Entrevista com Luiza Leite Ferreira, da newsletter Cartas para ninguém
Qual é a sua newsletter?
Fale um pouco de você, Luiza.
Sou escritora desde que aprendi a ler, planejei dezenas de contos e romances, mas só dei conta de escrever fanfics, poemas e blogs (e agora a newsletter), por enquanto. Tenho três livros de poesia publicados depois dos 30 e outros tantos ainda por concretizar.
Sou formada em jornalismo, trabalho pontualmente com assessoria de imprensa e tenho um blog literário, mas minha principal área de atuação é tradução (inglês), revisão e demais serviços de texto. Em 2024 comecei um mestrado em Estudos de Literatura com um projeto de tradução de poesia. Minha vida é escrever.
Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?
Eu fui mordida pelo bichinho das newsletters quando comecei a acompanhar a Aline Valek em 2021. Comecei o curso de newsletters dela na Domestika, mas apesar de as aulas serem muito boas, eu não conseguia definir o que eu queria escrever, então acabei paralisando e não concluindo o curso, cujo projeto final era justo desenvolver uma newsletter. Depois de um tempo ela migrou pro Substack (2021? 2022?) e eu descobri que várias outras pessoas que eu curtia da internet e da cena literária também estavam se aventurando por lá (Paula Maria, Thaís Bravo), criei coragem e comecei a Cartas para ninguém sem nenhum projeto específico, com um objetivo muito simples: exercitar o hábito da escrita com constância, e ter o compromisso de escrever e enviar um texto toda semana, mesmo que ninguém se interessasse. Funcionou.
Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?
Durante o primeiro ano das Cartas eu me deixei inspirar pelo meu entorno, como uma cronista de domingo, sempre atenta pra pescar um assunto no ar e desenvolver um pensamento em cima. Escrevi sobre o meu cotidiano privilegiado de pejotinha home office: idas ao museu, ao cinema, ao teatro, estudo de técnicas de escrita, participação em eventos literários, meus processos de composição de livros, idas à praia. Às vezes surgem uns textos mais ensaísticos motivados por eventos banais, como o dia que o telefone tocou incessantemente e eu escrevi sobre vários momentos marcantes vividos ao telefone (ou à espera que ele tocasse). Agora tenho escrito em um intervalo mais espaçado e quase sempre sobre a falta de assuntos ou dificuldade de escrever (risos).
Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?
Não.
Pretende transformá-la em negócio/tentar fazer dinheiro com ela no futuro? Se sim, como?
Sim. Ainda não cheguei nessa parte do plano. A princípio oferecer conteúdo extra para assinantes pagantes, como muitos colegas de news fazem (plaquetes artesanais, cartas pessoais enviadas pelo correio, conteúdo extra, bastidores dos meus livros, poemas inéditos, ainda não elaborei muito). Mas também tenho receio de não dar conta da responsabilidade; a Cartas para Ninguém é uma vitrine da minha escrita, mas também pode ser só um hobby sem compromisso financeiro (disse ela no tempo de vacas gordas; nunca sabemos o dia de amanhã).
Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)
Escrevo os rascunhos em editor de texto e depois formato no Substack, de onde faço os envios e toda a gestão do conteúdo (mas confesso que não estudo muito as métricas).
Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?
Não sei se já responderam, então vou citar algumas pra te dar opções: Carol Bensimon, Aline Valek, Paula Maria, Thaís Bravo, Tatiana Guedes.
Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário:
“Começar já é metade de toda ação” é um provérbio que vivia colado no meu quadro de avisos há uns 20 anos, mas que eu só comecei a seguir depois que o papelzinho se desfez e hoje vive colado na minha mente. Deixo essa sabedoria pra quem estiver precisando de um empurrãozinho pra começar qualquer projeto que pareça ambicioso demais.
E obrigada pelo espaço :)
Cartas para ninguém está listada no nosso diretório, junto a outras dezenas de newsletters brasileiras.