MusicBrainz Picard identifica músicas de arquivos *.mp3 e corrige metadados automaticamente

Na minha primeira tentativa de trocar o streaming por arquivos *.mp3, um dos problemas com que me deparei foi o de organização: como padronizar os metadados das músicas?
A solução que me era conhecida à época, editar manualmente cada canção, era impraticável. Quem tem tempo para isso?
Na segunda (e, desta vez, bem sucedida) tentativa, em 2024, topei com um aplicativo gratuito que é quase bom demais para ser real, o MusicBrainz Picard (Linux, macOS, Windows).
O Picard conecta-se ao vasto banco de dados do MusicBrainz e identifica as músicas que você joga dentro do app. A precisão é boa e, nos raros casos em que ele falha, é possível fazer a associação do arquivo aos metadados manualmente.
Arraste os arquivos, clique no botão Verificar e, se estiver tudo certo com os metadados, no botão Salvar para gravar as alterações.

É possível, também, renomear os arquivos das músicas com base nos metadados e organizá-los no disco.
Ainda não é tão prático quanto o streaming, mas achei prático o suficiente para adotar esse fluxo na minha rotina. (Até porque, não é como se eu pegasse novos álbuns todo dia…)
Eu uso há alguns anos o Kid3, multiplataforma, bem simples (não sei se mais ou menos que o Picard).Pode usar o banco de dados do Picard, mas também Amazon ou Discogs.
Na minha experiência não dá pra deixar totalmente automático, tem que sempre revisar, porque muitas vezes identifica errado (tem muito disco que tem mais de uma versão, aí sobra ou falta faixa, etc). https://kid3.kde.org/
Ghedin, também uso o MusicBrainz Picard. Nele, eu uso dois scripts diferentes: um para álbuns em geral; outro, para trilhas sonoras (filmes, séries, videogames), onde geralmente há mais de um artista.
Seguem abaixo os dois scripts:
Não-OST:
$if2(%albumartist%,%artist%) - ($left(%originalyear%,4)) %album%$if(%_releasecomment%,- $title(%_releasecomment% ),)
[$left(%date%,4) %releasecountry% %media% %label%$if(%catalognumber%,$title( %catalognumber%),)]/
$if($gt(%totaldiscs%,1),%discnumber%-,)
$if($and(%albumartist%,%tracknumber%),$num(%tracknumber%,2). ,)
%artist% - %title%
OST:
($left(%originalyear%,4)) %album%$if(%_releasecomment%,- $title(%_releasecomment% ),)
[$left(%date%,4) %releasecountry% %media% %label%$if(%catalognumber%,$title( %catalognumber%),)]/
$if($gt(%totaldiscs%,1),%discnumber%-,)
$if($and(%albumartist%,%tracknumber%),$num(%tracknumber%,2). ,)
%artist% - %title%
A sintaxe do primeiro script é a seguinte: “Banda – (Ano-do-lançamento-inicial) Nome-do-álbum – Deluxe-Edition¹ [Ano-do-lançamento-específico-desta-edição BR² CD³ Label Catalog-number]/Número-da-faixa. Banda-que-toca-essa-faixa – Nome-da-faixa.flac”.
¹ = se for alguma edição especial.
² = país de lançamento deste edição.
³ = mídia da edição (podendo ser CD, Vinyl, Digital Media etc.).
Por exemplo: “The Beatles – (1965) Help! – Mono Remaster Edition [2014 US 12” Vinyl Parlophone PMC 1255]/07. The Beatles – Ticket to Ride.flac”.
O script acima já prevê exceções, quando por exemplo não se tratar de um lançamento especial e até mesmo se tratar de uma obra com lançamento digital que não possua um número de catálogo. Exemplo: “Gorillaz – (2022) Cracker Island (feat. Thundercat) [2022 XW Digital Media Parlophone]/01. Gorillaz – Cracker Island.flac”.
Vamos para o álbum Stadium Arcadium, do Red Hot Chili Peppers. Ele é um álbum interessante para exemplificar, pois a versão que tenho é com 2 CDs. Ao aplicar o primeiro script, além dos metadados, toda a estrutura da pasta e dos arquivos do álbum acaba sendo alterada também. A pasta fica com o nome de: “Red Hot Chili Peppers – (2006) Stadium Arcadium [2006 DE CD Warner Bros. Records 44222-2]”.
Esta sintaxe é boa, pois, mesmo organizando as pastas por ordem alfabética, os álbuns acabam sendo listados por ordem cronológica de lançamento.
Dentro da pasta, o conteúdo fica assim:
1-01. Red Hot Chili Peppers – Dani California.flac
1-02. Red Hot Chili Peppers – Snow ((Hey Oh)).flac
1-03. Red Hot Chili Peppers – Charlie.flac
(…)
2-13. Red Hot Chili Peppers – Turn It Again.flac
2-14. Red Hot Chili Peppers – Death of a Martian.flac
Agora, vamos ao segundo script (trilhas sonoras). Vamos pegar como exemplo a trilha do filme Kill Bill: Volume 2. A pasta ficará assim: “(2004) Kill Bill_ Vol. 2_ Original Soundtrack [2004 JP CD Maverick WPCR-11797]”.
Dentro da pasta, o conteúdo fica assim:
01. Uma Thurman – A Few Words From the Bride.flac
02. Shivaree – Goodnight Moon.flac
(…)
14. Chingón – Malagueña salerosa.flac
15. Meiko Kaji _ The RZA – Urami Bushi _ Black Mamba.flac
Demorei quase 1 mês para aprender e aperfeiçoar este script. Minha coleção de músicas em FLAC está com quase 700 GB, seguindo esses princípios de padronização.
O antigo Winamp fazia isso tb. Ao clicar sobre o nome da música em reprodução abria uma janela com opções de matadados e puxava sugestões de não lembro qual servidor.
Hj, além do Picard uso o MP3Tag e o TagScanner. Todos muito bons.
Em tese tem um negócio chamado beetz que seria melhor que o picard, mas eu nunca consegui fazer ele funcionar.
E o recurso de renomear do picard não funciona direito. Do jeito que está, eu uso picard pra alterar as tags e o foobar2k pra mover/importar os arquivos pro meu servidor de música.
Fazer streaming dessas músicas é moleza, tem um monte de soluções robustas, jellyfin, navidrome, gonic…
O post veio algumas horas depois de eu editar dois albuns manualmente, risos.
Já vou deixar baixado aqui para que na próxima vez que eu precise editar, obrigado!
@feed
Também isso há alguns anos e é ótimo!
@feed já quero testar. Eu edito tudo na mão kkkkk
o ideal seria um jeito fácil de fazer download high quality do spotify.
enquanto isso não existe, acho melhor continuar no streaming.
Spotify tem alta qualidade no serviço? Acho que nessa ele fica devendo, não?
lucida.to e Soulseek (Nicotine+)
Alguém que seguiu esse caminho de sair do streaming de música, coloca as músicas no celular e usa qual player? Tem algum pra android que seja compatível com galaxy watch?
No Android eu gostei bastante do Oto Music, mas não sei dizer se é compatível com o Galaxy Watch.
No iOS estava usando o Doppi e recentemente passei para o Music.app (nativo, com Apple Music e iTunes Store desativados).
Melhor player pra android é symphonium. Ele é pago, custa uns 30 reais, mais vale cada centavo.
quem curte uma linha de comando, tem o beets, feito em python
https://beets.readthedocs.io/en/stable/guides/main.html
Abandonei os streamings de músicas já faz um bom tempo. Fiquei com os mp3 por algum tempo, mas agora decidi fazer “meu próprio streaming”, digamos assim.
Uso Navidrome hospedado em um notebook velho que tenho aqui, o que me permite fazer isso.
O MusicBrainz Picard eu já conhecia, mas só passei a usá-lo com mais frequência recentemente por causa do Navidrome, que exige alguns ajustes nos metadados dos arquivos.
Eu montei um servidor/homelab em casa, usando um mini pc, ubuntu serve e o CasaOS, nele eu ja tenho muita coisa rodando, mas o que mais gostei foi de usar o Twingate para ter acesso externo. Com isso, meu plex server para filmes, series, documentarios esta “online”. Agora eu estou pensando seriamente em investir em um NAS para alem das midias, poder usar apps como o Komga e o Kavita tambem nele… Centralizando as revistas em quadrinhos em formato CBR e os pds que tenho em uma interface. outra coisa que tou ajustando são as muitas mp3 que tenho. Alias, se alguem souber de um NAS que aceite 5 discos eu aceito a indicação.
Eu uso Jellyfin ao invés do Plex, uma boa alternativa. Aqui consigo fazer acesso externo apenas abrindo a porta no roteador o que me permite fazer bastante coisa.
Sobre sistema, estou usando Debian sem interface no notebook (que agora se tornou basicamente um servidor)
Meus filmes e séries estão espalhados em diversos lugares diferentes, localmente tenho um HD de 1 TB ligado ao notebook pela porta USB, além do HD interno de 500 GB dele. Tenho um amigo no Sergipe que tem um servidor parrudo em casa com vários TBs de armazenamento, ele me concedeu acesso à 1 TB pela VPN dele. Uso esse armazenamento “na nuvem” para filmes e séries também, montado no sistema com rclone.
Filmes e séries normalmente eu procuro mantê-los em 1080p, alguns em 720p. Por questão de espaço de armazenamento e tráfego de rede.
Um filme em 1080p pesa em média 2,5 GB, o que me permite ter até 1000 filmes com esse sistema que eu montei.
Músicas procuro baixa-las em qualidade máxima possível em formato .flac, então converto usando ffmpeg para o formato .opus em 128 Kbps. Parece uma qualidade baixa, mas dependendo dos fones de ouvido um opus em 128 Kbps tem mais qualidade que um mp3 320 Kbps. E na prática, você não vai perceber diferença de qualidade acima de mp3 320 Kbps sem equipamento próprio para isso.
Uma média de 3,4 MB por música. O que me permite ter até 100.000 músicas pesando cerca de 340 GB no total.
Audaciosamente indo onde nenhum metadado jamais esteve
O Meta (for Mac) é o melhor app do tipo.
E como o nome sugere, é exclusivo para Mac.
Parece bom mesmo, mas R$ 120 para arrumar os metadados de um punhado de músicas me parece meio puxado 🥲
No meu caso foram 700gb de músicas. Então valeu muito a pena.
Mas existe um truque nele para usar eternamente a versão trial.
Incrível! Seria muito útil a mim nos anos 2000, quando fazia manualmente.