A matemática dos unicórnios

Foi-se o tempo em que unicórnio era apenas o ser mitológico, aquele cavalo com chifre e poderes mágicos dos livros de fantasia. Desde 2013, o termo se desdobra para designar as startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. O clube dos unicórnios vem crescendo e, a partir de 2018, passou a contar com membros brasileiros. O que nos leva a questionar a matemática por trás dos “valuations”, ou o valor de mercado de uma empresa. Quais contas precisam ser feitas para que uma startup se autodeclare unicórnio?

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Vida longa ao celular

Os ritmos da sociedade são muitos e, quando comparados, não raro se revelam descompassados. Seguíssemos à risca o da indústria de tecnologia, por exemplo, todo mundo estaria de celular novo a cada 12 meses. Ainda que a frequência de lançamentos do setor não tenha diminuído — pelo contrário, está acelerando em alguns casos, como o do Moto G —, parece que as pessoas estão passando mais tempo com seus aparelhos antes de sentirem a necessidade de trocá-los. Será só uma impressão equivocada ou esse movimento está mesmo ocorrendo?

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Lugar de realidade virtual é fora de casa

O futuro da realidade virtual (VR, na sigla em inglês) parecia promissor em 2015. O Facebook havia acabado de comprar a Oculus e trazido para dentro de casa seu visionário fundador, Palmer Luckey; os primeiros headsets comerciais avançados de HTC, Facebook/Oculus e Sony estavam prestes a serem lançados; e Google e Samsung atacavam na faixa de entrada, com produtos que, usando celulares como visores, eram vendidos a preços bastante acessíveis.

Em paralelo, as chamadas experiências imersivas em realidade virtual despontavam — afinal, previa-se que em breve haveria uma grande demanda por conteúdo. Alguns chegaram a dizer que em poucos anos os headsets de realidade virtual seriam tão bons e acessíveis que muita gente os teriam em casa e modelos super baratos seriam distribuídos em voos internacionais, junto àqueles fones de ouvido semi-descartáveis. Uns poucos, mais empolgados, chegaram a comparar a vindoura revolução da realidade virtual às ondas avassaladoras de adoção dos computadores e celulares.

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Em 2019, a briga para manter os monopólios se tornou explícita

Roger McNamee é um dos sujeitos mais impactantes do mercado de tecnologia de quem você nunca ouviu falar. No seu primeiro trabalho na área, no começo da década de 1980, ele liderou investimentos na Electronic Arts. Quando foi trabalhar em um dos fundos mais tradicionais do Vale do Silício, o Kleiner Perkins, McNamee se envolveu em investimentos feitos em um navegador chamado Netscape e em uma loja online chamada Amazon. Ambos os negócios se tornaram gigantescos, mas é sempre bom frisar que quem começou o frenesi financeiro da internet foi o Netscape, o primeiro navegador gráfico para usuário final da história.

O histórico de acertos do McNamee era tão sólido que ele fez o que qualquer um com naquela posição faz em sua área: para que trabalhar para os outros se eu posso colher os frutos todos para mim? Em 1999, ele fundou a Silver Lake Partners com outros sócios e passou a farejar o mercado atrás de negócios com potencial.

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Startups e fundos se comprometem com a Arábia Saudita; Mastodon e WT:Social: as redes alternativas da vez

No Guia Prático de hoje, Rodrigo Ghedin e os amigos do Gizmodo, Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa, falam do papel cada vez maior da Arábia Saudita no financiamento das startups e fundos de tecnologia, uma tentativa de diversificar a enorme riqueza extraída das suas reservas de petróleo. A relação é controversa; enquanto startups e empresas de tecnologia prometem salvar o mundo, são financiadas por um regime que manda esquartejar jornalistas, decapita pessoas em praça pública e restringe direitos às mulheres.

No segundo bloco, falamos de Mastodon e WT:Social, novas redes sociais que despontam como alternativas às comerciais, em especial ao Facebook. Parece que todo ano pelo menos uma nova surge com a mesma promessa. Desta vez será diferente? E por que é tão difícil estabelecer uma alternativa às redes comerciais?

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Facebook promete salvar o jornalismo (de novo); A aceleração dos celulares com o Moto G8

No programa de hoje, Rodrigo Ghedin e os amigos do Gizmodo Brasil, Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa, falam da nova aba de notícias do Facebook, o Facebook News. É mais uma tentativa da rede social de Mark Zuckerberg de “ajudar” os jornais e dissipar a fumaça de desinformação que paira sobre a plataforma. Vai funcionar?

No segundo bloco, voltamos a nossa atenção ao mercado de celulares e à Motorola, que recentemente lançou o Moto G8, a segunda grande atualização em 2019 da sua principal linha de celulares — algo inédito. A aceleração nos lançamentos de novos aparelhos, comum na China, é o novo normal do setor? Não temos todas as respostas a essas perguntas, mas algumas boas teorias. Ouça aí!

Mande o seu recado para o podcast! Pode ser pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou enviando um áudio no Telegram para @ghedin.

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A sina do Brasil é exportar commodity e a internet não vai mudar isso

No final do século XVII, Portugal tinha um problemão nas mãos.

Em 1695, ano da morte de Zumbi dos Palmares, o outrora grandioso, aventureiro e rico Império Colonial Português parecia estar com os dias contados. Sessenta anos de União Ibérica (a fusão com a Espanha por falta de herdeiros do trono português) e quase um século de guerra contra os holandeses haviam dilapidado os recursos, aniquilado o comércio de especiarias no Oriente e reduzido substancialmente a vastidão dos territórios ultramarinos do reino. A economia do açúcar no Nordeste brasileiro (até então a maior fonte de receita na colônia) estava em crise devido à concorrência dos novos engenhos ingleses, franceses e holandeses na região do Caribe. Os preços caíam em virtude do excesso de oferta. Havia também novos concorrentes no tráfico de escravos, atividade na qual Portugal tinha sido virtualmente monopolista até um século antes. Por toda a costa da África despontavam agora novas fortificações e feitorias de outros povos europeus, incluindo até mesmo suecos, dinamarqueses e alemães.

O trecho vem de Escravidão, um livro fundamental em que Laurentino Gomes mergulha no processo que mais profundamente impactou e moldou a sociedade brasileira. O livro deveria ser leitura obrigatória a todos os brasileiros.

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