O WhatsApp como um bar

Analogia é o recurso linguístico mais preguiçoso que existe para explicar algo. Peço desculpas antecipadamente para fazer uso de uma nesta breve análise do WhatsApp às vésperas da entrada em vigor da sua nova política de privacidade.

Alemanha proíbe Facebook de processar dados do WhatsApp

À luz da nova política de privacidade do WhatsApp, a Alemanha proibiu o Facebook de processar dados dos usuários do app de mensagens. Para isso, amparado pelo GDPR, o órgão regulador máximo do país impôs um congelamento de três meses na coleta de dados do WhatsApp.

O Facebook se defendeu, dizendo que houve um “mal entendido”. E eles estão certos: o Facebook cruza dados do WhatsApp com os de suas outras propriedades desde 2016, ou seja, isso não é novo e nada tem a ver com a nova política de privacidade. De qualquer forma, ela tem seus problemas e este episódio na Alemanha é mais um tijolo colocado no muro que tenta barrar a mudança no app, que passa a valer neste sábado (15). Via Reuters (em inglês)

WhatsApp alivia punições a quem não aceitar nova política de privacidade até 15 de maio

O WhatsApp alterou a página de suporte que detalha o que acontecerá às contas daqueles que não aceitarem a nova política de privacidade do app, que passa a valer a partir de 15 de maio.

Em inglês, a nova redação diz que “ninguém terá suas contas apagadas ou perderá funcionalidades em 15 de maio por causa dessa atualização”. A redação anterior, que ainda está na versão em português do Brasil, dizia que “O WhatsApp não apagará sua conta, mesmo se você não aceitar a atualização dos Termos de Serviço até essa data. Entretanto, você não poderá usar alguns recursos do WhatsApp até aceitar essa atualização. Por um curto período, você ainda poderá receber chamadas e notificações, mas não poderá ler nem enviar mensagens pelo app.”

Ainda segundo o novo texto, os pedidos para que o usuário aceite a nova política de privacidade se tornarão mais frequentes e, depois de “algumas semanas”, o WhatsApp começará a parar — chamadas, mensagens e notificações deixarão de ser recebidas pelo aparelho.

O histórico do app não será apagado mesmo após isso, mas a política de contas inativas continuará valendo. Segundo ela, o WhatsApp pode apagar contas após 120 dias de inatividade.

Signal dedura a usuários do Instagram os dados pessoais que o Facebook usa para segmentar anúncios

Três anúncios do Signal, em texto e em inglês, detalhando características dos usuários que os receberam.
Imagem: Signal/Divulgação.

O Signal comprou anúncios segmentados no Instagram para mostrar aos usuários atingidos como seus dados são usados pelo Facebook. Os anúncios não tentam vender nada; eles apenas mostram, em texto, quais dados pessoais o Facebook usou para decidir exibi-los. “A maneira como a maior parte da internet funciona hoje seria considerada intolerável se traduzida em analogias do mundo real compreensíveis, mas ela permanece porque é invisível”, escreveu Jun Harada no blog do app.

Em um dos anúncios (o primeiro acima), lê-se:

Você recebeu este anúncio porque é um engenheiro químico que ama K-Pop.

Este anúncio usou sua localização para ver que você está em Berlim.

E você acabou de ter um bebê. E mudou-se. E tem sentido pra valer aqueles exercícios para gravidez recentemente.

A conta do Signal no Facebook foi bloqueada e os anúncios, desabilitados. Curioso que, nesses casos, os sistemas de moderação funcionam e as regras se aplicam.

“O Facebook quer muito vender uma visão das vidas das pessoas, a menos que você conte às pessoas como seus dados estão sendo usados”, prosseguiu Jun. Genial. Via Signal (em inglês).

Organizações sul-americanas pedem para que Facebook cancele a nova política de privacidade do WhatsApp

Quase 30 organizações sul-americanas assinaram um comunicado conjunto a respeito da nova política de privacidade, cujo aceite passa a ser obrigatório no próximo dia 15 de maio. Elas pedem para que o Facebook suspenda no mundo inteiro a aplicação da nova política de privacidade e desfaça o compartilhamento de dados entre WhatsApp e Facebook, vigente desde 2016. Via AI Sur (em espanhol).

Para entender o que está em jogo na nova política de privacidade do WhatsApp e por que ela causa tanta aversão, leia esta análise.

Colaborou Jacqueline Lafloufa.

Facebook apela e diz que precisa rastrear usuários no iOS 14.5 para continuar gratuito

Prints, em inglês e português, da tela que o Facebook exibe ao pedir autorização para rastrear o comportamento dos usuários no iOS 14.5.
Montagem sobre imagens do Facebook/Divulgação.

Ao pedir a seus usuários para que liberem o rastreamento dos seus passos no iOS 14.5, recurso chamado de Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês, o Facebook apelou. Na mensagem (acima), presente nos apps do Facebook e do Instagram, a empresa diz que rastrear todos os passos do usuário em sites e outros apps do celular “ajuda a manter o Facebook/Instagram gratuito”. Via @ashk4n/Twitter (em inglês).

O apelo tem razão de ser. Há meses o Facebook reclama do novo recurso de privacidade do iOS 14.5, lançado segunda passada (26/4). E os primeiros sinais do “ad-pocalipse” começam a aparecer: dados preliminares da consultoria Branch Metrics apontam que apenas 4% das pessoas que viram a tela de autorização do ATT liberaram o rastreamento irrestrito por apps. Via @alexdbauer/Twitter (em inglês).

Até 2019, o Facebook estampava na capa do seu site que o serviço “é gratuito e sempre será”. Mais uma evidência do valor que a palavra das grandes empresas tem. Via Insider (em inglês).

Apps deverão obter o consentimento do usuário para rastreá-lo no iOS a partir de segunda (26)

Com a chegada iminente do iOS 14.5, a Apple avisou os desenvolvedores de apps que, a partir da próxima segunda-feira (26), o App Tracking Transparency (ATT) passa a ser obrigatório. O recurso exige que apps para iOS que coletam dados do usuário em sites e outros apps (veja como funciona) obtenham autorização expressa para continuarem com tal prática. Via Apple (em inglês).

Proposta: tratar o FLoC como uma questão de segurança

Os desenvolvedores do WordPress estão debatendo como o software, que está por trás de 41% dos sites da web (incluindo este Manual do Usuário), tratará o FLoC como uma questão de segurança. (FLoC é o projeto do Google para continuar segmentando publicidade sem o auxílio de cookies. Falamos dele no último Guia Prático.) A proposta é que o WordPress saia de fábrica configurado para bloquear a atuação do FLoC. Se um administrador quiser alterar essa configuração, ele poderá. A configuração padrão, como sabemos, é o que importa. Via WordPress (em inglês).

Em paralelo, Microsoft (navegador Edge) e Apple (Safari), embora não tenham se manifestado explicitamente sobre o assunto, já deram sinais de que devem rejeitar o FLoC. Via Bleeping Computer (em inglês).

Navegadores e extensões anunciam bloqueio ao FLoC, do Google

Não é só o DuckDuckGo que bloqueará o FLoC, novo método de rastreamento de usuários do Google. Nos últimos dias, os navegadores Brave e Vivaldi (ambos baseados no Chromium) e as extensões AdGuard e uBlock Origin também já anunciaram que bloquearão o FLoC.

Por ora, o Google está testando o FLoC em um pequeno grupo de usuários (0,5%) em alguns países, Brasil entre eles. A Electronic Frontier Foundation (EFF) publicou um site que verifica se o FLoC está ativo no seu navegador. Clique aqui para conferir.

Não sabe o que é FLoC? Leia isto.

Dados públicos de 1,3 milhão de usuários do Clubhouse estão sendo distribuídos

Depois de Facebook e LinkedIn, agora foi a vez do Clubhouse ter dados vazados. A técnica foi a mesma: raspagem de dados mediante uma API pública sem muito controle. No caso do Clubhouse, foram 1,3 milhão de registros, cada um com alguns dados públicos como nome, foto, data da criação da conta e número de seguidores, que estão sendo distribuídos gratuitamente em um fórum na internet.

O Clubhouse protestou no Twitter, dizendo que os dados não vieram de um hacking ou vazamento. O caso é menos problemático que o do Facebook, pela escala e pelos dados obtidos, e o debate é válido: abusar de uma API para consolidar dados públicos em bancos de dados acessíveis é o mesmo ou equiparável a hackear? Via CyberNews (em inglês).

Extensão do DuckDuckGo bloqueará FLoC, novo método de rastreamento do Google

O DuckDuckGo (DDG) declarou guerra ao FLoC, novo método de rastreamento que o Google usará para direcionar anúncios no lugar do rastreamento individual, via cookies. Todas as ações no buscador do DDG serão blindadas do FLoC e sua extensão oficial estenderá a proteção a toda a web. Outra forma de escapar da vigilância do Google é usando qualquer navegador que não seja o Chrome, até agora único compatível com a nova tecnologia. Via DuckDuckGo (em inglês).

Veja também:

Facebook recorre ao duplipensar para explicar o vazamento de dados de meio bilhão de usuários

A reação do Facebook ao vazamento de +500 milhões de números de telefone de usuários e outros dados pessoais da rede social tem sido fascinante.

“É importante entender que os agentes mal-intencionados obtiveram esses dados não por meio de hacking em nossos sistemas, mas através da raspagem desses dados em nossa plataforma antes de setembro de 2019”, diz a empresa num post sob o título “Entenda os fatos por trás da notícia sobre dados do Facebook” (qual notícia?), como se fizesse alguma diferença o “modus operandi” ou a data da pilhagem de dados.

Fato é que os dados pessoais de meio bilhão de pessoas, que estavam sob a guarda do Facebook, agora estão sendo distribuídos de graça no esgoto da internet.

Alguns parágrafos abaixo, o Facebook diz que “Quando soubemos que esse recurso estava sendo usado de forma indevida em 2019, fizemos alterações ao importador de contatos”. Ora, se não foi hacking, não havia falha, e se não havia falha, por que foram feitas “alterações ao importador de contatos”? Parece até que o Facebook está adotando o duplipensar como estratégia de comunicação. Via Facebook.

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