Para barrar crescimento dos Chromebooks, Microsoft aposta tudo em preço baixo


16/7/14 às 13h25

Slide anti-Chromebooks da Microsoft na WPC.
Slide: Microsoft.

Durante a WPC 2014, evento anual da Microsoft para parceiros comerciais, Kevin Turner, COO da empresa, anunciou uma investida contra os Chromebooks, notebooks que rodam o Chrome OS do Google que, por sua vez se resume ao navegador Chrome em uma distribuição Linux leve, rápida e virtualmente imune a vírus e outras ameaças.

(Dê uma lida no meu review do Chromebook da Samsung para ter uma ideia melhor.)

A estratégia, basicamente, é brigar com os Chromebooks no preço. Uma das características da categoria é ser mais acessível financeiramente: os preços começam em US$ 200. (A título comparativo, nos EUA os Ultrabooks e o MacBook Air são vendidos a partir de US$ 900~1.000.) A apresentação de Turner exibiu o slide acima, com os pontos pró-Windows e dois equipamentos, da Acer e da Toshiba, que serão lançados por US$ 250 cada. Ele ainda citou um terceiro, da HP, que chegará por apenas US$ 200.

Existem dois fatores que possibilitaram Acer, HP e Toshiba a alcançarem preços tão baixos. Primeiro, o barateamento e, em alguns casos, a gratuidade do Windows. A Microsoft está tão empenhada em sufocar o Chrome OS enquanto ele responde por ~10% das vendas corporativas de notebooks (e crescendo) que tomou a “difícil decisão”, nas suas próprias palavras, de abrir mão do lucro que extrai de cada licença do Windows vendida. Esse modelo de faturamento foi seu carro-chefe por décadas.

O segundo é a força da Intel, que com as arquiteturas Bay Trail-M e Haswell consegue entregar chips bem baratos e capazes de rodar o Windows.

Disso deriva um receio: estaríamos presenciando o retorno dos netbooks, notebooks super baratos mas incapazes de lidar com as atividades mais básicas dos usuários?

Provavelmente não. Os netbooks surgiram e se consolidaram em 2007, época em que tudo ainda era bem caro e pouco otimizado. Hoje, mesmo os chips mais simples e baratos oferecem poder suficiente para executar atividades triviais de modo satisfatório. Mesmo que nomes como “Celeron” e “Atom” sejam amaldiçoados no imaginário coletivo, por dentro suas encarnações atuais são mais competentes. Afinal, algumas variações do Celeron nada mais são que SoCs Core i3 de última geração com GPU defasada e sem algumas otimizações.

Se desempenho não será um entrave para essa nova leva de notebooks extremamente baratos, o maior risco da Microsoft pode ser exatamente seu trunfo: o Windows. Com toda a sua complexidade, sensação acentuada com o Windows 8 e a presença de dois ambientes heterogêneos convivendo a um clique de distância, ele segue em direção oposta à do Chrome OS, que se restringe a um navegador e tira das costas do usuário todas as rotinas de gerenciamento e manutenção da máquina.

É uma situação similar à dos smartphones modernos. Quando surgiram, Android e iOS eram severamente limitados. Faziam pouco, bem menos do que Symbian e outros dinossauros do setor, mas eram mais fáceis e amigáveis. O tempo que levaram para fechar a lacuna em funcionalidade foi curto e menos demorado que o que seus concorrentes mais maduros levaram para se tornarem modernos e amigáveis — isso quando conseguiram; com exceção do BlackBerry OS, os demais nem chegaram lá.

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *