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Quibi encerra operações seis meses após lançamento

Um figurão de Hollywood e uma executiva da tecnologia se unem e levantam US$ 1,75 bilhão em investimentos para lançar uma plataforma paga de streaming de vídeos curtos de alta qualidade, para serem consumidos pelo celular e em trânsito, naqueles intervalos de 10, 15 minutos que muitos de nós (ainda) temos ao longo do dia. Essa era a premissa do Quibi, startup de mídia que nesta quarta (21), apenas seis meses depois de ser lançada, fechou as portas.

Estava fácil prever o fracasso do Quibi. A ideia em si já era questionável, afinal não é como se houvesse escassez de vídeos curtos, “de alta qualidade” ou não, mas que a que as pessoas assistiam. Mas não só por esse motivo, porque o momento é bastante receptivo ao streaming — estamos escalando a montanha do streaming audiovisual e o pico, embora já seja visível, ainda não chegou.

Tudo indicava que o Quibi estava fadado ao fracasso porque, mesmo de longe (não deu tempo de chegar ao Brasil), o que se via era uma sucessão de decisões ruins, para dizer o mínimo.

O Quibi foi lançado em abril, quando a pandemia virou realidade no mundo inteiro. O plano inicial, de só funcionar em celulares, poderia fazer algum sentido no mundo pré-pandêmico. Com uma fatia relevante do público-alvo presa em casa, manter esse limitador artificial soou… esquisito, contraintuitivo. Os apps para Apple TV, Roku e Fire TV Stick (em resumo, para TVs) só foram lançados nesta terça, na véspera do encerramento das operações. E havia o elefante na sala: o fato de que, apesar da grana torrada em conteúdo e de ter levado dois Emmy, a única produção do Quibi que chegou (mais ou menos) ao mainstream foi uma de humor involuntário (acho?), do tipo que de tão ruim fica boa.

Só consigo pensar no tempo e no dinheiro gasto nisso. É um caso emblemático de tudo que há de errado com a cultura de capital de risco do Vale do Silício. Parafraseando uma sacada popular nas redes sociais, a existência do Quibi foi tão curta quanto os vídeos que ele prometeu entregar. Via Quibi/Medium, Wall Street Journal (em inglês, paywall).

Governo dos EUA abre contra o Google maior processo antitruste em 20 anos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e 11 estados do país entraram com uma ação antitruste contra o Google nesta terça (20). Eles acusam a empresa de monopolizar os setores de buscadores e publicidade em buscadores, impedindo que outras empresas tenham chances de competir. É uma das maiores ofensivas da história norte-americana contra uma empresa do setor. O caso já é comparativo ao da Microsoft, nos anos 1990, e ao da AT&T, nos anos 1970. Entre outras coisas, a ação acusa o Google de ter se tornado o “porteiro” da internet mediante acordos vultuosos para se colocar como mecanismo de busca padrão em celulares, computadores e outros serviços, o que lhe confere +80% do mercado norte-americano. Via Folha e The Verge (em inglês).

O soluço na pandemia dos planos pós-pago de telefonia móvel no Brasil

Gráfico em barras da evolução dos planos pré e pós de telefonia móvel no Brasil, de 2005 a 2020.
Gráfico: Guilherme Felitti/Twitter.

O processo de inversão no gráfico de planos pré-pagos e pós-pagos/controle de telefonia móvel no Brasil, que vem se desenhando desde meados de 2015, teve um soluço na pandemia. Em abril, talvez por estarmos usando menos o celular ou para segurar os gastos ante a crise que se avizinhava (ou os dois), o Brasil perdeu 500 mil contas no pós e 170 mil no pré. Em junho, os planos pós voltaram a crescer. Os pré seguem encolhendo. Gráfico do @gfelitti/Twitter com dados da Anatel.

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