FAIR para descentralizar o WordPress

A confusão desencadeada em 2024 pelo co-fundador do WordPress e CEO da Automattic, Matt Mullenweg, pode acabar rendendo um bom fruto. Na sexta (6), um grupo de ~300 colaboradores experientes no ecossistema, com o apoio da Linux Foundation, anunciou o FAIR, uma iniciativa para descentralizar componentes críticos do WordPress.

Ao longo do embate entre Matt e a WP Engine, o controle exacerbado do executivo de recursos críticos, em especial o WordPress.org, que distribui atualizações do sistema e o diretório de plugins, ficou explícito. O controle do .org dá a Matt um poder desmedido, como ficou evidente na apropriação do plugin ACF, da WP Engine, e na expulsão de desenvolvedores de plugins que se indispuseram com o executivo.

O FAIR, sigla em inglês para “repositórios independentes e federados”, tomará a forma de um plugin que substitui todas as APIs relacionadas ao WordPress.org e descentraliza a distribuição de plugins, temas e do próprio “core” do WordPress.

A iniciativa também visa instituir uma governança democrática ao ecossistema, algo inexistente no WordPress até então, onde vale a lógica do “ditador benevolente vitalício” na figura de Matt.

O FAIR é coordenado por Joost de Valk e Karim Marucchi. Os debates e todo o código estão no Github.

Com informações do The Repository.

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4 comentários

  1. Uma das recentes escolhas que fiz foi migrar meu blog WordPress para algo mais independente como Jekyll. É um trabalho chato, pois além de ter que refazer o layout, você ainda tem que importar os posts e manter permalinks (o que pode ser mais complicado ainda). Comecei a aprender essa semana como fazer isso, porém está sendo um processo lento, não só devido ao meu trabalho, mas devido a uma gripe braba demais.

    O motivo? Simplificar as coisas. Blogs são a melhor forma de compartilhamento de informações até então. É mais fácil de consumir em qualquer lugar: precisa ouvir uma postagem? Usa um Text to Speech. Precisa só ler? A maioria dos blogs que se prezam tem layout e linguagem simples por serem as mesmas coisas que os autores buscam em outros blogs. Admito que leitura e escrita não são meus fortes, mas gosto de fazer ambos e fica melhor quando não é num outdoor de paywalls e ofertas de notificações.

    Porém, o WordPress tem sido tudo, menos simples. Tenho um sentimento nostálgico, um espaço agradável na memória quando penso em WordPress. Lembro dos sites de deskmod em 2008 feitos em WordPress, todos quase sempre confortáveis em resoluções como 1024x768. Os piores blogs ainda pareciam melhores que os que eram feitos no Blogger (.blogspot do Google). E hoje, se você faz um blog e procura simplicidade, você praticamente está configurando um Windows após formatar.

    Quer um tema próprio ou algo mais parecido com você? Boa sorte. Faz do zero (ou com ajuda de algum tema framework) ou dê seus pulinhos para poder customizar temas com quantidade absurdas de *.js e trocentos pós-processadores. A questão aqui não é controle, é a propriedade. Mesmo que você instale o WordPress é um servidor próprio, instale algum dos temas mais usados do repositório e mete um Akismet para fingir que tem uma cerca anti-spam, você não sente que aquele projeto é seu.

    Remoção de telemetria, alternativas ao pesado jetpack, add_filter( 'use_block_editor_for_post', '__return_false' ), remoção de sabe lá quantos mil parâmetros para limpar funções completamente desnecessárias. Não é nada que devia estar em um projeto open-source tão renomado e que faz parte da maioria dos sites da internet.

    Para contornar isso, temos ClassicPress e agora o FAIR. Recomendo ambos, mas o ClassicPress tem sido um projeto admirável em meio a tanto tumulto causado pelo Matt. O FAIR ainda tem tido problemas (sim, testei essa semana mesmo antes de começar a migrar meu blog). Não sei se a pancada de erros 502 causados após instalar o plugin tem algo a ver com meu blog estar hospedado na Oracle Cloud ou por algum DNS da Cloudflare (apesar de ter desabilitado proxy para testar se era), mas a ideia é sólida e vou continuar de olho.

    Matt tem sido um bebê que, porque chora mais alto, acha que é dono da creche. Ele tem sido uma mancha no projeto WordPress e isso é o mais decepcionante. Gutemberg é um circo. Akismet não tem sido a melhor escolha (instala um Cloudflare Turnstile, parece melhor). Pode falar a asneira que quiser, mas cagar num projeto tão importante quanto o WordPress devido birrinha não me parece tão maduro. Em contrapartida, a parte boa é que esse cara faz parecer que não é difícil se tornar milionário.

    Se ficou a impressão de que não gostei do FAIR, tá errado haha. O projeto tem tudo para ser imparável e imagina quando tiver outros repositórios além do AspireCloud? Imagina repositórios hospedados no Brasil? Sem precisar ficar fazendo rota externa?

    A coisa mais legal do open-source e ver pessoas mais inteligentes do que eu fazendo coisas mais inteligentes do que eu faria em prol do mesmo modus operandi que eu teria: ajudar os outros.

    1. Eu sou um leitor de blogs desde sempre, mas só comecei a escrever o meu próprio em 2018. Como cheguei tarde, já comecei pelo Jekyll e nunca usei o WordPress. Um site estático é algo muito mais simples de se dar manutenção e pode ser hospedado em qualquer lugar. Hoje sei que existem muitas outras alternativas além do Jekyll.

      Se fosse começar hoje, não sei se escolheria ainda o Jekyll, talvez. Mas com toda certeza ainda escolheria alguma ferramenta de site estático.