TikTok é um filme repetido com final ruim

Não tenho — nem pretendo ter — conta no TikTok, a rede social do momento. De fora já dá para saber que se trata de um filme repetido, com o mesmo enredo de outras redes sociais estabelecidas que a antecederam. E, spoiler: o final não é feliz.

Para você que tem mais de 30 anos e pouco contato com jovens, o TikTok é uma rede social criada pela ByteDance que lembra o Snapchat e o Vine no sentido de que é composta por vídeos curtos, boa parte deles com ênfase no entretenimento. Como um leitor que tem conta lá resumiu, “não tem nada sério, reclamação, nada, é só bobiça, 24h de bobiça, e TODO MUNDO fazendo bobiça”.

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Como o Twitter fomenta o ódio e instiga o que há de pior em nós

Nem os representantes divinos no plano terreno serão poupados no Twitter. Na quinta-feira (8), o padre cantor e tuiteiro de carteirinha Fábio de Melo abriu a rede social para reclamar da saída de presos condenados por filicídio no Dia dos Pais. Foi execrado. No dia seguinte, ele anunciou sua saída do Twitter. Em sua última mensagem lá, o padre disse:

Agradeço muito o carinho que sempre recebi aqui. Eu me divertia muito com vocês. Obrigado pelos amigos que fiz. Rezem por mim. 🙏

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Por que apago meus tweets antigos

Nota do editor: Desde que comecei a apagar meus tweets, o assunto tem chamado a atenção de alguns amigos e colegas. Foi tema de um podcast aqui e, embora a minha motivação não seja exatamente igual à do Rob, que assina o texto abaixo, compartilho de vários dos seus argumentos. Em nota relacionada, a ferramenta que usei para apagar todos os meus tweets, o Cardigan, deixará de funcionar a partir de 1º de agosto devido a mudanças na API do Twitter. Achei a ocasião oportuna para publicar este relato.

Comecei a apagar meus tweets antigos. Isso é algo que tenho a intenção de fazer por algum tempo, não por qualquer razão em particular, mas por um senso geral de higiene digital — parece uma boa ideia desmantelar arquivos de materiais pessoais que estão abertos ao escrutínio de algoritmos de aprendizado de máquina e outros adversários. É impossível saber quais conclusões a nosso respeito podem ser derivadas de algum processamento agregado do que na época pareciam ser piadas aleatórias, trocas casuais e links compartilhados.

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“O que são esses desenhos de olhos esbugalhados?” A curiosa história do Dollify

“Ajudem o tio aqui: os fakes já passaram por várias modas nesses meus 10 anos de Twitter. Agora são esses desenhos de olhos esbugalhados. O que é isso?” A pergunta foi feita pelo Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil. Os desenhos não são exclusividade de robôs e contas falsas no Twitter. Nas últimas semanas, redes sociais e aplicativos de mensagens foram tomados por uma legião dessas caricaturas bem peculiares. De onde elas vieram?

As caricaturas de traços delicados e que destacam os olhos, mas de uma maneira divergente da dos tradicionais desenhos japoneses — também caracterizados pelos olhões —, são feitas com um aplicativo chamado Dollify. Ele foi criado pelo artista digital costa-riquenho David Álvarez, conhecido na internet como Dave XP. Por e-mail, o Manual do Usuário bateu um papo com Dave para saber como o app surgiu.

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Do narrar para viver ao viver para narrar

Numa tarde de 1912, um sujeito chamado Adolph Zukor esperou durante três horas para ter uma reunião com um dos homens mais poderosos na indústria cinematográfica norte-americana: Jeremiah Kennedy, o presidente da Edison Company.

Zukor nasceu na Hungria e emigrou aos Estados Unidos após seus pais morrerem, quando tinha 16 anos. Depois de trabalhar consertando poltronas em seus primeiros anos nos EUA, Zukor achou uma carreira de sucesso consertando e vendendo peles de animais. Não era tão fã assim de cinema, mas quando um primo lhe pediu um empréstimo para abrir um cinema em Nova York, entrou como sócio. Gostou tanto que investiu US$ 18 mil (uma fortuna na época) do próprio bolso para levar aos EUA um filme francês chamado Queen Elizabeth. O sucesso do filme não apenas pagou o investimento, como capturou a atenção de Zukor. A partir daí, era óbvio para ele qual o caminho que o cinema deveria tomar.

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Universo alternativo: Biugo, a rede social sensação da qual você nunca ouviu falar

Nota do editor: Esta matéria é parte de um especial do Manual do Usuário sobre aplicativos para Android em posições de destaque na Play Store brasileira, mas que estão fora do radar da imprensa. São famosos desconhecidos que, juntos, criam uma espécie de universo alternativo dos apps. Leia a primeira parte (4Shared) aqui e aguarde a última amanhã (29).


O mundo ainda está tentando entender o fenômeno TikTok: uma rede social chinesa, criada pela ByteDance, que se baseia em vídeos curtos e emprega um algoritmo pesado de recomendação. Na prática, parece ser uma espécie de sucessor espiritual do Vine e do Snapchat, com contornos de refúgio aos jovens que já acham que o Instagram ficou mainstream demais com pais, tios, toda essa gente velha publicando stories adoidado.

O TikTok é um dos apps chineses mais “internacionais” de que se tem notícia. Tem sido o app para iOS mais baixado do mundo há alguns trimestres, é um sucesso consolidado em mercados importantes como Índia e Estados Unidos, e, como costuma acontecer nesses casos, já começou a ganhar tração no Brasil também, aparecendo em colunas e reportagens na imprensa tradicional. Mas, na lista dos apps gratuitos mais pesquisados da Play Store brasileira, a loja de apps oficial do Android, outra rede social novata está ganhando de lavada do TikTok. Ela se chama Biugo.

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A imagem trincou

Foi quase uma melancólica coincidência. No mesmo mês em que Julian Assange, a cara do Wikileaks, foi preso, escancarou-se o desconforto de alas progressistas, decididamente pró-liberdade de expressão, com o descaso das plataformas norte-americanas de redes sociais com princípios básicos da democracia. No início da década, movimentos como o Ocuppy Wall Street, o Wikileaks e, principalmente, a Primavera Árabe encheram de esperança aqueles que anseiam por mais transparência governamental e um aperto na fiscalização dos poderosos. Naquele cenário, as redes sociais eram aliadas na luta que, embora inglória, afinal parecia estar surtindo efeito. Hoje, a sensação é de que estamos vivendo em distopias particularmente ruins. Onde foi que o trem descarrilou?

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