Entrevista com babi carneiro, da newsletter sintética

Qual é a sua newsletter?

sintética.

Fale um pouco de você, babi.

Eu me formei em história, mas acabei me tornando analista de redes sociais. Eram tempos mais simples. Posso dizer que sinto que tudo é potencialmente instigante, o que faz com que eu tenha um bocado de interesses e atividades que não têm muito a ver entre si. Atualmente estou empenhada em melhorar meu trato com a fermentação natural, desenvolver uma série fotográfica com câmera analógica e terminar a leitura de Guerra e paz do Tolstói.

Como surgiu a ideia de lançar uma newsletter?

Num retrospecto, ter uma newsletter era quase um caminho óbvio para quem escreve na internet já há duas décadas (acabo de me apavorar com essa constatação), mas a decisão veio com a volta ao trabalho presencial em tempo integral, com a percepção de que diminuí muito minha prática de escrita que havia crescido durante o período em que trabalhei de casa na pandemia. Achei que criar uma newsletter me daria um senso de responsabilidade de sentar e escrever minhas ideias.

Escrever, hoje percebo, é uma maneira que eu desenvolvi para me organizar internamente. E publicar textos na internet sempre foi um jeito interessante de me conectar com pessoas (sem precisar desafiar muito a minha timidez).

Qual é o seu processo criativo para escrever uma nova edição?

Geralmente eu sou perseguida por semanas por algum tema enquanto estou fazendo minhas coisas mais prosaicas (indo pro trabalho, tomando banho, na fila do mercado). Com a persistência do tema, começo a desenvolvê-lo mentalmente até ter tempo de sentar na frente do computador e escrever numa tacada. Por isso acabei escolhendo o nome “sintética” para a minha newsletter, pois não sinto que eu me aprofundo muito nos temas.

Não tenho um processo criativo muito linear. Então, às vezes, se sinto vontade de escrever e estou fora de casa, crio uma página no notion ou rascunho em algum caderno que esteja por perto.

Sua newsletter tem uma assinatura paga ou gera dinheiro de alguma outra forma?

Sim.

Fale um pouco da newsletter enquanto negócio. (Se puder abrir números, melhor ainda.)

A minha newsletter tem assinatura paga só porque em algum momento chegou um e-mail para mim com o pedido de alguém para pagar pelo conteúdo. Assim, acabei habilitando essa modalidade, mas não ofereço nada em troca. Como eu tenho um emprego fixo de 40 horas semanais, sinto que não quero ter mais um trabalho, nem quero tratar meus leitores como meus chefes. Se quiserem pagar pelos meus textos (como 4 pessoas já fizeram), aceito como um presente e um incentivo extra para continuar.

Que dispositivo(s) você usa para escrever e gerenciar sua newsletter? (O Manual do Usuário é um blog de tecnologia, afinal 😁)

Para escrever, geralmente uso o Bloco de notas. Se estou no transporte público ou em alguma sala de espera, vou optar pelo Notion (porque criei uma seção de newsletter lá e deixo páginas com temas que talvez eu desenvolva algum dia) ou se estou em uma fase de escrever páginas diárias (diário de viagem ou diário-diário), a tecnologia usada é o combo caderno e caneta.

Para publicação e distribuição, eu uso o Substack. Antes de ir pro Substack, eu usava um plugin no WordPress dentro do meu site pessoal, mas acho que era um pouco anacrônico na era das redes sociais. O Substack se parece mais com uma rede social e acho que a plataforma se vende assim, o que ajuda a chegar em mais gente mas gerando aquela desconfiança que toda rede social causa em quem tem mais de dez anos na rede mundial de computadores.

Quem você mais admira e gostaria que respondesse essas perguntas?

Eu sigo um bocado de newsletters mas acho que uma pessoa que eu admiro e que me inspira bastante é a Aline Valek.

Deixe um recado aos leitores do Manual do Usuário:

Eu sou como vocês. Sou mesmo, as newsletters do Manual do Usuário são as que vejo com mais assiduidade :B

sintética está listada no nosso diretório, junto a outras dezenas de newsletters brasileiras.

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