Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?
O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.
Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.
Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.
Eu não uso o app do Claude. Quem usa, reclama que ele é ruim daquele jeito comum a aplicativos Electron. (Os alardeados como bons, como o VS Code, são exceção.)
O que é irônico vindo da Anthropic, a empresa de IA melhor posicionada no segmento de LLMs para programação. Se eles conseguem gerar um compilador de linguagem C escrito em Rust, um tipo de software dos mais complexos, por que o aplicativo do Claude é um feito com Electron em vez de apps nativos para cada sistema?
A pergunta motivou um post do Drew Breunig que, por sua vez, gerou uma longa conversa no Hacker News, o fórum da aceleradora Y Combinator que atrai desenvolvedores e startuperos.
Boris Cherny, líder do Claude Code na Anthropic, apareceu para justificar o uso do Electron:
Alguns dos engenheiros do app [do Claude] trabalhavam no Electron, então preferiam construir de forma não nativa. Também é uma boa maneira de compartilhar código para que tenhamos a garantia de que os recursos na web e no desktop tenham a mesma aparência. Finalmente, o Claude é ótimo nisso [Electron].
Sem contexto, são argumentos plausíveis (e comuns) de empresas que recorrem ao Electron, mas soam estranhos vindos da mesma pessoa que afirma que a “programação é um problema praticamente resolvido”. Nesse contexto, a experiência prévia e os ganhos derivados da reutilização de código seriam, a princípio, irrelevantes… não?
Se o “vibe coding” já é realidade, como o co-CEO do Spotify e Boris da Anthropic afirmam, pouco importa a familiaridade dos programadores com determinada linguagem. O que importa é saber instruir os “agentes de IA” para gerar software na linguagem mais adequada à tarefa. “Reescreva o aplicativo web do Claude em três versões, para Linux, macOS e Windows, usando linguagens nativas de cada sistema”, ou algo assim.
É bem possível que as IAs da Anthropic se saíssem com algo usável se instruídas a gerarem um aplicativo do Claude nativo para cada sistema. O que não significa um aplicativo pronto para ser distribuído a milhões de pessoas.
Drew, autor do post que questiona a opção da Anthropic pelo Electron, aposta que são os últimos 10% do trabalho desenvolvimento, composto por situações raras, usos imprevistos e outras anormalidades do mundo real, que barram a adoção ampla de aplicativos feitos totalmente por IA.
O OpenClaw é um bom exemplo dos riscos: criado com “vibe coding”, é um pesadelo de segurança. E nem entramos nas necessidades tangenciais do software que é usado por muitas pessoas, como a manutenção.
Os desenvolvedores da Anthropic provavelmente usam IA para programarem o aplicativo do Claude, mas deixá-la trabalhando sozinha parece algo muito distante no horizonte. Equilibrar essa realidade com o discurso de marketing da empresa talvez seja a parte mais difícil do trabalho. Afinal, se nem a Anthropic pratica o que vende, porque outras empresas deveriam seguir seu conselho?
Pois é, faz a gente pensar também onde estão os grandes softwares feitos por IA que não por toda parte. Com o vibe code era pra ter um milhão de novos sistemas operacionais, novos jogos AAA, navegadores que não são firefox/chrome por dentro, softwares revolucionários aparecendo a cada minuto, mas as únicas coisas que vemos feito com IA são… softwares pra usar IA.
e a merdificação de softwres que ja utilizamos
Já estão falando que com o Electronbun resolve muita coisa de performance.
O problema é que ainda ñ indexaram os códigos. rs
> Se eles conseguem gerar um compilador de linguagem C escrito em Rust, um tipo de software dos mais complexos
Se ao menos isso fosse realmente verdade, né?
O Electron permite que eles entreguem o “contêiner” do Claude rapidamente. Com Electron, um bug corrigido na versão Web é corrigido instantaneamente no Desktop. No mundo híbrido, você teria ciclos de homologação diferentes. Outra coisa. Manter dois ou mais apps nativos significa duplicar a superfície de ataque e as auditorias de segurança.
Comentaram no hackernews que poderiam fazer em Qt, praticamente nativo com uma única code base.
Com o poder da IA poderiam aplicar uma interface diferente pra cada SO e pronto, software nativo instantâneo e ainda serve de vitrine para o quão boa é sua ferramenta de vibe coding, mas eu duvido que a gente veja isso
Mas segundo o CEO da Anthropic código é grátis agora, pq não coloca 200 agentes pra fazer isso?