Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

Post livre #317

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

O ChromeOS como… porta de entrada para o Linux?

Praticamente todo ChromeOS atual tem suporte ao container Crostini; basta ligar e começar a usar. A história oficial é que o container Linux é para poder desenvolver em um Chromebook — o grande objetivo do Crostini sempre foi rodar o Android Studio em uma plataforma Google —, no entanto, é um distribuição Linux dentro de um container, o que significa que você pode usar o Crostini para… aprender Linux.

Usar o ChromeOS para aprender Linux faz todo sentido: o container Crostini é simples, leve, está bem integrado com o ChromeOS, roda apps gráficos sem grandes problemas, roda os apps de terminal que todo mundo gosta/usa/precisa e… bom, se você cometer alguma bobagem, basta destruir o container e recomeçar, sem precisar partir para medidas drásticas como a reinstalação da máquina.

Aliás, é possível usar o container Linux do ChromeOS não apenas para aprender Linux, mas também diversas outras habilidades computacionais que podem ajudar no campo de estudo ou trabalho — programação, operação de sistemas, operação de provedores de cloud (AWS, GCP, Azure) etc.

Pois é. Não tinha pensado nisso, mas fica aí a dica.


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Elon Musk vem ao Brasil encontrar-se com Bolsonaro

Elon Musk tem um encontro marcado com o presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (20), em São Paulo.

A agenda oficial, segundo o ministro das Comunicações, Fábio Faria, consiste em “tratar com o governo brasileiro sobre conectividade e proteção da Amazônia” — manobra em que o governo interferiu indevidamente na Anatel para acelerar autorizações no Brasil da Starlink, de Musk.

Segundo a Folha de S.Paulo, “empresários de diversos ramos, como telecomunicações, finanças e energia, também foram convidados a comparecer”, e assessores de alguns desses empresários temem que o encontro vire palanque eleitoral para Bolsonaro.

N’O Globo, Lauro Jardim, que deu a notícia em primeira mão, lembrou que Musk virou uma espécie de ídolo da extrema-direita desde que anunciou a intenção de comprar o Twitter. “O bolsonarismo espera que, com Musk no comando, o Twitter fique mais amigável à extrema-direita.” O negócio está “temporariamente suspenso” por iniciativa de Musk, que (supostamente) desconfia do volume de contas falsas na rede social. Via O Globo, Folha de S.Paulo.

quinta-feira, 19 de maio de 2022
Isso não era nem uma questão. Nunca foi. Temos que ter respeito pelas pessoas que trabalham com o cinema. E com isso quero dizer todas as pessoas, incluindo o pessoal que vende pipoca.

— Tom Cruise.

Durante a divulgação Top Gun: Maverick, no Festival de Cannes, Tom Cruise exaltou o cinema e disse que jamais permitiria que o filme estreasse direto no streaming.

“Sabe, eu vou aos cinemas até hoje. Entro na sala disfarçado e assisto aos filmes como qualquer um.” Via Folha de S.Paulo.

Cansado do Google, desenvolvedor do FairEmail encerra projeto

O desenvolvedor Marcel Bokhorst encerrou seu aplicativo para Android, o cliente de e-mail FairEmail, após acusar o Google de “sinalizá-lo falsamente como ‘spyware’”.

O FairEmail foi removido da Play Store e da F-Droid, não será mais atualizado e Marcel não prestará mais suporte aos usuários. “O Google venceu”, disse ele em um fórum de discussões ao anunciar sua decisão.

Em mensagens anteriores, Marcel reclama de decisões arbitrárias do Google na revisão de atualizações do FairEmail. O último problema foi a acusação de spyware. “De acordo com o Google, o FairEmail é um spyware porque envia a lista de contatos [do usuário].”

Nesta quarta (18), Marcel submeteu uma atualização do FairEmail removendo o recurso supostamente problemático. “Pode ser um choque, mas se não conseguir resolver isso com o Google, será o fim do projeto. Tentei dialogar com o Google várias vezes, mas eles não oferecem quaisquer detalhes do que o aplicativo está supostamente fazendo errado.”

Quatro horas depois, o desenvolvedor recebeu uma resposta padrão e escreveu: “Removi todos os meus aplicativos da Play Store e não darei mais suporte ou manutenção a eles. O Google venceu. Boa sorte.”

Os links, de fato, não funcionam mais. No site oficial do FairEmail, uma mensagem em vermelho diz: “Todos os meus projetos foram encerrados depois que o Google falsamente sinalizou o FairEmail como spyware sem uma oportunidade razoável de apelação. Não haverá mais desenvolvimento nem suporte.”

Além das rusgas com o Google, Marcel parece estar exaurido. Ele menciona, em uma das mensagens, que sua namorada está doente. Em outra, reclama (e classifica como “problema central”) o excesso de pedidos de ajuda dos usuários e os reviews negativos que seus aplicativos recebem, sem que o Google dê a chance de respondê-los.

Também se coloca como um problema, dizendo-se “um desenvolvedor velho e resmungão, que talvez devesse se aposentar”.

O FairEmail é (era?) uma referência em aplicativos de código aberto, padrões em algumas ROMs alternativas do Android, como o /e/OS.

Microsoft, enfim, apresenta o novo Outlook

Print do novo Outlook para Windows, com um e-mail aberto, demonstrando a integração com elementos do Loop.
Imagem: Microsoft/Divulgação.

Quase dois anos depois de apresentar uma visão da “evolução do Outlook”, a Microsoft, enfim, liberou o primeiro vislumbre dela na forma de um beta do novo Outlook.

A ideia é similar à do Google, embora a execução pareça um tanto diferente: transformar o Outlook numa área de trabalho, com várias ferramentas além do e-mail e calendário, como listas de tarefas e integração com elementos do Loop, o Notion da Microsoft.

O novo Outlook é um aplicativo, mas baseado em tecnologias web. Para testá-lo, é preciso ingressar nos canais beta (“Insider”) do Office. Via Microsoft (em inglês).

Safari não abre alguns sites e Mail não carrega imagens no macOS 12.4? Tente esta configuração

A Apple mexeu na configuração padrão do Safari no macOS 12.4. Estava perdendo alguns cabelos tentando entender por que ele não abria uma série de sites — notadamente, a versão clássica do Reddit — até descobrir isso.

A “culpada” é uma configuração do próprio Safari. Em Privacidade, o item Ocultar endereço IP de rastreadores vem ativado por padrão no macOS 12.4. Bastou desmarcá-lo para que os sites voltassem a abrir normalmente.

O mesmo ocorre no Mail, onde a opção se chama Ocultar Endereço IP. Por padrão, não carrego imagens/elementos externos ao abrir uma mensagem. Com essa opção ativada, quando clico no botão para carregá-los, nada acontece. Basta desmarcá-la para que o Mail volte a se comportar normalmente.

As duas opções do Safari e do Mail são versões restritas aos respectivos aplicativos da Retransmissão Privada, ainda em beta, que, segundo a Apple, “oculta seu endereço IP e a atividade de navegação no Safari, além de proteger seu tráfego não criptografado na internet. Assim, ninguém pode ver quem você é e que sites visita, nem mesmo a Apple”.

É uma espécie de Tor nativo, embutido no sistema, condicionado ao iCloud+, a versão paga do serviço de nuvem da Apple. Saiba mais aqui.

Na tela de ativação global do recurso, na área ID Apple, dentro das preferências do macOS, a Apple avisa que “alguns sites podem apresentar problemas, como mostrar conteúdo de região incorreta ou exigir passos adicionais para início de sessão”.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Apple e DuckDuckGo atacam modelo de negócio do Google em novos comerciais

Alguém poderia dizer que foi combinado (não parece ser o caso): com um dia de diferença, Apple e DuckDuckGo lançaram novas campanhas publicitárias nos Estados Unidos que atacam o modelo de negócio do Google, ou seja, a venda de dados pessoais via “leilões” de anúncios.

Na peça do DuckDuckGo (acima), um homem com uma camiseta do Google aparece ao lado de pessoas mexendo em seus celulares, observando o que se passa na tela. Ao fundo, toca Every breath you take, do The Police, que no refrão diz algo como “eu estarei de vigiando”. (Nunca havia reparado que essa letra é meio… assustadora?)

Pelo Twitter, o DuckDuckGo informou que o comercial será veiculado em +5 mil rádios norte-americanas e, em vídeo, em plataformas de streaming e na TV, em horário nobre e nos intervalos dos jogos da NBA e MLB (beisebol).

A da Apple mostra um leilão tradicional dos dados pessoais da Ellie, personagem do filme. Ao final, quando ela começa a ativar os recursos de privacidade do iOS, seus dados pessoais (representados fisicamente), os participantes e até o leiloeiro viram pó. Via @DuckDuckGo/Twitter (em inglês).

TSE formaliza acordo com Telegram e estreia canal oficial no app

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Telegram oficializaram, em sessão plenária nesta segunda (16), um acordo contendo diversas ações para combater a desinformação eleitoral na plataforma. Leia a íntegra do memorando de entendimento (PDF).

Edson Fachin, presidente do TSE, destacou durante a sessão plenária que este é o primeiro acordo do tipo, com um órgão eleitoral, que o Telegram celebra no mundo.

O acordo prevê a criação de um canal do TSE no Telegram (@tsejus, já no ar), de um robô tira-dúvidas (similar ao do WhatsApp), um canal extrajudicial de denúncias para uso do TSE e novos alertas de conteúdo falso em publicações na plataforma. Via TSE, O Globo.

🔗 Compartilhamento de dados do Google é assustador

Compartilhamento de dados do Google é assustador, por Parmy Olson na Bloomberg Línea:

Cada vez que você abre um aplicativo em seu telefone ou navega na web, um leilão pela sua atenção acontece nos bastidores, graças a um próspero mercado de dados pessoais. O tamanho desse mercado sempre foi difícil de definir, mas um novo relatório do Conselho Irlandês para as Liberdades Civis, que faz campanha agressiva há anos nos Estados Unidos e na Europa para limitar o comércio de dados digitais, agora trouxe um número. O relatório, que o conselho compartilhou com a Bloomberg Opinion, afirma que as plataformas de anúncios transmitem os dados de localização e os hábitos de navegação de americanos e europeus cerca de 178 trilhões de vezes por ano. De acordo com o relatório, o Google transmite o mesmo tipo de dados mais de 70 bilhões de vezes por dia em ambas as regiões.

É difícil para os humanos visualizarem esses números, mesmo que as máquinas os calculem confortavelmente todos os dias – mas se o uso de nossos dados pessoais pudesse ser visto da mesma forma que a poluição, estaríamos cercados por uma névoa quase impenetrável que fica mais espessa à medida que interagimos com nossos telefones. Quantificando de outra maneira: por meio de atividade online e dados de localização, uma pessoa nos EUA é exposta 747 vezes por dia a anúncios em tempo real, de acordo com os dados. O conselho diz que sua fonte não identificada tem acesso especial a um gerente de uma campanha publicitária realizada pelo Google (esse número não inclui dados pessoais transmitidos pelo Facebook da Meta Platform (FB) ou pelas redes de anúncios da Amazon (AMZN), o que significa que a verdadeira medida de todos os dados de transmissão é provavelmente muito maior).

Netflix demite 150 para cortar custos

A Netflix demitiu 150 funcionários, a maioria nos Estados Unidos. O número representa ~2% da força de trabalho da empresa em seu país-sede.

Em nota, a empresa ressaltou que as demissões não têm a ver com desempenho dos profissionais, que foram uma decisão de negócios. “[…] A desaceleração do crescimento de receita significa que também precisamos desacelerar o nosso custo de crescimento como empresa”, disse em nota à Variety, referindo-se à queda de assinantes registrada no primeiro trimestre de 2022.

Além dessas vagas, a Netflix também mandou embora 70 funcionários do seu estúdio de animação e está eliminando posições no setor de mídias sociais e publicação (relacionados ao site “Tudum”). Via Variety (em inglês).

terça-feira, 17 de maio de 2022

Pi-Hole: Bloqueie anúncios e melhore a privacidade da sua conexão à internet

Se preferir, veja no YouTube.

Bloqueadores de anúncios são bem comuns — mesmo que você não use um, já ouviu falar. Em casa, uso o Pi-Hole, uma solução que abrange toda a rede e bloqueia anúncios e códigos de rastreamento, automaticamente, em todos os dispositivos conectados. Neste vídeo, explico o funcionamento básico do Pi-Hole e dou algumas dicas de configuração e usos.

Continue lendo “Pi-Hole: Bloqueie anúncios e melhore a privacidade da sua conexão à internet”

Assinaturas na App Store poderão aumentar o preço uma vez por ano automaticamente

A Apple fez uma alteração no sistema de assinaturas de aplicativos da App Store. A partir de agora, desenvolvedores poderão aumentar os preços sem precisar da confirmação do assinante para manter a assinatura valendo.

Parece ruim, mas… não é tão ruim quanto parece?

Segundo a Apple, a renovação automática com aumento de preço só poderá ser feita uma vez por ano e não deverá exceder US$ 5 ou 50% do valor (ou US$ 50 ou 50%, no caso de assinaturas anuais). A prática, obviamente, deve ser legalmente permitida no país do assinante. Antes do aumento passar a valer, a Apple notificará o usuário via e-mail, notificação e com uma mensagem dentro do aplicativo. Também serão enviadas notificações ensinando o assinante a acessar, gerenciar e cancelar assinaturas.

Até agora, quando um aplicativo aumentava o preço da assinatura vigente, o assinante precisava confirmar (“opt-in”) o aumento, ou seja, a renovação de acontecer automaticamente. A Apple alega que esse sistema “levava alguns serviços a serem interrompidos sem que os usuários assim desejassem e eles tinham que refazer a assinatura”. Via Apple (em inglês).

Empresas chinesas de tecnologia estão saindo da Rússia na maciota por causa da invasão da Ucrânia

Segundo reportagem do Wall Street Journal, grandes companhias como Lenovo e Xiaomi estão interrompendo entregas para o mercado russo para não sofrerem as penalidades das sanções impostas pelos EUA contra Moscou.

A limitação dos negócios com a Rússia, no entanto, não é acompanhada por declarações que condenem a guerra, uma vez que Pequim se opõe abertamente às sanções estadunidenses.

As exportações chinesas de produtos de tecnologia para a Rússia caíram significativamente desde o início do conflito. Fornecedores estadunidenses estariam pressionando compradores chineses a obedecerem às sanções.

Vale notar que até agora Pequim ainda não usou a Lei Antissanções para advertir as empresas chinesas que estão seguindo as regras impostas pelos EUA.

Entretanto, outros laços comerciais entre China e Rússia se intensificaram nos últimos meses. Uma matéria da Reuters conta como os bancos russos estão contratando empresas chinesas capazes de fornecer chips para cartões bancários, os quais estão em falta na Rússia desde a imposição de sanções por EUA e União Europeia. Já o SCMP relata que as exportações russas de gás natural para a China aumentaram 60% nos primeiros quatro meses de 2022.

No meio do imbróglio diplomático enfrentado pela China desde a invasão russa da Ucrânia, a classe política do país asiático parece estar sofrendo consequências também. Segundo análise de Logan Wright para o The Wire China, tecnocratas e políticos estariam em rota de colisão sobre o que fazer com relação à guerra na Europa.


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