Chrome, Manifesto v3 e o fim da linha para a extensão uBlock Origin

O Google começou a desativar extensões do Chrome que dependem do Manifesto v2, especificação usada pelos desenvolvedores para acessar recursos do navegador web e obter permissões. Uma das afetadas é a popular uBlock Origin (uBO), que serve para bloquear anúncios, rastreadores e todo tipo de conteúdo indesejado.

O Manifesto v3, apesar das suas vantagens, descarta recursos de que a uBO depende para funcionar direito. O Google já avisou que todas as instalações do Chrome estarão livres do Manifesto v2 até junho de 2025.

Diante desse cenário, o que fazer?

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Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as referências ao compromisso em não vender dados pessoais no Firefox. No arquivo structured-data-firefox-faq.html, da sessão de perguntas e respostas, a pergunta (removida) “O Firefox vende seus dados pessoais?” terminava dizendo que “Isto é uma promessa”. A pergunta e a promessa já não constam no site.

Relacionado: Por que agora, Mozilla?

Por que agora, Mozilla?

A Mozilla apresentou termos de uso para o Firefox. É a primeira vez que o navegador tem um documento do tipo, incomum em navegadores FOSS. Os termos de uso vieram acompanhados de uma política de privacidade atualizada.

Em um adendo no blog onde anunciou a novidade, a Mozilla esclarece que a cessão de certos direitos e permissões, prevista nos termos de uso, não significa propriedade dos dados ou o direito de uso do que acontece no navegador fora dos casos previstos na política de privacidade.

Esse tipo de confusão é normal. Serviços web e aplicativos precisam dessa garantia para operarem com dados dos usuários.

A política de privacidade prevê diversos casos de uso meio decepcionantes, em especial os ligados à iniciativa de “links patrocinados” (ainda indisponível no Brasil) e que envolvem marketing de produtos e inteligências artificiais generativas.

É preciso reconhecer que os dois textos são legíveis, relativamente fáceis de entender por serem livres de “juridiquês”. Também é possível desativar a maioria das (todas?) opções mais invasivas.

Por outro lado, esse anúncio soa como uma contradição ao “ethos” da Mozilla, ou o que se pensa sê-lo; uma contradição com os ideais de quem está atento e se importa com a monopolização da web pelo Google/Chromium e tem, no Firefox, uma espécie de bastião da web aberta.

“Por que agora?”, a Mozilla pergunta no blog. “Embora tenhamos ao longo da história confiado em nossa licença de código aberto para o Firefox e nos compromissos públicos com você, estamos trabalhando em um cenário tecnológico muito diferente hoje. Queremos tornar esses compromissos abundantemente claros e acessíveis.”

É tudo uma questão de perspectiva, claro. Nesse “cenário tecnológico muito diferente”, acho eu que as práticas históricas da Mozilla no contrato com os usuários seriam mais importantes do que jamais foram. Seguir a manada e sujar-se com a publicidade programática acaba com os (poucos) diferenciais que o Firefox ainda sustenta.

Os termos de uso não alcançam o código do Firefox, o que significa que “forks”, navegadores alternativos baseados no da Mozilla, não estão sujeitos a eles. Recomendo o LibreWolf em computadores. O projeto tem por propósito oferecer um Firefox livre do braço comercial da Mozilla e que priorize a privacidade. (E já vem com a extensão uBlock Origin pré-instalada.)

O LibreWolf pesa a mão na privacidade, o que gera alguns transtornos em uso normal da web. Para evitá-los, recomendo desativar a proteção contra fingerprinting (RFP).

Para o Android, o IronFox é recomendado pelo pessoal do LibreWolf. Outra alternativa, menos focada em privacidade acima de tudo, é o Fennec, disponível na F-Droid.

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Apple Convites: A Apple lançou um app para agendar eventos. Todo mundo (até, veja só, quem usa Android) pode responder convites, mas para criar um evento tem que ter um iPhone e ser assinante do iCloud+. Acho que vai flopar. / iOS

Cryptomator 1.15.0: A janela principal ganhou um novo visual e a versão para Linux em AppImage não tem mais dependências. / Linux, macOS, Windows

Firefox 135: Traz novos idiomas no tradutor embutido e offline, e expande o novo leiaute da página de novas abas para o mundo todo (estava em testes nos EUA). A opção “Do Not Track” foi removida. / Linux, macOS, Windows

Instapaper 9.1: Agora funciona com sites que exigem login, consegue detectar paywalls e teve a tela de configurações redesenhada. / iOS

KTool: Serviço que envia artigos salvos da web para o Kindle. É pago, com 7 dias de testes. / Android, iOS, Web

le Chat: A Mistral, startup francesa de IA generativa, lançou seu app móvel. / Android, iOS

LibreOffice 25.2: Suporte ao ODF 1.4, melhorias na compatibilidade com arquivos da Microsoft e pequenas mudanças estéticas. Ah, e o aviso de que a próxima versão (25.8) não será compatível com os Windows 7, 8 e 8.1. / Linux, macOS, Windows

Mastodon Moderation: Um app para administradores de instâncias do Mastodon lidarem com tarefas de manutenção. É para pouca gente; coloco aqui mais a título de curiosidade. / iOS

Microsoft Teams: A Microsoft está testando uma espécie de LinkedIn interno para o Teams, com direito a posts, curtidas e o conceito de seguir/ser seguido. Nada é tão ruim que não possa piorar. / Todos os sistemas (infelizmente)

Opera Air: O primeiro (e provavelmente último, pois ???) navegador web do mundo “centrado em mindfulness”. / Linux, macOS, Windows

OnlyOffice Docs 8.3: Ganhou compatibilidade com arquivos dos apps de escritório da Apple (Keynote, Numbers e Pages), carimbos para *.pdf e outras novidades menores. / Linux, macOS, Windows

Tapestry: Virou moda esse tipo de app que agrega várias timelines em uma tela só, não? Este é da Iconfactory, responsáveis pelo finado Twiterrific. / iOS

O Marreta, quebrador de paywalls do PC do Manual, ganhou uma extensão gratuita para o Firefox para computadores (Linux, macOS e Windows). Após instalá-la, atalhos para abrir links no Marreta aparecem no menu de contexto (do botão direito do mouse) e em um ícone no menu de extensões. Clique em um deles para marretar o paywall. / addons.mozilla.org

A extensão foi desenvolvida pela Clarissa Mendes e tem o código-fonte disponível no nosso GitHub. A versão do Chrome será lançada em breve.

SingleFile salva páginas web em um arquivo

Ícone da SingleFile: folhinha azul com uma seta para baixo em um círculo amarelo.

O meu rol de extensões no navegador é bem enxuto, e a maioria delas roda em segundo plano; são do tipo “configure e esqueça”. A SingleFile é uma exceção.

A função dessa extensão é salvar páginas web. “Ok, mas o próprio navegador já faz isso”, você pode pensar. Sim, mas a SingleFile faz de um jeito melhor.

Como o nome entrega, ela salva a página toda em apenas um arquivo. Diferente do navegador, que salva um arquivo *.html e um diretório cheio de outros arquivos.

Além disso, a SingleFile tem alguns truques avançados:

  • Gera resultados mais fiéis, graças a algumas técnicas pouco ortodoxas no processo de cópia da página web, como converter imagens para o formato *.svg.
  • Permite salvar múltiplas abas de uma vez só. (Clique com o botão direito do mouse no ícone para acessar essas opções.)
  • Oferece a opção de anotar e comentar as páginas antes de salvá-las. (Esta opção também está no menu do botão direito.)

O mais legal? É uma extensão gratuita e praticamente universal, com versões para os principais navegadores do mercado, incluindo o Safari (iOS e macOS) e o Firefox para Android.

E se você for do tipo que vive na linha de comando, há uma ferramenta do tipo disponível.

Links para instalar: Chrome, Edge, Firefox, Firefox (Android), Safari.

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

alto.daily: Transforme uma tarefa recorrente do Apple Lembretes em um monitor de hábitos. / iOS, macOS

Cinnamon Desktop 6.4: O ambiente gráfico padrão do Linux Mint passa a ter, nesta versão, um tema padrão bem cuidado para quando usado em outras distribuições Linux. (O tema do Mint é outro, exclusivo.) / Linux

iCloud Passwords: A Apple assumiu a extensão das Senhas do iCloud para Firefox. Por algum motivo desconhecido, ela só funciona no macOS. / Firefox (macOS)

Telegram: O cassino online, digo, app de mensagens Telegram ganhou um programa de afiliados para miniapps, busca de figurinhas com IA (!?) e colagens nos stories. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

Trace: App gratuito e com a promessa de ser simples, o Trace te ajuda a entender o tempo gasto no uso do computador. / macOS

ungoogled-chromium: O macOS agora tem instaladores “notarizados” deste navegador, uma espécie de Chrome sem vestígios do Google. / macOS

Unhinged: App relativamente novo para registrar o humor. UI/UX super agradável, mas senti falta de estatísticas e correlações. É um dos do Marcel Wichmann, que tem outros igualmente adoráveis. / iOS