Boicotar empresas resolve alguma coisa?

Neste podcast, reflito sobre os boicotes deste início de julho aos aplicativos de entregas (iFood e cia.) e das grandes empresas à plataforma de anúncios do Facebook. No final, recomendo dois filmes brasileiros.

Continue lendo “Boicotar empresas resolve alguma coisa?”

Por que a descentralização em redes sociais é importante

Há anos escrevo sobre o Mastodon e ocorreu-me que em nenhum momento expus o porquê de alguém se preocupar com a descentralização em texto claro e conciso. Já expliquei isso em entrevistas e você encontra alguns dos argumentos aqui e ali nos materiais promocionais do Mastodon, mas este artigo deve responder a essa pergunta de uma vez por todas.

Continue lendo “Por que a descentralização em redes sociais é importante”

Por trás das campanhas de desinformação sempre tem alguém lucrando — e não é você

Em 1867, uma molecada estava brincando perto da margem do rio Orange na cidade de Hopetown, África do Sul, quando notou umas pedrinhas brilhantes no leito do rio. As pedrinhas, abundantemente espalhadas, acabaram sendo usadas em jogos que o filho do dono da fazenda, Erasmo, jogava com as crianças da vizinhança. A mãe de Erasmo notou que as pedrinhas eram realmente muito brilhantes e mostrou a um fazendeiro vizinho, que se dispôs a comprá-las. Algo lhe dizia que aquilo não eram simples seixos de rio. A ideia era levar para geólogos em Hopetown e na cidade vizinha Colesberg para analisar um potencial valor.

Continue lendo “Por trás das campanhas de desinformação sempre tem alguém lucrando — e não é você”

Byte, o sucessor espiritual do Vine chegou

Um app legal, uma alternativa aos das Big Tech e as últimas novidades dos apps que (quase) todos usamos. Assine gratuitamente a newsletter para não perder as próximas edições.

Por um breve período no início da última década e contrariando qualquer lógica, uma rede social que só permitia a publicação de vídeos com no máximo seis segundos de duração não só existiu, como fez algum barulho. Era o Vine. Comprado pelo Twitter em 2013, no auge da sua popularidade e por motivos burocratas que só os executivos do Twitter poderiam explicar, o Vine foi encerrado, abrindo espaço para que três anos mais tarde o chinês TikTok conquistasse o Ocidente e um rombo no coração de Dom Hofmann, um dos inconformados criadores do Vine.

Continue lendo “Byte, o sucessor espiritual do Vine chegou”

Sem saberem, grandes empresas financiam desinformação e intolerância na internet: Uma conversa com Matt Rivitz, do Sleeping Giants

Em novembro de 2016, após Donald Trump ser eleito presidente dos Estados Unidos, o redator publicitário Matt Rivitz abriu o site Breitbart News, ligado ao estrategista de campanha de Trump, Steve Bannon, e peça-chave na cobertura da campanha do republicano. Rivitz ficou horrorizado com o que classificou de conteúdo “incrivelmente intolerante, racista e sexista”. Também chamou a sua atenção a presença de anúncios de grandes marcas ao lado desses comentários. Primeiro, Rivitz questionou se as empresas sabiam que suas marcas estavam sendo veiculadas ao lado de conteúdos reprováveis. E, se ao saberem, tomariam alguma atitude. Decidiu, então, expôr o problema.

Nascia ali o Sleeping Giants, uma conta no Twitter inicialmente anônima que Rivitz criou para conscientizar o mercado dos resultados potencialmente danosos à imagem das empresas que a publicidade programática pode gerar. Esse modelo, liderado pelo Google e praticamente padrão na indústria, automatiza a compra de espaços para a veiculação de anúncios. A empresa X que queira anunciar seu produto nos locais e para as pessoas mais propensas a adquiri-lo paga ao Google, não aos sites e apps anunciantes, e o Google faz o trabalho de combinar as peças aos sites, palavras-chaves no buscador e outras propriedades digitais usando todos os dados que coleta rotineiramente dos seus bilhões de usuários. Obviamente, nem todos os sites são iguais e é nessa que marcas renomadas acabam anunciadas em locais que emanam ódio, racismo, misoginia e toda a sorte de conteúdo errático.

O Sleeping Giants detecta e expõe essas situações. É um trabalho que vem dando resultado: de acordo com a Moat Pro, empresa especializada em inteligência em publicidade, entre o início do perfil e junho de 2018, o número de marcas anunciantes no Breitbart News caiu 80,3% (de 3.300 para 649) e o de peças únicas, 83,5% (de 11.500 para 1.902). Apesar do foco inicial nesse site, hoje o Sleeping Giants mira outros veículos intolerantes e, em alguns casos, indivíduos que desfrutam de posições privilegiadas a despeito de condutas e declarações reprováveis.

Continue lendo “Sem saberem, grandes empresas financiam desinformação e intolerância na internet: Uma conversa com Matt Rivitz, do Sleeping Giants”

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!