Jogos integrais
O mercado de jogos, em especial o de jogos para celular, foi dominado por “junk food”: jogos que enganam os nossos sentidos e parecem deliciosos na primeira mordida, mas que não passam de um amontoado de calorias vazias que não nutre, que só consome o nosso tempo de vida.
Eles são raros, mas jogos que oferecem uma experiência genuinamente positiva ainda existem. São títulos que você termina e não deixam um retrogosto de tempo desperdiçado. São jogos que valem a pena, que deveriam ser mais divulgados e recomendados.
Ao contrário do que eu comparei com “junk food”, acima, eu chamo esses jogos de integrais.
Para mim, os requisitos para um jogo ser considerado integral são estes:
- O jogo não oferece uma loja interna onde seja possível comprar itens indefinidamente com dinheiro real.
- Idealmente, o jogo não exibe anúncios. Se exibir, o design do jogo não dá sinais de que foi pensada para maximizar a quantidade de anúncios exibidos e o jogo permite que se pague para removê-los completamente.
- O jogo não se apoia nas conhecidas e documentadas táticas de manipulação psicológica dos jogadores.
A maioria dos jogos que você encontra na internet ou nas lojas de aplicativos não segue esses princípios. Para encontrar jogos integrais, é preciso ser criterioso, saber onde procurá-los e procurar bastante.
Ou você pode acompanhar a nova série do Manual do Usuário, Jogos Integrais. Toda sexta, vamos apresentar um jogo desses aqui no site, para você se divertir no fim de semana.
Ah, se tiver sugestões, envie um e-mail.
Fabio Bracht tem TDAH, quatro ratos de estimação e joga alguma coisa todos os dias — seja no celular, no Steam Deck, no Switch, no iPad, no computador, ou até mesmo na mesa, com sua coleção de +50 jogos de tabuleiro. @fabiobracht no Threads.
Tem uma curadoria ponta pra você aqui: https://nobsgames.stavros.io/android/
E como indicação pessoal, eu indico I Love Hue, joguinho delícia que acalma a mente e aguça o olho pra cores.
Ó o spoiler!! Hahahah
Tô ciente desse site, mas pra falar a verdade quase não consulto. Sinto falta de mais contexto, ele é só uma lista.
Minha recomendação de jogo integral é o Lichess, o bom e velho xadrez ;)
Não conhecia o Lichess. Qual a diferença dele pro Chess.com?
@feed o lichess é totalmente gratuito, contribui ativamente pra comunidade open source (inclusive o github deles é bem legal pois disponibilizam praticamente tudo que eles usam lá) e se não me engano é mantido pela comunidade
Software livre, código aberto e todo conteúdo dele é gratuito
Minha recomendação de “jogo integral” vai para Vampire Survivors, a febre de 2022 que originou uma montanha de clones “junk food”. Viciante, simples, grátis e com anúncios opcionais.
eeeee
Jogo para celular não entendo nada, só jogo Magic Arena, mas joguei no PC Gris e achei sensacional, possui um port para Android.
Recomendação de jogo para PC: Outer Wilds (jogue sem saber nada), vai ser uma das melhores experiências.
Outer Wilds é o meu terceiro jogo favorito de todos os tempos, então reforço a recomendação (e o parêntese).
Como o Manual é um site de tecnologia, e não de games, a ideia aqui vai ser focar em jogos “mobile” mesmo. E não só por isso, na real; eu acredito que o celular é extremamente subestimado e subaproveitado como plataforma de jogos. Ele oferece diversos tipos de input e possibilidades de interação que nenhum outro console, PC, ou portátil conseguiu popularizar. Não só a tela de (multi)toque, mas também coisas como sensores de movimento ultraprecisos, câmeras de altíssima definição, NFC, posicionamento por GPS, sensor de brilho, acesso fácil a todo tipo de APIs e dados da internet… tanta coisa! Dá pra fazer muita coisa criativa com tudo isso, mas os jogos de celular não costumam ser celebrados o suficiente, e o mercado é muito opressivo exceto com os jogos que não buscam o lucro extremo das maneiras mais imorais possíveis, então não temos tantos jogos geniais quanto eu acho que poderíamos ter.
Quais os outros dois favoritos?
Eu concordo, lembra me o DS quando chegou, a Nintendo aproveitava ao máximo o console, falta um pouco disso no celular talvez.
The Witness e Celeste.
Celeste não tem para mobile. The Witness tem, eu testei, é bacana, mas não curti muito o modo como ele funciona em telas de toque, então só recomendo se você puder usar teclado e mouse ou um controle.
Dá uma olhada em dois, acho que se encaixam nessa: Super Hexagon e Cardinal Chains.
Nossa, tirando a voz da mulher repetindo mil vezes quando vc morria, super hexagon era um bagulho bem viciantinho até kkkkkk e frustante hehe
Cardinal Chains eu não conheço, mas Super Hexagon é bem bacana mesmo!
Que tal um jogo onde seu objetivo é fazer clipes de papel até esgotar todos os recursos do universo? Sabe aquela história onde você define um simples objetivo para uma IA e ela simplesmente o leva até as últimas consequências? Então, talvez você chegue a conclusão que o crescimento a qualquer custo talvez destrua a você e tudo em sua volta no processo.
Para quem ainda não conhece:
https://www.decisionproblem.com/paperclips/index2.html
Aí a gente já entra em questões existencialistas muito hard, Pedro. Vamos com calma! :P
perdi mais tempo do que deveria nesse jogo hahah
Entendi errado ou um jogo de código aberto e gratuito não entraria nessa lista?
Os wordle da vida acho que entram nessa categoria. O hype passou, quantos ainda jogam?
Eu e minha esposa jogamos juntos!
Wordle (inglês) e Termo (português). Não todos os dias, mas sempre que lembramos, geralmente na depois do almoço ou da janta.
Uma das próximas recomendações dessa série vai ser certeira pra vocês, então! ;)
Um jogo que oferece o seu conteúdo completo sem cobrar nada por isso é, obviamente, um jogo que eu consideraria “integral”. Acho que vale a pena atualizar a definição do ponto 2 pra contemplar isso. Obrigado por apontar!
ATUALIZAÇÃO: Pensando bem, todo o ponto 2 que tínhamos na versão original do texto estava tentando fazer uma diferenciação sem distinção, então acabamos removendo ele. Os outros pontos sobraram, e acredito que eles dão conta da definição que eu tinha em mente.
O que eu estou tentando definir é que o modelo de monetização do jogo não pode ser baseado em lucrar indefinidamente em cima de cada jogador. Tem que ser um jogo em que seja *literalmente impossível* gastar dinheiro indefinidamente, comprando itens, ou coisas assim. A monetização do jogo tem que ser à moda antiga, no sentido de se basear na venda de conteúdo: “eu fiz um jogo/expansão/etc., e ele custa X. Se você pagar, você pode jogar esse conteúdo à vontade. Quando eu tiver mais conteúdo, você pode comprar esse novo conteúdo.” E só, não pode passar disso.
Acredito que o texto como está agora dê conta dessa definição, mas, em todo caso, que este comentário sirva de contexto extra.