O que se perde quando “vemos Netflix” em vez de filmes

Cada vez mais os livros não têm capas: o rápido crescimento de tablets e e-readers fez com que mais livros fossem lidos em telas que não enfatizam a capa como um identificador visual e um delimitador físico. Uma capa já representou a individualidade tangível de um livro, sua discrição. Agora, nas telas, as capas persistem como imagens retangulares vestigiais, ornamentando de maneira supérflua resultados de busca ou PDFs. Essa mudança de ênfase significa que os leitores se envolvem mais diretamente com os próprios textos, em vez de julgar os livros por suas capas, como adverte o clichê? Cinquenta Tons de Cinza e livros de autoajuda ganharam popularidade em aparelhos pós-capa. Estamos finalmente livres para ler o que realmente queremos, seguros em saber que ninguém pode nos julgar?

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Mudanças no streaming de vídeo fortalecem a pirataria

No início da década, a Netflix despontou com uma oferta tentadora: muitos filmes e séries, todos em um só lugar, a um preço bastante acessível. O sucesso da empresa fez com que, anos depois, outras investissem na mesma fórmula, como a Amazon. Agora, os próprios estúdios e distribuidoras, como Disney e Warner, também se preparam para entrar no streaming, cortando intermediários e aumentando a fragmentação.

Ter que assinar alguns planos de streaming acaba com as vantagens originais da Netflix — o baixo custo e a conveniência de ter tudo no mesmo lugar ao alcance de um clique. Essa mudança na dinâmica do mercado pode ter um efeito colateral danoso às próprias empresas do entretenimento: o retorno da pirataria. É sobre isso que eu (Rodrigo Ghedin), Naiady Piva e a convidada especial Andressa Soilo, doutoranda em Antropologia Social pela UFRGS, debatemos no programa desta semana.

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A ameaça do Spotify aos podcasts

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Foi com apreensão que soubemos, nessa semana, que o Spotify adquiriu duas startups de podcasts. A empresa, que abriu capital em 2018 e, no último trimestre, apresentou lucro operacional pela primeira vez em seus quase 11 anos de existência, pretende se tornar o centro gravitacional de um setor que, até agora, se comporta como uma extensa galáxia: descentralizada, em expansão e com infinitos arranjos e pontos que merecem a nossa atenção.

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Os números do Spotify no Brasil

Agora em maio o Spotify completa um ano no Brasil. No iG, a Emily publicou uma matéria interessante sobre o estado do serviço aqui, pautada por entrevistas com profissionais locais e diversos números que dão uma ideia do perfil do brasileiro que assina o Spotify.

Alguns dos mais curiosos:

  • 80% dos usuários que hoje são Premium (pagam assinatura) foram Free.
  • 70% dos usuários têm entre 18 e 24 anos.
  • 104 minutos (pouco menos de 2h) é o tempo médio de uso diário do brasileiro.
  • 11 milhões de playlists foram criadas pelos brasileiros em um ano.
  • O consumo de música nacional saltou de 14% para 37%, um aumento de 160%.

Alguns pontos altos da matéria são a luta contra a pirataria (o maior “rival” do Spotify) e o papel das playlists criadas e do algoritmo de indicação na receptividade e descoberta de novas músicas pelos usuários. Leia lá.

O Radiooooo é uma viagem musical pelo tempo e espaço

Spotify, Rdio e outros serviços de streaming de música são incríveis por mais motivos que a mera comodidade. Além de oferecerem milhões de músicas para ouvir ao alcance de alguns toque, eles dão bastante atenção à parte social. Numa analogia falha, porém válida, é como se esses serviços também transportassem para o digital as feiras de vinis e as estantes recheadas de CDs nas casas de amigos que costumavam gerar conversas e trocas de referências. Continue lendo “O Radiooooo é uma viagem musical pelo tempo e espaço”

Quem salvará a indústria da música?

A viabilidade do modelo de negócios dos serviços de streaming de música voltou a ser o centro das atenções essa semana. Culpa de Taylor Swift, que removeu todo o seu acervo do Spotify e boicotou o novo álbum, 1989, de todos os serviços do tipo. Ganância, mal entendido ou a cantora tem razão nas críticas que vem fazendo?

Não foi a primeira vez que Swift se posicionou contrariamente à ideia de ouvir quanta música quiser pagando menos de dez dólares por mês. No começo do ano ela escreveu um editorial no Wall Street Journal dizendo acreditar que o apoio dos fãs (e a venda de álbuns completos) é o que sustenta artistas como ela. Talvez, pelo menos no seu caso, seja verdade: só na semana de lançamento, 1989 vendeu 1,2 milhão de cópias, número estratosférico para os padrões atuais. Para colocar isso em perspectiva, Random Access Memory do Daft Punk vendeu 339 mil cópias em seus primeiros sete dias e PRISM, da Kary Perry, 286 mil cópias no mesmo período. Ambos foram  os mais vendidos no ranking da Billboard em suas respectivas semanas de lançamento. Continue lendo “Quem salvará a indústria da música?”

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