Google, Meta e X decidem que usar√£o nossos dados e conte√ļdo para treinar IAs

O acordo entre pessoas e empresas da chamada web 2.0 j√° n√£o era dos melhores: em troca de espa√ßo para publicar na internet, conex√£o e alcance, cedemos nossos dados mais √≠ntimos para que elas lucrassem horrores direcionado an√ļncios invasivos.

A explosão da inteligência artificial gerativa, liberada pela OpenAI e seu grande sugador de dados da internet, piorou os termos para o nosso lado.

De maneira unilateral, as big techs que veiculam conte√ļdo gerado pelos usu√°rios alteraram seus termos de uso, garantido a elas o direito de usar os nossos dados para treinar IAs.

Google, Meta e, em breve, X (antigo Twitter). N√£o houve grandes an√ļncios nem nada do tipo. Coube √† imprensa e aos ativistas pr√≥-privacidade jogar luz nessas altera√ß√Ķes faustianas.

A Meta disponibilizou um formulário que (supostamente) permite às pessoas excluírem dados pessoais de fontes/conjuntos de terceiros obtidas ou comprados pela empresa para treinar IAs.

Note a engenhosidade do texto: em momento algum a Meta diz que os dados em suas plataformas abertas (Facebook e Instagram) estão no pacote. Você usa Facebook? Instagram? Parabéns, você está treinando as IAs da Meta.

Esse ‚Äútrabalho for√ßado‚ÄĚ invis√≠vel n√£o √© novidade. H√° mais de uma d√©cada, o Google treina seus algoritmos de computa√ß√£o visual com CAPTCHAs ‚ÄĒ aqueles desafios que nos pedem para identificar pontes, faixas de pedestres e carros em pequenas imagens borradas.

Quando muito, essas empresas pagam uma mixaria a trabalhadores precarizados em países do Sul Global.

A diferença desta nova fase de exploração generalizada com a IA gerativa, é a (falta de) transparência, abrangência e escala.

Até então, as big techs “apenas“ lucravam com os nossos dados. Agora elas querem mais que isso; querem nos usar para criar novos produtos que, depois, pagaremos para usar.

Mastodon ou √ďrbita: Qual a melhor rede social p√≥s-Twitter?

Neste epis√≥dio do podcast, retomo o assunto de uma conversa animada no N√ļcleoHub, o servidor de Discord do N√ļcleo Jornalismo, sobre redes sociais ‚Äúp√≥s-Twitter‚ÄĚ. Para qual iremos? Eu aposto no Mastodon, voc√™ j√° deve saber, e explico aqui o porqu√™. Se bem que‚Ķ j√° d√° para considerar o √ďrbita uma rede social?

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Moderação em camadas nas plataformas digitais, com Iná Jost

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Neste episódio, recebo Iná Jost, coordenadora da área de liberdade de expressão do InternetLab, para falar do novo relatório de lá sobre sistemas de moderação em camadas para redes/plataformas sociais. O que são? Quais as vantagens e os desafios? Trata-se de uma lista VIP, onde já figuraram nomes controversos como Neymar e Donald Trump, ou é algo mais complexo, cujo potencial ainda não foi realizado?

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Sob Musk, Twitter/X virou uma rede social extremista.

X (antigo Twitter), a rede social de Elon Musk, processou o Center for Countering Digital Hate (CCDH), uma organização sem fins lucrativos que analisa e publica relatórios sobre discurso de ódio, extremismo e comportamento nocivo em redes sociais. A empresa alega que o grupo de pesquisadores viola seus termos de uso ao coletar dados para análise e, sem provas, de que são financiados por governos estrangeiros e empresas concorrentes da X.

Desde que Musk assumiu o controle do Twitter/X, o CCDH publicou vários relatórios apontando pioras em indicadores da rede, como o aumento do discurso de ódio anti-LGBT+ e do negacionismo climático.

Dado o hist√≥rico recente de Musk e a postura da X em rela√ß√£o a temas delicados ‚ÄĒ como restaurar a conta de algu√©m que compartilhou imagens de abuso sexual infantil ‚ÄĒ, acho que j√° √© seguro colocar a X no mesmo balaio de outras redes extremistas, como Gab, Truth Social e Gettr. Via Associated Press (em ingl√™s).

Obrigado, Elon, por trocar o nome do Twitter por X

N√£o √© de hoje que o Twitter apodrece em pra√ßa p√ļblica, sabotado pelo pr√≥prio dono. A √ļltima grande ideia de Elon Musk foi jogar no lixo a marca ‚ÄúTwitter‚ÄĚ, rebatizando o servi√ßo de X. Sim, a letra X.

Fiquei incr√©dulo, como em muitas ocasi√Ķes desde outubro de 2022, ao saber disso. Hoje, gosto da mudan√ßa. Ela p√Ķe um fim √† degrada√ß√£o agonizante do Twitter e ajuda a separar o legado de uma empresa imperfeita, mas que acertou bastante, do caos instaurado por Musk.

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Marca do Twitter será aposentada; Musk mudará o nome do serviço para X

Teorias da conspiração não costumam resistir aos fatos, por isso a ideia de que Elon Musk estaria destruindo intencionalmente o Twitter para livrar-se da dívida enorme que criou com a compra da empresa não me parece plausível.

A favor dessa postura est√° o fato de que n√£o √© a primeira vez que ele tenta emplacar um ‚Äúapp de tudo‚ÄĚ chamado X ‚ÄĒ o novo nome do Twitter, j√° em processo de mudan√ßa com logo provis√≥rio em todo lugar e x.com redirecionando para o Twitter.

No final dos anos 1990, Musk tentou a mesma coisa com o PayPal. Na época, perdeu a disputa com um sócio. Walter Isaacson, que escreveu a biografia do bilionário que sai em setembro, compartilhou essa passagem no Twitter, digo, no X.

Hoje, a fortuna de Musk √© maior e n√£o h√° ningu√©m no Twitter (ou fora dele) capaz de tirar da cabe√ßa que queimar a marca do Twitter, passarinho azul e tudo, √© uma decis√£o est√ļpida. Via @lindayacc@twitter.com, @WalterIsaacson@twitter.com (ambos em ingl√™s).

Twitter ameaça processar Meta por Threads.

Um advogado do Twitter enviou uma carta à Meta ameaçando processar a empresa pelo lançamento do Threads. Diz o texto que ex-funcionários do Twitter, contratados pela Meta, teriam desviado propriedade intelectual para criar a nova rede social.

Só que, segundo Andy Stone, diretor de comunicação da Meta, ninguém da equipe de engenharia do Threads já trabalhou no Twitter. Via Semafor (em inglês).

Atualiza√ß√£o (7/7, √†s 8h30): A fonte an√īnima do Semafor agora tem nome e cargo. A nota foi atualizada.

TweetDeck: ‚Äúnova‚ÄĚ vers√£o obrigat√≥ria e exclusivo para assinantes.

Como desgra√ßa pouca √© bobagem, o Twitter avisou que em 30 dias vai fechar o TweetDeck para assinantes do Twitter Blue (R$ 42/m√™s) e come√ßou a for√ßar a ‚Äúnova‚ÄĚ vers√£o (em testes h√° dois anos), que √© basicamente um Twitter web com colunas ‚ÄĒ bem pior que a antiga. Via @TwitterSupport/Twitter (em ingl√™s).

Threads, rival do Twitter feito pela Meta, será lançado na quinta (6).

N√£o me surpreenderia saber que os eventos desastrosos do Twitter no fim de semana precipitaram o lan√ßamento do Threads. Se sim ou n√£o, n√£o importa: ele vem a√≠. O novo app da Meta j√° aparece agendado para a pr√≥xima quinta (6) na App Store e na Play Store de alguns pa√≠ses, como a da It√°lia. Traz ‚ÄúInstagram‚ÄĚ no nome e zero men√ß√£o a ActivityPub ou Mastodon, como era de se esperar.

Ao rolar um pouco a p√°gina do Threads para iOS, chama a aten√ß√£o o tanto de ‚Äúdados vinculados a voc√™‚ÄĚ listados, bem como o tamanho do app (254 MB). √Č um contraste chocante com outros apps ‚Äúfirst party‚ÄĚ do mesmo tipo, como Bluesky (3 tipos de dados, 24,8 MB) e Mastodon (nenhum dado coletado, 57,9 MB).

Novo fiasco do Twitter impulsiona interesse por rival Bluesky.

Desde outubro de 2022, os fiascos do Twitter beneficiaram sobremaneira o Mastodon/fediverso. O √ļltimo ‚ÄĒ limita√ß√£o de posts nos feeds dos usu√°rios ‚ÄĒ est√° ajudando o Bluesky a bombar. A rede teve que fechar para novos cadastros no domingo (2) e, ao reabrir, nesta segunda (3), a demanda por convites parece ter aumentado um bocado. Via @bsky.app/Bluesky (2) (em ingl√™s).

Temos uma conversa no √ďrbita para distribuir convites. (N√£o √© para pedir; √© para distribuir.) Se voc√™ tem um sobrando a√≠, considere compartilh√°-lo l√°.

Manual em um universo alternativo

Em meados de 2019, publiquei algumas mat√©rias em uma s√©rie que batizei de ‚ÄúUniverso alternativo‚ÄĚ. Eram hist√≥rias de aplicativos e ambientes digitais populares no Brasil, at√© ent√£o ignorados pela imprensa.

Em julho, farei um experimento no Manual do Usuário que me remete a algo de um universo alternativo: ao longo do mês, usarei todas as redes sociais, até as mais tóxicas, como Twitter, Facebook e Instagram, para espalhar os textos, vídeos e tudo mais que produzir aqui.

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Elon Musk anuncia tratamento de choque anti-vício de Twitter.

Elon Musk limitou a quantidade de posts que algu√©m pode ver no Twitter para combater a raspagem de dados da plataforma. Usu√°rios n√£o verificados (leia-se: n√£o pagam a assinatura) podem ver 800 posts por dia. (Antes, o limite era 600.) Do ponto de vista do Twitter, √© uma das decis√Ķes mais est√ļpidas que a dire√ß√£o poderia tomar ‚ÄĒ ver posts √© a base de todo o neg√≥cio. Para os usu√°rios, √© uma boa not√≠cia, meio que um tratamento de choque para reduzir o v√≠cio em um ambiente t√≥xico. Via @elonmusk/Twitter (2) (ambos em ingl√™s).

Twitter bloqueia acesso sem login a posts e perfis.

O Twitter bloqueou o acesso a perfis e posts sem estar logado. Não houve comunicado algum da mudança, o que pode significar uma de duas coisas: é um erro/problema no site, ou apenas Elon Musk sendo covarde outra vez. (Em janeiro, o Twitter quebrou apps de terceiros sem aviso prévio.) Considerando que dia desses ele estava reclamando da Microsoft supostamente usar dados do Twitter para treinar IAs, talvez seja a segunda opção.

Com essa ‚Äúmudan√ßa‚ÄĚ, nossa inst√Ęncia do Nitter, no PC do Manual, quebrou. Vamos acompanhar a situa√ß√£o para ver o que fazer com ela.

Atualiza√ß√£o (1¬ļ/7, √†s 8h46): De acordo com Musk, o bloqueio √© uma medida tempor√°ria devido a ‚Äúv√°rias centenas de startups‚ÄĚ coletando dados do Twitter para treinar intelig√™ncias artificiais.