O LinkedIn atualizou sua política global para pemitir a divulgação de vagas de emprego e processos seletivos que expressam preferência por pessoas e grupos historicamente desfavorecidos. A notícia foi dada com exclusividade ao Estadão por Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.

Há dez dias (19), o LinkedIn excluiu uma vaga do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (Laut) que dava preferência a candidatos negros e indígenas. O caso gerou ampla repercussão nas redes sociais e motivou reações de grandes empresas, como a Natura&Co, do Procon-SP e do Ministério Público Federal.

Países como o Brasil não consideram discriminação a oferta de vagas e processos seletivos que priorizem grupos minorizados. O tema consta na Lei de Cotas e é pacífico no Judiciário. Via Estadão, Nexo, Folha de S.Paulo.

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9 comentários

  1. Eu vou fazer uma pergunta pois afinal de contas sou humano, mas não sou perfeito, e ainda não nego que tenho coisas a me questionar como cidadão (e me aperfeiçoar como tal).

    Não sei se estou certo, mas teoricamente um anúncio de emprego DEVE ser apenas específico no emprego, sem exatamente discriminar se a pessoa é de tal sexo, raça, etc… Se o anúncio falar que precisa de homem para aquela função por exemplo, pode correr o risco de tomar uma advertência ou multa.

    Eu entendo perfeitamente que ações afirmativas são válidas, inclusive nestes últimos tempos tão segregativo. Pesquisando, achei este texto da Empregare com mais detalhes (e que até elucida alguma coisa), mas que ainda não me responde: isso tudo não acaba sendo tão conflitante?

    Sou muito da ideia que “se a lei está errada, mude-se a lei”. Talvez a redação antiga, em um tempo onde ainda se engatinhava em ações afirmativas, dá margem para preconceituosos fazerem comentários estúpidos (ou eu ter esta dúvida, afinal, como falei, sou humano).

    1. A justificativa das vagas afirmativas é que, do jeito que está, o mercado já é desigual. Tais vagas têm por objetivo, pois, equilibrar uma balança que está quebrada.

      O direito brasileiro tem um princípio muito interessante, o da isonomia — aquele da igualdade. A gente ouve muito falar que “todos são iguais perante a lei”, está até na Constituição, mas a coisa não é tão literal assim. Pelo princípio da isonomia, a lei deve tratar os iguais na medida da sua igualdade, e os desiguais na medida da sua desigualdade.

      Se no Brasil as mulheres, os negros, os indígenas e outros recortes demográficos minorizados têm dificuldade no mercado de trabalho, percebe-se um tratamento desigual. Assim, as vagas afirmativas são uma desigualdade que visa compensar esse comportamento padrão ou mais comum da maioria dos empregadores.

      1. Perfeito. Então a palavra chave seria isonomia :). A igualdade vai se equilibrando conforme a necessidade de corrigir desigualdades :D

    2. Eu vejo como discriminação, porém o que vale é a própria empresa. Se a empresa quer contratar determinado tipo de pessoa, ela deve poder, mesmo que eu não goste. E é claro que vale para os dois lados, se a empresa quer contratar só branco dos olhos azuis, ainda acho discriminação, mas ainda acho que ela deve poder fazer.

      1. O ponto é o que parte dos comentários (incluindo a resposta do Ghedin) põe: o ideal é que as vagas contratem pela competência, não por detalhes sociais. Só que em casos excepcionais – como grupos culturais/étnicos por exemplo – discriminar a vaga é válido para evitar que justamente uma porcentagem de pessoas que não atenda o grupo cultural possa tentar uma vaga. Tipo, eu sou branco, por isso trabalhar para uma organização afrocultural só seria válido se eu tivesse pais mestiços ou origem comprovada africana. Fora isso, eu poderia gerar problemas estando em um lugar que precisam de pessoas que atendam estas demandas. Até porque por eu ser branco, a cultura que vivenciei é diferente de quem o é – uma pele negra e/ou morena.

        Ou também, uma empresa quer justamente quadros com grupos étnicos e sociais para amplia-los, seja indígenas, trans, afrodescendentes. Desde que sirva justamente para servir como exemplo e criar capacidade social de mudança ao invés de servir como “bibelô”, é algo válido.

  2. Eu conheço uma empresa que foi condenada na justiça porque a vaga anunciada de pedreiro exigia que fosse homem. Considerou-se machista. Republicado o anúncio, nenhuma mulher se candidatou, como esperado.

    O mundo em 2020+ tá complicado.

    1. Se nenhuma mulher se candidataria, por que restringir a vaga somente a homens? E que mulher se sentiria bem-vinda num lugar que, de largada, dá todos os sinais de não ligar para elas? Eu, hein. Seu exemplo só fortalece a necessidade de vagas afirmativas no Brasil.

      1. Concordo com você, Rodrigo. A balança não é igual para todos, nunca foi, e quando tentam de alguma forma equilibrar, as pessoas acham que está errado. Lembrei de 2 caso de entrevistas que participei: uma era para estágio em design, estava eu, outros 2 rapazes e uma moça. Ficamos na sala conversando por um bom tempo e por fim, entre nós mesmos concluímos que a ela era a mais qualificada, já tinha uma faculdade de engenharia de software e concluindo a de design, além de 2 especializações. Ela era nordestina, acredito que do Piauí, não me lembro, da cor parda, os outros 2 rapazes, assim como eu, estava cursando design (gráfico) e nada mais além disso no currículo, sendo que o currículo mais fraco era de um rapaz que estava todo confiante. Fizemos as entrevistas, a moça falava super bem, fiquei admirado, inteligentíssima e muito educada, no fim, quem ganhou a vaga foi o único cara branco, loiro, que morava na Tijuca e tinha o currículo mais fraco dentre nós. Ficamos putos pois ela merecia muito mais, inclusive no fim quando saímos eu comentei isso com ela e ela me disse “já estou acostumada com isso”. O outro caso era uma moça que foi dispensada e assim que ela saiu um dos sócios da empresa, que a entrevistou virou e disse: “com um cabelo desse e favelada, não vai conseguir em lugar nenhum”. Era negra, cabelo black e morava na rocinha… Mas ainda tem gente que acha que ela tem as mesmas chances de uma loirinha da zona sul…

        1. ainda dizem q o racismo não existe, cidadão do bem é ignorante achando que o brasil do palhaço no poder é tudo lindo e não tem racismo.