Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

Apple e DuckDuckGo atacam modelo de negócio do Google em novos comerciais

Alguém poderia dizer que foi combinado (não parece ser o caso): com um dia de diferença, Apple e DuckDuckGo lançaram novas campanhas publicitárias nos Estados Unidos que atacam o modelo de negócio do Google, ou seja, a venda de dados pessoais via “leilões” de anúncios.

Na peça do DuckDuckGo (acima), um homem com uma camiseta do Google aparece ao lado de pessoas mexendo em seus celulares, observando o que se passa na tela. Ao fundo, toca Every breath you take, do The Police, que no refrão diz algo como “eu estarei de vigiando”. (Nunca havia reparado que essa letra é meio… assustadora?)

Pelo Twitter, o DuckDuckGo informou que o comercial será veiculado em +5 mil rádios norte-americanas e, em vídeo, em plataformas de streaming e na TV, em horário nobre e nos intervalos dos jogos da NBA e MLB (beisebol).

A da Apple mostra um leilão tradicional dos dados pessoais da Ellie, personagem do filme. Ao final, quando ela começa a ativar os recursos de privacidade do iOS, seus dados pessoais (representados fisicamente), os participantes e até o leiloeiro viram pó. Via @DuckDuckGo/Twitter (em inglês).

Compartilhamento de dados do Google é assustador

Compartilhamento de dados do Google é assustador, por Parmy Olson na Bloomberg Línea:

Cada vez que você abre um aplicativo em seu telefone ou navega na web, um leilão pela sua atenção acontece nos bastidores, graças a um próspero mercado de dados pessoais. O tamanho desse mercado sempre foi difícil de definir, mas um novo relatório do Conselho Irlandês para as Liberdades Civis, que faz campanha agressiva há anos nos Estados Unidos e na Europa para limitar o comércio de dados digitais, agora trouxe um número. O relatório, que o conselho compartilhou com a Bloomberg Opinion, afirma que as plataformas de anúncios transmitem os dados de localização e os hábitos de navegação de americanos e europeus cerca de 178 trilhões de vezes por ano. De acordo com o relatório, o Google transmite o mesmo tipo de dados mais de 70 bilhões de vezes por dia em ambas as regiões.

É difícil para os humanos visualizarem esses números, mesmo que as máquinas os calculem confortavelmente todos os dias – mas se o uso de nossos dados pessoais pudesse ser visto da mesma forma que a poluição, estaríamos cercados por uma névoa quase impenetrável que fica mais espessa à medida que interagimos com nossos telefones. Quantificando de outra maneira: por meio de atividade online e dados de localização, uma pessoa nos EUA é exposta 747 vezes por dia a anúncios em tempo real, de acordo com os dados. O conselho diz que sua fonte não identificada tem acesso especial a um gerente de uma campanha publicitária realizada pelo Google (esse número não inclui dados pessoais transmitidos pelo Facebook da Meta Platform (FB) ou pelas redes de anúncios da Amazon (AMZN), o que significa que a verdadeira medida de todos os dados de transmissão é provavelmente muito maior).

Pi-Hole: Bloqueie anúncios e melhore a privacidade da sua conexão à internet

Se preferir, veja no YouTube.

Bloqueadores de anúncios são bem comuns — mesmo que você não use um, já ouviu falar. Em casa, uso o Pi-Hole, uma solução que abrange toda a rede e bloqueia anúncios e códigos de rastreamento, automaticamente, em todos os dispositivos conectados. Neste vídeo, explico o funcionamento básico do Pi-Hole e dou algumas dicas de configuração e usos.

Continue lendo “Pi-Hole: Bloqueie anúncios e melhore a privacidade da sua conexão à internet”

Shorts, os vídeos curtos do YouTube, em breve terão anúncios

Lançado em 2020, os Shorts são a resposta do Google/YouTube ao fenômeno TikTok. Os vídeos curtos não tinham anúncios até agora, mas isso está prestes a mudar.

Philipp Schindler, diretor de negócios, disse a investidores que os primeiros testes com o formato têm sido bem sucedidos: “Ainda estamos no começo, mas encorajados com os primeiros feedbacks e resultados dos anunciantes.”

Em outro momento, Sundar Pichai, CEO do Google, disse que os Shorts têm em média 30 bilhões de visualizações por dia, número quatro vezes maior que o de um ano atrás. Via Bloomberg, TechCrunch (ambos em inglês).

Orlando Silva se irrita com investida da big tech contra PL das Fake News — de novo

Foto de uma página de jornal, com anúncio do Google de página inteira. Lê-se na chamada: “O Projeto de Lei 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas.”
Foto: @orlandosilva/Twitter

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do PL 2630/2020, o PL das Fake News, está revoltando com a campanha da big tech contra o projeto — de novo.

Neste domingo (3), o Google emplacou em alguns jornais um anúncio de página inteira dizendo que “O PL 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas”, uma referência ao artigo 38, que obriga as plataformas digitais a remunerarem sites jornalísticos pelo uso de seu conteúdo. (Como se o Google nunca tivesse financiado fake news, né?)

O artigo 38 está longe de ser unanimidade. Entidades setoriais, como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor; o Manual do Usuário é associado) também criticaram a nova regra.

No Twitter, o deputado compartilhou uma foto do anúncio do Google dizendo que a empresa “gastou os tubos, abusando do poder econômico, para MENTIR sobre o PL das Fake News”. E prosseguiu:

A verdade é que o Google usa conteúdo alheio para enriquecer, não tem ética e nem solidariedade com quem produz informação. Querem ganhar sozinhos. TUBARÕES DA INTERNET!

Não é a primeira vez que Orlando se manifesta contra um desses anúncios de página inteira. No início de março, o deputado criticou um da Meta (ex-Facebook) de tom similar.

O relatório final do PL 2630/2020 foi apresentado na última quinta-feira (31) e deve ser votado no plenário nos próximos dias. Via @orlandosilva/Twitter.

Microsoft testa anúncios no Explorer do Windows 11

Dois prints parciais do Explorer do Windows 11 mostrando anúncios em texto do OneDrive e do Microsoft Editor.
Imagens: @teroalhonen/Twitter e @flobo09/Twitter.

Usuários do Windows 11 que testam novas versões preliminares do sistema depararam-se com anúncios no Windows Explorer (vide imagens acima). A descoberta causou reações fortes entre outros usuários, temerosos de que o Explorer se torne outra superfície para anúncios no sistema operacional da Microsoft.

Em nota ao site BleepingComputer, porém, Brandon LeBlanc, gerente de produtos da Microsoft, afirmou que “isto era um banner experimental que não foi feito para ser publicado externamente e já foi desligado”, uma declaração que suscita questionamentos: se não foi feito para ser “publicado externamente”, foi feito para quê? Via @teroalhonen/Twitter, @flobo09/Twitter, BleepingComputer (todos em inglês).

Empresas de mídia planejam abandonar o AMP do Google

Grandes empresas de mídia norte-americanas planejam desativar as versões AMP de seus sites, a plataforma de sites rápidos imposta pelo Google em 2015. O Washington Post já deu esse passo. Depois que o Google abriu o carrossel de destaques a páginas não-AMP e tornou-se público que a empresa sabotava páginas não-AMP para proteger seu negócio de anúncios, faltam motivos para justificar essa venda de alma ao Google. As empresas consultadas pela reportagem do Wall Street Journal esperam mais controle e melhorar as vendas de anúncios em seus sites. Via Wall Street Journal (em inglês).

Mozilla se une a Facebook/Meta em iniciativa para resolver problema da atribuição na publicidade

A Mozilla anunciou uma parceria com o Facebook/Meta “em uma nova proposta que objetiva ativar a mensuração de conversão — ou atribuição — para a publicidade chamada Atribuição Privada Interoperável” (IPA, na sigla em inglês).

A tarefa é quase paradoxal: resolver o problema da atribuição, ou seja, de conectar campanhas publicitárias à conversões (compras) preservando a privacidade. Mas o que mais causou estranheza foi a união entre Mozilla, empresa/fundação que costuma se posicionar em prol da privacidade dos usuários, e Facebook/Meta, uma das empresas que mais violam e abusam da privacidade das pessoas em geral, até mesmo de não usuários. Complicado. Via Mozilla (em inglês).

Magalu e Via Varejo se processam por usarem marcas uma da outra em anúncios do Google

Magazine Luiza e Via Varejo (das marcas Casas Bahia e Ponto) estão protagonizando uma disputa judicial um tanto ridícula. Ambas se processaram por uma usar a marca da outra na compra de anúncios do Google. Quando alguém procurava por “magalu” no buscador, por exemplo, via anúncios das lojas da Via, e vice-versa. Os juízes dos dois processos aceitaram preliminarmente as alegações. Via Migalhas.

Google apresenta nova alternativa a cookies de terceiros

O Google desistiu oficialmente do FLoC, sua controversa alternativa aos cookies de terceiros para o direcionamento de anúncios na web.

Desde o início, o FLoC foi criticado por especialistas em privacidade, temerosos pelo potencial de abuso e discriminação da tecnologia. (Entenda.) Outros navegadores que não o Chrome, buscadores que não o Google e extensões de privacidade e bloqueio de anúncios já haviam sinalizado que bloqueariam o FLoC.

Em um post no blog da empresa, o diretor de produtos Vinay Goel deu rapidamente a notícia antes de apresentar seu substituto, a API Tópicos. Trata-se de um conjunto de cinco interesses do usuário, detectados nas últimas três semanas e restritos ao Chrome, que sites e anunciantes poderão usar para direcionar anúncios.

Vinay diz que os Tópicos são limitados (350 no lançamento) e criados com cuidado, a fim de excluir assuntos sensíveis como religião e raça/etnia, e que o Chrome apresentará uma interface inteligível para o usuário excluir tópicos ou desativar o recurso. Cerca de 5% dos tópicos/assuntos enviados pelo Chrome a anunciantes serão falsos, para aumentar a proteção à privacidade do usuário.

Aqui tem uma explicação técnica da API dos Tópicos.

Em boa medida, os Tópicos parecem ser uma versão menos atabalhoada que o FLoC e limitada ao navegador — que, não sem surpresa, é do próprio Google.

O Chrome será o último dos grandes navegadores a abandonar os cookies de terceiros. O atraso se deve à necessidade do Google, uma empresa de publicidade com forte atuação na web, preparar um substituto à altura em termos de precisão e geração de receita.

Dica: o Firefox já abandonou os cookies de terceiros e vem de fábrica com várias boas configurações pró-privacidade. Via Google, Axios (em inglês).

Facebook e Instagram não aceitam mais anúncios segmentados em tópicos sensíveis

A partir desta quarta (19), anunciantes do Facebook e do Instagram não poderão mais direcionar anúncios com base em categorias “relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis”, como saúde, raça ou etnia, filiação política, religião ou orientação sexual. Campanhas que já estão rodando poderão continuar no ar até 27 de março. O Facebook/Meta também removeu categorias pouco usadas, redundantes ou muito granulares, sem especificar quais. Via Search Engine Land (em inglês), Meta para Negócios.

Google enganou anunciantes e parceiros de publicidade por anos, dizem procuradores nos EUA

Na última sexta (14), a Justiça dos Estados Unidos tirou o sigilo de mais trechos do processo que procuradores norte-americanos, liderados pelo texano Ken Paxton, movem contra o Google por práticas anticompetitivas no mercado de publicidade digital.

Em outubro de 2021, trechos chocantes já haviam sido liberados pela Justiça. Não era tudo. Desta vez, soubemos que durante anos o Google enganou anunciantes e parceiros (ou publishers, sites que veiculam anúncios).

Três programas internos do Google manipulavam as negociações automatizadas. Em um deles, o Google cobrava um valor do anunciante, repassava menos que o de direito ao parceiro e guardava a diferença em um fundo que era usado em outras oportunidades para competir por espaços publicitários com outras empresas.

No mercado de publicidade, o Google participa em todas as etapas do processo de compra e venda de anúncios. A empresa promove os leilões ao mesmo tempo em que representa compradores e vendedores de anúncios nesses leilões. Um óbvio conflito de interesses que, enfim, está sendo questionado judicialmente.

Outra revelação bombástica dos novos trechos divulgados é que o programa Jedi Blue, um conluio entre Google e Facebook, as duas maiores empresas de publicidade dos Estados Unidos, teve o aval dos principais executivos de ambas — Sundar Pichai, CEO do Google; Sheryl Sandberg, COO do Facebook; e Mark Zuckerberg, CEO do Facebook. Via Wall Street Journal, Wired, Politico (todos em inglês).

Compre dos parceiros do Manual:

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