Eleições e política no TikTok, com Lux Ferreira

Neste episódio do podcast, converso com Lux Ferreira, pesquisadore que publicou, via InternetLab, uma netnografia do uso do TikTok para comunicação política na campanha eleitoral de 2022, no Brasil. Leia o relatório na íntegra.


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Cooperação científica entre China e EUA em risco

Não é novidade o aumento das tensões tendo impacto no campo científico (tanto na pesquisa quanto no ensino).

Agora, um dos mais antigos acordos bilaterais entre os dois — firmado há 44 anos — está na corda bamba, como explica este texto do Axios: o U.S.-China Science and Technology Agreement (STA), assinado em 1979. Ele está em fase de renovação, mas está ameaçado por uma série de questões geopolíticas, pânico de espionagem e xenofobia.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, recebeu uma carta da comissão da Câmara do país — principalmente por pressão do Partido Republicano — recomendando a não renovação do acordo. Mas como explica este artigo (e o fio) de Karen Hao para o Wall Street Journal, a situação é mais complexa para os estadunidenses, que possuem uma dependência de pesquisa chinesa em diversas áreas importantes — ao contrário do que muita gente acha.

De fato, os papers científicos sino-estadunidenses sempre impactam a literatura e o fim dessa colaboração é ruim para todo mundo.

Mesmo assim, continuam as visitas oficiais de autoridades dos EUA à China. Essa semana é a vez da secretária de comércio Gina Raimondo, que chega a Pequim no domingo (27) e fica por quatro dias, onde manterá encontros com autoridades e empresários e para discutir restrições recentes de investimentos.

A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Novos estudos analisam o papel do Facebook e Instagram nas eleições

O presidente global de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, comentou com entusiasmo a divulgação de quatro artigos sobre a influência do Facebook e Instagram nas eleições norte-americanas de 2020.

São os primeiros resultados de um projeto mais amplo, iniciado em 2020, entre pesquisadores de universidades norte-americanas e a Meta. Da Science:

Em um experimento, os pesquisadores impediram que os usuários do Facebook vissem quaisquer postagens “recompartilhadas”; em outro, eles exibiram feeds do Instagram e do Facebook para os usuários em ordem cronológica inversa, em vez de em uma ordem com curadoria do algoritmo da Meta. Ambos os estudos foram publicados na Science. Em um terceiro estudo, publicado na Nature, a equipe reduziu em um terço o número de postagens que os usuários do Facebook viram de fontes com opiniões parecidas — ou seja, pessoas que compartilham suas inclinações políticas.

Em cada um dos experimentos, os ajustes mudaram o tipo de conteúdo que os usuários viram: remover postagens recompartilhadas fez com que as pessoas vissem muito menos notícias de política e menos notícias de fontes não confiáveis, por exemplo, mas mais conteúdo incivil. Substituir o algoritmo por um feed cronológico levou as pessoas a ver mais conteúdo não confiável (porque o algoritmo da Meta rebaixa fontes que compartilham repetidamente desinformação), embora tenha cortado o conteúdo de ódio e intolerante quase pela metade. Os usuários dos experimentos também acabaram gastando muito menos tempo nas plataformas do que outros usuários, sugerindo que eles se tornaram menos atraentes.

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Trabalho plataformizado ainda está longe de ser justo no Brasil, aponta relatório do Fairwork.

O projeto Fairwork divulgou a segunda edição do relatório de trabalho plataformizado no Brasil. Em 2023, foram analisadas dez plataformas de diferentes segmentos, das quais apenas três pontuaram — AppJusto, iFood e Parafuzo.

O número é igual ao da edição 2022, mas com outros nomes (à exceção do iFood) e uma nova nota máxima, de 3/10 pontos, obtida pelo AppJusto, estreante na pesquisa. Em outras palavras, ainda há muito a ser feito para assegurar condições justas de trabalho a quem depende das plataformas digitais.

O relatório também chamou a atenção ao lobby intenso que as plataformas têm feito no país para “convencer a opinião pública sobre seu ponto de vista, muitas vezes de maneira sutil ou como washing — ou seja, tentativa de limpar a imagem”.

Relatório de Stanford identifica conteúdo de abuso infantil no Mastodon e oferece sugestões de melhorias

Dois pesquisadores do Observatório da Internet da Universidade de Stanford, David Thiel e Renée DiResta, publicaram um relatório sobre a segurança de crianças no fediverso — em específico, no Mastodon —, nesta segunda (24).

O relatório expõe algo grave e é, ao mesmo tempo, uma bem-vinda chamada de atenção a quem desenvolve projetos de/em plataformas sociais descentralizadas, um modelo que implica na busca de novas soluções para lidar com um problema que, embora longe de estar resolvido, é melhor atacado em/por plataformas centralizadas.

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Monografia sobre o Manual e migração do site para o WordPress.com

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Neste podcast, falei da monografia sobre o Manual que o Matheus da Rocha Leite escreveu (e com comentário do próprio) e da migração do site para o WordPress.com, no último domingo.

Peço desculpas pela qualidade do áudio e os latidos do cachorro da vizinha ao fundo, em alguns momentos. Vida de home office…

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Manual é objeto de monografia na UFRGS

O Manual do Usuário foi objeto de análise de uma monografia do curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Matheus da Rocha Leite, orientado pelo professor Marcelo Träsel, analisou o Manual à luz dos conceitos do Slow Journalism, um movimento que prega outra forma de fazer jornalismo, com menos celeridade e maior preocupação com aspectos como transparência e a relação entre veículo e audiência.

Na monografia, Matheus faz contextualiza a crise do jornalismo, conceitua e apresenta as oportunidades que o Slow Journalism oferece, e faz uma análise de como o Manual implementa (ou não) as características do movimento.

Fiquei lisonjeado em ter meu trabalho escolhido como objeto de pesquisa e muito contente com o resultado. A monografia já está disponível, na íntegra, no site da UFRGS.

33–46% dos trabalhadores do Mechanical Turk usam inteligência artificial em suas tarefas.

Uma pesquisa descobriu que 33–46% dos trabalhadores da plataforma Mechanical Turk, da Amazon, estão usando inteligência artificial para completar as tarefas repetitivas e enfadonhas que costumam ser publicadas lá.

O MTurk é muito usado por empresas, entre outras coisas, para treinar IAs a um custo irrisório e sem encargos trabalhistas, ou seja, caminha-se para um circuito fechado de automação de tarefas repetitivas/enfadonhas. É a revolta dos precarizados usando as “armas” dos seus empregadores, hehe.

O pesquisador Manoel Ribeiro, um dos autores do estudo, alerta para o risco de que o treinamento de novos conjuntos de dados com IAs perpetue vieses e ideologias já existentes. Via @manoelribeiro/Twitter (em inglês).

LinkedIn conduziu experimento em 20 milhões de usuários.

Entre 2015 e 2019, o LinkedIn conduziu testes com 20 milhões de usuários para determinar se a sugestão de contatos mais próximos ou mais distantes influenciava nas chances deles conseguirem melhores oportunidades profissionais.

Descobriu que, sim, a teoria da força dos laços fracos funciona, e que o grupo que recebeu sugestões de contatos distantes acabou se dando melhor na hora de conseguir um bom emprego. A pesquisa está atrás do paywall da revista Science.

É inacreditável que pesquisadores, pessoas que julgamos tão inteligentes, tenham mesmo achado que seria uma boa ideia submeter tanta gente a um teste com potencial de alterar vidas sem avisá-las disso.

E nem dá para dizer que é algo inédito. Em 2014, o Facebook fez algo parecido quando dividiu quase 700 mil pessoas em dois grupos e mostrou posts alegres para um deles e posts tristes para outro, a fim de saber se isso teria alguma influência no humor deles. (Spoiler: teve.)

O LinkedIn se defendeu dizendo que seus termos de uso e política de privacidade preveem a realização de experimentos do tipo, o famoso consentimento inadvertido, um absurdo que leis modernas de privacidade, como a nossa LGPD, vedam. Via New York Times (em inglês).

Botões de feedback negativo do YouTube são meio que de enfeites, aponta estudo da Mozilla.

A Mozilla conduziu uma pesquisa para atestar a efetividade das ferramentas de feedback negativo do YouTube, aquelas em que o usuário sinaliza não ter gostado ou não querer mais recomendações similares.

Sem surpresa, o resultado é péssimo (íntegra em PDF). A mais efetiva, a sinalização “Parar de recomendar este canal”, só preveniu 43% de novas recomendações erradas. A pior, o botão de não curti, apenas 11%.

O YouTube, via porta-voz, reclamou que a Mozilla “não entende” o funcionamento da plataforma, que não tem por objetivo remover por completo qualquer canal ou tipo de vídeo. Acho que a Mozilla entende muito bem e esse é o problema: as ferramentas de controle do YouTube são ruins. Essa sensação foi confirmada por entrevistas qualitativas que os pesquisadores fizeram com uma amostragem dos usuários voluntários que ajudaram no estudo.

Os botões de feedback negativo do YouTube parecem com aqueles botões físicos de semáforo de pedestres — não funcionam. Qualquer um que já tentou extirpar um canal popular indesejado do algoritmo de recomendações do YouTube sabe disso. Via Mozilla, The Verge (ambos em inglês).

78% das crianças e adolescentes brasileiros estão em redes sociais, aponta pesquisa do CGI.br.

O CGI.br divulgou, na terça-feira (16), a edição 2021 da TIC Kids Online Brasil, que faz um raio-x do modo como crianças e adolescentes brasileiros (9 a 17 anos) usam a internet.

No comunicado à imprensa, o CGI.br destacou alguns achados:

  • 78% das crianças e adolescentes conectados têm perfil em pelo menos uma rede social.
  • Pela primeira vez o TikTok foi considerado na consulta — e 58% dos entrevistados disseram estar na rede da ByteDance.
  • O Instagram ainda lidera, mas a diferença é pequena: é usado por 62% dos entrevistados. Em 2018, o Instagram era usado por 45%.
  • Facebook está em queda livre: a posse de perfis caiu de 66% para 51%, e a relevância entre aqueles que estão na rede da Meta junto aos menores de idade despencou de 41% para 11%.
  • Por outro lado, o WhatsApp reina: 80% dos entrevistados conectados usam o aplicativo de mensagens da Meta, que lidera o ranking em todos os estratos sociais.

A pesquisa ouviu 2.651 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, entre outubro de 2021 e março de 2022.

Há outros recortes e consultas interessantes, como atividades online, distribuição por faixa de renda e região. Todos os dados, em diversos formatos, podem ser acessados nesta página. Via Cetic.br.

Brasil fica em 54º lugar em ranking de preços de internet móvel.

O Brasil aparece em 54º lugar, com um preço médio de US$ 0,74 por 1 GB baseado em 45 planos, no ranking de planos de internet móvel da Cable.co.uk, empresa especializada em comparação de preços de planos de internet.

Ficamos atrás de alguns vizinhos sul-americanos — Uruguai (9º, US$ 0,27/GB), Colômbia (31º, US$ 49/GB) e Chile (32º, US$ 0,51) —, mas bem melhor que a média da região (US$ 4,09/GB). Note-se, porém, que essa média é puxada bastante para cima pelas Ilhas Malvinas, que têm o segundo gigabyte mais caro do mundo, por US$ 38,45.

O território com o gigabyte mais caro do mundo é Santa Helena, outra ilha britânica ao Sul do Atlântico, com pouco mais de 4 mil habitantes. Por lá, 1 GB custa US$ 41,06. O gigabyte mais barato é o de Israel, onde custa US$ 0,04.

O levantamento da Cable.co.uk considerou 5 mil planos de dados móveis de 233 países e territórios, com dados coletados entre 16 de março e 2 de junho. Gráficos, planilhas com os dados brutos e comentários da empresa estão no link ao lado. Via Cable.co.uk (em inglês).

Influenciadores no Instagram estão premiando seguidores para “hackear” algoritmo.

O engajamento no Instagram chegou a uma nova fase, em que os seguidores atuam ativamente para ajudar influenciadores a “hackear” o algoritmo da plataforma e ganham prêmios em troca do trabalho voluntário.

A justificativa dos influenciadores que aderiram à prática é que o algoritmo do Instagram joga contra eles. Assim, instigar a base de seguidores para interagir com as publicações é uma forma de burlá-lo, ou “hackear o algoritmo”.

Os influenciadores posicionam tais campanhas para angariar ajudantes como uma troca — o prêmio dado ao seguidor mais engajado seria uma retribuição pela “atenção, apoio e gentileza”.

A escolha do agraciado não é aleatória, em sorteio. É alguém que o influenciador escolhe, tendo por critério o engajamento.

A constatação é da Issaaf Karhawi, doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em artigo publicado no blog do DigiLabour, o laboratório da Unisinos que estuda as conexões entre mundo do trabalho e tecnologias digitais.

O artigo da Issaaf, que explica em detalhes o fenômeno, pode ser lido no link ao lado. Via DigiLabour.

Brasil tem 1,5 milhão de entregadores e motoristas autônomos.

Saíram os resultados de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que analisou a situação de motoristas e entregadores que trabalhavam sem vínculo empregatício entre 2016 e o final de 2021.

Destacam-se a queda acentuada no número de motoristas de aplicativos e taxistas na pandemia (que começa a se recuperar) e o aumento dos entregadores de moto, também reflexo da crise sanitária causada pela covid-19.

Quanto à remuneração:

De todos os autônomos do setor de transporte, os motoristas de aplicativo e taxistas são os que têm a maior renda média: R$ 1,9 mil. O valor se refere ao fim de 2021 e está abaixo do recebido, em média, no 1º trimestre de 2016: R$ 2,7 mil.

Via Poder360.

Trabalho em plataformas digitais está longe de ser justo no Brasil

As plataformas de economia dos bicos tratam muito mal os trabalhadores no Brasil, revelou a primeira pesquisa do trabalho justo em plataformas realizada pela Fairwork no país, divulgada nesta quinta-feira (17). A maior nota, obtida por iFood e 99, foi 2, numa escala que varia de 0 a 10.

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