O CEO do Duolingo, Luis von Ahn, quer te viciar em aprender

É sempre bom ouvir um executivo que abre números. É o caso desta entrevista com Luis von Ahn, fundador e CEO do Duolingo, a Nilay Patel no podcast Decoder.

Separei alguns destaques da conversa, começando pelos referidos números que chamaram a minha atenção:

  • Os anúncios chatos da versão gratuita do Duolingo respondem por menos de 10% do faturamento. São as assinaturas, que ~10% dos usuários ativos pagam, que sustentam o negócio com ~80% do faturamento. Para Luis, os anúncios “são um bom motivo para as pessoas assinarem”.
  • Apenas 20% dos usuários são estadunidenses. (O Duolingo é uma empresa sediada nos EUA.)
  • O inglês é o idioma mais estudado, por 45% da base de usuários, seguido pelo espanhol e o francês.

Outras curiosidades:

  • O app para iOS é priorizado. O do Android costuma estar entre 6 meses e 1 ano atrás em recursos. Luis diz que há mais desenvolvedores especializados em iOS e é mais fácil desenvolver para a plataforma da Apple, mas que dinheiro também é um fator: o faturamento “per capita” no iOS é quatro vezes maior que o do Android.
  • Apesar disso, a base de usuários Android é maior (60% contra 40% do iOS), em especial no resto do mundo (leia-se: fora dos EUA).
  • Luis pontua, porém, que a principal correlação com usuários pagantes está no país onde moram. “Uma pessoa com um emprego bom e estável em um país rico […] é quem paga pelo Duolingo.” Esse pequeno público (~10%) meio que subsidia o serviço para o resto do mundo.
  • Vencer a alta tolerância de países subdesenvolvidos a anúncios é um desafio para o Duolingo aumentar a receita além dos países ricos. Luis cita a Netflix como um exemplo nessa frente.

A conversa também passou pelo uso de IA generativa no ensino de idiomas. Luis diz que, embora as pessoas manifestem o desejo de treinar o idioma com outros seres humanos, na prática poucos querem isso por vergonha/timidez.

É aí que entram os grandes modelos de linguagem (LLMs), recurso do Duolingo Max, uma assinatura mais cara do serviço.

Os principais problemas dos LLMs, como a tendência a inventar coisas — que arruina sua aplicação em cenários onde precisão é imprescindível —, são ignoráveis na prática da conversação. Se uma personagem do Duolingo inventar alguma coisa durante uma conversa, não há prejuízo ao estudante porque o assunto é só uma desculpa para praticar o idioma.

Há outros bons momentos na conversa, como o foco quase obsessivo do Duolingo com design, a mensuração (meio furada) que atesta que a metodologia funciona e as motivações por trás da gamificação e dos apelos do mascote para que os usuários mantenham a sequência. Se o seu inglês estiver em dia, vale a audição. / theverge.com (em inglês)

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14 comentários

  1. Passei a usar o duolingo para ter uma métrica de constancia no estudo do ingles para pedir aumento. Estou com uns 200 dias de ofensiva e digo que no inicio era MUITO chato, muito repetitivo, e hoje cheguei em um nível que realmente começou a me ajudar. Já cogitei assinar algumas vezes, mas como diz a matéria, somos altamente tolerantes a anúncios.

  2. Uso muito o Duolingo, atualmente fazendo curso de espanhol já que abandonei as tentativas de eprender inglês por enquanto, e acho que ajuda muito nas constância em ter um contato com o idioma. Também é uma boa a pessoa estudar em conjunto com outro método mais profundo.

    Não sabia da disparidade do IOS com o Android, um pouco chato isso, mas é uma empresa acima de tudo e claro vai priorizar o faturamento.

  3. Dou 1000 pontos de XP para quem acha uma boa usar os usuários mais abonados para subsidiar os outros!

  4. Eu e minha esposa adoramos e assinamos o Duolingo, e já fazemos há anos.
    Realmente não tem muito foco na gramática, mas volta e meia complemento isso caçando alguns vídeos no YouTube.
    Fiz o curso de francês inteiro por lá (em inglês, que é mais completo), e quando fui prosseguir meus estudos na Aliança Francesa deu pra pular os três primeiros semestres e quase o quarto, o que achei satisfatório.
    Agora estou quase terminando o curso de grego e me divertindo bem com os novos cursos de matemática e música.
    (Quem faz pode me adicionar lá, @RykBispo)

  5. Pra mim o Duolingo é legal porque permite algo realmente casual, 15 a 30 minutos no dia.

    Mesmo lendo artigos em inglês diariamente e com uma aula de conversação semanal, notei que essa prática diária, por mais “boba” que seja, faz muita diferença quando preciso escrever ou falar.

    Todas as vezes que paro de usar, fico realmente pior. Ainda não consegui incluir na minha rotina uma forma mais “séria” de estudar, então é o que tem pra hoje.

  6. Pra mim, esse negócio de transformar em videogame é o que me deixa de saco cheio. Experimentei por uns dias e não aguentei. Consigo apontar dois sentimentos em relação a isso. Há a impaciência e me sentir tratado como idiota, que vêm da sequência de pequenos desafios e pequenas recompensas, no lugar de informações mais complexas, desafios mais difíceis e doses de dopamina menos constantes, porém mais intensas.

    Acho curioso por só ouvir elogios a esse método. Quem faz, adora e tem ótimos resultados.

    1. Uso o Duolingo há tempos, e na minha viagem para os Países Baixo me ajudou demais. Se focar na gameficação, vai ter essa sensação.

    2. Eu entendo essa sua frustração, mas talvez quem aprenda por lá quer justamente esse aspecto mais casual da coisa. Eu por exemplo, faço espanhol, não tenho nenhuma pretensão em estudar mais formalmente o idioma, só quis conhecer mesmo, pra falar um pouco menos de portunhol com os amigos latinos. Considero excelente para um iniciante, mas pra quem tem interesse em aprender melhor a gramática, aí esses métodos ficam devendo mesmo.

  7. Entendo, mas discordo um pouco do título e do comentário do Eric abaixo.
    Há, sim, um aspecto de “vício” no método utilizado pelo Duolingo, mas justamente seu modelo de gamificação é algo muito elogiado, estudado e discutido por inúmeras publicações.
    Mas há um degrau entre a metodologia da gamificação e o vício em si. Que o CEO do app vislumbra o “vício”, talvez sim – não ouvi a reportagem completa. Mas o método enquanto incentivo para que o usuário aprenda coisas novas, eu vejo como muito válido.
    Tenho uma filha de 11 anos que, embora já tenha concluído o Inglês em uma escola do Inglês, gosta bastante do Duolingo e vejo a contribuição que o Duolingo tem para agregar vocabulário para ela.
    Em tempo, ela também usa a versão paga e, para quem quiser explorar o app, no iOS/iPadOS tem curso de matemática, extremante bem bolado! E, se não me engano somente no iPadOS, tenho música agora também. Ela adora!

    1. No Duolingo para Android também tem curso de música e matemática. Entrou há um mês aproximadamente. No geral gosto muito do Duolingo, estou até fazendo espanhol. Mas particularmente não gostei do curso de matemática, é só aritmética básica e representação numérica, bem limitado.

      1. Ele cita os cursos de matemática e música na entrevista, e os dá como exemplos da disparidade entre plataformas: ambos saíram primeiro no iOS, há cerca de um ano.

  8. Engraçado, eu voltei a usar o Duolingo há quase 2 semanas, depois de uns anos sem. Me chamou atenção de como as propagandas agora são unicamente sobre a assinatura (que encheu tanto o saco que aceitei fazer o teste de 14 dias kkk). O formato de gameficação funciona, mas desde que acabei o último módulo de inglês, ficou bem mais chato/pouco motivador. Também lembrei, nessa retomada, de como ele não é um app bom pra aprender as regras gramaticais de verdade.

    E não sabia dessa defasagem absurda em comparação ao IOS 🙄 me fez lembrar do speechfy, que fazem exatamente a mesma coisa.

    1. Há alguma outra opção de app que seja melhor nessa parte da gramática em si?
      De fato, o Duolingo foca bastante em vocabulário mesmo.

  9. É um pouco triste pensar que grande parte das redes hoje em dia estão focando todos os seus esforços no vício. É cansativo… e adoece.