tentativa individual de resistência acaba criando obstáculos apenas para o próprio usuário.

    1. Ou o sensor tem baixa exigência, ou a tecnologia é realmente boa em identificar a biometria apenas a partir do documento, sem o escaneamento facial direto.

      Se a fonte contra a qual o sensor “combina” seu rosto para liberar o acesso é de baixíssima qualidade (foto da CNH), pode ter certeza de que o nível de exigência é igualmente baixo. Bem provável que uma foto libere a entrada, hahaha 🥲

      1. O que descobri no meu prédio (meio que sem querer) é que esse tipo de câmeras usa sensores de infravermelho e calor pra tentar capturar algum tipo de “relevo” na imagem e, assim, diferenciar entre um rosto “real” e uma imagem chapada como uma foto ou vídeo. Seguro, seguro, não deve ser 100% não, mas tbm não parece algo que dê pra burlar com papel, caneta, chiclete e alguma criatividade. O lance da detecção de calor, por exemplo, já coloca esses controles de portaria um degrau acima, por exemplo, da biometria facial no celular que tantos bancos já utilizam – tanto que já vi até notícia de fraude em app de banco em que a quadrilha usava máscaras de silicone…

  3. bom, minha sensação é que não tem muito o que fazer mesmo.

  4. muito interessante essa informação de que a pessoa não é obrigada a aceitar, eu não sabia. já passei raiva em vários lugares por causa do cadastro com rosto.

    meu namorado tentou impedir a implantação no prédio dele, porém a síndica não deu muita trela para os alertas dele. quem sabe se tivermos uma divulgação mais ampla tanto dos riscos quanto dos direitos, fique mais fácil argumentar contra.

  5. Também assisti super interessado, mas acho que acabou ficando muito superficial. A única informação nova e relevante que consegui pescar é de que não sou obrigado a aceitar o cadastro facial, o que será importante quando tentarem impor a tecnologia onde moro.

    Acho que não há muito o que fazer a nível individual. Importante seria buscar forçar algum tipo de fiscalização e/ou autuação desse tipo de atividade tal qual grupos como o IDEC fazem em relação ao direito do consumidor. Talvez buscar grupos consolidados que tratem desse tipo de atividade para começar a investigar ou exigir da ANPD alguma atuação nessa bagunça que virou o cadastro facial.

    O pior é que, unido a esse cadastro facial, tem a questão da inclusão das câmeras de segurança privadas ao serviço de segurança pública. Imagina que belo estado de vigilância estamos nos metendo.

    1. “A única informação nova e relevante que consegui pescar é de que não sou obrigado a aceitar o cadastro facial, o que será importante quando tentarem impor a tecnologia onde moro.”

      Gente, fale mais sobre isso, por favor. (Minha religião não me permite ouvir podcasts, hahaha.)

      No meu trabalho, o ponto atualmente é batido por digital, mas tem algumas máquinas de reconhecimento facial. Sabe como sugeriram fazer o cadastro dos funcionários? Querem que a gente mande foto pro whatsapp PESSOAL da funcionária do RH pra ela cadastrar na máquina. 🤡 Olha, sinceramente, cada dia mais eu odeio algumas tecnologias…