Netflix, “modo deus” e o paradoxo da escolha

25/5/15, 8h50

25/5/15 9 comentários

A Netflix começou a liberar um novo layout na web e o The Verge conversou com Todd Yellin, VP de inovação de produto do serviço, sobre as mudanças.

Uma coisa que chamou a atenção foi o efeito que o “modo deus,” um hack que expande os vídeos de uma fileira a fim de exibi-los todos de uma vez só, teve nos usuários. (Paralelamente ao hack criado pelo desenvolvedor Renan Cakirerk a Netflix testou a alteração com alguns usuários novos.) Em vez de assistirem a mais coisas, quem foi submetido ao experimento viu menos.

O culpado disso é o paradoxo da escolha, um conceito que ficou famoso no Brasil com aquela esquete da Porta dos Fundos sobre o Spoleto. Yellin diz que a suspeita da Netflix é de que “as pessoas ficaram sobrecarregadas.” Nem sempre ter muitas opções é a melhor opção.

Embora não traga o “modo deus,” a nova interface, que até mês que vem deve chegar a todos os usuários, mexe no carrossel: agora, em vez de rolar a passos de tartaruga, um toque nas setas laterais move a fileira inteira de filmes.

Netflix procura alguém para assistir a filmes — e ser pago por isso

Bruno Capelas, no Estadão:

Se você é daqueles que já disse: “ah, que bom seria se meu trabalho fosse ver filmes e séries o dia todo”, preste atenção: a Netflix acaba de abrir uma vaga para quem quiser trabalhar justamente com isso, tendo apenas a tarefa de descrever objetivamente cada filme e episódio de série que for assistido.

A vaga é esta aqui e é restrita a ingleses e irlandeses. Parece um sonho, né? Talvez seja mesmo, mas de forma alguma é um emprego fácil.

As habilidades exigidas dos candidatos já dão uma ideia da dificuldade: é preciso ser especialista em conteúdo de cinema e TV, detalhista e organizado, e obcecado pelo acompanhamento de projetos. Diferencial apreciado: saber usar o Excel e ter experiência com CMSs.

Esse trabalho é a primeira linha do sistema de recomendação de conteúdo da Netflix, um monstro super otimizado que combina insights humanos com a trituração de dados feita por algoritmos. No começo do ano Alexis Madrigal desvendou os segredos e bateu um papo Todd Yellin, vice-presidente de produto da Netflix e criador desse sistema, neste belo texto na Atlantic.