Os aplicativos de VPN da Kape, uma “ex-empresa” de publicidade

A empresa britânica Kape Technologies comprou o aplicativo ExpressVPN por US$ 936 milhões no início da semana. No comunicado à imprensa, a Kape alardeia que a aquisição dobrou a sua base de usuários para 6 milhões.

A Kape, sediada no Reino Unido, já era dona de outras VPNs — CyberGhost VPN, ZenMate e Private Internet Access (PIA) —, o que a credita como uma empresa de segurança. Só que nem sempre foi assim. A empresa foi fundada em 2011 com o nome Crossrider. Era especializada em fornecer extensões de navegador e aplicativos para Windows e macOS que serviam de ponte para a injeção de anúncios. Em 2018, mudou de nome e passou a renegar o passado.

O ExpressVPN tem uma boa reputação, bem como o PIA (os outros dois, desconheço), mas em um mercado tão sensível como o de VPN, em que a confiança é tudo, será o bastante? Via The Register (em inglês).

WhatsApp ganha diretório de estabelecimentos comerciais em São Paulo

Quatro telas do WhatsApp, lado a lado, mostrando a jornada do usuário no novo recurso de diretório de estabelecimentos comerciais no WhatsApp.
Imagem: @wcathcart/Twitter.

O WhatsApp lançou um diretório de estabelecimentos comerciais embutido no próprio app — quase como um “páginas amarelas” digital. Ainda em testes, a empresa escolheu São Paulo para lançar a iniciativa. Os estabelecimentos são divididos por categorias e o WhatsApp informa a distância do usuário em relação a cada um deles. Segundo Will Cathcart, líder do WhatsApp dentro do Facebook, o WhatsApp não registrar a localização do usuário nem por quais estabelecimentos ele “navega”. Via @wcathcart/Twitter (em inglês), LABS News.

Intuit compra Mailchimp por US$ 12 bilhões

A Intuit comprou o Mailchimp por US$ 12 bilhões. Em 20 anos de história, o Mailchimp jamais levantou capital externo nem distribuiu participação entre funcionários — hoje, 1,2 mil pessoas trabalham na empresa. Segundo o comunicado à imprensa, o Mailchimp tem 13 milhões de usuários, 2,4 milhões deles ativos, e 800 mil pagantes.

Pouco conhecida fora dos Estados Unidos, a Intuit é bastante presente na vida dos norte-americanos. Estão sob seu guarda-chuva o QuickBooks, uma referência em software contábil para pequenas e médias empresas, e o TurboTax, principal aplicativo para declaração do imposto de renda. A Intuit também é famosa por seu lobby agressivo e táticas no mínimo questionáveis para ocultar dos norte-americanos alternativas gratuitas ao TurboTax. Bom para os donos do Mailchimp, não muito para os funcionários (sem participação, eles dividirão um bônus de US$ 300 milhões, ou 2,5% do valor do negócio, cerca de US$ 250 mil cada) e algo inquietante para os usuários do serviço. Via BusinessWire (em inglês).

Migração de sistemas supostamente mal sucedida causou problemas na Gol

Os problemas com os sistemas da companhia aérea Gol começaram no dia 20 de agosto, durante uma manutenção programada que, a princípio, deixaria a empresa offline (incluindo o Smiles) por cerca de 15 horas, até as 11h do domingo (21/8). Via Melhores Destinos.

No dia 26, já cinco dias atrasada com a manutenção dos sistemas, a Gol enviou nota ao site Panrotas dizendo que a manutenção estava “sendo concluída com êxito” e que “estamos enfrentando apenas algumas instabilidades pontuais na disponibilização de nossos produtos para algumas agências de viagens, o que está sendo tratado com prioridade máxima, de forma a minimizar os impactos sentidos pelos parceiros”. Via Panrotas.

Na nota enviada ao Manual do Usuário, em 9 de setembro, a Gol informou que ainda estava com “instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais”.

Também no dia 9 de setembro, o Panrotas publicou a notícia de que a Gol havia finalizado a migração do sistema de reservas para o fornecido pela empresa norte-americana Sabre Systems. Na divulgação dos resultados prévios de tráfego referentes a agosto, divulgado em 6 de setembro, a Gol informou os acionistas que “reduziu suas operações nos últimos 10 dias do mês para efetuar a migração do seu sistema de serviço ao passageiro para Sabre Systems”. Via Panrotas, Gol.

No contato com o Manual, a assessoria da Gol informou que “em breve a GOL vai comunicar as mudanças”. Aguardemos.

O que está acontecendo na Gol?

Há semanas, clientes da companhia aérea Gol têm enfrentado problemas sistêmicos com a empresa: sumiço de passagens, aplicativo fora do ar, checkin inacessível (o que levou alguns a terem que fazê-lo no balcão do aeroporto), atendimento fora do ar. Uma rápida consulta em redes sociais revela pessoas iradas com o caos que parece ter se instaurado na Gol.

Perguntei à empresa, via assessoria, o que está acontecendo. A resposta (íntegra abaixo) foi uma “não resposta”. Em nota, a Gol informou que “a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída”, que ainda enfrenta instabilidades pontuais, mas que as coisas estão voltando ao normal.

Insisti, porque o posicionamento não respondeu à dúvida inicial — qual foi, afinal, o problema. Em resposta, a assessoria disse que “por enquanto só temos este posicionamento” e que “em breve a Gol vai comunicar as mudanças”. Que mudanças?

Não sei até que ponto é interessante a uma empresa de capital aberto fazer tanto mistério em torno de um problema, aparentemente, grave. Nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi publicado pela GOl nesse período. Seja lá qual for o motivo, o jeito é esperar a “comunicação das mudanças”.

A íntegra da resposta da Gol:

A GOL Linhas Aéreas informa que a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída. A Companhia ainda enfrenta instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais – site GOL, aplicativo mobile e agências de viagem – e as operações de voos são realizadas dentro da normalidade. A implementação de diversas melhorias nos processos dos canais digitais e totens em aeroportos, além de uma nova versão do aplicativo mobile, vão contribuir ainda mais para a experiência do Cliente.

O que foi a quebra do sistema Telebrás

Em outubro de 1861, um sujeito conseguiu criar uma máquina que registrava a voz humana, convertia ela em impulsos elétricos e a repassava a outro terminal por meio de um fio de cobre. No outro terminal, os impulsos eram reconvertidos em voz para chegar aos ouvidos de alguém fisicamente distante do locutor. Era um protótipo […]

Apple compra streaming de música clássica e promete app para 2022

A Apple adquiriu o streaming de música clássica Primephonic. O valor do negócio não foi informado. De imediato, o Apple Music ganhará playlists e conteúdo exclusivo do Primephonic e, em 2022, um novo aplicativo será lançado. Já o app/serviço independente do Primephonic será encerrado já no próximo dia 7 de setembro. Os atuais assinantes receberão seis meses de gratuidade no Apple Music. Via Apple (em inglês).

A música clássica tem toda uma organização de meta dados própria, que em muitos aspectos é estranha ou incompatível com a da música popular. Nesta matéria de 2019, que destaca Primephonic e um serviço rival, o Idagio, o New York Times explica tais particularidades:

Para a maior parte das músicas no Spotify ou Apple Music, uma listagem do artista, faixa e álbum funciona bem. Mas críticos do status quo [os serviços de streaming especializados] argumentam que a estrutura básica do gênero clássico — com compositores não performáticos e trabalhos compostos por múltiplos movimentos — não é adequada ao sistema construído para o pop.

OnlyFans volta atrás em decisão de proibir conteúdo sexual explícito

Com um aviso no Twitter, o OnlyFans reverteu a decisão de proibir conteúdo sexual explícito em sua plataforma, dizendo ter “assegurado recursos” necessários para continuar operando dessa forma. Anteriormente, logo após anunciar a proibição, que seria válida a partir de 1º de outubro, o CEO Tim Stokely havia dito ao Financial Times que os bancos BNY Mellon, JPMorgan Chase e Metro Bank estavam criando obstáculos injustos para o pagamento dos criadores da plataforma devido à conexão do OnlyFans com profissionais do sexo. A forte reação deu resultado, mas fica a dúvida se o estrago já não está feito. Via @OnlyFans/Twitter (em inglês), Insider (em inglês).

OnlyFans proibirá conteúdo sexual explícito a partir de outubro

Se você já ouviu falar do OnlyFans, provavelmente conhece a fama da rede permissiva com conteúdo pornográfico. A partir de outubro, porém, o OnlyFans proibirá fotos e vídeos de sexo explícito em sua plataforma. (Ainda será possível publicar “nudes”, porém.) A notícia, dada em primeira mão pela Bloomberg, causa espanto. A guinada, segundo o OnlyFans, se deve à pressão crescente de parceiros financeiros e provedores de pagamentos, como bandeiras de cartões de crédito, contra o conteúdo explícito. Especula-se, ainda, que dificuldades na obtenção de investimentos pelo mesmo motivo também tenham contribuído para a controversa decisão. Via Bloomberg (em inglês), Axios (em inglês).

Funimation compra Crunchyroll por US$ 1,175 bilhão. Consolidação no streaming à vista?

A proliferação de serviços de streaming segue alta. No último post livre, perguntaram até onde isso vai, ou quantos serviços de streaming veremos serem lançados antes que eles comecem a fechar ou serem engolidos pelos maiores.

O nicho dos animes e mangás talvez ofereça uma visão antecipada do que pode acontecer a toda essa indústria. Nesta segunda (9), a Funimation, uma joint venture da Sony Pictures Entertainment e Aniplex, subsidiária da Sony Music Entertainment (pensa numa estrutura confusa), comprou o Crunchyroll, até então da AT&T, por US$ 1,175 bilhão. O negócio foi anunciado em dezembro, mas só foi fechado agora. Via Nasdaq (em inglês).

Big Tech chinesa entra na mira do governo chinês

No final de 2020, Jack Ma, fundador do Alibaba, desapareceu durante três meses depois que o governo chinês melou os planos de IPO do Ant Group, seu mais recente empreendimento. Dias antes, ele havia feito duras críticas à maneira como o país lida com inovação tecnológica. Via BBC Brasil.

No início de julho deste ano, foi a vez da China promover uma “revisão de segurança” e tirar das lojas de aplicativos os da Didi, a “Uber chinesa”, alegando que a empresa estava coletando dados pessoais dos usuários ilegalmente. Dias antes, a Didi havia aberto capital nos Estados Unidos e levantado US$ 4 bilhões. Após a devassa, o valor dos papéis despencou abaixo do do IPO.  Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nesta segunda (26), as plataformas de delivery entraram na mira do Partido Comunista Chinês, que passou a exigir que elas ofereçam aos entregadores um salário mínimo, seguro e prazos de entrega mais flexíveis, o que fez sumir em dois dias US$ 60 bilhões do valor de mercado do Meituan, o “iFood chinês”. Via Reuters (em inglês), Bloomberg (em inglês).

A exemplo do que acontece no Ocidente, a China também parece preocupada e agindo para conter o poder da sua Big Tech. Enquanto nos Estados Unidos e Europa essas coisas se arrastam por anos e costumam terminar em multa irrisórias, na China a máquina antitruste é mais eficiente. Em pouco mais de seis meses, o governo local colocou rédeas em quase todas as gigantes de tecnologia do país e em outras várias upstarts. É o equivalente regulatório daqueles vídeos acelerados que mostram pontes ou prédios construídos em poucos dias — não por coincidência, também na China.

Se uma pessoa fala no Clubhouse e não há ninguém por perto… espera, o Clubhouse ainda existe?

O Clubhouse, lembra dele?, ganhou um novo logo, mensagens de texto e, enfim, abandonou a fila de espera e o sistema de convites para novos usuários. Não que isso importe muito, porque, aparentemente, ninguém mais usa o aplicativo — e as nossas previsões de quanto tempo levaria para o Clubhouse afundar, feitas neste Guia Prático gravado dentro do Clubhouse, meio que se concretizaram. Via Clubhouse (em inglês).

O mais interessante é que o Clubhouse virou o elefante da sala minimalista com decoração escandinava dos investidores de risco e futurólogos que, em janeiro, despejaram US$ 100 milhões no app, avaliando-o em US$ 4 bilhões (!), e profetizavam que este seria o novo Facebook porque… sei lá, Marc Andreessen (investidor do Clubhouse), Elon Musk e Mark Zuckerberg usaram o app uma ou duas vezes.

Vale ler esta boa coluna (em inglês) de Ed Zitron, talvez o primeiro obituário do Clubhouse.

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