Redes sociais, celulares e “a geração ansiosa”

Capa do livro “A geração ansiosa”, de Jonathan Haidt, contra um fundo branco.

Sucesso de vendas nos Estados Unidos e no Brasil1, A geração ansiosa, livro do psicólogo e professor da Universidade de Nova York, Jonathan Haidt, alega ter provas de que celulares modernos (“smartphones”) e redes sociais são responsáveis por “reconfigurar” o cérebro e destruir a saúde mental de crianças e adolescentes.

Antes mesmo de abrir o livro, já estava familiarizado com uma listinha, estilo receita de bolo, que Haidt propaga no texto e em entrevistas como sendo a fórmula para resgatar a “geração Z” e as vindouras da ansiedade generalizada causada pela tecnologia:

  • Smartphones só depois dos 14 anos;
  • Redes sociais só depois dos 16 anos;
  • Proibir smartphones nas escolas; e
  • Oferecer muito mais brincar livre e independência na infância.

Embora não sejam tarefas simples, o rol soa simplista, quase como uma garantia de que se uma criança só pegar em um celular no Ensino Médio e puder se estrepar brincando com outras crianças no recreio, ficará tudo bem.

O tom confiante causa estranheza diante da complexidade do problema. Talvez eu tenha deixado passar algo, mas a primeira dúvida que Haidt levanta ao longo de 336 páginas só aparece na 327ª: após reconhecer que monitorar a localização de seus dois filhos pelo Buscar do iPhone “ajude a logística familiar”, ele se pergunta: “[…] será que nunca vamos desligá-lo? Deveríamos desligá-lo? Não sei a resposta”.

Outro incômodo é o esquecimento total das crianças saudáveis da “geração ansiosa”. O cenário apocalíptico que o autor pinta ignora essa parcela, muito maior e que vive no mesmo mundo das que enfrentam transtornos relacionadas à tecnologia, mas que não os apresentam.

Em entrevistas, Haidt rechaça a hipótese de que o argumento de seu livro se baseie em pânico moral, uma sensação que, lamento dizer, permeia toda a obra. (Ainda que de modo sutil. Ele escreve muito bem e A geração ansiosa não é, nem de longe, descartável.)

***

Estava na cara que A geração ansiosa daria o que falar. O assunto é urgente, como atesta qualquer adulto que tenha contato com adolescentes. (Note que escrevo “adolescentes”, e não “adolescentes conectados”, porque as turbulências da puberdade precedem em muito o primeiro iPhone.) O solucionismo de Haidt talvez explique a enorme atenção dada ao livro, visto que ele não foi o primeiro a abordar o tema2.

Após a sua publicação nos Estados Unidos, outros cientistas reagiram, alguns de modo bastante incisivo como Candice L. Odgers em sua crítica no site da revista Nature.

Segundo a pesquisadora, o argumento de que tecnologias digitais estariam causando o que Haidt chama de “A Grande Reconfiguração” [do cérebro das crianças] não tem base científica e, pior, pode nos distrair das reais causas da crise de saúde mental entre os jovens.

O próprio Haidt sustenta com vigor, no livro, um fator complementar: o “segurismo”, neologismo que ele usa para se referir à criação superprotetora a partir dos anos 1980, o que teria resultado em uma infância sem riscos, portanto insossa, pouco estimulante.

A prevalência do “segurismo” na base do argumento de Haidt — e sua omissão na promoção do livro e em entrevistas do autor — acende o sinal de alerta para outros fatores que poderiam explicar, juntos, o que está acontecendo. Nesse sentido, talvez o uso exacerbado de celulares seja um sintoma, e não a doença. Candice abre seu texto relembrando que correlação nem sempre implica em causalidade. Embora Haidt conteste a acusação no livro e em sua newsletter, falta nuance para embasar a sua hipótese, uma tão grave.

***

Por mais que tente ser global e faça um “mea culpa” com a escassez de estudos de outros países, A geração ansiosa foca no contexto estadunidense, o que se nota por exemplos bizarros para nós, como sugerir às crianças que exercitem a responsabilidade “tirando neve das calçadas dos vizinhos” em troca de dinheiro, ou as menções a acampamentos de verão.

Nota-se, talvez como outro reflexo da cultura norte-americana, um foco excessivo no dinheiro como aspecto relevante para o desenvolvimento da responsabilidade em crianças a partir de 6 anos. Haidt aconselha que, nessa idade, os filhos podem “receber uma pequena lista de tarefas e algum dinheiro por semana relacionado à sua realização”.

Na condição de leigo, sinto que incutir a preocupação com dinheiro em crianças tão pequenas seria apenas antecipar uma fonte de ansiedade que ela — a menos que seja sortuda e/ou herdeira — terá pelo resto da vida.

Talvez o fato de Haidt ter nascido, estudado e feito carreira nos Estados Unidos lhe oculte debaixo do nariz o elefante na sala: o atual “American way of life”, de arrocho do orçamento familiar, estímulo à hiper competitividade e outros elementos que propiciam a sensação de insegurança que leva tantos pais a praticarem o “segurismo”.

Logo no início do livro, ele escreve que “por diferentes motivos históricos e sociológicos, o brincar livre entrou em declínio nos anos 1980, com uma queda acelerada na década de 1990”. Quais? Não é neste livro que descobriremos3.

À parte o tutorial digno de YouTube de como criar filhos felizes e bem resolvidos, algumas propostas dele soam razoáveis — e, na opinião de quem entende, como Candice L. Odgers, são válidas.

Gostei, em especial, da ideia de promover ações conjuntas entre pais de crianças que são amigas. Tirar o celular de uma que se veja rodeada por outras com celulares pode ter um efeito contrário ao desejado. Se ações individuais não resolverão os grandes problemas contemporâneos, a menor medida possível de ação coletiva é, pois, um bom ponto de partida.

Retardar o contato de crianças com telas interativas, limitar o tempo que têm de acesso à medida que crescem e proporcionar mais interações sociais presenciais são como o chazinho da vovó: mal, não faz. E, aos poucos, a ciência tem descoberto que tais atitudes têm um impacto positivo — para crianças e adultos.

  1. Por aqui, o livro foi publicado pela Companhia das Letras, que gentilmente me enviou uma cópia. Obrigado!
  2. Na mesma linha tem o A fábrica de cretinos digitais, do neurocientista francês Michel Desmurget, publicado no Brasil pela editora Vestígio. É bem mais denso em citações acadêmicas e o autor, mais indignado. Agradeço ao leitor Ricardo, que me presenteou com uma cópia no final de 2023. Valeu!
  3. Há uma tentativa malsucedida de explicação no capítulo 3.

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

15 comentários

  1. Muito interessante suas opiniões sobre o livro. Claro, muitas pessoas vão dizer que você não entende o problema por não ter filhos, mas eu, como pai de 3 compartilho suas opiniões, apesar de ter tido a sensação em outra obra, “A Fabrica de Cretinos Digitais” do Michel Desmurget, que ainda muito focada no universo europeu, embasa seus argumentos correlacionando estudos, o que também não quer dizer que eleesteja absolutamente certo em suas conclusões.

  2. Valeu pela resenha. Eu não li o livro, mas tenho filho pequeno, então a pauta “telas” é importante. Algumas observações soltas:
    – telas interativas são bem complicadas para primeira infância (até 6 anos) e o celular é muito pior (em termos de absorção da atenção) do que qualquer coisa na TV, incluindo videogame (jogos adequados, claro). Celular para crianças pequenas é algo devastador mesmo.
    – Achei bem legal você apontar esse contexto do autor estar preso ao contexto dos EUA. Tem muita coisa reverberando por aqui que segue o padrão
    – É importante separar: 1) telas (passivas), 2) telas interativas, 3) telas interativas conectadas. Não sei se ele faz essa separação, mas tenho visto empiricamente os efeitos de cada tipo
    – Acho que meu ponto maior de reflexão a partir do seu texto foi a questão do celular com redes sociais (pra separar seguindo a divisão acima) estar ou não reconfigurando a nossa experiência de vida. Eu tendo a achar que sim, e pra pior. Acabei de ouvir uma conversa com o Miguel Nicolelis, que fala um tanto sobre as “brain nets” e sobre como essa grande “brain net” ancorada em propósitos comericiais e com diversos vieses e características bem particulares está mudando bastante a nossa cognição e o nosso cérebro (para pior). Vale a pena: https://www.youtube.com/live/wb-80kPxTfo?si=DuCmiyasMlpbcXeZ

    1. Se puder, gostei do seu aporte teórico de fazer uma distinção entre 3 ‘espécies’ de telas, que deveriam ser consideradas separadamente pois possuem efeitos diversos. Quais seriam estes, e o que estaria incluído em cada espécie de tela ? Videogame seria tela interativa para mim, e também pode estar conectado, mas é diferente de um celular com youtube liberado. Uma Netflix estaria em tela passiva ?

  3. Outro incômodo é o esquecimento total das crianças saudáveis da “geração ansiosa”. O cenário apocalíptico que o autor pinta ignora essa parcela, muito maior e que vive no mesmo mundo das que enfrentam transtornos relacionadas à tecnologia

    Que crianças saudáveis são essas? Aliás, não só crianças — o autor, inclusive, já afirmou em entrevistas que os impactos são basicamente os mesmos nos adultos, mas ele optou por focar nas crianças e adolescente para que o tema tenha mais visibilidade. O que você considera saudável do ponto de vista psicológico? Vivemos hoje uma espécie de surto coletivo consumista; estamos mergulhados num individualismo tecnológico profundo. Será que você não está considerando isso saudável apenas porque foi normalizado, porque nem todo mundo está se autoflagelando ou se matando? Imagina sugerir a redução de medidas pró cinto de segurança por conta da parcela muito maior de pessoas que não se machucam ao andar de carro. Ou sugerir redução de medidas anti-cigarro por conta da parcela muito maior (cerca de 80%) de fumantes que não desenvolvem câncer.

    Os exemplos poderiam seguir indefinidamente. O ponto é que não tomamos medidas preventivas somente quando os males atingem a maioria da população. Nunca foi assim. Além do mais, medir o estrago psicológico é algo muito mais complicado, não é mesmo? Sem contar que nesse caso, do ponto de vista histórico, essas tecnologias onipresentes começaram ontem, e estão em constante e frenética evolução.

    Nesse sentido, talvez o uso exacerbado de celulares seja um sintoma, e não a doença.

    Eu entendo essa linha de argumentação, mas ela cai na ideia de que sintomas não devem ser atacados, como se eles também não causassem problemas. Novamente cito o caso dos cigarros: quando se constatou que causam câncer, não se tentou focar no porquê das pessoas fumarem, e fumarem tanto. Não foram psicólogos atendendo pessoas individualmente os principais responsáveis por termos hoje menos mortes em função de câncer de pulmão, e sim medidas restritivas contra o cigarro, incluindo no Brasil a proibição de propaganda, inclusão de fotos de doenças nas embalagens de cigarro, aumento de preço, proibição em locais públicos fechados, campanhas de conscientização, etc.

    O mesmo pode ser dito com relação à segurança no automóvel. No fundo, se as pessoas respeitassem as regras de trânsito, a quantidade de acidentes, em especial os fatais, seria irrisória. No entanto, como bem sabemos, o maior foco pra prever acidentes não está relacionado à compreensão do porquê as pessoas (no mundo todo) dirigem de maneira imprudente.

    Perceba que não estou dizendo que devemos ignorar as causas dos problemas. Estou somente reforçando que não é necessário sabê-las para se constantar que suas consequências podem causar estragos graves.

    ansiedade em crianças já existia antes mesmo dos smartphones, talvez tenha sofrido um agravamento, mas não é um sintoma novo. [trecho do comentário da Milena Giacomini]

    Acho que o livro talvez tenha falhado em desenvolver melhor a ideia do impacto que tem a escala. Esse argumento ‘isso já existia antes de [insira aqui a coisa nova]’ pode ser uma cilada. Imagina alguém ouvindo falar de bomba atômica pela primeira vez, na época em que estava sendo desenvolvida: ‘ah, bomba já existe desde a época dos piratas, e chegamos até aqui; nenhuma tragédia terrível, relaxa’. Ora, a escala pode fazer toda a diferença. E com exemplos simples podemos entender isso: sal e açúcar, por exemplo, não fazem mal por si só, mas sim o consumo acima do indicado. É, portanto, a escala que faz deles um problema. Pessoas viciadas em tecnologia já existe desde a era o rádio, mas tem como comparar a escala com o que temos hoje com smartphones? Não só o percentual da população viciada aumentou drasticamente, como os impactos desse vício são imensamente mais profundos devido à mudança da tecnologia (muito mais persuasiva).

    Ademais, como vocês explicam essa correlação nos aumentos de uma série de indicadores mostrados no livro que começaram todos a piorar por volta de 2012? Absolutamente todas as críticas que leio sobre esse livro parecem ignorar ou dar de ombros pra sugerir qualquer outra explicação. Os dados deixam claro que houve um ponto de virada (novamente, pra pior) nessa época, e o autor faz a conclusão baseada numa interpretação dele, sim, mas que tem embasamento correlacional e lógico. Pode estar errado? Certamente! Mas ninguém propôs nenhuma resposta melhor.

    Fora que já existem vários estudos revisados por pares (e que não são correlacionais!) mostrando os impactos negativos do uso constante dessas tecnologias (smartphone, rede social, etc). Exemplo: https://www.marketwatch.com/story/new-study-claims-facebook-instagram-and-snapchat-are-linked-to-depression-2018-11-09

    Sem contar medidas adotas em diversos países contra o uso precoce dessas tecnologias. Recentemente tivemos a França e a Suécia.

    Mas pra mim o mais doido é que basta um mínimo de senso crítico sobre nós mesmos (em especial os millenials e mais velhos) pra notar os impactos que essas tecnologias têm nas nossas vidas. E, assim como pontua brilhantemente o documentário obrigatório O Dilema Das Redes (The Social Dilemma, 2020), o maior problema para se dabater esse assunto é que essas tecnologias são o céu e o inferno ao mesmo tempo: proporciam coisas maravilhosas ao mesmo tempo que nos tornam escravos de um modelo de negócios alienante e socialmente devastador.

    1. Concordo que, no geral, parece que todo mundo está passando por uma fase difícil. (Exceto, talvez, psicopatas e sociopatas, e talvez haja uma correlação causal entre esse perfil e que toma decisões/ocupa cargos de poder, mas divago.)

      O que contesto do livro, e que vale aqui também, é colocar toda a culpa em smartphones e redes sociais. São ruins? Sim. No caso das redes sociais comerciais, acho até que o saldo é negativo — causam mais males do que benefícios. Só que são sintomas de um modo de vida maluco em que fomos metidos. O livro é tachativo ao afirmar que a parcela maior de culpa é do celular. Está no subtítulo, aliás: “Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais.” Por tudo que li, é aí que o autor abre o flanco para críticas. (Isso e o papo de “reconfiguração do cérebro”, que é uma afirmação meio maluca e que, mesmo no livro, carece de confirmação.)

    2. Obrigado por suas palavras. Faço das suas as minhas, o Rodrigo tem dessas mesmos, não tem como esperar muito. Ele sempre relativiza quando o assunto é esse. Só não vê o mau que smartphones causa quem de alguma maneira depende deles pra viver.

  4. verdade ansiedade vem dessa pressão que estamos sofrendo de ter que ser cada mais explorados e por isso não termos tempo de interagir socialmente com ócio criativo.

  5. Caramba, muito massa a sua análise, Ghedin!
    Quero pontuar alguns pontos que achei super interessantes no que tu trouxe.
    1) Essa tal fórmula (smartphones só depois dos 14 anos, etc) me parece muito descolada da realidade mesmo. Além de ser uma solução simplista para problemas extremamente complexos e influenciados por diversos fatores como cultura, classe social, gênero, raça… São diversos atravessamentos que precisam de um olhar mais cuidadoso.
    2) Outro incômodo é o esquecimento total das crianças saudáveis da “geração ansiosa”. Eu tenho absoluta certeza de que as redes sociais pioraram a saúde mental não só das crianças, mas dos adultos também. O problema é que essa parcela, mesmo que seja mínima, ainda está inserida numa sociedade majoritariamente digital. É difícil imaginar como isso não vai respingar nas crianças de alguma forma. Além disso, ansiedade em crianças já existia antes mesmo dos smartphones, talvez tenha sofrido um agravamento, mas não é um sintoma novo.
    3) Sobre a cultura norte-americana, acho que trouxe a reflexão sobre isso no ponto 1), mas queria acrescentar só uma coisa em relação ao “exercitem a responsabilidade”. É bem chocante como existem fórmulas absurdas de como barrar um problema “de adulto” tratando crianças como se elas não estivessem em fase de crescimento e desenvolvimento cerebral. Querem tratar as crianças como se elas não fossem… Crianças!
    4) “Gostei, em especial, da ideia de promover ações conjuntas entre pais de crianças que são amigas.” Sim, e vamos além: a sociedade como um todo. E queria dar destaque aos profes. É bizarro como minhas amigas do magistério estão com dificuldades de lidar com MAIS ISSO quando se trata da formação de novos cidadãos. Além dos problemas que a gente já conhece, agora é preciso pensar técnicas para lidar com o uso de celulares na sala de aula.

    Desculpa o textão, Ghedin! Mas tava há meses querendo falar sobre esse livro com alguém. rs

    Bjs

  6. Não acho que ele tenha esquecido das crianças saudáveis, mas é que como o título diz, o livro fala das ansiosas.

    1. O título do livro é, literalmente, “A geração ansiosa”.

  7. Miha filha tem 4 anos e, apesar do meu ímpeto inicial, sempre teve contato com telas e hoje em dia deixamos ela cerca de 40 minutos por dia jogando Roblox (não tem publicidade/ads) ou vendo Youtube (na Televisão fica mais um pouco no YT também, mas sem segurar celular). Com o tempo fui cedendo e enxergando a questão de outra forma.

    Eu realmente considero que há mais prós do que contras. A coordenação fina dela é alta; conhece muitas histórias, relembra, reconta elas; aprendeu um pouco mais de inglês do que o da escola; está mais interessada na alfabetização, pois já entendeu que isso equivale à mais independência; através dos jogos ela conhece melhor várias dinâmicas sociais, supermercado, cabeleireiro, bombeiro, esportes, etc

    É muito difícil (ou até injusto) tirar as telas das crianças quando ela vê os pais com o celular na mão o tempo todo. Minha esposa usa bastante o notebook também e ela já se interessou, já monta as próprias bonecas no The Sims, ela também já venceu 100% sozinha 2 vezes no Stumble Guys! Eu acho ótimo hahaha!

    Hoje sou pró-telas, mas os princípios que sigo são: tempo limitado, VIGILÂNCIA ao que está sendo exposto e não pode abrir mão de outras brincadeiras: são coisas independentes e não substitutas. Ela ainda tem como brincadeiras favoritas pintar, desenhar, bonecas, exercícios dentro de casa e “ler” os livrinhos.

    1. Acho que nessa idade os problemas são mais físicos (prepare-se para uma filha míope) do que psicológicos.

  8. Excelente texto, Ghedin! Confesso que após a leitura fiquei mais tentando a ler o livro A Fábrica de Cretinos Digitais do que dar uma oportunidade para esse “livro do momento”.

    Sobre os motivos históricos e sociológicos que levaram a diminuição do brincar livre nos anos 80 e 90, eu tenho um palpite: videogames! Eu comecei a jogar no final dos anos 90 e nunca mais parei. Jogo até hoje e acredito que esse seja um dos motivos que levaram a diminuição do brincar livre. Na minha infância eu ainda brincava na rua, mas isso também se deve ao fato de que eu tinha poucos recursos e poucos jogos. Do contrário, sempre tinha uma reunião para jogar videogame na casa de um amigo. Creio que nos EUA esse processo foi bem mais acelerado pela “facilidade” em se obter os videogames e os jogos do momento, coisa bem rara aqui no Brasil!

    1. Haidt menciona video games como um fator de distinção entre sexos na degradação da saúde mental dos menores, mas para ele o problema surgiu um pouco mais tarde, no início dos anos 2000, com os jogos multiplayer online em computadores. Isso teria causado o impacto que você menciona: menos brincadeiras presenciais, mais tempo passado no quarto, na frente do computador, com prevalência maior entre meninos.

  9. Oi Rodrigo, parabéns pela crítica e já tinha lido algumas entrevistas de Haidt sobre esse assunto. Bom, de uma coisa não temos dúvidas: é praticamente impossível se “livrar” dos celulares hoje. Mas eu ainda creio na possibilidade do desconectar, ou seja, do equilíbrio no uso. E não estou falando da criança, mas dos exemplos que ela observa, ou seja, os adultos. Não adianta tirar o aparelho se ela vai falar com o pai e ele tá lá com a cara na tela. É preciso a gente trabalhar melhor nossa desconexão, termos mais opções offline e mostrar a nós mesmo que há alternativas além das telas. Tenho uma sobrinha de um ano e ela convive com os pais muito ligados nas telas. Mas ela gosta mesmo de livrinhos, risadas e brincadeiras porque a tia aqui presenteia todos com livros e brincadeiras. E isso não quer dizer que eu estou tirando a tela da vida, mas ela não é prioridade. Sim, é difícil, mas é possível. Boa sorte pra nós!