Conversando com a Luzia no WhatsApp

Ilustração da Luzia, inteligência artificial: mulher branca, de cabelo longo, liso e ruivo, com uma blusinha verde.

O ChatGPT foi o software que mais rápido atingiu 100 milhões de pessoas — em apenas dois meses. Quase um ano depois, durante o primeiro evento para desenvolvedores da OpenAI, foi revelado que o chatbot ainda é usado por 100 milhões de pessoas pelo menos uma vez por semana.

São números gigantescos, mas não tão grandes (ainda?) quanto os de redes sociais e aplicativos de mensagens. Esses, por já fazerem parte da rotina das pessoas, podem acabar se tornando catalisadores da IA gerativa.

Não que a ideia seja exatamente nova. Chatbots existem há uns bons anos e, até o lançamento da OpenAI, eram tidos como ineficientes e apenas uma pedra no caminho até um atendente humano.

Talvez ainda seja cedo para fazer essa comparação, mas lá vai: o ChatGPT pode ter sido o “momento iPhone” dos chatbots, quando uma tecnologia já disponível deixa de ser mera curiosidade ou ferramenta para poucos e se transforma em indispensável para bilhões de pessoas.

Falar em aplicativos de mensagens no Brasil é falar de WhatsApp. O app da Meta (e o Telegram) é palco para a Luzia, persona e startup espanhola que se coloca como “a IA que todo mundo sabe como usar”, nas palavras do CEO, Álvaro Higes.

Diálogo no WhatsApp com a IA Luzia, em que peço para ela não usar ponto final nas mensagens, ela topa, mas continua usando.
A IA está tão evoluída que já é capaz de debochar com sutileza. Imagem: Manual do Usuário.

Bebendo de diversos modelos de linguagem, como os da OpenAI, Llama (Meta) e Stable Diffusion, a Luzia é um contato que responde a… bem, a qualquer dúvida ou pedido. Ela tira dúvidas, transcreve áudios, gera imagens e até ajuda a escrever código.

Em outubro, quando levantou US$ 10 milhões em uma rodada de investimentos série A, 16 milhões de pessoas conversavam com a Luzia. A conversa, por ora, é gratuita, e Higes garante que sempre haverá uma parte de recursos sem custo.

Muita gente, mas uma gota no oceano de +2 bilhões de usuários do WhatsApp.

Era apenas questão de tempo para que a Meta se voltasse à IA gerativa para seus aplicativos. Em novembro, em um evento dedicado à tecnologia, Mark Zuckerberg anunciou um chatbot da empresa, o Meta AI, e “personas” especializadas em certos assuntos, como esportes e moda, interpretadas por celebridades, como Tom Brady e Paris Hilton.

As IAs da Meta ainda não estão disponíveis em todo canto, apenas nos EUA. Elas sinalizam um futuro repleto de IAs especializadas, para finalidades distintas.

O grande salto deve ocorrer quando os chatbots vierem de todos os lugares, e não só da própria Meta ou de startups especializadas no assunto. Quando isso acontecer, tomara que sobre um espaço para nós, seres humanos.

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2 comentários

  1. Vou te falar que esse recurso de transcrição de áudio me pegou. Uso a toda hora e não sei como vou fazer se algum dia esse recurso for pago.