Novidades e atualizações em aplicativos

A financeirização do Telegram continua forte, com “estrelas” (a criptomoeda disfarçada da plataforma) sendo enfiada em mais áreas do app. De resto, agora existem os “super canais” e o app do iOS ganhou um visualizador de documentos. / telegram.org

O app favorito dos pesquisadores, Zotero, ganhou “a maior atualização em 18 anos de história”. / zotero.org (em inglês)

O Google Meet ganhou uma nova interface, efeitos que podem ser somados e novas maneiras de iniciar chamadas. / blog.google (em inglês)

No TikTok, agora é possível criar grupos de mensagens com até 32 participantes. Mais um app de mensagens com grupos. Onde isso vai parar? / newsroom.tiktok.com

No Slack, que foi criado para mensagens em grupo, a notícia é de que “workspaces” gratuitos terão mensagens com mais de 1 ano excluídas a partir de 26/8. / slack.com

Pouco a pouco, o Threads vai ganhando cara de aplicativo da Meta. A rede ganhou uma aba de estatísticas, mais espaço para rascunhos e, em breve, agendamento de posts. / about.fb.com (em inglês)

Faz muito tempo que me perdi nas variantes de navegadores do Opera, o que não impede os chineses de continuarem lançando outros. Desta vez, é o Opera One para iOS. / blogs.opera.com (em inglês)

Dias agitados para os todo-poderosos de plataformas digitais com uma quedinha por conspirações.

De um lado, Elon Musk do X (antigo Twitter) divulgou um “deep fake” óbvio da nova candidata democrata à presidência dos EUA, Kamala Harris. Não que isso importe lá, mas o ato infringe os termos de uso do X.

De outro, Pavel Durov, CEO do Telegram, declarou ser doador de esperma e já ter mais de 100 filhos biológicos. O motivo do que ele chamou de “dever cívico” seria uma suposta “escassez de esperma saudável”, alegação que ele vincula a uma meta-análise de 2017 desbancada por outra pesquisa em 2021. Durov vai “abrir o código do seu DNA” (o que estou escrevendo!?) para facilitar que seus descendentes se encontrem. Imagine a frustração de descobrir-se filho desse maluco?

Se no Brasil as bets e o “jogo do tigrinho” tem causado estragos na cabeça e nos bolsos da população, no Irã o problema é o Hamster Kombat, um jogo vinculado a uma criptomoeda que roda dentro do Telegram.

Coincidência ou não, nessa semana Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, exaltou outro jogo do tipo, o TapSwap, segundo ele com 56 milhões de usuários “alcançados em apenas alguns meses sem qualquer publicidade”. Parece que o Telegram encontrou seu modelo de negócio.

Quem poderia imaginar que jogos de azar viciantes que prometem grandes fortunas sem esforço seriam contagiantes, não? Via Associated Press (em inglês).

Pavel Durov, CEO do Telegram, anunciou a “Telegram Stars”, uma moeda virtual, comprada com dinheiro de verdade pelos sistemas da Apple e do Google, para ser usada dentro dos mini-aplicativos da plataforma. Detalhe: só dá para sacar os “Stars” convertendo-os para a criptomoeda TON, dentro da plataforma Fragments. (Não pergunte, eu também não entendo direito.)

Como disse alguém no nosso grupo no Signal, Durov está convertendo dinheiro real em dinheiro de Banco Imobiliário que ele mesmo imprime — e ainda diz que vai subsidiar a taxa de 30% da Apple e Google, o que é fácil quando o único dinheiro de verdade na reta não é o seu.

Gênios (Durov e o leitor)!

De mudança para o Signal

Na quarta (29), migramos o grupo de bate-papo do Manual do Telegram para o Signal. Eis os motivos.

Aquele papo esquisito Pavel Durov, CEO do Telegram, atacando as mulheres do Signal e o próprio Signal, não me desceu bem. Não foi a única estranheza do projeto, que, por exemplo, desde sempre flerta com criptomoedas e esquema suspeitos envolvendo elas.

Em algum momento dessa semana, pensando com meus botões, lembrei-me que em fevereiro o Signal passou a ocultar o telefone de quem não te tem na agenda de contatos.

A obrigatoriedade de expor o telefone era um grande empecilho para a criação de grupos com desconhecidos e semi-conhecidos, como o do Manual, lá dentro.

Felizmente, não mais.

Nosso grupo de bate-papo — agora no Signal — é fechado para quem apoia o Manual. A assinatura custa a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano. (Sou suspeito a falar, mas mesmo eu, que não sou grande entusiasta de grupos em apps de mensagens, curto muito o nosso.)

Tenho pensado em como aplicativos de mensagens de texto, como WhatsApp e Telegram, se transformaram na UI/UX dominante para resolver problemas, organizar eventos, dialogar com empresas e outras interações sociais.

Há muitos méritos nesse paradigma; o maior deles, acho, a acessibilidade. Por outro lado, será que não estaríamos melhores lidando com mais interfaces, cada uma adequada à demanda em questão?

Ligações telefônicas, por exemplo, são mais humanas e mais eficientes para resolver mal-entendidos e pequenos gargalos no dia a dia. E-mail, fóruns baseados em tópicos, sites bem feitos para e-commerce… tudo isso caiu em desuso ou perdeu muito espaço para balões de texto e grupões no WhatsApp.

Esta entra para o rol das piores ideias em segurança digital: o Telegram está oferecendo assinaturas pagas em troca de poder enviar SMS de login (segundo fator de autenticação) a partir dos números dos usuários. Não se sabe em que países isso está ativo, só que é exclusivo do Android. De qualquer forma, se aparecer essa “oferta”, ignore — os riscos são enormes. Via @AssembleDebug/X (em inglês).

Pavel Durov, do Telegram, concede primeira entrevista desde 2017

Pavel Durov, co-fundador e CEO do Telegram, concedeu sua primeira entrevista desde 2017. Foi ao Financial Times (sem paywall), e tem alguns detalhes interessantes.

O Telegram já conta com 900 milhões de usuários, está faturando “centenas de milhões de dólares” e se prepara para abrir capital até 2026 — o prazo decorre da dívida, de US$ 2 bilhões, que levantou nos últimos anos junto a investidores para se capitalizar.

Em uma das matérias publicadas pelo FT, especialistas questionam se o modelo de negócios do Telegram, baseado em publicidade, poderia funcionar no ecossistema de moderação frouxa do aplicativo, visto hoje como uma espécie de “nova dark web” (sem paywall).

A outra fonte de receita do app, a assinatura paga Telegram Premium, ganhou um novo reforço dias atrás com a conta Business, que converte uma conta pessoal em profissional. (Coisa que no WhatsApp é gratuita.)

O Telegram Premium tinha 4 milhões de usuários pagantes em dezembro de 2023, quando o dado foi divulgado pela última vez por Durov.

Telegram-FOSS é um Telegram para Android sem código proprietário

Ícone do Telegram-FOSS: avião de papel dentro de um círculo azul.

Os aplicativos/clientes do Telegram têm o código-fonte aberto. Aproveitando-se disso, uma galera trabalha para criar uma versão FOSS do aplicativo, o Telegram-FOSS. (FOSS é a sigla em inglês para “software livre e de código aberto”.)

Há poucas diferenças no uso do Telegram-FOSS para o app oficial. No repositório do projeto, as alterações estão listadas. São, basicamente, remoções ou trocas de componentes não FOSS, ou seja, de código proprietário (coisas do Google, em resumo).

O único impacto perceptível é que, para receber notificações, é necessário deixar uma notificação persistente do Telegram-FOSS. Isso porque, desde o Android 8, o Google não permite que aplicativos rodem em segundo plano, o que obriga apps que queiram enviar notificações push que o façam pelo serviço do próprio Google.

Telegram-FOSS / Android / Gratuito

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