Entrevista com Diego Perez, da newsletter [MAGAZINE]

Qual é a sua newsletter?

[MAGAZINE].

Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?

Eu venho de uma tradição de escrita muito restritiva devido a minha formação acadêmica como doutor em Literatura e buscava um espaço em que pudesse me expressar com mais liberdade — tanto na forma como nos temas. Por volta de 2019, assim, encontrei, na internet, uma série de ferramentas e amigos que me deram abertura para fazer essa expressão ser possível.

Nesse sentido, liderei alguns projetos literários coletivos na internet como a ano i: ensaio e a Terceyro Mundo que tanto se apresentavam como revistas literárias digitais e newsletters.

No entanto, com a escala de crescimento das revistas, ia me tornando cada vez menos escritor e mais gerente de projeto. Ser editor me trouxe uma série de aprendizados, mas a ânsia da escrita seguia a perturbar meus dedos que buscavam o teclado não tanto para aprovar a revisão de uma publicação como para ensaiar sobre a autenticidade do novo álbum da Doechii ou a onipresença da semiótica de Umberto Eco no século XXI.

Em maio de 2022, então, achei que precisava criar também um espaço próprio para ensaiar essas ideias que passeavam com frequência pela minha cabeça. Nascia a [MAGAZINE].

Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?

De uma forma geral, tento fazer uma bricolagem: acompanho os movimentos culturais e literários de nosso tempo e, com o que me soa interessante, abro paralelos com temas e conceitos mais profundos trazidos da minha bagagem como pesquisador acadêmico.

São dois os grandes desafios desse processo criativo.

O primeiro é evitar que o texto se torne enfadonho aos que não são grandes admiradores de teorias mas querem, como eu, saber algo mais sobre a série Bridgerton ou a última de um ex-BBB.

Assim, tento escrever um primeiro rascunho mais denso que preciso, posteriormente, cortar coisas e polir com técnicas narrativas trazidas de crônicas ou contos. O ideal é um equilíbrio que deixe o material palatável o suficiente sem emburrecer Bridgerton ou a teoria narrativa de Todorov.

O segundo grande desafio é saber o tempo de maturação de um texto: todo ensaio quente precisa esfriar por um tempo numa gaveta para que eu volte a olhar para ele com olhos frescos e perceba erros de escrita ou até passagens desnecessárias. Mas, ao mesmo tempo, se um texto demora demais na fila de publicação, o “timing” mata a pauta ou o meu próprio interesse por aquilo que estava escrevendo.

Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?

Não

Pretende transformá-la em negócio/tentar fazer dinheiro com ela no futuro? Se sim, como?

Não. A newsletter faz parte do meu negócio, em certo sentido, pois funciona como uma porta de entrada ao meu trabalho. Torná-la paga me parece um mau negócio.

Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)

Curiosamente, o WhatsApp é uma ferramenta bastante útil. Tenho uma conversa comigo mesmo em que subo uma série de notas (com áudios, imagens, rascunhos de textos) e posteriormente tento fazer tudo isso ganhar sentido já na plataforma em que subo os textos (Substack).

Para a divulgação, Photoshop e redes sociais.

Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?

Os escritores Laura Redfern Navarro e Andreas Chamorro.

Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário:

Tenho uma boa recepção dos leitores do Manual do Usuário nos últimos anos e gostaria de agradecer ao carinho e o tempo que vocês tem dedicado a ler meus textos nesse período. É um privilégio para mim.

[MAGAZINE] está listada no nosso diretório, junto a outras dezenas de newsletters brasileiras.

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