Entrevista com Mario Cau, da newsletter Quebra-Cabeça
Qual é a sua newsletter?
Fale um pouco de você, Mario.
Quadrinista, ilustrador e professor. Apaixonado pela linguagem da Arte Sequencial. Suas histórias abrangem diversos gêneros, sempre trazendo um olhar introspectivo e poético sobre as emoções e relacionamentos dos personagens e propondo uma reflexão ao leitor. Atuante na cena desde o começo dos anos 2000, já publicou dezenas de títulos autorais e participou de antologias diversas. Entre seus principais trabalhos, destacam-se as séries Pieces – Parte de mim, Terapia e monstruário; e as adaptações para quadrinhos de Dom Casmurro e Anne de Green Gables. Por alguns de seus trabalhos já ganhou os troféus HQMIX, Jabuti e Angelo Agostini. Como ilustrador, atendeu inúmeros clientes mas atualmente concentra seu atendimento às áreas editoriais e didáticas. Como professor, lecionou na Pandora Escola de Arte, em Campinas (SP), durante 17 anos, ajudando na formação de diversos artistas que hoje atuam profissionalmente e também a quem se dedica à arte como hobby ou terapia. Produz vídeos para o YouTube e orienta alunos em mentorias de projetos editoriais e criativos.
Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?
Geralmente, eu chego atrasado nas trends. Antes de começar a newsletter, ainda na versão original no Mailchimp, passei anos namorando a ideia. Nunca chegava a de fato começar, principalmente porque costumo planejar muito e gosto de saber o que vou fazer e oferecer.
Quando decidi pela proposta que uso até hoje, focado na minha produção, projetos e vivências e direcionado a quem realmente se interessa pelo meu trabalho e por insights na vida real de um artista profissional, foi só achar a plataforma correta e escrever a primeira. O mesmo processo aconteceu com meu canal no YouTube e atualmente passo pelo mesmo processo para finalmente abrir um financiamento recorrente/assinatura.
Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?
Geralmente, abro o editor de texto do Substack e começo a anotar tópicos que gostaria de compartilhar/desenvolver. Meu processo de escrita é bem fluido, então começo a adicionar frases para demarcar os assuntos, pontos e argumentos, e vou gradualmente acrescentando ao texto até ter uma mensagem satisfatória. Adiciono imagens, links, referências e é isso, basicamente.
Não existe um planejamento muito elaborado anterior, mas de vez em quando anoto numa lista os assuntos que quero tratar para não esquecer. A ideia é que essa carta seja um olhar sobre o que acontece no meu trabalho e vida real, então muitas vezes os assuntos mais recentes e relevantes ganham espaço.
Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?
Não.
Pretende transformá-la em negócio/tentar fazer dinheiro com ela no futuro? Se sim, como?
Não.
Por quê?
Não acho que o meu conteúdo, na newsletter, seja muito interessante a ponto de gerar assinantes pagantes. Porém, tenho o plano de abrir um financiamento recorrente (Apoia.se ou Catarse Assinaturas), onde essa opção existiria. Dentro dessa assinatura haveria uma outra newsletter com material exclusivo para assinantes, mas como me parece estranho produzir duas newsletters em duas plataformas diferentes, ainda não concretizei o plano.
Acredito que, se eu for cobrar uma assinatura, preciso ter algo realmente interessante pra oferecer e que eu consiga, dentro das minhas possibilidades, produzir sem falhas. É isso que me impede de simplesmente começar.
Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)
Comecei a primeira versão da newsletter no Mailchimp e fiquei lá por 71 edições. Depois, migrei para o Substack, onde encontrei menos recursos de formatação pra carta, mas ao mesmo tempo, uma plataforma que me permitia crescer mais sem ter que pagar por isso. Além disso, o Substack tem um respaldo interessante e várias newsletters que assino vêm de lá.
Fora o editor básico de texto da plataforma, às vezes uso Photoshop ou Clip Studio para editar imagens.
Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?
Eu admiro quem assina, lê e valoriza newsletters, com foco em artistas e jornalistas que usam essa plataforma para ter mais controle sobre seu conteúdo e criam conexões reais com os leitores.
Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário:
Agradeço a todos que leem newsletters (não necessariamente a minha)! Esse é um dos melhores jeitos de se acompanhar as pessoas que te interessam. É próximo, intimista, direto. As redes sociais nos deixaram mal acostumados e dão a ilusão de que todo mundo é acessível e incrível. Eu tenho uma teoria de que estamos voltando gradualmente à era dos blogs e canais mais centrados e controlados por quem produz o conteúdo, em plataformas que permitem mais controle a quem produz, diferente das redes sociais, onde estamos submetidos a tantas outras coisas… A “teoria do food truck”. Tem no YouTube, caso queira entender mais.
Quebra-Cabeça está listada no nosso diretório, junto a outras dezenas de newsletters brasileiras.