Prédio baseado no logo do Manual do Usuário, em perspectiva isométrica, com um recorte na lateral e várias pessoinhas nos andares e terraço. À esquerda: “Manual de dentro para fora”.

Usuários do Facebook viram clientes da Oculus para receberem suporte do Facebook

Se você precisar do suporte de uma grande empresa de redes sociais, como o Facebook, ou do Google, boa sorte. Elas simplesmente não têm pessoas nessa frente. Em vez disso, serviços automatizados são o único canal que usuários com problemas em suas contas têm para tentar resolvê-los.

Até aqui, nada de novo. Nos Estados Unidos, alguns usuários encontraram um “atalho” para serem atendidas dignamente pelo Facebook. Eles estão comprando o Oculus Quest 2, um capacete de realidade virtual do Facebook de US$ 299 (cerca de R$ 1,5 mil), e acionando o suporte do Facebook a partir desse produto. A Oculus é do Facebook.

Em outras palavras, ao deixarem de ser usuários e virarem clientes, o Facebook magicamente passa a lhes dar atenção. Não funciona sempre, mas há relatos positivos em redes sociais. Depois de reaverem a conta do Facebook, obrigatória para o uso do Oculus Quest 2, esses usuários/clientes devolvem o produto à loja e recuperam o gasto. Genial. Via NPR (em inglês).

Se uma pessoa fala no Clubhouse e não há ninguém por perto… espera, o Clubhouse ainda existe?

O Clubhouse, lembra dele?, ganhou um novo logo, mensagens de texto e, enfim, abandonou a fila de espera e o sistema de convites para novos usuários. Não que isso importe muito, porque, aparentemente, ninguém mais usa o aplicativo — e as nossas previsões de quanto tempo levaria para o Clubhouse afundar, feitas neste Guia Prático gravado dentro do Clubhouse, meio que se concretizaram. Via Clubhouse (em inglês).

O mais interessante é que o Clubhouse virou o elefante da sala minimalista com decoração escandinava dos investidores de risco e futurólogos que, em janeiro, despejaram US$ 100 milhões no app, avaliando-o em US$ 4 bilhões (!), e profetizavam que este seria o novo Facebook porque… sei lá, Marc Andreessen (investidor do Clubhouse), Elon Musk e Mark Zuckerberg usaram o app uma ou duas vezes.

Vale ler esta boa coluna (em inglês) de Ed Zitron, talvez o primeiro obituário do Clubhouse.

Apenas 2,3% dos usuários do Twitter usam a verificação em duas etapas

Em seu relatório de transparência do período de julho a dezembro de 2020, o Twitter revelou que apenas 2,3% dos usuários ativos tem a verificação em duas etapas ativada. E, dentro desse minúsculo universo, 79,6% das contas usam o método por SMS, o mais frágil dos três — 30,9% adotam aplicativos OTP e apenas 0,5% as chaves de segurança físicas. Via Twitter (em inglês).

Caro(a) leitor(a) que está no Twitter: faça um favor a si mesmo(a) e ative a 2FA agora mesmo. E repita isso em todos os serviços que oferecem tal recurso, em especial no seu e-mail e sistema operacional (iCloud para Apple, Google para Android).

Ex-funcionários do WhatsApp lançam novo aplicativo de mensagens e rede social

Neeraj Arora e Michael Donohue, ex-funcionários do WhatsApp pré e pós-aquisição pelo Facebook, lançaram um novo aplicativo, o HalloApp. (Em novembro de 2020, para ser exato, mas só agora estão aparecendo na imprensa.) Apresentado como “a primeira rede de relacionamentos reais”, é uma espécie de mistura entre WhatsApp e Instagram, mas sem os piores incentivos de ambos. Do blog deles:

Sem anúncios. Sem robôs. Sem curtidas. Sem trolls. Sem seguidores. Sem algoritmos. Sem influenciadores. Sem filtros de fotos. Sem “fadiga do feed”. Sem desinformação se espalhando como fogo em palha.

Os contatos são os da agenda do telefone (igual ao WhatsApp) e é possível criar conversas individuais, em grupos ou publicar fotos e textos para toda a lista de contatos. O visual é agradável, quase minimalista, com opções óbvias e limitadas. Só falta o português como opção de idioma, uma ausência notável dada a popularidade do WhatsApp e de redes sociais no Brasil.

Em junho, escrevi: “Lendo a parte em que o Instagram copia os stories do Snapchat, no livro da Sarah Frier, e o papel que as celebridades tiveram nesse episódio, pensei que seria legal um app de stories só para quem você tem na lista de contatos. Aí lembrei do WhatsApp. Os caras não dão uma brecha.” O HalloApp parece exatamente isso, e mais.

Já baixei e instalei. Pode não dar em nada? Sim, mas a proposta, pelo menos, é muito interessante. Tem para Android e iOS.

Recurso de stories do Twitter será encerrado em agosto

Estamos acostumados a ler notícias de app X que adicionou stories à sua interface. Desta vez, a notícia é no sentido contrário: em 3 de agosto, os “fleets”, nome dado pelo Twitter aos stories da plataforma, serão descontinuados. “Desde que anunciamos o recurso globalmente [em novembro de 2020], não tivemos um aumento no número de novas pessoas participando de conversas com Fleets da forma que esperávamos”, justificou Ilya Brown, vice-presidente de produto do Twitter. Via Twitter.

Instagram testa a inclusão de posts de perfis que o usuário não segue no feed

O Instagram vai exibir “posts sugeridos” de perfis que o usuário não segue. Ainda é um teste, mas se for um sucesso — segundo as métricas do Instagram —, esse comportamento deverá ser estendido a todos. Via The Verge (em inglês).

O livro da Sarah Frier, Sem filtro, conta a história de fundadores idealistas (dentro do que seria possível no Vale do Silício) que se rendem ao canto da sereia de um rival maior apenas para se verem encurralados anos depois, tendo que se submeter a todo tipo de interferência e rasteiras até não aguentarem mais.

Essa novidade — dos “posts sugeridos” — e muitas outras tomadas desde 2012 são reflexos da queda de braço vencida por Mark Zuckerberg. O Instagram, hoje, nada mais é que um Facebook restrito a fotos e vídeos e com uma vasta bagagem de simpatia por parte dos usuários e da imprensa. É um ambiente movido a dados, que tem como prioridades crescer e gerar receita às custas de experimentos que ninguém pediu, mas que “engajam” melhor.

É sabido que o capitalismo gosta de uma boa piada, e seria cômico se não fosse trágico termos um sociopata no controle das duas redes sociais mais populares do planeta.

Coleta de dados de login do Instagram causou banimento da mLabs do Facebook

A saída do ar do aplicativo da mLabs, que levou junto 39 milhões (!) de posts no Facebook e Instagram, foi motivada por uma infração aos termos de uso do Facebook. Em entrevista ao Neofeed, Rafael Kiso, fundador e CMO da mLabs, explicou que para viabilizar o agendamento de stories no Instagram, sua empresa pedia dados de login dos usuários e que isso seria uma prática comum de mercado.

Pode até ser, mas é uma prática temerosa e certo está o Facebook em coibi-la. Existem mecanismos seguros e oficiais para autenticar-se no Instagram em apps de terceiros, e se o agendamento de stories não é contemplado por eles, não deveria ser oferecido.

Por outro lado, talvez o Facebook não precisasse remover 39 milhões (!!) de posts de 332 mil páginas. mLabs e Stone, que tem 50% do negócio, estão tentando contato com a sede do Facebook a fim de reverter a decisão. Via Neofeed.

Facebook libera conteúdo que sugere que o coronavírus foi criado pelo homem

O Facebook removeu a proibição de postar conteúdo sugerindo que o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da COVID-19, tenha sido criado pelo homem. (O tópico ainda consta na versão em português do Brasil, porém; veja um comparativo.) Em nota enviada ao site Politico, um porta-voz da empresa justificou a mudança “à luz das investigações em andamento da origem da COVID-19 e em consulta a especialistas em saúde pública”. Via Politico (em inglês).

De fato, nesta quinta (26), o presidente norte-americano Joe Biden pediu à inteligência do país para que “redobre os esforços” a fim de determinar a origem do coronavírus. Só que, ao contrário do que a regra agora derrubada do Facebook sugere, nenhuma das hipóteses consideradas é a de que o vírus foi criado pelo homem. A nova suspeita é de que ele teria vazado de um laboratório chinês, e não pulado de um animal selvagem para os seres humanos, teoria mais aceita até o momento. O New York Times tem um bom “explainer” (em inglês).

Conforme explica o Politico, “estudos genéticos do vírus encontraram falhas na proteína que ele usa para se conectar a células humanas”, característica que certamente seria evitada por alguém que estivesse criando uma arma biológica.

A vasta lista de tópicos proibidos sobre a pandemia, o vai-e-vem das regras e, agora, este erro conceitual grave do Facebook, demonstram a complexidade que existe na moderação de conteúdo pelas grandes plataformas. Lá vem (mais) uma onda de teorias da conspiração.

Bolsonaro prepara decreto, considerado ilegal, para limitar retirada de posts e perfis das redes sociais

A ameaça de Jair Bolsonaro (sem partido) avançou da retórica para um esboço de decreto que proíbe as empresas donas de redes sociais de excluírem conteúdo com base em seus termos de uso. Com algumas exceções, a única via para excluir um conteúdo seria a judicial.

Especialistas consultados pela Folha afirmaram que o texto é ilegal e inconstitucional, além de trazer riscos ao debate na esfera pública — conteúdos que desinformam não poderia ser removidos sem a judicialização, e o Judiciário poderia ser soterrado com ações triviais. Para eles, uma regra do tipo deveria passar pelo Congresso, e não ser criada via decreto da Presidência.

Para Bolsonaro, que já teve conteúdos excluídos por todas as grandes plataformas — Facebook, Twitter e YouTube —, essas redes cerceiam a interação direta entre ele e seus seguidores, e o decreto daria “liberdade e punições para quem porventura não respeite isso”. Via Folha de S.Paulo.

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