Se você [pai/mãe] não estiver confortável, não deixe seus filhos no Roblox.

Foto de David Baszucki: homem branco, de cabelo curto grisalho, com óculos de grau de aros grossos.Dave Baszucki
cofundador e CEO do Roblox

Imagine o CEO da Ambev dizendo às famílias de alcoólatras que se não estiverem confortáveis, é só não deixar as pessoas beberem.

Em 2024, Roblox atraía ~80 milhões de pessoas todos os dias, cerca de 40% crianças com menos de 13 anos.

Via BBC (em inglês).

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9 comentários

  1. Estou chocado com alguns comentários aqui.

    Gente, quando há uma corporação com bilhões na mão pra tornar seu produto o mais viciante possível, não há nenhum sentido responsabilizar o lado mais frágil quando o objetivo é atingido.

    Basta ver o caso do tabagismo no Brasil. Imagina se o governo tivesse comprado esse papinho neoliberal de ‘usa quem quer’… Felizmente inúmeras medidas sociais foram tomadas e o tabagismo teve uma redução brutal, melhorando a qualidade de vida e poupando mortes, e de brinde aliviando o SUS e economizando dinheiro público. E olha que as medidas adotadas foram relativamente leves. Por mim teria fechado todas as fábricas de cigarro, assim como de armas também. São indústrias intrinsicamente malévolas.

    Aliás, na minha opinião, quando o produto de uma empresa vai contra o interesse social, não deveria ter nem margem pra debate. Mais do que isso, numa sociedade com um sistema minimamente humano, elaborar produtos assim nem seria cogitado.

  2. Cara, na realidade a internet não é lugar para criança pra falar a verdade. Pensa bem, nós já estamos preocupados com a nossa privacidade, imagina uma criança com menos de 13 anos. A responsabilidade é totalmente dos pais, ele está totalmente correto. A internet não é um lugar saudável para deixar suas crianças, principalmente sem supervisão.
    Eu deixo minha bebê de 2 anos totalmente desconectada, sem telas, que é bem difícil nos dias atuais, mas olha, se você for fazer várias atividades, como a minha filha que geralmente fica desenhando ou brincando com suas bonecas no quarto, meio que vira um hábito, sabe. Na hora de dormir, vamos ler alguma coisa pra ela no Kindle ou em algum livrinho que ela tem.

  3. Por um lado, até faz algum sentido

    Mas na prática ele só quer tirar a responsabilidade dela da reta.

    Honestamente, vou falar para todo mundo deixar o Roblox, não apenas pelos problemas, mas pelo dono se provar um babaca.

    1. Bem isso mesmo.

      Ele falar esse tipo de coisa é mais ou menos o mesmo que as empresas de bebidas alcoólicas dizerem “Beba com moderação” (nota que elas são obrigadas a fazerem isso). Ambas dizem isso na tentativa de se isentarem de qualquer responsabilidade, quando ocorre algum caso extremo provocadas pelo produto.

  4. Entendi a comparação, mas acredito que seja infeliz, visto que o vício em bebidas acloolicas é químico.

    Um vício em cassino e em apostas é mais relacional.

      1. Falando como leigo também, creio que o que o André quis dizer é que a bebida possui um componente “material” que é o que provoca diretamente a dependência em si (o álcool, assim como as drogas e o cigarro, por exemplo). Enquanto que, com cassino e apostas, o componente é mais “comportamental” mesmo, assim como o Roblox. No entanto, não sei se concordo muito com isso, pelo que já li sobre o assunto, em ambos os casos, o efeito no cérebro é o mesmo (ou similar).

        1. Sim pela parte de ser material vs. imaterial.
          Isso, entretanto, não diminui um em relação ao outro. O vício em jogo e apostas pode ser tão ou mais perigoso.
          A USP, por exemplo, já tem laboratório que trata somente desses vícios e é algo que tem crescido em ritmo assustador no Brasil.
          Há vários podcasts com capítulos interessantes tratando sobre o tema.