O Facebook está pedindo seu RG? Como lidar com essa situação

Atualização (4/9/2014): Se você chegou aqui por causa do “desafio do RG” que está rolando no Facebook, um aviso: o post abaixo não trata disso. E um pedido: tudo bem mostrar a foto 3×4, mas não divulgue outros dados do seu documento, nem por brincadeira. Isso pode acabar em problemas.


Imagine estar usando o Facebook quando, de repente, o site trava a sua conta e, para liberá-la, exige um documento oficial. Complô com a NSA? Parceria com o IBGE para fazer o próximo Censo? Nada disso: é apenas a verificação de identidade em ação.

Não sei a dimensão dessa onda de verificações, mas pelo menos nos meus círculos de amizades, ela atingiu bastante gente. Horas depois, porém, o Facebook informou por meio de um porta-voz que um erro motivou a disparada de verificações desnecessárias para uma pequena parte da base de usuários. Nesses casos, bastava esperar que a conta era reativada sem que fosse preciso fazer nada.

Ainda assim, o pedido de documento oficial é real e pode acontecer uma hora ou outra. Quando esse obstáculo surge, ele se apresenta da seguinte forma:

Facebook, para que você quer meu RG?

O Facebook pede um documento de identificação que “deve incluir seu nome, data de nascimento e foto”, sugerindo em seguida alguns aceitos, como RG, passaporte e CNH.

Por que isso? Devo me render ao sistema ou resistir e ir para o Google+? Calma, a situação é menos alarmante do que parece à primeira vista.

Por que o Facebook quer saber meu RG?

A primeira reação é de indignação, e é compreensível. A exigência de um documento oficial é exagerada, especialmente para quem não faz negócios no Facebook e está ali só pelo aspecto de rede social do serviço, pelo entretenimento. É seguro mandar essa cópia de documento para lá? Não sei, mas não é bem isso que é pedido.

Como se sabe, o Facebook exige o uso de nomes reais. A política nesse sentido é bem rígida por motivos claros — a veracidade das informações, ali dentro, é um ponto de venda da rede para anunciantes e um fator importante para os seus objetivos. Há indicações de sobra ressaltando esse cuidado, os termos de uso dizem explicitamente que é preciso ser honesto pelo menos nessas três informações:

“Os usuários do Facebook fornecem seus nomes e informações reais, e precisamos da sua ajuda para que isso continue assim.”

Na página inicial/de cadastro, uma caixa suspensa explica por que a exigência se estende à data de nascimento:

Fornecer sua data de nascimento ajuda a assegurar que você receba a experiência certa para sua faixa etária. Você pode optar por ocultar essa informação de sua linha do tempo mais tarde se desejar.

Embora essa abordagem focada em nomes, data de nascimento e documentos oficiais não seja muito antiga (o mais longe que cheguei foi a este post de 2010), desde o principio existia a preocupação de lidar com gente real, de carne, osso e número de identificação. Antes, porém, o mecanismo usado para esse controle era o email universitário.

Como dizer ao Facebook que você é você mesmo

Existe uma página de ajuda no Facebook para elucidar exclusivamente essa dúvida. Ali, o site diz que a forma mais simples de ter sua conta verificada é atrelando-a a um número de celular. Isso explica, talvez, por que não recebi esse pedido de documentação.

A minha conta está atrelada ao meu número e, pela autenticação em duas etapas que isso permite, recomendo que você faça o mesmo — basta ir nas configurações de mobilidade e ativar o recurso. A verificação é um efeito colateral que o poupará dessa dor de cabeça envolvendo RG e outros documentos. E não se preocupe, ocultar o número de todos os estranhos e até mesmo seus contatos é fácil.

Mas ok, você não fez a tempo e agora estão te pedindo um documento. O que fazer? Envie-o, mas tome precauções antes. Mesmo com a promessa de que as fotos são destruídas após a verificação ser concluída, nunca se sabe. E é um mandamento básico não compartilhar seus dados pessoais com qualquer um, certo? Muito menos o Facebook.

A própria rede social pede para que toda informação que não as três exigidas (nome completo, data de nascimento e foto) seja ocultada. Use o Photoshop, o Paint, qualquer editor simples para ocultar informações mais sensíveis. Há até um modelo na já referida página de ajuda:

É assim que você deve mandar seu RG para o Facebook.
Imagem: Facebook/Reprodução.

Esta página traz algumas diretrizes sobre formato, tamanho e outros detalhes da foto.

Isso demora?

Pode demorar. Há relatos de gente que teve que esperar até nove dias para ter a conta restabelecida. Ouvi, ainda, pessoas falando em três dias, mas também outras dizendo que tiveram que esperar algumas horas apenas. Imagino que hoje a espera não tome tanto tempo, mas mesmo que seja o caso, aguarde.

Não faça outro perfil/conta, isso não adiantará muito. Ela também exigirá verificação e, além de se deparar novamente com esse problema cedo ou tarde, haverá ainda a agravante da duplicidade — o item 4.2 dos termos de uso diz que “você não deve criar mais de uma conta pessoal”.

É chato esperar? Imagino que sim. Mas é o preço que se paga, além dos anúncios na cara o dia todo, para usar o Facebook.

Recomendações compartilhadas do Google: o que são e como desativá-las

A partir de 11 de novembro o Google passará a usar avaliações/notas, fotos e nomes de usuários do Google+ para endossar anúncios em várias das suas propriedades. São as recomendações compartilhadas. O recurso lembra as “Histórias patrocinadas” do Facebook e, tal qual na rede social de Zuckerberg, nos domínios de Page e Brin essa novidade também levanta algumas sobrancelhas.

Que pese em favor do Google, o processo de conversão de +1 e avaliações de produtos/estabelecimentos está sendo mais transparente. Aqui, uma notificação do Google+ avisando da iminente mudança e uma barra no topo do Google.com surgiram para me alertar. Embora seja do interesse do Google manter o maior número de pessoas com essa opção ativada (é assim por padrão), dar publicidade a ela é um preço, pago adiantado, para evitar uma enorme dor de cabeça no futuro.

Google alerta sobre alterações em seus termos de serviço.

O precedente do Facebook

Quando passou a usar as atividades dos usuários para endossar anúncios, o Facebook não deu todos esses avisos. O site “virou a chave” na surdina, pegou muitos usuários de surpresa, gerou situações inusitadas, algumas até sérias e, como resultado, foi processado nos EUA. Perdeu, teve que pagar US$ 20 milhões em indenizações e rever todo o sistema para deixá-lo mais transparente.

O histórico do Google em grandes mudanças envolvendo privacidade não é dos melhores, também. Na época do Google Buzz, as preferências padrões de compartilhamento eram desastrosas e gerou problemas graves.

Com o Google+ temos visto muita atenção à privacidade, do esquema de círculos para controlar quem vê o quê até a visibilidade das recomendações via +1. No caso das recomendações compartilhadas, se você não quiser que sua foto, nome e avaliações sejam usados ao lado de anúncios, poderá sinalizar isso explicitamente ao Google.

Recomendações compartilhadas: em anúncios, mas não só

As recomendações compartilhadas, na prática, serão assim:

Como ficarão as recomendações compartilhadas do Google em anúncios.

Como bem lembrou Danny Sullivan, tudo isso é na realidade uma expansão do uso de conteúdo gerado no Google+ para endossar produtos, estabelecimentos e anúncios. Desde 2011 o Google usa dados do botão +1 (o equivalente ao “curtir” do Facebook) para reforçar a relevância de peças publicitárias. O que muda, então? Sullivan resume:

“(…) A empresa [Google] explicou que os termos serão alterados para permitir que mais coisas além dos +1 sejam mostradas nos anúncios.

Agora, se você avaliar alguma coisa, ou deixar um comentário, ou seguir [circular] uma marca em especial (em vez de apenas ‘curtir’ ela com um +1), essas e outras atividades sociais poderão aparecer em anúncios no Google ou através da sua rede de exibição, junto com a sua imagem.”

As imagens acima vieram da página de configuração das recomendações compartilhadas. Ela explica, com exemplos, como elas funcionarão na prática, e somada à que avisa os usuários das mudanças nos termos de uso, traz alguns detalhes importantes.

A utilização desse conteúdo pelo Google segue a privacidade definida para os +1 e avaliações originais. Isso significa que se você deu um +1, mandou um comentário ou avaliou alguma coisa de forma restrita, apenas a alguns contatos ou círculos no Google+, esse conteúdo só será eventualmente apresentado em um anúncio ou outra peça a quem já podia vê-lo de forma orgânica. Conteúdo público? Fica ao alcance de todo mundo, mas por motivos óbvios só deve ser usado para quem tem você circulado (não faz sentido algum mostrar endossos de gente totalmente desconhecida) ou contabilizar números globais (“3583 pessoas deram +1” tem um efeito psicológico positivo em nós).

Outro ponto interessante é que publicidade é uma das áreas afetadas, mas não a única. No anúncio, o Google explica:

“Com o feedback de pessoas que o usuário conhece, ele pode economizar tempo e melhorar os resultados para si e para seus amigos em todos os serviços da Google, incluindo Pesquisa do Google, Google Maps, Google Play e publicidade.”

No Google Play e na pesquisa isso fica bem claro. Pesquisando um app ou página, respectivamente, as “curtidas”/+1 de seus contatos já aparecem. Agora, comentários e avaliações poderão ser destacados também.

Os +1 já são usados na Play Store e em pesquisas.

Menores de idade são exceção e, embora expostos às recomendações compartilhadas, quem tiver menos de 18 anos não terá suas atividades usadas para fins comerciais.

Como impedir o Google de me usar em anúncios?

Embora o problema seja complexo, a solução é simples. Acesse esta página e, se estiver marcada, desmarque a opção “Com base em minhas atividades, o Google poderá exibir meu nome e minha foto de perfil em recomendações compartilhadas em anúncios.” e clique no botão Salvar.

O texto é bem explícito, a opção só restringe a exibição desse conteúdo em anúncios. No Google Play, Maps, pesquisa e outros locais cabíveis, suas notas e +1 continuarão aparecendo. Não existe, em lugar algum, uma opção que desabilite de forma universal as recomendações compartilhadas.

O dilema de sermos o produto

Quando uma polêmica junta conteúdo gerado por usuários e publicidade, é inevitável lembrarmos de velhas histórias do tipo “não existe almoço grátis”, ou “se você não paga, você é o produto”. O Google, assim como o Facebook, oferece seus serviços de graça e lucra (bastante!) com publicidade. Tornar anúncios mais atraentes é um passo vital para a empresa e associar pessoas, carinhas conhecidas a essas peças publicitárias, é um mecanismo psicológico muito forte para aumentar a empatia delas e, consequentemente, a taxa de cliques.

No TechCrunch, Josh Constantine, com um ar meio derrotista, diz que é assim que a roda gira, que o melhor mesmo é se render ao sistema e que, nessa, é até legal encontrar anúncios endossados por gente conhecida. É um comentário válido, mas em um contexto mais limitado. O endosso em recomendações de locais no Google Maps, ou as avaliações de apps no Google Play, são uma mão na roda, um equivalente moderno, ainda que mais raso, do bom e velho boca a boca. Gostamos tanto encontrar boas dicas de quem confiamos no Foursquare, por que no Google seria diferente?

Mas quando estamos falando de publicidade, e Constantine parece fechar seu comentário nisso, a questão é mais delicada. Você, pessoa física, não saberá de antemão o contexto em que seu comentário/curtida/avaliação será inserido, nem ganhará um centavo sequer por incentivar uma venda ou assinatura que fará a empresa que anuncia lucrar. O poder concedido ao Google é muito abrangente, e isso é motivo para preocupação.

Ninguém sabe ainda como as recomendações compartilhadas funcionarão no lado dos anunciantes — o Google não revelou, deve estar guardando o ouro para depois de 11 de novembro. A aplicação é um ponto importante, bem como saber a maneira com que tudo isso funcionará. Na dúvida, pelo menos dá para desabilitar facilmente o uso dos seus comentários e curtidas em anúncios.


Links úteis:


Aproveitando, para limitar o uso das suas curtidas em anúncios no Facebook, entre nesta página, selecione a opção “Ninguém” na parte Anúncios & Amigos, e salve a alteração.

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