Mi MIX Alpha, Galaxy Fold e o paradoxo do consumo de produtos de massa como fator de distinção

Olhe para o seu celular. Ele não é muito diferente do primeiro iPhone de 2007, o aparelho que inaugurou a era dos celulares modernos, ou smartphones. Ambos têm formato retangular, uma tela na frente, câmera atrás e no meio uma placa com alguns chips e uma bateria enorme.

A curva de inovação da indústria perfaz um “S”: começa lentamente, depois passa por um ciclo de desenvolvimento acelerado e, por fim, volta à lentidão. Na dos celulares, esse processo foi muito rápido, em velocidade condizente à sua popularidade inédita na história e aos saltos evolucionários gigantescos obtidos entre uma geração e outra. Em nenhum momento, porém, as mudanças atingiram aquele formato básico de “sanduíche de chips e bateria”. É raro, mas às vezes se acerta de primeira.

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Distinguindo celulares piratas e não homologados — e qual pode ser bloqueado pela Anatel

O brasileiro descobriu o celular chinês e viu que era bom.

É compreensível o fascínio que marcas como Xiaomi e Huawei despertam — principalmente quando a compra é feita em lojas virtuais chinesas, onde os celulares chegam a custar menos da metade de modelos equivalentes ou idênticos vendidos no varejo brasileiro. Essa diferença no preço final é absorvida pelas marcas que atuam formalmente por aqui — e que perdem vendas — e pela Receita Federal, que só em 2019 deve deixar de arrecadar R$ 2 bilhões devido a importações irregulares e contrabando, segundo reportagem d’O Globo.

A consultoria IDC estima que 2,7 milhões de celulares não homologados junto à Anatel serão vendidos no Brasil em 2019, um aumento de 233% em relação ao ano passado. Isso representa 6% dos 45 milhões de celulares que devem ser comercializados no país este ano.

Todos esses números refletem a reputação crescente dos celulares chineses. Ainda pouco conhecidos do grande público, eles vêm conquistando espaço na base do boca a boca e com um empurrãozinho da propaganda velada e incessante dos maiores youtubers de tecnologia do Brasil, consolidando-se como opções mais baratas e, em alguns casos, melhores que modelos manjados de iPhone, Galaxy e Moto G.

Como um Xiaomi qualquer pode custar a metade do preço que, por exemplo, a Samsung cobra em um Galaxy S10 com configurações similares?

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O que a Anatel diz sobre os produtos da Xiaomi supostamente não homologados à venda no Brasil

No último domingo (16), o site Mundo Conectado noticiou que a Xiaomi estaria vendendo produtos não homologados pela Anatel em sua loja física, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Todo produto que emite sinais eletromagnéticos precisa ser homologado pela Anatel antes de ser colocado à venda no Brasil.

Pelo Twitter, entusiastas que vasculham o Sistema de Certificação e Homologação (SCH, onde a Anatel torna público os produtos homologados) questionaram a reportagem do Mundo Conectado. Os produtos supostamente não homologados aparecem no autocompletar da busca do SCH, indício de que a homologação está em processo de tramitação.


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Na tarde desta quarta (19), o Manual do Usuário falou com a assessoria da Anatel a respeito deste caso. Por e-mail, a agência informou que “tem o conhecimento da venda de produtos não homologados e está apurando os fatos que foram denunciados”, com a ressalva de que “a Xiaomi possui produtos homologados e estes estão aptos à venda no território nacional”.

Apesar disso, a venda de produtos sem o selo da Anatel, também denunciada na reportagem original, constitui uma violação às regras vigentes, conforme o artigo 39 da resolução 242/2000 da agência. Ainda na mensagem que me foi encaminhada, a Anatel diz que “o fato de um equipamento homologado não portar o selo é uma irregularidade administrativa, passível de ser sancionado pela Anatel”.

O Manual do Usuário solicitou entrevista com um porta-voz da Anatel, mas a agência declinou afirmando não ter um disponível no momento.

Vale lembrar que o Mundo Conectado, a despeito do furo, reiteradamente publica posts com ofertas de produtos da Xiaomi e de outras fabricantes chinesas que não são homologados aqui em troca de comissões generosas de lojas como a Gearbest, situação idêntica à dos canais de YouTube brasileiros denunciados em reportagem do Manual do Usuário publicada em março.

O único diferencial de smartphones gamers é uma estética duvidosa

A Asus anunciou um smartphone gamer na Computex 2018, em Taiwan. O RoG Phone representa a miniaturização da abordagem já existente em computadores e notebooks gamers, ou seja, traz a mesma estética e a promessa de desempenho acima da média. Há espaço para algo assim no segmento de smartphones? Continue lendo “O único diferencial de smartphones gamers é uma estética duvidosa”

WisePlus ressurge vendendo smartphones da Xiaomi, mas…

A WisePlus está de volta. A empresa, que ficou famosa com a promessa de produzir e comercializar smartphones com o sistema Windows. A operação era frágil e o plano, insustentável, como demonstramos nesta investigação exclusiva. Agora, a WisePlus voltou com um novo plano envolvendo smartphones chineses. Outra vez, há suspeitas de que tem algo errado na história. Continue lendo “WisePlus ressurge vendendo smartphones da Xiaomi, mas…”

Com escritório para alugar, Xiaomi confirma mudanças na operação brasileira

Por Emily Canto Nunes e Rodrigo Ghedin.

No início de maio o Manual do Usuário publicou, com exclusividade, a informação de que a Xiaomi estaria cogitando sair do Brasil. O motivo seria a dificuldade de emplacar seus produtos e modelo de negócios por aqui, além das reviravoltas no cenário econômico. Há pouco Hugo Barra, vice-presidente de expansão da Xiaomi, confirmou ao site AndroidPIT que a operação brasileira será bastante reduzida e não veremos novos smartphones da fabricante no país “no curto prazo”. E mais: outra vez com exclusividade, soubemos que a Xiaomi está deixando seu escritório na Vila Olímpia, em São Paulo. Continue lendo “Com escritório para alugar, Xiaomi confirma mudanças na operação brasileira”

Xiaomi enfrenta dificuldades no Brasil e cogita sair do país

Por Emily Canto Nunes e Rodrigo Ghedin.

Após muitos meses de rumores e um vazamento de preço precoce, a Xiaomi chegou ao Brasil no dia 30 de junho de 2015 em um evento barulhento — para o bem e para o mal. Para o bem porque lotou de gente, os chamados Mi Fãs, tanto que foi preciso fazer uma segunda sessão do lançamento. Todo esse assédio serviu para alimentar a estratégia dos chineses de pouco investimento em marketing com o máximo retorno possível. Para o mal porque, fora o chá de cadeira que convidados menos entusiasmados como a imprensa tomaram, o lançamento bem sucedido aumentou as já grandes expectativas que todos tinham sobre o desempenho da Xiaomi, ou Mi, no mercado brasileiro.

Já naquele dia começaram a surgiu alguns pontos de interrogação. A Xiaomi, apesar do relacionamento próximo dos clientes, mantém algumas informações em sigilo ou naquela área cinzenta da incerteza. Coisas quase desimportantes como o fato de ter pago a ida de alguns Mi Fãs ao evento, detalhes da parceria com a B2W, conglomerado do varejo que opera as vendas online da fabricante, e as idas e vindas com as agências de comunicação contratadas quase às escondidas e dispensadas por motivos tolos — no evento de lançamento Hugo Barra, o brasileiro que é vice-presidente de expansão da Xiaomi, assumiu a contratação de uma agência, mas como a Xiaomi gosta de dizer que tudo é feito em casa e que não investem em mídia, ele logo desconversou. Compreendidas, essas coisas ajudam a formular uma visão macro da operação e acentuam a dissonância entre o modo de trabalho da Xiaomi e a praxe de mercado brasileira.

Com o Redmi 2 sendo lançado a um preço competitivo, de R$ 499, e vendido no modelo de flash sales via web, consagrado na China e em outros mercados asiáticos, a Xiaomi esperava replicar aqui o sucesso alcançado em sua terra-natal. Menos de um ano depois, a Xiaomi já cogita abandonar o nosso país.

O Manual do Usuário obteve com exclusividade a informação de que a Xiaomi deve sair ainda este ano do Brasil. Uma das duas fontes próximas à empresa que falaram sob a condição de permanecerem anônimas disse que a fabricante chinesa considera seriamente sair do Brasil nos próximos meses — cerca de um ano depois de estrear por aqui. Continue lendo “Xiaomi enfrenta dificuldades no Brasil e cogita sair do país”

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