It really whips the llama’s ass! Winamp, o nostálgico player de áudio, será descontinuado no fim do ano

Há uns dez anos a dinâmica da Internet era um bocado diferente. A velocidade reduzida das conexões discadas, a ingenuidade dos desenvolvedores e usuários e as tecnologias ainda pouco robustas limitavam muita coisa. Era tudo sofrido, mas era divertido.

A forma de se consumir música era outra. Dava para comprá-las, sim, mas a própria ideia de gastar dinheiro na Internet, em coisas que não se pode pegar, era estranha à maioria. Imperava a pirataria através do Napster, KaZaA, eMule e outros. Na hora de reproduzir os arquivos MP3 baixados, o player mais popular era o Winamp.

Com uma curta mensagem no site oficial, a Aol marcou a data para o fim do Winamp: 20 de dezembro de 2013. As versões para Windows e Android serão descontinuadas e quem quiser baixá-las dos canais oficiais tem até esse dia para garantir sua cópia. Depois disso, só em repositórios de velharias.

Mensagem de encerramento do Winamp.
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Atualização (14/1/2014): a Radionomy, um grupo especializado em rádios online, anunciou a compra do Winamp e da tecnologia SHOUTcast, da Aol. Com isso o app não só continuará disponível, como receberá novas funções em versões futuras. Alexandre Saboundjian, CEO da Radionomy, disse que “seu papel [do Winamp] é claro na futura evolução da mídia online — planejamos fazer dele um player ubíquo, desenvolvendo novos recursos dedicados ao desktop, mobilidade, sistemas automotivos, dispositivos conectados e todas as outras plataformas”.

O bom, velho e rápido Winamp

O Winamp era legal por uma série de fatores. Era poderoso e leve, flexível o bastante para aceitar skins e plugins e tocava vários formatos populares. Ser gratuito também era um ponto bem positivo. Havia diversos apps para ouvir música, alguns cópias descaradas do Winamp, quase todos mais lentos e confusos que o original. Pela simplicidade e poder, o Winamp 2 era o preferido de muita gente.

Skin padrão do Winamp 2.
Winamp 2.

O sucesso da segunda versão foi avassalador. Durante um bom tempo ele foi o programa para Windows mais baixado do mundo.

Tamanha popularidade levou a Nullsoft a desenvolver novas versões. O Winamp3 foi totalmente reescrito e lançado em agosto de 2002. O que parecia ser um belo recomeço mostrou-se um desastre: o software ficou pesado, eliminando uma das características mais notáveis da versão anterior. A rejeição foi tão grande que a o Winamp 2 continuou recebendo atualizações em paralelo até o lançamento do Winamp 5, pouco mais de um ano depois.

O Winamp 5 fundiu as duas versões anteriores (por isso, 2+3, que ele recebeu esse número de versão e não foi chamado Winamp 4). Era um app mais ágil, mas nessa época os sinais de ostracismo começavam a aparecer, mais por culpa da concorrência do iTunes, de outros players melhores e por mudanças no comportamento do usuário médio do que por demérito da Nullsoft no desenvolvimento do Winamp.

Ainda saíram mais duas grandes atualizações, o Winamp 5.5 em 2007, celebrando os 10 anos do player, e o 5.6, com integração com o app para Android e outras poucas novidades.

Em algum ponto dessa trajetória de 15 anos prestes a se encerrar o Winamp ganhou um app elogiado para Android, passou a rodar vídeos, foi vendido para a Aol e perdeu espaço para formas conectadas de consumir música. Como todo ciclo, este é mais um que se fecha. Os players padrões dos sistemas em uso atualmente são bons e, quando se buscam alternativas de terceiros, há muita coisa legal que ultrapassa o Winamp em funcionalidades e comodidade.

Pelas tardes e madrugadas ouvindo música, as milhares de skins e os muitos plugins bacanas, o meu muito obrigado!

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