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Droga Raia e Drogasil desistem de pedir biometria para liberar descontos

A Raia Drogasil, dona das farmácias Drogasil, Droga Raia e Onofre, interrompeu a coleta da impressão digital após ser questionada pelo Idec e pelo Procon-SP. O dado, considerado sensível pela legislação brasileira, era pedido com base nela própria: atendentes das lojas eram orientados a justificar o pedido impressão digital por tratar-se de uma suposta exigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O condicionamento de generosos descontos à cessão da impressão digital deixava muita gente sem alternativa, mesmo sendo “opcional”.

A LGPD prevê situações excepcionais e específicas para a coleta de dados sensíveis em seu artigo 11. Em nota, ao tentar explicar a necessidade de uma farmácia coletar a impressão digital dos clientes, a Raia Drogasil foi evasiva: “O uso da identificação biométrica ocorreu com o único objetivo de garantir a praticidade e a segurança desse processo.” Via Uol Tilt.

No futuro, Apple Watch poderá ter medidores de glicose e álcool no sangue

O caminho é longo, mas venha comigo. A Rockley Photonics, uma startup do Reino Unido, enviou a papelada à SEC, nos Estados Unidos, para abrir seu capital em Nova York. No material, a Rockley revelou que sua maior cliente é a Apple. A startup é especializada em desenvolver “sensores ópticos não-invasivos”, aqueles usados no Apple Watch para aferir dados biométricos do usuário.

Dito isso, e considerando a escala do Apple Watch e a importância da Apple nos balanços da Rockley, já se especula que o relógio da Apple deva ganhar, no futuro próximo, recursos como medidores de pressão sanguínea e dos níveis de glicose e álcool no sangue. O Apple Watch se torna cada vez mais um robusto auxiliar de saúde preventiva àqueles que podem comprar um — o mais barato no Brasil neste momento, o Series 3, sai por R$ 2,6 mil (e precisa de um iPhone para funcionar) . Via MacRumors (em inglês).

Relógios inteligentes podem detectar COVID-19 no período pré-sintomático

Pesquisas independentes descobriram que relógios inteligentes, como o Apple Watch, conseguem detectar a COVID-19 no período pré-sintomático, ou seja, antes do infectado apresentar sintomas. A variabilidade da frequência cardíaca é o que aponta a infecção: variações muito elevadas coincidem com o dia da infecção. Não confundir com frequência cardíaca acelerada; são duas métricas distintas. Nos aplicativos, a variabilidade da frequência cardíaca costuma ser indicada pela sigla HRV. Via CBS News (em inglês).

5,05% dos brasileiros baixaram o app que avisa quem teve contato com infectados pelo coronavírus

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Vazamento de senha do Ministério da Saúde expõe dados de 16 milhões de pacientes de COVID-19

Inacreditável o vazamento de dados de 16 milhões de pacientes de COVID-19, revelado pelo Estadão. O funcionário do Hospital Albert Einstein confirmou à reportagem que enviou a planilha com senhas ao seu perfil no GitHub como parte de um teste e que esqueceu de removê-la. Hospital e Ministério da Saúde vão apurar o caso, e talvez a primeira pergunta a ser feita é por que uma senha importante dessas estava salva em texto puro numa planilha. Via Estadão.

“Meu corpo estava doendo”

No retorno do post livre (sim, voltou pra valer), a discussão sobre idade foi a mais votada pelos leitores. Chamou-me a atenção, nela, os comentários de gente jovem reclamando de dores no corpo.

Eu também tenho as minhas, derivadas de anos usando computadores, nem todos seguindo aquelas velhas orientações de postura e outras boas práticas. Com o smartphone, que normalmente nem uso tanto, parece que as coisas pioraram. A mão direita é das partes que mais sofrem: primeiro com o mouse, depois o trackpad (a rolagem machuca o dorso) e, nos últimos anos, manuseando o celular.

Até pouco tempo atrás, problemas do tipo (LER/DORT) ficavam restritos a profissionais que lidavam com computadores o dia todo. Esse perfil se espalhou para outras áreas. O smartphone, tão ou até mais nocivo que a dupla teclado+mouse, está impregnado na sociedade. Piora: o contato com esses aparelhos começa cada vez mais cedo, quando criança, fase em que a estrutura óssea ainda está em formação e mais sensível a desvios como os ocasionados pelo uso desses dispositivos.

Ainda não atingi o ponto sem volta, mas em dias de trabalho mais intenso, quando vou dormir com o ombro ou a mão doendo, é difícil não pensar no ponto de ruptura. E desesperador. Se não puder mais escrever, o que farei?

Nesta ótima matéria do BuzzFeed sobre o tema (em inglês), Diane Cho, 26, diz que “um grande motivo que me fez querer mudar de carreira foi meu braço estava literalmente se destroçando. Meu corpo estava doendo.”

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