O que tem no seu celular, Carlos?
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Qual o seu nome e o que você faz?
Carlos, desenvolvedor de software mais voltado à infraestrutura e adepto de reflexões tecnológicas.
Qual celular e sistema operacional você usa?
Motorola Edge 50 Neo com Android 15 (stock).

Fale um pouco do seu papel de parede.
O papel de parede foi gerado por IA. Eu pedi algo como “gere uma imagem da fusão turbulenta de um fluído vermelho e outro amarelo” e, de todos os resultados, esse foi o que mais gostei.
Por que a sua tela inicial é do jeito que é?
Eu sempre gostei de ter o que é mais usado em uma tela só e fico apavorado com páginas demais. Acabo agrupando tudo em pastas, de acordo com o que mais uso.
Qual é a dos widgets?
O único widget da minha tela inicial é o relógio circular da Motorola, com a hora e a previsão do tempo. Gosto dele pela apresentação bem elegante.
Quais os aplicativos que você mais usa?
A começar pelos navegadores, Firefox Focus para todo link que eu recebo, e Firefox Beta para as páginas mais permanentes.
Em redes sociais, uso mais o Reddit e um pouco menos o Imgur.
Para multimídia, assisto vídeos pelo Newpipe, porque acho o aplicativo oficial do YouTube inutilizável pela quantidade abusiva de anúncios. Ouço música pela Deezer (que está incluída no meu plano da operadora) e as coisas mais exóticas ouço pelo Auxio.
Mensagens. Essa coisa intrusiva. Uso mais o Telegram, embora ande meio decepcionado com ele já tem uns anos, e o Signal, mas também ainda sou usuário de SMS, que uso o aplicativo padrão, desabilitando alguns recursos como RCS ou integrações com o Google.
Vale citar dois que não uso: Instagram e WhatsApp. Acredito que a Meta é a principal contribuinte para a devastação da internet e me recuso a fazer parte disso. Vindo de alguém como eu, que me acho meio refém do Google. Enfim, hipocrisia, eu sei.
Qual o aplicativo mais obscuro/estranho/surpreendente que você usa e gostaria que mais gente conhecesse?
Binary Eye . Eu sei que o aplicativo da câmera lê QR codes, mas este é muito mais enxuto, rápido, prático e funcional, e, principalmente, não sai fazendo coisas sozinho. Ele lê o QR code (ou outros formatos de código de barra), apresenta o resultado e então você decide o que quer fazer com ele. É bem útil para pessoas como eu, que gostam de entender o que tem em cada QR code ou mesmo fazer engenharia reversa. E também permite gerar QR codes ou outros códigos de barra.
Por fim, algum recado, orientação ou observação?
Player’s Bank. Ah, bancos. Eu me tornei adepto do aparelho secundário com as contas de banco sérias (e outros aplicativos), o qual fica trancado em uma gaveta e em modo avião. Neste aqui eu apenas possuo o meu saldo para sair na rua, uma quantia de dinheiro para pagar um restaurante ou alguma compra rápida no Pix. E, claro, sendo paranoico com segurança, é um aplicativo que não tinha funcionalidades de empréstimo, cartão de crédito ou outras “facilidades” que eu poderia ser forçado a usar sob ameaça.
Esse aplicativo era muito bom, rápido e responsivo, mas há pouco mais de um mês o Banco Laranjão o transformou em mais um aplicativo de bancão. Sorte que eu não tenho crédito com eles, por isso continuo usando ele na rua até hoje porque a maioria das funcionalidades não está habilitada.
Aceito, porém, sugestões de contas digitais que funcionem como uma carteira; simples, sem penduricalhos. Imagino que os bancões evidentemente não queiram uma coisa tão conveniente, porque para eles deve ser mais lucrativo vender “seguro Pix”.
curioso o de banco não conhecia
Oi Carlos
Como vc deixou as coisas do tempo assim tudo separadinho? (uv, qualidade do ar, possibilidade de chuva…) ? Tentei aqui e fracassei, uso o mesmo widget, conte-me
Grata
Olá. Esse daí descobri meio que na base do easter egg: com a tela do celular em modo trancado antes de pedir a digital, clica e segura no horário grande do meio da tela e vai aparecer um botão “Personalizar tela de bloqueio” . Clica nele, e vai pedir para destravar e então ele abre o modo de edição da tela, e um dos estilos do relógio é esse com os detalhes do clima.
Oi Carlos! Caramba, fico feliz quando encontro pessoas como você, que também não usam WhatsApp e Instagram, estamos juntos! Também uso SMS e sou esperançosa que um dia o mundo vai usar mais SMS (o que também será infernal), e, claro, falar ao telefone! Mas, fiquei curiosa: como lidar povo perguntando as razões de não usar o (maldito) ZAP? Sucesso para você!
E vc, Keli, como lida quando perguntam pq não usa o whatsapp?
Como vocês lidam com serviços que acabam só usando o WhatsApp.
Isso me lembrou que ontem estava assistindo um vídeo do Clovis Barros filho e ele disse que quase não entrou num prédio na faria lima, pq ele tinha que receber um QR code no whatsapp pra entrar no prédio, mas ele não usa whatsapp
Isso devia ser proibido.
Ifood mesmo me tirou a oportunidade de pagar taxas abusivas para eles ou deixá-los explorar o trabalhador, depois de passar a fazer a verificação do número apenas por Whatsapp.
Já teve um provedor de internet que eu deixei de contratar porque o atendimento era só por Whatsapp. Ironicamente meses depois de renovar o contrato com o meu provedor atual, me ligaram falando que o bot deles não conseguia me colocar em contato com o setor de vendas deles.
Oi Keli. Estamos aí no bonde da galera que recebe olhar feio quando pedem nosso Whatsapp, mas eu tenho vivido bem sem ele, pessoas próximas se acostumaram, e no geral todo mundo compreende bem.
Quando me perguntam porque não uso, acabam recebendo uma palestrinha de brinde de porque o Whatsapp expõe a gente de um jeito que eu não me sinto confortável: alguém te manda uma mensagem, e quer sua atenção toda por ali, ou pior, fica mandando mensagens intermináveis de áudio. Ou ainda gerente de banco ou vendedor que quer mandar coisa séria por ali. E o pior de tudo, golpistas, porque vejo que é uma enxurrada interminável de mensagem de golpe, tigrinho e outras pragas digitais modernas. Até coisas de governo migrando para Whatsapp e se enraizando por lá me deixam muito perturbado em como a internet e a telefonia móvel estão virando apenas esse aplicativo do logotipo verde.
Me dei mal no começo do ano e confesso que fugi à regra, que me matriculei para um curso e o professor mandava o link das aulas (pelo Zoom) pelo Whatsapp. Nesse caso, comprei um chip, habilitei, e coloco crédito a cada 4 meses para não perder o número. Claro que a linha e o aplicativo ficaram em um aparelho bem antigo, e só uso pela web quando preciso e quase ninguém tem o número.
Oi, Carlos, ou pessoal, desculpe a demora! Vou responder tudo por aqui.
Estou vivendo esse “drama” na pós, que fiz EaD: agradeço demais aos colegas que me ajudaram, mas ainda tô nuns dilemas com a coordenação por causa desse app!
Deu sorte, Carlos, porque a maioria dos parentes não me compreende, rsrs! Brincadeiras à parte, ainda há pessoas que se admiram e respeitam a minha opção, então muita coisa eu resolvo por e-mail (sim, reuniões se resolvem por e-mail), via Zoom ou Meet (do notebook), SMS ou telefonando mesmo (e olha que eu nem gosto muito de falar ao telefone).
Sobre serviços que só é por whats, bem provável que eu não use – até porque não houve outra alternativa, ou seja, não haveria esse primeiro contato.
O dentista, exames e médico, por exemplo, têm atendimento telefônico/site, então as atendentes me telefonam do fixo (sim, tenho telefone fixo, mas por causa de minha mãe, que, pasme, não tem celular!), mesmo sabendo do móvel.
O problema não é o não usar, mas a sensação de culpa, de julgamento e de obrigatoriedade, isso é o que machuca. Sei que é pesado utilizar o termo “machucar”, mas admito que é o que sinto.
E, claro, tem as consequências: já perdi oportunidades de trabalho, contatos com pessoas (mas quem quer manter, tem o meu Linkedin), enfim, são inúmeras histórias que dariam um post imenso aqui. E, sim, muitas vezes me sinto prejudicada e culpada por isso.
Muitos acham que sou “antissocial”, mas na real, é esse mecanismo que deixou a humanidade assim, penso eu.
Mas não fico me justificando, digo apenas que não tenho, se é possível a ligação/e-mail, se há outras alternativas. Se levo uma bronca como resposta, a pessoa fica no vácuo, cansei de dar palestra sobre isso, confesso!
Também têm outras coisas que não uso: aplicativos de corrida, comida, enfim, não tem nada instalado no meu celular.
Não sei até quando, mas enquanto eu puder manter esse meu jeitão meio doido de conviver com tecnologia, vou me manter assim.
Obrigada, gente!