Com o Anchor, Spotify já controla a maior parte da cadeia de podcasts global

O Anchor, serviço de produção e hospedagem de podcasts comprada pelo Spotify por US$ 100 milhões em 2019, representou 80% dos novos podcasts no Spotify em 2020. Em números absolutos, isso representa mais de 1 milhão de podcasts. Ao todo, no mesmo período, podcasts criados no Anchor representam ~70% do catálogo disponível no Spotify, ou 1,3 milhão de um total de 1,9 milhão de programas. Ainda segundo o Spotify, somados, os podcasts do Anchor são os mais ouvidos na plataforma. Via The Verge (em inglês).

O sucesso do Anchor se deve, em parte, porque ele é completamente gratuito, enquanto outras hospedagens de podcasts (SoundCloud, Buzzsprout, Libsyn) são cobradas.

Lembra bastante o domínio do YouTube sobre vídeos online, só que em vez de concentrar produção/hospedagem e distribuição na mesma marca, o Spotify (distribuição) diluiu seu controle com a ajuda do Anchor (produção/hospedagem). Vai se desenhando, assim, um cenário em que o Spotify controla toda a cadeia do podcast — exatamente como previmos um ano e meio atrás.

Retrospectiva 2020 no Spotify e YouTube

Início de dezembro sempre nos traz as listas dos mais populares nos serviços de streaming. Nesta terça (1), Spotify e YouTube divulgaram as suas, e é sempre curioso ver como o Brasil sai na foto quando ela é ampla assim, colocando todo mundo no enquadramento.

No Spotify, o top 10 de artistas mais ouvidos só tem brasileiros, sete deles do sertanejo — 1º: Marília Mendonça; 2º: Henrique & Juliano; e 3º: Gusttavo Lima. O podcast mais ouvido do ano na plataforma foi Horóscopo Hoje (do qual eu nunca tinha ouvido falar), seguido pelo Café da Manhã da Folha e, em terceiro, o Primocast, da má-influência financeira Thiago Nigro.

Na lista de “vídeos em alta” do YouTube tem Fla-Flu, youtubers manjados, e-sports e humoristas. E um daqueles canais de vídeos “faça-você-mesmo” de algum país aleatório do leste europeu traduzido automaticamente para o português. Neste ano, devido à pandemia, o YouTube não produziu o Rewind, aquele vídeo-retrospectiva que desde 2010 constrange a todos quando vai ao ar.

Combine.fm converte links de álbuns em apps de streaming

Você ouve música no Spotify e descobriu um álbum novo legal. Quer compartilhar com um amigo, mas ele usa o Apple Music. O que fazer? O Combine.fm, um pequeno site criado por Jonathan Cremin, “traduz” links de um serviço para os demais. Suporta Spotify, YouTube Music, Apple Music, Deezer e o (finado) Google Play Music, e, até onde vi, só funciona com álbuns.

Spotify poderá ter planos pagos exclusivos para podcasts no futuro

O Spotify disparou um questionário a alguns usuários com perguntas de um possível plano pago exclusivo para podcasts. A empresa quer saber que recursos compeliriam alguém a assinar esse plano (programas exclusivos? Conteúdo extra? Remoção de anúncios?) e quanto essa pessoa estaria disposta a pagar (entre US$ 2,99 e 7,99). Em nota, o Spotify diz que conduz pesquisas do tipo o tempo todo e que elas não necessariamente sinalizam novidades no serviço.

A ideia de cobrar uma assinatura pelo acesso a podcasts não é exatamente nova. A Amazon já está fazendo algo do tipo com o Audible (US$ 7,95/mês) e, em 2019, uma startup fortemente financiada, a Luminary, surgiu com a proposta de vender acesso a podcasts premium (o lançamento foi um fiasco e pouco se ouviu dela desde então). A estratégia do Spotify, de primeiro obter a exclusividade de podcasts de alta qualidade e grandes audiências e criar o hábito nos usuários para depois cobrar, parece mais promissora, porém. Via The Verge (em inglês).

Spotify permitirá que músicas sejam “impulsionadas” em seu algoritmo

O Spotify permitirá que artistas e gravadoras sinalizem músicas que gostariam que fossem mais recomendadas pelo algoritmo da plataforma. Parece muito com o impulsionamento de redes sociais, só que em vez de pagar, o artista/gravadora topa receber menos royalties do Spotify. (Lembremos que os royalties do Spotify e de outras plataformas de streaming já são baixos e fonte frequente de reclamações dos artistas.)

Já é palpável como o streaming mudou a maneira como ouvimos músicas de diferentes formas — da prevalência das playlists à duração das músicas (quanto mais curtas, melhor), até à pressão explícita para que artistas produzem mais e num ritmo constante. Como tudo sempre pode piorar, agora entra em cena um componente explicitamente financeiro. Via Spotify, Fader (em inglês).

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