Sob nova gestão, Alcatel quer ser a nova Samsung
O convite feito pela Alcatel para que eu cobrisse a Mobile World Congress pelo iG Tecnologia (e que o Fabrício Vitorino fizesse o mesmo pelo TechTudo) já dizia muito sobre a importância do mercado brasileiro para a marca em 2016. A realização de um evento para apresentar não só as novidades, mas também a nova marca e a nova gestão da empresa já em abril, pouco mais de um mês depois da feira em Barcelona, reforça o quanto o Brasil se tornou estratégico.
Segunda fabricante em volume na América Latina de acordo com dados da IDC citados pela própria empresa e em outros relatórios recentes, a Alcatel ocupa a módica quinta posição aqui — atrás inclusive de Apple, que pouco se esforça para conquistar o brasileiro. De acordo com Fernando Pezzotti, presidente da Alcatel e com quem conversei durante a MWC 2016, a importância do mercado brasileiro, atualmente entre os cinco maiores do mundo, explica o interesse da Alcatel. Para ele, a recém-anunciada família Pixi 4 já chega diferente: os produtos foram reformulados para o mercado nacional, uma exceção que a matriz abriu somente para operação brasileira.
Mudanças globais e locais

A primeira mudança global para crescer em mercados potenciais como continua sendo o Brasil foi abandonar o complemento “OneTouch” da marca para ser apenas Alcatel.
A Alcatel nasceu na França como um braço da Alcatel-Lucent em uma joint-venture com a chinesa TCL, em 2004. A parceria, porém, não durou muito: no ano seguinte a TCL comprou os 45% que estavam nas mãos dos franceses. A fabricante chinesa não é muito conhecida por aqui, ainda que em 2010 fosse a 25ª maior fabricante de eletrônicos de consumo do mundo. Forte em sua terra-natal e na fabricação de TVs, a TCL, curiosamente, comprou o que restou da Palm da HP em 2014 — daí o uso da marca “Pixi”, de quando a Palm era independente. Na época da aquisição, representantes da empresa chegaram a falar em reviver a marca, mas na MWC deste ano um executivo disse que a Palm era uma ferramenta na caixa. Ou seja, está na reserva. O foco é a Alcatel.
Mezzo francesa e mezzo chinesa, a Alcatel deve reforçar seu lado europeu em locais como o Brasil, onde outras fabricantes de origem chinesa ainda enfrentam o estigma do xing-ling. Vice-presidente de marketing para a América Latina, André Felippa me disse que está ciente desse preconceito com as marcas chinesas e que hoje grande parte do desenvolvimento em design da Alcatel está mesmo na França. “Nesse reposicionamento da marca estamos estudando quanto peso dar a essa origem francesa. Parece interessante sim”, disse Felippa durante uma entrevista na MWC 2016.
A segunda novidade global são os produtos. Mais conhecida por seus feature phones, a empresa deseja subir de categoria, especialmente com o Idol 4, seu aparelho topo de linha que muito embora não seja um produto premium, melhorou consideravelmente nesta última versão apresentada em fevereiro em Barcelona, na Espanha, com materiais nobres em sua construção e especificações mais avançadas que as do seu antecessor, o Idol 3.

É localmente, porém, que as mudanças chamam mais a atenção. Em pouco tempo, a Alcatel montou um time de executivos de peso. O próprio André Felippa, que está há menos de dois anos na empresa, é um ex-Samsung com passagens também pela Unilever. Já Enrique Ussher, que ocupa o posto de gerente geral para América Latina, tem 21 anos de Motorola na bagagem. Fernando Pezzotti, presidente da operação brasileira, também tem passagens pelas grandes: além de Motorola e Samsung, traz no currículo Sony e a nacional Multilaser. Gerente de produtos, Raphael Rocha também passou por multinacionais como Unilever, Vivo, Samsung e LG. Todos eles foram trazidos ainda em 2015. Para 2016, a Alcatel anunciou Roberto Soboll, ex-Motorola e ex-Samsung que agora ocupa o cargo de diretor de produtos para a América Latina. Brasileiros, eles comandam as operações local e latino-americana partir de São Paulo.
Esses nomes podem não soar nenhum sino na sua cabeça, mas para quem cobre o mercado eles significam muito. Nesse caso, o quanto a Alcatel está em um momento ambicioso no Brasil, apesar do cenário econômico-político-cultural. Afinal, não é preciso ser especialista em gestão para saber que trazer grandes executivos do mercado que se pretende dominar é uma decisão ousada, ainda que não não garanta muita coisa — ter bons profissionais é importante, mas não resolve toda a equação.
É por isso que, segundo Pezzotti, para 2016 a Alcatel está investindo em:
- Distribuição, ou seja, em garantir que seu produto esteja espalhado por esse país continental;
- Treinamento, para que no ponto de venda o cliente encontre quem lhe apresente os produtos da Alcatel como uma alternativa;
- Loja online. Ciente de que a venda direita está crescendo, a Alcatel lançou uma loja própria, que deve ter, inclusive, produtos que são vendidos apenas lá fora a fim de demonstrar o potencial de inovação da marca.
Além disso, faz parte da estratégia da Alcatel para esse ano ter aparelhos para todos as faixas de preços de acordo com Pezzotti, o que lembra bastante a estratégia da Samsung do passado. Em apenas um lançamento já foram anunciados quatro produtos diferentes para um mesmo segmento de preço: abaixo de R$ 1.000.
Linhas Idol, Pop e Pixi formam o portfólio de 2016 da Alcatel

O Idol 4 e a linha Pop 4, apresentados durante a MWC, chegam ao Brasil no segundo semestre de 2016. Neste primeiro semestre a Alcatel vai trabalhar apenas com sua linha de entrada, a Pixi 4, que será produzida no Brasil e foi bastante modificada em relação à anterior: processadores Mediatek ao invés de Qualcomm, câmeras frontais e traseiras melhores e com flash em ambos os lados.
Lançada na CES 2016, a linha Pixi 4 é composta de produtos bem de entrada. Com capas coloridas intercambiáveis que já vêm na caixa, os aparelhos da linha Pixi 4 são todos dual SIM, compatíveis com a rede 3G (apenas um é 4G) e rodam Android 6.0 “Marshmallow”, algo interessante levando em conta que são produtos entre R$ 500 e R$ 900. Só o Pixi 4 de 6 polegadas, já à venda na loja online da Alcatel, vem com o Android 5.1. De acordo com Raphael Rocha, especialista em produtos da marca, ele será atualizado em breve.
Com um Android pouco modificado, a Alcatel aposta no novo gerenciamento de memória do sistema operacional do Google para entregar uma experiência satisfatória. Todos os produtos têm 1 GB de RAM e 8 GB de memória interna, porém, três dos quatro aparelhos que chegam até o meio do ano no mercado brasileiro já vêm com um cartão microSD que, no Android 6.0, permite estender a memória interna, somando-a à do cartão. Foi a forma que a Alcatel encontrou de entregar mais memória, como deseja o consumidor brasileiro, sem elevar muito o preço final.
Em geral os aparelhos não chamam a atenção pelo design, mas possuem capas coloridas, o que a Alcatel espera que conquiste os jovens, e preços bastante competitivos nesse segmento que está cada vez mais carente de opções. Se a Alcatel conseguir se apresentar como uma alternativa, pode realmente ganhar esse consumidor que hoje se vê abandonado pelas grandes marcas de smartphones.

Bônus: Quais critérios o brasileiro leva em conta na hora de comprar smartphone
Em eventos assim às vezes as empresas apresentam dados e tendências do mercado consumidor para justificar seus produtos. A Alcatel trouxe alguns bem interessantes, como a preferência nacional por memória:

E, além disso, as fatias do mercado de smartphones no Brasil, em 2014 e 2015, por tamanho de memória (35% dos vendidos no ano passado tinham só 4 GB!):

Resolução não é o único parâmetro nem o mais importante para determinar a qualidade, mas isso pesa bastante para o consumidor brasileiro:

E agora com propaganda no Faustão, vocês viram?
Um cacareco qualquer (não lembro qual foi), para cada um da platéia. Gerou uma reação boa da platéia!
Sinceramente eu não gostei, mas de acordo com a empresa a culpa é do brasileiro, ou da pesquisa. Tela grande de baixa resolução é uma coisa que até o usuário mais comum detesta, sobre a RAM, hoje em dia maioria das pessoas sabem que mais RAM significa um desempenho mais estável, e sobre o armazenamento interno, quanto mais melhor. Empresas como Motorola acostumaram o usuário a ter 16 gb e tornar padrão em suas escolhas, pelo menos 1 gb de RAM ou 2 quando o aparelho é mais caro, porém, nesse caso em específico, estamos falando do Android quase puro, que roda bem e suave, não uma skin que não se sabe como se comportará a longo prazo. O modelo mais barato, de 700 reais, tem como ponto alto as câmeras e a memória interna, porém câmeras nessa resolução não são novidades para ninguém e com qualidade aceitável (coisa que a Alcatel não me deixou ter), e ter 16 gb mais espaço pra SD também é algo que não faz mais aquele boom em low ends, a não ser que não faça, aí fica feio. Tomo como exemplo o Quantum GO, que aumentou pouco o preço na crise, e seu modelo de 32 gb 3G está no mesmo preço desse Pixi 4 6″, com diferença absurda de qualidade. Um ponto que a Alcatel deve focar também é no nome, já foi um erro grotesco tantos Pixi 3, agora isso, a única coisa que me vem à cabeça sobre padronizar um nome (tipo Galaxy) é assim : Pixi 4 não tem qualidade. Isso engloba todos os modelos e facilita o entendimento :)
o pixi 4 de seis polegadas me parece uma estratégia voltada apenas para o tamanho. Seis polegadas não é tão fácil de achar assim. E, bem, Moto G 3ª geração e Quantum Go tem especificações bem melhores, mesmo, mas acho que o ponto aqui são os que estão abaixo deles: para o consumidor de produtos de entrada R$ 100 de diferença é mais do que imaginamos. de resto estou de acordo. :)
Mas aí entra em específico as pessoas que preferem phablet, e nesse nicho não conheço ninguém, absolutamente ninguém, que compraria um aparelho com tela de 6″ abaixo do HD e sem tecnologias especiais. Até mesmos usuários comuns, mas que querem telas enormes, dão um jeito ou de pegar um melhor ou de pegar um modelo com tela menor porém de qualidade maior e esperar o modelo de tela maior baixar o preço. Exemplos de aparelhos com telas grandes são Xperia C4 e C5, de 1100 e 1500 em média, respectivamente, e Zenfone 6 e Lumia 640 XL, de 800 em média, aparelhos bons, e que estão acima do Pixi 4 6″ e mais baratos. Eu ainda não estou conseguindo entender a estratégia da Alcatel, trazer os novos Idol seria muito mais interessante.
eles vão trazer os novos Idols no segundo semestre, já está certo. Então a estratégia é meio a da Samsung do passado, lembra? Ter produtos para todas (todas mesmo) faixa de preços e todos (todos mesmo) tamanho. Acho que por isso um de 6 polegadas, saca?
Sim, entendo, mas precisava ser 6 polegadas tão mal feitas?
“a Alcatel aposta no novo gerenciamento de memória do sistema operacional do Google para entregar uma experiência satisfatória”
Novo gerenciamento? Hein? Novo? Como assim?
E todos tem o mesmo nome?
Quero comprar um Pixi 4 5, não, melhor comprar o Pixi 4 6.
Sinceramente, eu acho que eles estão bem perdidos.
usar de uma forma fácil o cartão microSD como memória interna extra é uma novidade do Android 6.0, versão que vem em grande parte dos aparelhos da Alcatel. :)
usar de uma forma fácil o cartão microSD como memória interna extra é uma novidade do Android 6.0, versão que vem em grande parte dos aparelhos da Alcatel. :)
Ah que massa. Sabia dessa não.
Lembro que nos aparelhos antigos nem todos os aplicativos podiam ser instalados no cartão. Maioria das vezes só com jailbreak… se isso melhorou no Android 6 deve estar realmente melhor.
Que massa
O Android 6 ainda oferece essa opção de usar o cartão microSD como uma nova “partição”, como sempre foi, e a novidade, citada pela Emily e abraçada pela Alcatel, de combinar a memória do microSD à interna — no sistema apareceria apenas um local, como se as duas fossem uma só. É um avanço, de fato, embora aumente a importância de se ter um cartão microSD rápido (classe 10/U1/U3, de preferência).
“a Alcatel aposta no novo gerenciamento de memória do sistema operacional do Google para entregar uma experiência satisfatória”
Novo gerenciamento? Hein? Novo? Como assim?
E todos tem o mesmo nome?
Quero comprar um Pixi 4 5, não, melhor comprar o Pixi 4 6.
Sinceramente, eu acho que eles estão bem perdidos.
Executivos da Motorola e Samsung, isso quer dizer muita coisa?
Junta todos os Pixi e não dá um Idol 3… Idol 3 é o que eu recomendo hoje abaixo de 650.
Podiam ter colocado 2 GB de RAM para deixar o android menos “pior/lento” e com isso dar a impressão de que o aparelho é melhor que a concorrência.
“os produtos foram reformulados para o mercado nacional”
Vamos ver:
– as câmeras todas ganharam upgrade de megapixels
– o Pixi 4 (6) trocou um Snapdragon 210 por um Mediatek MTK8321, e nessa troca ficou sem o LTE
– o Pixi 4 (4) só veio na versão 8GB/1GB (armazenamento interno/RAM), com a versão 4GB/512MB indo pra mesma gaveta que deve ter ido o Pixi 4 (3.5)
– o Pixi 4 (5) finalmente aparece, depois de ter tomado chá de sumiço desde as feiras
O bom? Estamos a ponto de superar 4GB de armazenamento e 512MB de RAM. Já é um ENORME avanço.
Que portfólio bizarro. Não imaginava que em 2016 o mercado low-end ainda seria tão ruim. O Alcatel Idol 3 é melhor que tudo isso e está na mesma faixa de preço. Fico triste de ver que esse portfolio é “desenvolvido para o Brasil”.
O Idol 3 de fato está na faixa dos R$ 700, R$ 800, mas tem que pensar com cabeça de quem compra low-end, para quem cada R$ 100 faz a diferença. acho que com esses preços a Alcatel não só tem chance de crescer como chama o restante do mercado para a briga, o que beneficia o consumidor com pouco poder aquisitivo.
estão caros o que me chama atenção não é nem as especificações bizarras e inacreditáveis pro ano de 2016 e sim os preços que estão bem acima do aceitável levando em conta essas especificações
É muito bom ter mais uma empresa apostando com vontade no mercado brasileiro, mas esses aparelhos estão bem safados, ainda mais com esse design meio sem graça.
PS.: O bonequinho no último slide está tirando uma selfie ou mostrando o dedo do meio pra concorrência?
Hahahah pior que o boneco parece mesmo que está dando dedo.
O melhorzinho em custo/benefício parece ser o de 4″. Talvez comprando à vista com um certo desconto pode se tornar uma opção interessante para quem tem pouca grana. Os outros infelizmente oferecem menos que o Redmi 2 Pro e custam o mesmo ou até mais caro.
Uma coisa que deu para ver nos dados apresentados: agora faz sentido porque nenhuma fabricante liga trazer mais memoria RAM nos seus aparelhos aqui no país, ele nem aparece na lista dos recursos mais levados em conta pelo usuário na hora da compra.
O melhorzinho em custo/benefício parece ser o de 4″. Talvez comprando à vista com um certo desconto pode se tornar uma opção interessante para quem tem pouca grana. Os outros infelizmente oferecem menos que o Redmi 2 Pro e custam o mesmo ou até mais caro.
Uma coisa que deu para ver nos dados apresentados: agora faz sentido porque nenhuma fabricante liga trazer mais memoria RAM nos seus aparelhos aqui no país, ele nem aparece na lista dos recursos mais levados em conta pelo usuário na hora da compra.
Será que 1GB a mais de RAM, ou até 0,5GB de RAM a mais custaria tanto pra ela ter abrido mão?
Quando leio “preferência nacional por memória” me faz pensar o quanto o termo memória no mobile virou sinônimo de armazenamento, enquanto que a RAM é algo ignorado ou até desconhecido pra muitos.]
O interessante é que para PCs, “memória” ainda é a RAM, já que o armazenamento é dado pelo tamanho do HD .
pois é. eu continuo achando que o usuário confunde os dois e que alguns respondem memória pensando em armazenamento e outros memória pensando em RAM. é um equívoco das nossas pesquisas, já vi em outros questionários até.
Se você olhar os comerciais de ponto frio, ricardo eletro e cia, vai ver que até para notebooks, eles já falam em 4GB de memória! :/
Não tem mais jeito!
Se você olhar os comerciais de ponto frio, ricardo eletro e cia, vai ver que até para notebooks, eles já falam em 4GB de memória! :/
Não tem mais jeito!
Tentar crescer no congestionado e pouco rentavel mercado low end realmente é um desafio , os gadgets no parâmetro specs são sofríveis , design nada inovador , sem um bom e competetivo high end e midle end , a marca no Brasil continuará irrelevante.
os médios e tops chegam no segundo semestre, jairo. daí vamos ver como eles se saem. mas a estratégia é claramente a mesma da Samsung do passado. Aparelhos para todos os bolsos.