O grande executivo Mark Zuckerberg anunciou mais uma rodada de demissões em massa na Meta depois demitir, em dezembro, 11 mil pessoas. A carta de Zuck divulgada aos funcionários e publicada no site da empresa é… uma coisa.

Logo no início, Zuckerberg diz que espera “fazer essas mudanças organizacionais o quanto antes para que passemos por esse período de incerteza e foquemos no trabalho crítico à frente”, apenas para, no parágrafo seguinte, traçar uma linha do tempo que se estende até o final de 2023, com 10 mil demissões previstas concentradas entre abril e maio, mas que “em um pequeno número de casos” pode se estender pelo ano inteiro.

E essas mudanças não se aplicam aos escritórios internacionais da Meta, que… bem, só sabem que vem mais destruição por aí. Zuck não detalha como ela se dará.

Atenção a este outro trecho:

Todos os dias, a Meta cria novas maneiras para as pessoas se sentirem mais próximas. Essa é uma necessidade humana fundamental que talvez seja mais importante que nunca no complexo mundo atual. Um dia, esperamos possibilitar que cada pessoa sinta uma conexão forte da mesma maneira que você sente quando está fisicamente próxima a alguém que ama.

Muito bonito, ainda que impraticável. Aí descemos algumas linhas e o mesmo Zuckerberg, na mesma carta, manda esta:

Nossas análises preliminares de dados de desempenho sugerem que engenheiros que ingressaram na Meta no [trabalho] presencial e depois se transferiram para o remoto ou que permaneceram no presencial desempenham melhor, na média, do que pessoas que ingressaram remotamente. […]

Como parte do nosso Ano da Eficiência, vamos focar em entender mais e encontrar maneiras de garantir que as pessoas construam as conexões necessárias para trabalharem efetivamente. Enquanto isso, encorajo todos vocês a buscarem mais oportunidades de trabalharem com seus colegas presencialmente.

Pelo visto, as reuniões no metaverso usando headsets desengonçados de US$ 1,5 mil só servem para outras empresas.

Via Meta (em inglês).

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6 comentários

  1. A redução de liquidez no mercado americano segue bombando e o facão vai passando. Que sobrevivamos a esse 🙏

  2. Creio que isso mostra que o ciclo dele a frente da Meta se encerrou. Hora de alguém com a visão correta assumir a Meta.

  3. Se estão demitindo é porque o negócio não vai bem e tomara mesmo que vá a falência, já cansei de ter minha conta excluida daquele lixo sem motivo algum, vai ser minha vingança.

  4. Incrível imaginar que uma empresa que se propõe a “(…) possibilitar que cada pessoa sinta uma conexão forte da mesma maneira que você sente quando está fisicamente próxima a alguém (…)” não conseguir fazer isso dentro da sua própria comunidade de empregados! Dizer que a performance é melhor quando há contato presencial, na minha percepção, evidencia que a solução vendida pela Meta é falácia. Aí me parece que fica explícito: as redes sociais não conectam pessoas. Elas existem porque concedem dados de comportamento para anunciantes venderem mais.

  5. Apenas mais um empurrão do capitalismo em busca de baixar os salários do campo de TI – que tinham ficado mais altos na pandemia – e de forçar uma volta ao escritório – mesmo que isso não faça sentido nenhum.

    Com os dados da demissão da TW, nota-se que mais de 30% da força de trabalho demitida foi de cargos sênior. Claramente um movimento nos altos salários que visa derrubar estes e sobrecarregar os cargos abaixo com tarefas que antes eram demandas desse pessoal.

    A Meta pode ser errática, mas todas as empresas estão fazendo o mesmo. Incrível como o rico, principalmente o bilionário, tem consciência de classe e o pobre não.

    1. E assim. Se é pra cortar gastos, coloca a maior parte de forma remota. Exigir a presença parece contraproducente, mas enfim…