Se um podcast é baixado e ninguém o ouve, ele tem audiência?
O digital promete ser possível mensurar qualquer coisa com precisão cirúrgica, resultando em maior eficiência nos gastos, ou seja, em economia. Mesmo quando os números existem e o investimento é satisfatório, porém, é bom encarar esse arranjo com algum ceticismo.
Em setembro de 2023, uma mudança sutil no aplicativo de podcasts da Apple, padrão no iOS, reverberou tão forte que sacudiu toda a indústria.
A fim de preservar espaço na memória do iPhone, o app Podcasts parou de baixar novos episódios de programas que a pessoa “segue”, mas que deixou de ouvir (os últimos cinco episódios por mais de 15 dias).
Em janeiro, site Semafor falou com gente da indústria, espancou alguns números e concluiu que o impacto na (suposta) audiência dos maiores podcasts estadunidenses chegou a reduções de até 40%.
Nesta terça (23), o Audioboom Group, uma editora de podcasts, reclamou que a mudança no app de podcasts do iOS causou uma redução de 24,7% em reproduções de episódios (de 125,9 milhões para 94,8 mi) e a perda de US$ 9 milhões em faturamento no segundo semestre de 2023. (Apesar disso, a receita total e o custo por mil audições subiram.)
Mais do que dificultar a vida de quem vende publicidade em podcasts, a situação questiona o próprio conceito do que seja a “audiência” de podcasts.
Se um episódio é baixado, mas nunca ouvido, ele conta como audiência?
Isso vale para tudo que envolve números no digital. Inclui-se nesse grupo também os inscritos em newsletters (quantos não abrem uma edição há meses?), seguidores em redes sociais (qual percentual deles abandonou a rede ou… sei lá, morreu?) e visitantes de sites (são robôs? De onde vêm? Quanto tempo passam no site? Lembram-se do site que acabaram de ver?).
Não dá para negar que números podem servir como parâmetro para popularidade e guia para a tomada de decisões. Em comparação e por médias, eles são úteis. O problema é quando os números passam a ser o único critério que importa.
Esse debate me lembra da minha infância nos anos 90 quando a TV da sala ficava ligada mesmo que não tivesse ninguém assistindo. Aquela TV contava nas métricas? (eu sei que não é assim que a métrica de audiência do Ibope funciona)
Tem um podcast de um amigo que baixo mas raramente ouço porque o assunto não me interessa tanto. Como a audiência desse podcast é na casa das centenas, eu faço o download automático como uma forma de “aumentar a audiência” dele.
Dito isso, concordo que contar somente os “plays” na métrica de audiência é uma forma mais justa de contabilizar essa métrica.
mas como vão contabilizar os “plays”? eu aposto que meu aplicativo não coleta esse tipo de dado. um Spotify com certeza coleta, mas um AtennaPod não
Uma maneira seria implementação de uma atualização do RSS que permitisse ter essa métrica. Acredito que se fosse implementado como protocolo aberto, os dados seriam mais anônimos do que no caso do Spotify e Apple Podcasts, que acabam por “controlar” o fluxo de dados de ponta a ponta.
Complicado, mas tem coisas que acumulo bastante para ouvir aos montes, estilo projeto humanos e rádio Novelo
Verdade, baixar é como ter propaganda na rua, muita gente pode ver, mas não necessariamente.
Já saber quem ouviu da mais precisão e previsão de efetividade de público
Esse recurso da Apple me fez desinscrever de vários podcasts que tinham ficado no meu feed. O iOS envia um aviso quando faz um tempo X que você não escuta o podcast (o aviso só aparece quando você abre o aplicativo de podcasts). Nessas eu fui desinscrevendo de vários podcasts. Hoje eu tenho dois do Nexo, Novelo e o Tecnocracia que são os que publicam com constância.
Depois tem o Pouco Pixel (vídeo-game antigo) e o Humanos, dos que que fazem temporadas.
E assim como a imensa maioria, eu só escuto em trânsito, cada vez mais raro com o Home Office.
Quando comecei no home office tambem tinha parado de ouvir podcast. Recentemente voltei a ouvir quando to limpando a casa ou tomando banho antes de iniciar o trabalho.
Resolvi passar a roleta do block no twitter, dando aquela limpada. Vi muito robô, contas abandonadas desde 2011!
Eu escuto podcast apenas quando estou dirigindo, nada a mais que isso. E precisa ser muito interessante ainda para me manter naquilo.
Obs: Primeira vez que acesso esse blog, achei ele por acaso no Google. Mas o mais impressionante é saber que é mantido por Rodrigo Ghedin e lembrar dos tempos do blog winajuda.com. Fui um usuário assiduo desde o começo do do blog, e também do tempo que o forum ficou online.
Diga adeus à sua tecla F1
Forte abraço
Um leitor do WinAjuda que se perdeu de mim desde aquela época? Taí algo que não se vê todo dia! Bom tê-lo por aqui, Fernando. Puxe uma cadeira, inscreva-se na newsletter e vamos conversar :)
Eu só costumo baixar um episódio quando vou ouví-lo em trânsito. Estando em casa eu não faço download de episódios. Só faço streaming. Minha lista de inscrição de podcasts é longa e tenho vários que não visito há muito tempo.
Pois é, isso é algo me incomoda há algum tempo. Acho que quantidade de seguidores um índice bem fajuto, penso que as curtidas são mais representativas.
Por exemplo, sigo canais do youtube que a meses não me interessam. Dizem que o youtube desinscreve mas nunca aconteceu comigo.
Eu acho que nem há controvérsia aí, visto que o download na Apple é depois executado dentro do próprio app e medido pela Apple tbm, não?
Antes havia um dado inflado artificialmente, foi corrigido e houveram consequências. C’est la vie.
Dito isso, se parece muito com os indicadores com que eu trabalhava na empresa em que sou empregado. Ao mesmo tempo que eu era encarregado de fazer sistemas de medição de performance, o meu time não pertencia aos times medidos, então rolava muito lobbying interno para que não existissem métricas ruins ou vermelhas. Uma métrica idealmente já nascia verde, e métricas vermelhas eram metralhadas em todo tipo de fórum. Reclamações de “não está medindo correto”, “o que está medindo não tem relação com o valor da empresa”, etc.
Conclusão: todos gerentes da minha área foram demitidos na reestruturação e sobrevivi por sorte :)
Gosto muito da Lei de Goodhart:
Será que também ñ foi demitido por sua competência?