Entrevista com João Aguiar, da newsletter Mil Palavras

Qual é a sua newsletter?

Mil Palavras.

Fale um pouco de você, João.

Um paulista que mora em Florianópolis, sou jornalista e internacionalista de formação, mas já estudei game design e na maior parte da minha carreira profissional trabalhei com comunicação em organizações sem fins lucrativos. Hoje foco na criação de histórias na Internet Society, falando principalmente sobre comunidades que desenvolvem a própria infraestrutura de internet onde operadoras não chegam.

Fora da CLT escrevo ficção e fotografo, experimento com criação de jogos, o que inclui histórias interativas usando ferramentas como o Twine, sou um leitor voraz e dedico parte do meu tempo livre aos video games. Todas essas coisas têm uma coisa em comum: me permitem conhecer ou criar histórias.

Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?

Nos últimos anos, tenho dedicado bastante tempo à escrita de ficção e à fotografia. Em ambos os casos, às vezes me sentia sem inspiração para começar algo novo. Resolvi então juntar as duas coisas: peguei algumas fotografias autorais e, a partir do que vi, criei histórias. Também fiz o contrário, usando contos que tinha engavetado e saindo para fotografar.

Gostei do exercício e não quis parar. Também achei interessante a ideia de compartilhar aquilo que estava fazendo com outras pessoas. Criei então a Mil Palavras. Na newsletter envio, toda primeira sexta-feira do mês, uma nova fotografia e uma história de (mais ou menos) mil palavras para acompanhá-la. Isso me força a escrever ou fotografar coisas novas, além de colocar todo esse trabalho no mundo. O limite do texto me força a ser mais direto e criativo, o que é mais difícil do que parece. Também tenho gostado muito de pensar fotografias ao invés de simplesmente capturar qualquer coisa que ache interessante.

Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?

Varia bastante. Às vezes passo algum tempo escavando fotografias que tirei ao longo dos anos e escolho a que mais me interessa na hora. Quando isso acontece, escrevo a primeira coisa que me vem na cabeça, imaginando primeiro como quero que as coisas terminem e criando a história ao contrário. Quando acabo, esqueço do rascunho por uns dias. Depois, com o olhar mais fresco, começo a editar.

Também tenho o hábito de escrever em um caderno todas as manhãs qualquer coisa que passe pela cabeça, mais para manter o hábito do que qualquer coisa. Em alguns casos, invento histórias que eventualmente refino. Se gosto bastante de alguma delas, planejo uma fotografia.

Só quando o texto está pronto preparo o resto da edição, que normalmente vem com comentários sobre a técnica usada na fotografia, o tema discutido na história e algumas recomendações de leitura relacionadas.

Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?

Não.

Pretende transformá-la em negócio/tentar fazer dinheiro com ela no futuro?

Sim.

Como pretende fazer isso?

Estou trabalhando em um livro de ficção e planejo aproveitar o público que construí com a newsletter para divulgá-lo. Também pensei em abrir edições especiais pagas em que crio histórias sobre fotografias enviadas por leitores.

Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)

Escrevo em um MacBook Pro (Core i7) que herdei do trabalho. Uso o Scrivener porque já tenho o software há algum tempo e ele me permite organizar os contos em um único arquivo que, eventualmente, posso transformar em um ebook. Mas muitas das histórias começam mesmo em um caderninho. Para gerenciar a newsletter, hoje uso o Substack.

Fotografo com uma Canon R7 e edito no Lightroom e Photoshop, apesar de estar contemplando há algum tempo uma transição para o Affinity (por não ter que pagar uma mensalidade abusiva e poder comprar o produto uma só vez).

Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?

Se tiver que escolher uma só pessoa, seria a Aline Valek.

Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário:

Primeiro, quero agradecer o Manual do Usuário por existir e fazer um trabalho tão bom em debater tecnologias a partir de uma perspectiva menos mercadológica. Acompanho vocês há anos por diversos canais e é uma honra poder colaborar com essa série de entrevistas.

Depois, termino com um pouco de otimismo. Há algum tempo leio newsletters de pessoas geniais que estão produzindo conteúdos nacionais nos mais diversos nichos, que abrem conversas com seus leitores e criam coisas que têm profundidade e não apenas respondem às vontades de algoritmos. A própria lista do Manual mostra essa diversidade, a possibilidade de escapar de um feed infinito para consumir coisas que entretém sem gerar aquela ansiedade terrível. Tem muita coisa boa por aí, e deixo minha humilde recomendação para que busquem autoras e autores que te interessem. Faz bem para todo mundo.

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2 comentários

  1. Bem interessante a proposta de unir a fotografia + histórias ficção.

    Uma curiosidade: por que Mil Palavras?