O que tem no seu celular, Eduardo?
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Qual o seu nome e o que você faz?
Eduardo, 29, sou aficionado por tecnologia de consumo, seus reflexos e impactos na vida privada e em sociedade, os mercados que ela cria e destrói, as artimanhas das empresas e consumidores.
Quando criança era entusiasmado com o futuro em geral, mas depois de NFT, multiverso, criptos, IA e outros cavaleiros do apocalipse, hoje não poderia estar menos confiante. Profissionalmente me encontrei na grande área da gestão empresarial, projetos, processos e liderança.
Qual celular e sistema operacional você usa?
iPhone 15 com iOS 18.5.

Nota do editor: A entrevista foi feita em julho, antes do lançamento do iOS 26.
Fale um pouco do seu papel de parede.
Sempre busco por temas naturais que combinem com a cor e acabamento do aparelho. Por muito tempo usei os dispositivos sem capinha ou qualquer proteção e, nessa, peguei gosto por quando o software e o hardware parecem se integrar (visualmente). Após às 21h, o foco “Sono” é ativado automaticamente, trocando o papel de parede e silenciando qualquer notificação.
Gosto muito da integração entre as plataformas Apple, porque o modo Sono é ativado automaticamente no iPad e no Mac também, onde também foi configurada a troca das imagens de fundo — o que me ajuda a entrar no estado psíquico de desconexão.
Por que a sua tela inicial é do jeito que é?
Considero minha tela inicial como um manifesto à simplicidade, no qual, dentro das limitações do iOS, montei meu próprio sistema de uso baseado quase que inteiramente no recurso Spotlight [busca].
Nesse sentido, encaro ele quase como a “omnibox” que o Chrome inaugurou. Tudo está lá: um app, um endereço no mapa, contatos, musicas, opções no app Ajustes, definir um timer, pesquisas na web… Com o adicional de que ocasionalmente ele me lembra de algum aniversário no dia ou alguma tarefa que deixei no app Lembretes. Então tirando a Dock, com o Telefone, WhatsApp e Apple Music, não há nenhum outro ícone (propaganda) oferecendo gatilho para interação ou telas laterais que não sejam as sistêmicas.
Esclarecimento sobre os apps no dock:
* Mantive o Apple Music fixado porque a experiência no Carplay é ruim/limitada e a Siri não compreende tão bem o nome de todos os artistas e faixas, então considero importante ter acesso rápido e fácil para trocar uma playlist ou álbum “on the go”.
* O WhatsApp tem o seu lugar na Dock por, infelizmente, ser o app mais utilizado, então deixá-lo fixado minimiza a “resistência” do acionamento ativo pelo Spotlight, que nesse caso em específico se provou cansativo na dinâmica do dia a dia.
* E mantenho o Telefone por simples questão estética — me parece algo tão natural ele sempre estar no canto inferior esquerdo, como se o projeto divino fosse esse, e depois de tantos anos se tornou uma memória muscular forte para emergências e outras situações.
Qual é a dos widgets?
Deixo alguns widgets na gaveta à esquerda, sendo dois do calendário (um com a visão de eventos e outro com a visão do mês), a previsão do tempo e bateria. À direita fica a lista de apps nativa, no melhor estilo Windows Phone (morro de saudades).
Depois que ativei a otimização de armazenamento, parei de meu preocupar com apagar apps. O sistema sozinho desocupa espaço no dispositivo caso o app fique algum tempo sem uso e tudo funciona tão bem que mesmo apps que o sistema já limpou são instalados quase que de imediato quando solicitados, com pouca ou nenhuma espera ou (re)configuração.
Quais os aplicativos que você mais usa?
Os aplicativos mais usados são o WhatsApp (inevitável e infelizmente) e o Safari.
Desnecessário explicar a amplitude da plataforma da Meta no nosso contexto social e as reverberações disso.
Já sobre o Safari, é o local onde checo diariamente os portais que acompanho, então acabo gastando boa parte do tempo de uso nele.
No restante, diria que, ao contrário de muitos, me tornei entusiasta do “não uso” do celular. Como mencionei, estou numa temporada de descrença com a tecnologia e nos últimos anos enxerguei o quão deselegante é o modo como as pessoas em geral se rendem à tela em qualquer situação mínima de espera. Observe na academia, no mercado, em qualquer fila, ou até mesmo ao usar o banheiro — as pessoas sempre vidradas em seus aparelhos. Há algum tempo, tenho evitado ao máximo pegar o celular quando não for explicitamente necessário e passei a concentrar o meu consumo de conteúdo a janelas bem específicas ao longo dia, de modo que eu não tenha brechas para exceder.
Com isso passei a observar mais os lugares aonde vou, as pessoas com quem estou e as situações que estão acontecendo, e posso dizer que é uma experiência transformadora ver o quanto o céu está bonito na maioria dos dias, ou qual é a cor dos olhos das pessoas etc. Como nem tudo são flores, diria que, para mim, foi como começar a tomar café sem açúcar: no começo é horrível, com o tempo o incômodo vai se atenuando e, quando você menos espera, já nem sente mais falta.
Qual o aplicativo mais obscuro/estranho/surpreendente que você usa e gostaria que mais gente conhecesse?
Não necessariamente um app obscuro, mas uma anedota que eu gostaria que mais pessoas conhecessem envolve a minha escolha de streaming de musica. Comecei a usar o Spotify por volta de 2016. De lá para cá, vim cumulativamente percebendo uma certa degradação na escuta. A audição sempre foi um ponto muito importante para mim, uma fonte genuína de prazer e entretenimento e, por isso, além de usar as melhores configurações de áudio disponíveis e bons dispositivos, sempre zelei bastante por ela. Não frequento lugares com som alto, nos fones de ouvido não ultrapasso a metade da barra de volume, priorizo o silêncio à musica (ou qualquer outro som) como ruído de fundo… E mesmo assim, as faixas já conhecidas tinham frequentemente menos e menos camadas, a nitidez do som também cada vez menor e, já no final de 2023, comecei a ficar desesperado com meu suposto avançado estágio de perda auditiva antes dos 30 anos.
Fui ao médico e realizei todos os exames possíveis, da impedância auditiva à tomografia para verificar perda de massa encefálica. Nada foi encontrado. Testei ouvir as mesmas faixas em outros dispositivos, usando outros acessórios de amigos, trocando combinações. Nada também. Já em estado de luto e ainda em negação da minha condição, passei cerca de um mês testando qualquer possibilidade que passasse pela cabeça, quando um belo dia notei que o meu consumo de áudio se dava principalmente pelo Spotify e todos os testes que fiz eram com essa mesma fonte.
Buscando alternativas, ativei o teste grátis do Tidal e Apple Music. Para a minha surpresa, todos os detalhes das musicas estavam lá, as múltiplas camadas em boa definição, os graves e agudos proporcionais, vocais claros, mas principalmente o silêncio entre uma nota e outra — algo que há muito não ouvia.
O Spotify parece carregar todas as faixas com um ruído branco, além de, talvez para “dar mais emoção”, ter o volume padrão acima de outras fontes. Como já era assinante do iCloud, a mudança para o Apple One saiu elas por elas e acabei ficando com o Apple Music. No fim do dia, o que eu gostaria que mais gente conhecesse é a recomendação geral por testar outros serviços de música ocasionalmente.
Baseado no seu relato sobre o streaming de música, eu me identifiquei com a mesma questão.
Mas a minha troca foi para o YouTube Music.
Eduardo, gostei bastante da ideia de tela inicial com “omnibox”. Como você conseguiu criar uma tela sem ícones no iOS?
Deixo os apps na segunda página em diante, e oculto todas elas – para isso, no modo de edição de apps na tela inicial (jiggle mode, em que todos os ícones ficam chacoalhando) basta clicar naquela barra com pontos (que marca as páginas), entre a última linha de apps e o dock, lá fica a opção de ocultar páginas. O recurso Foco também permite ocultar páginas diferentes quando ativado.
sobre a parte do áudio, depois daquele teste que o MDU postou um tempo atrás, eu parei de me preocupar com a qualidade do som. é quase imperceptível e, pra mim, a diferença não justifica o stress e tempo de procurar fones melhores, dacs, pagar serviços caros ou gastar com armazenamento flac etc.
Aquele teste era só um comparativo de bitrate, a quantidade de dados que teria naqueles arquivos, e a capacidade do ouvinte de perceber alguma perda.
O Eduardo tá trazendo outra questão, que ele percebeu a masterização do spotify sendo diferente de outros serviços. Nesse caso, não é a quantidade de dados, mas que os dados são diferentes.
Isso é normal. Uma faixa de música é mixada uma vez só, mas é masterizada para cada mídia onde vai ser lançada, pra adequar às características daquela forma que vai ser tocada. A distribuidora faz uma pro CD, outra pro LP, outra pra distribuição online; o DJ faz pra festa; e o serviço de streaming faz a dele ao seu gosto.