Recurso de privacidade do iOS impacta faturamento do Snapchat, mas para o CEO, está tudo bem

A Snap, empresa dona do Snapchat, reportou faturamento de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre nesta quinta (21.out), abaixo das expectativas dos analistas de Wall Street, de US$ 1,1 bilhão.

A culpa pelo desempenho aquém do esperado foi do recurso Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês) do iOS, justificou o CEO Evan Spiegel.

O ATT, implementado no iOS 14 e tornado obrigatório pela Apple no iOS 14.5, exige que apps que rastreiam o usuário em outros apps e na web obtenham o consentimento expresso dele para continuarem fazendo isso. Sem surpresa, a maioria das pessoas rejeitou tais pedidos, o que tem causado impactos significativos em negócios baseados em publicidade segmentada, casos do Snapchat e do Facebook, por exemplo.

Spiegel disse que, por conta do ATT, “as ferramentas [de mensuração da publicidade] ficaram no escuro”, mas classificou a baixa como temporária, dizendo que “leva tempo” para se adaptar à nova realidade e que o impacto a longo prazo da do ATT ainda é desconhecido. Diferentemente do Facebook e de seu CEO, Mark Zuckberberg, que encamparam uma batalha de relações públicas contra o recurso de privacidade da Apple, Spiegel acha que se trata de uma boa ideia. Via TechCrunch (em inglês).

Os esforços do YouTube para mitigar os ataques de roubo de canais

Um canal de YouTube pode valer muito dinheiro — os criminosos digitais também sabem disso. Nos últimos anos, cresceu a quantidade de ataques direcionados a youtubers com o intuito de se apropriarem dos seus canais.

O Grupo de Análises de Ameaças do Google detalhou esse tipo de ataque e os esforços que o Google/YouTube tem feito para mitigá-los. Os atacantes miram em cookies de sessões, pequenos arquivos do navegador que salvam a autenticação na sessão — permitem acessar o YouTube já logado.

Não é um ataque novo, mas o interesse por ele foi renovado graças à difusão do segundo fator de autenticação, uma camada extra de proteção que o Google/YouTube tem promovido junto aos youtubers. O cookie capturado consegue burlar essa camada extra.

A captura dos cookies é feita por malwares que os youtubers instalam voluntariamente em seus computadores, enganados por propostas de parcerias ou publicitárias. Foi o que aconteceu com o youtuber brasileiro de games Zangado, no final de 2020. Criminosos ofereceram a ele acesso antecipado a um jogo, que, na realidade, era um malware. Zangado perdeu seu canal, mas conseguiu recuperá-lo posteriormente.

De acordo com o Google, os canais roubados podem ter dois destinos: serem vendidos a terceiros, por valores que variam de US$ 3 a 4 mil, ou serem usados para aplicar golpes envolvendo criptomoedas — os “novos donos” fazem uma live e enganam os inscritos do youtuber original.

Por tratar-se de um ataque direcionado, os números do Google/YouTube impressionam. Desde maio deste ano: “Bloqueamos 1,6 milhões de mensagens [de ataques], exibimos 62 mil alertas de tentativa de ataques no navegador, bloqueamos 2,4 mil arquivos e restauramos com sucesso 4 mil contas [comprometidas].”

Além dos esforços que faz do seu lado, o Google/YouTube oferece orientações para evitar e reportar ataques de phishing. Via Google (em inglês).

Nova rede de Trump viola licença do Mastodon e já está sendo bloqueada no Fediverso

Há um detalhe na Truth, nova rede social de Donald Trump, que ele e sua equipe não revelam: ela foi criada com base no Mastodon, sistema de código aberto e livre para a criação de redes sociais federadas. Em lugar algum há menção ou crédito ao Mastodon, o que é uma violação grave da licença do projeto (AGPL v3).

Entre instâncias (servidores) do Mastodon, já rola uma movimentação para banir a rede de Trump proativamente, caso um dia ela venha a se federar, ou seja, tente se comunicar com outras instâncias públicas. No Fediverso, o ambiente público em que servidores distintos de redes sociais descentralizadas se comunicam, é comum que administradores troquem informações (com a hashtag #Fediblock) de instâncias com conteúdo extremista ou ilegal e as bloqueiem. Via @feditips@mstdn.social (em inglês).

O Mastodon é uma rede social que lembra o Twitter, porém é descentralizada e de código aberto. Para entendê-la melhor, leia esta reportagem.

Facebook planeja mudar de nome. Sugestões?

De acordo com uma fonte do site The Verge, o Facebook planeja mudar seu nome. O anúncio, se não for antecipado, deverá ser feito no dia 28 de outubro, na conferência Connect, do próprio Facebook.

Oficialmente, a mudança seria um movimento para refletir o trabalho do Facebook no “metaverso”, ou seja, para dissociar a empresa de redes sociais. O novo nome não contemplaria a rede social Facebook, porém. Não se pode negar que o “rebranding” — como esse tipo de mudança é conhecido no jargão publicitário — possa ser também uma jogada para abafar as críticas pesadas que a empresa vem sofrendo nos últimos meses.

O expediente não é novo. Em 2001, por exemplo, a Philip Morris trocou o nome da sua holding para Altria, para, segundo executivos da companhia, reduzir os danos à reputação que a associação ao tabagismo já provocava na época.

O novo nome do Facebook poderá representar uma alteração estrutural, como ocorreu com o Google e a Alphabet em 2015. Se sim, isso significará mais caracteres em textos sobre o Facebook, como observou o colunista do Wall Street Journal, Christopher Mims: “Isso será como a Alphabet, em que toda vez que escrevo esse nome preciso acrescentar uma frase explicando do que se trata?”

A fonte anônima do The Verge especula que o novo nome, guardado a sete chaves pela direção da empresa, pode ter algo a ver com Horizon, nome adotado em algumas ferramentas de realidade virtual recentes do Facebook. Nas redes sociais já surgiram algumas sugestões mais espirituosas e alinhadas ao “ethos” da empresa, como Skynet e Fascistbook. Você tem alguma? Via The Verge (em inglês).

Finalmente você poderá postar no Instagram pelo computador

A partir desta quinta (21), você poderá, finalmente, postar conteúdo no Instagram pelo computador. De forma oficial, sem ter que recorrer a aplicativos suspeitos ou gambiarras. Demorou apenas 11 anos, mas tudo bem, antes tarde que mais tarde.

A novidade faz parte da primeira “Product Week” da rede social, uma série de anúncios para tentar conter o TikTok, digo, aperfeiçoar a plataforma. Além das postagens em computadores (“um pedido antigo da comunidade do IG”, segundo a empresa), o Instagram ganhará um recurso de colaborações (Collabs) para os Reels, criação com um toque de campanhas de arrecadação de fundos para organizações sem fins lucrativos pré-aprovadas e dois novos efeitos para o Reels, “Superbeat” e “Dynamic/3D Lyric” — talvez pessoas com menos de 30 anos saibam o que essas coisas significam. Via Tubefilter (em inglês).

A concentração de renda na economia dos criadores

Promessa comum em plataformas digitais de conteúdo e apontada como tendência por alguns analistas, na prática a economia dos criadores tem se revelado um mero repeteco de outras áreas da economia, concentrando o grosso da receita em pouquíssimos participantes.

O vazamento da Twitch expôs, de maneira crua, essa verdade inconveniente. Mas não só. O Axios levantou alguns dados de outras plataformas — Substack, podcasts e Twitter — que apontam para a mesma conclusão: entre criadores, a desigualdade é gritante.

Sara Fischer, da Axios, recuperou um texto de 2003 do escritor norte-americano Clay Shirky em que ele teoriza esse fenômeno: “Em sistemas onde muitas pessoas são livres para escolher entre muitas opções, um pequeno conjunto do todo receberá uma quantidade desproporcional de tráfego (ou atenção, ou renda), mesmo que nenhum membro do sistema trabalhe ativamente em direção a esse desfecho. Isso não tem nada a ver com fraqueza moral, vender-se ou qualquer explicação psicológica. O mero ato de escolher, espalhado ampla e livremente, cria uma distribuição da lei de potência.” Via Axios (em inglês).

Você pode reclamar de redes sociais no Consumidor.gov.br — mas não crie expectativas com o Facebook

Em setembro, o Facebook finalmente criou seu perfil no Consumidor.gov.br, a plataforma digital de solução de conflitos relacionados a consumo. Segundo o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (Sindec), que reúne as reclamações de 600 Procons espalhados pelo Brasil, entre janeiro e junho de 2021 houve um aumento de 285% em reclamações contra o Facebook.

“As reclamações giram em torno do compartilhamento não autorizado de dados e posterior envio e cobrança por produtos e serviços não solicitados, vazamento de dados para a criação de perfis falsos e queixas questionando os novos Termos de Uso e Privacidade do Instagram”, segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Via Senacon.

A portaria 12/2021 da Senacon, publicada em abril, determinou que plataformas de redes sociais que atendam a critérios objetivos ingressem obrigatoriamente no Consumidor.gov.br.

Fiz uma rápida consulta aos nomes das principais empresas do setor atuantes no Brasil na plataforma Consumidor.gov.br:

  • Twitter, WhatsApp e Telegram não estão cadastrados.
  • Facebook/Instagram e Google (dono do YouTube, mas que também engloba seus serviços de nuvem e software corporativo), sim.

Em 2021, o Google conseguiu solucionar 76,6% das 1.091 reclamações, tendo um índice de satisfação de 3 (numa escala de 0 a 5).

Já o Facebook/Instagram solucionou apenas 38,9% das 247 reclamações recebidas desde setembro, quando estreou na plataforma. Seu índice de satisfação é de apenas 1,7 (numa escala de 0 a 5).

De acordo com Lilian Brandão, diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, em média 80% das reclamações enviadas ao Consumidor.gov.br são resolvidas. Via Agência Brasil.

HalloApps ganha grupos reimaginados e mensagens de áudio

O HalloApp, app que mistura mensagens com rede social criado por ex-funcionários do WhatsApp, ganhou uma funcionalidade imprescindível para qualquer app disposto a abocanhar um pedaço do mercado do Zap: envio/recebimento de mensagens de áudio.

Recentemente, os desenvolvedores detalharam o funcionamento dos grupos no blog oficial. Há boas ideias nesta implementação, como só permitir trocas de mensagens privadas entre contatos que tenham os números um do outro em suas agendas, organização baseada em tópicos/threads e notificações limitadas. Cada grupo pode ter até 50 participantes. Via HalloApp (em inglês).

O HalloApp é gratuito e está disponível para Android e iOS.

Google e YouTube cortarão receita de conteúdos e anunciantes que negam a emergência climática

O Google anunciou uma nova regra, válida para seu braço publicitário e para o YouTube, que corta o dinheiro de conteúdos que negam a mudança/emergência climática. “Isso inclui conteúdo que se refere às mudanças climáticas como uma farsa ou fraude, alegações que negam que as tendências de longo prazo mostram que o clima global está esquentando e alegações que negam que as emissões de gases de efeito estufa ou a atividade humana contribuem para as mudanças climáticas”, disse a empresa em comunicado.

De acordo com o Google, a nova regra, que passa a valer em novembro, foi criada a pedido de anunciantes e de criadores de conteúdo que não querem se ver associados a discursos negacionistas. Ela é uma via de mão dupla: proíbe criadores de conteúdo (que recebem dinheiro) e também os anunciantes (que pagam) de negarem a emergência climática.

O Google afirmou que usará uma combinação de ferramentas automatizadas e revisores humanos para aplicar a nova regra e que é capaz de diferenciar discursos negacionistas de debates acerca desses discursos: “Ao avaliar o conteúdo em relação a esta nova política, examinaremos cuidadosamente o contexto em que as reivindicações são feitas, diferenciando entre o conteúdo que faz uma afirmação falsa como fato e o conteúdo que relata ou discute essa afirmação.”

Será um desafio e tanto, dado o volume gigantesco de vídeos e anúncios que o Google processa e considerando o histórico, longe de ser perfeito, da empresa no combate a fraudes e a infrações às suas próprias regras.Via Axios (em inglês), YouTube.

Tempo gasto no Snapchat disparou após apagão do Facebook

O Telegram não foi o único que capitalizou sobre a indisponibilidade do Facebook na segunda-feira (4), nem o maior beneficiado dependendo da métrica analisada.

Dados da consultoria Sensor Tower divulgados pela Bloomberg apontam que o Snapchat teve o maior salto no tempo gasto no app para Android, de 23% em relação à semana anterior. O Telegram apareceu em segundo lugar, com aumento de 18%, seguido por Signal (+15%), Twitter (+11%) e TikTok (+2%).Via Bloomberg (em inglês).

Telegram ganhou 70 milhões de novos usuários com queda do WhatsApp

O Telegram registrou um salto gigantesco em novos usuários na segunda-feira (4), em decorrência da queda catastrófica do Facebook que deixou o WhatsApp indisponível por cerca de 7 horas. Segundo Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, o serviço ganhou 70 milhões de novos usuários. O aumento no fluxo motivou alguma instabilidade para usuários nas Américas (fator Brasil?). Pavel deu boas-vindas aos novos usuários e cutucou o rival: “Não falharemos com vocês quando outros falharem”. Via @durov/Telegram (em inglês).

Ex-funcionária do Facebook que vazou dados internos revela sua identidade

No 60 Minutes, programa dominical da rede de TV norte-americana CBS, Frances Haugen revelou-se ao mundo. Ex-funcionária do Facebook, foi ela quem vazou o farto material interno da empresa que serviu de base para a série de reportagens The Facebook Files, do Wall Street Journal, que revelou o descaso da empresa com a saúde mental de meninas adolescentes, falhas sistêmicas no combate a crimes diversos cometidos em suas plataformas e outras barbaridades.

Na entrevista, Frances disse que ingressou no Facebook em 2019 motivada pela perda de um amigo para teorias da conspirações na internet. Ela era gerente de produtos da equipe de integridade cívica da plataforma.

O ponto de virada para ela foi após as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro de 2020, quando a área onde ela estava alocada foi dissolvida, como se o objetivo dele fosse sobreviver ao pleito sem que o Facebook caísse em polêmicas.

“Quando vivemos num ambiente informacional cheio de conteúdo raivoso, odioso e polarizador que desgasta a nossa confiança cívica, desgasta a nossa fé uns nos outros, desgasta a nossa capacidade de querer cuidar uns dos outros. A versão do Facebook que existe hoje está destruindo as nossas sociedades e causando violência étnica em todo o mundo.”

Nesta semana, Frances Haugen prestará depoimento ao Congresso norte-americano. Ela espera que uma forte regulação coloque a empresa nos trilhos. Via CBS News (em inglês).

TikTok paga menos de um salário para brasileiros transcreverem vídeos

Algumas estimativas dão conta de que até 75% dos usuários do TikTok acessam o aplicativo sem som, o que pode ser um problema para um de vídeos. A ByteDance, dona do TikTok, contornou esse obstáculo oferecendo legendas automáticas – ou assim se pensava.

Reportagem do The Intercept Brasil publicada neste domingo (3) revelou que as legendas dos vídeos em português brasileiro são feitas por um exército de trabalhadores precarizados, contratados por empresas subcontradas pela ByteDance. Recrutadores gerenciam os trabalhadores em grupos de WhatsApp, exercendo pressão para que eles aumentem a produção.

Havia a promessa de pagar até US$ 14 por hora trabalhada, mas apenas aos trabalhadores que alcançcassem uma meta diária que, realisticamente, exigiria que eles se dedicassem 20 horas por dia. Na prática, ganhavam menos de meio salário mínimo.

Não é a primeira, nem a segunda – e provavelmente não será a última vez – em que “inteligência artificial” é usado como eufemismo para trabalho precarizado. Via The Intercept Brasil.

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