Antivírus que mineram criptomoedas no meu computador. Devo me preocupar?

Um post de Cory Doctorow no Twitter ressuscitou uma polêmica de 2021: o antivírus Norton 360, da NortonLifeLock, estaria minerando criptomoedas nos computadores dos usuários. É verdade, é um mau negócio, mas não é tão ruim quanto parece, ou como a mensagem de Cory dá a entender.

O módulo de mineração de criptomoedas, chamado Norton Crypto, foi incluído no Norton 360 em junho de 2021. O usuário do antivírus interessado pode ativá-lo, juntando-se a outros usuários que também ativaram-no para minerarem criptomoedas juntos, o que aumenta a chance de ganhar uns trocados. O dinheiro gerado, ou sua parcela dele, é depositado em uma carteira digital criada pela NortonLifeLock, que cobra 15% de comissão por todo esse trabalho.

O Norton Crypto é opcional e vem desativado por padrão. Mais importante, ele só fica disponível em computadores potentes, com placa de vídeo dedicada com pelo menos 6 GB de RAM — em outras palavras, apenas computadores gamers caros e recentes. Nessas condições, o módulo entra em ação quando o computador está ocioso, fazendo os cálculos necessários para validar transações de criptomoedas, trabalho que é recompensado com novas criptomoedas.

As salvaguardas da NortonLifeLock parecem corretas, mas isso não significa que seja uma boa ideia, muito menos um bom negócio. Como se vê pela reação pública ao post de Cory, incluir um minerador de criptomoedas, tipo de software associado a invasões e vírus maliciosos, é um incinerador de reputações. (A maioria dos antivírus classificam mineradores de criptomoedas como malware.)

Além disso, a comissão cobrada pela NortonLifeLock é alta e os ganhos provavelmente não compensam o aumento na conta de luz. O The Verge fez os cálculos e concluiu que, nos Estados Unidos, alguém que se aventure pelo Norton Crypto fica no empate. Imagine no Brasil, com bandeira vermelha, crise hídrica, termelétricas a todo vapor…

A NortonLifeLock é a parte de varejo/consumidor doméstico da antiga Symantec — a outra parte, corporativa, foi comprada pela Broadcom em 2019 por ~US$ 10 bilhões. A NortonLifeLock tem outros antivírus em seu portfólio além do Norton 360, como o gratuito Avira, com 500 milhões de usuários, que recentemente também ganhou um módulo opcional de criptomoedas. Não bastasse isso, em agosto de 2021 a NortonLifeLock comprou a Avast por US$ 8,6 bilhões. O antivírus da Avast ainda não tem módulo de criptomoedas. Ainda.

O que fazer? Nada. Se você já usa o Norton 360 ou o Avira Antivirus, é bem provável que o módulo de criptomoedas esteja desativado e nem possa ser ativado, devido à configuração do computador. Se não usa, vida que segue.

Entendo, porém, que notícias como essa possam causar um abalo na confiança. Se for o caso, não é como se faltassem opções de antivírus no mundo Windows. A AV-Comparatives realiza testes regulares com os mais populares e é uma boa fonte de pesquisa. E, vale sempre lembrar, o Windows 10/11 já vem com um antivírus pré-instalado, o Windows Defender, que é bem avaliado e deve ser suficiente para protegê-lo(a) de ameaças digitais.

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